Dragon Pals
4 The Way of the Dragon
Notas iniciais
Sleet não era o único fã de carteirinha da série de livros “Orengi, o Dragão”. Praticamente todo dragão conhecia esses livros, e dava para contar nos dedos aqueles que não gostavam deles. Sendo um fã das antigas, Sleet possuía exemplares dos três primeiros livros da série, “A Grande Aventura”, “O Exército dos Abissínios” e “O Escaravelho Rei”. Nos dois primeiros, o foco maior estava num humor pastelão e numa narrativa leve. No terceiro, as coisas começaram a ficar sérias com a chegada do Rei Bassoon e de seus filhos Sax, Harmonica, Zurna, Bugle e, por último, Kazoo, que surgiria nos quarenta e cinco do segundo tempo para vingar a morte do pai. Este, inclusive, era o livro favorito de Sleet...
... até o lançamento de “O Príncipe dos Dragões”.
No mais novo livro, que lhe foi apresentado por seu novo amigo Garble, Sleet recebeu uma cascata de plot-twists empolgantes envolvendo seus personagens favoritos: primeiro, o fato de que Orengi tinha um irmão mais velho chamado Sirius; segundo, o fato de que seu nome verdadeiro era “Betelgeuse”. Terceiro, a existência de um novo clã de dragões, os Dragões Estelares, que viviam em terras muito distantes de Equestria. Por último, e a melhor parte: a expectativa de uma batalha tão épica que os heróis mais fortes dos livros anteriores e até mesmo o (ex-)vilão Kazoo teriam que se unir para travá-la e assim decidir o destino de Equestria.
Sleet começou a cabular as aulas com frequência: ora para reler “O Príncipe dos Dragões” outra vez, ora para brincar de “O Príncipe dos Dragões” com Garble e seu grupo de amigos. Suas notas começaram a cair, e os monitores começaram a ficar na cola de Sleet por causa da frequência com que encontravam ele vagando pelos corredores em horário de aula, mas o dragãozinho de gelo não se importava. Pela primeira vez em meses, Sleet sentia que tinha um grupo de amigos para chamar de seu.
Entretanto, mais que as notas em queda ou as cabulações de aula de Sleet, o que realmente começou a preocupar professores e diretores eram as brincadeiras violentas que ele e os outros alunos dragões protagonizavam na escola, que muitas vezes, acabavam assustando outros alunos que não entendiam o que estavam acontecendo. Em dado momento, enquanto Sleet e Garble estavam brincando de lutinha, Garble empurrou Sleet com força, fazendo-o cambalear, perder o equilíbrio, e cair sobre uma mesa, o que fez uma tigela cheia de iogurte e cereais sair voando e cair em cima de uma pônei terrestre, que começou a chorar. Ao lado dela, estava uma unicórnio de olhos azuis e pelagem negra usando óculos; sua crina era de um tom claro que oscilava entre o branco e o azul-claro e sua Cutie Mark era um conjunto de estrelas dispostas num formato que lembrava, vagamente, uma constelação. A unicórnio ficou furiosa com o que havia acontecido e foi tirar satisfações com Sleet.
Aquela unicórnio era Starry Night.
- Seu idiota, olha o que você fez! – Starry Night gritou com Sleet. – Você está causando a maior bagunça! Será possível que você não consegue passar cinco minutos sem estragar alguma coisa?
- Cale a boca, inseto atrevido! – Sleet gritou para Starry Night.
- Sleet Frostbite, nós não toleramos esse tipo de linguajar aqui na escola!
Sleet se virou para a monitora que havia dito aquilo com um olhar ameaçador (leia-se: “o olhar mais ameaçador que uma criança poderia fazer”) e então vociferou com linguagem ferina:
- Você é burra por acaso? Parece que não prestou atenção direito na situação: eu não estou falando com você, inseto!
- Agora já chega! – A monitora levantou a voz. – Para a diretoria agora mesmo, mocinho!
Sleet soltou um rosnado baixo e, enquanto seguia seu caminho, prestou atenção em algumas meninas que estavam visivelmente incomodados com o comportamento dele.
- Por que estão me olhando, idiotas? Nunca me viram, não?
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Naquele dia Spike havia acordado cedo e tomado café-da-manhã rápido, Ele estava empolgado para que Sleet começasse seu “treinamento” para se tornar um “dragão de verdade”. O dia estava muito bonito, e aquilo contribuía para deixar o humor de Spike ainda melhor. O bebê dragão foi até o local combinado com Sleet e, chegando lá, encontrou o dragão de gelo em pé, numa posição rígida, com os braços cruzados e um olhar sério. Sleet estava vestindo um lençol branco, que ele estava improvisando como capa, e um gorro roxo.
— Oi, Sleet, bom dia! Eu estou pronto para.... Por que você está vestido desse jeito?
— Porque é assim que um dos melhores mestres que conheci se vestia. – Sleet respondeu, num tom teatral. – Falando nisso, está pronto para começar a trilhar o caminho do dragão?
— Sim! – Spike respondeu empolgado.
— Muito bem! Lição zero: você é um dragão de verdade. Repita comigo: “Eu sou um dragão de verdade.”
— Eu sou um dragão de verdade.
— Com convicção, Spike!
— Eu sou um dragão de verdade!
— Muito bem. – Sleet sorriu. – Você não precisa provar para ninguém que é um dragão de verdade, nem para suas amigas, nem para seus conhecidos, nem mesmo para mim! Você é um dragão de verdade e ponto final. Não deixe ninguém fazer você se sentir menos que isso.
— Obrigado. – Spike sorriu.
— Lição número 1: como um dragão de verdade, você deve cultivar sua força dracônica. – Sleet continuou. – Da mesma forma que águias nascem águias, mas podem se comportar como galinhas se forem criadas por galinhas, o mesmo pode acontecer conosco, os dragões!
Spike não entendeu muita coisa após a palavra “força”. Por causa disso, acabou decidindo mostrar o “muque” para ver quão forte ele realmente era.
— Acho que vou precisar de treino... – Spike comentou.
— Vai mesmo, mas força dracônica não se resume apenas a músculos. – Sleet prosseguiu. – Me diga: no que você é bom?
— Ah, eu sou bom em arrumar a biblioteca da Twilight, em varrer, em entregar correspondências, em...
— Ok, chega, chega, chega. – Sleet interrompeu, pressionando o nariz num gesto de frustração – você tem algum talento que não envolva fazer tarefa doméstica para pôneis?
Spike ficou sem resposta.
— É, isso vai dar trabalho. – Sleet cochichou para si mesmo. – Muito bem, vamos começar com algo mais simples: me mostre seu sopro de fogo. Vai, manda a ver.
Spike obedeceu, liberando uma lingueta de fogo verde insignificante. Apesar da aparência cômica, Sleet não zombou dele. Ao invés disso, continuou motivando Spike a dar o seu melhor. Isso continuou até que Spike começou a tossir e, junto com uma nova rajada curta de fogo, saiu uma carta com o selo da Princesa Celestia.
— *Cof* *Cof*, foi mal.
— Não, não, não precisa se desculpar. Seu sopro até que está bacana. Está até melhor do que da última vez, quando você me enfrentou naquela luta épica pelo destino de Ponyville – Sleet riu enquanto falava aquilo, mas logo voltou a ficar sério. – Agora temos que falar disso.
— O que é que tem? – Spike observava enquanto Sleet pegava a carta de Celestia.
— Spike, seu sopro de fogo é uma das expressões mais íntimas de sua natureza dracônica. – Sleet começou. – Você não pode deixar pôneis usarem isso como sistema de correio. Seria como... eu usar minhas asas como guarda-sol para a estilista frufru.
— Você fala da Rarity?
— Dela mesma. – Sleet acenou com a cabeça. Enfim, como parte de sua primeira lição, se livre disso.
— Mas... e se for importante?
— Lição número dois: Você define suas prioridades. – Sleet continuou. – Você define o que é importante. Me diga o que é importante: quem você é ou o que essa “Celestia” espera que você seja?
Spike não respondeu de imediato. Ele olhou para a carta em suas mãos, e então olhou para Sleet, que continuava naquela postura de braços cruzados e expressão facial estoica. Ele alternou o olhar entre os dois várias vezes, até que el decidiu pegar a carta, rasga-la em pedaços e jogá-la fora.
— Vamos continuar! – Spike falou.
— É assim que se faz! – Sleet abriu um sorriso.
Sleet levou Spike para fazer uma série de exercícios físicos intensos, que incluíam abdominais, flexões, cooper e até levantamento de peso. Sendo um iniciante, Spike apresentou um desempenho risível em todas as atividades, mas Sleet continuava motivando-o.
— Não pare, Spike. Você deve cultivar a força de suas virtudes e de seus talentos, mas também a força do seu corpo! – Sleet dizia. – Como dizia um grande e sábio dragão: “Que desgraça é para um dragão envelhecer sem nunca ver a beleza e a força das quais seu corpo é capaz.”
— Não adianta... eu nunca vou chegar no meu nível! – Spike ofegava.
— Você não tem que chegar no meu nível, você só tem que ser melhor do que o “Spikey-zinho” de ontem! Faça isso e você estará num caminho excelente.
Os exercícios continuaram até que Spike ficou cansado demais até mesmo para ficar de pé. Sleet deu dez minutos de descanso para o garoto, que pediu algo para beber.
— Ainda não, Spike. – Sleet respondeu. – Você poderá beber algo após a lição de número 3.
— Ai, e qual é essa lição? – Spike resmungou, cansado e sedento.
— Dragões são assertivos! Ande com a postura certa, e você será tratado do jeito certo: peito pra fora, barriga pra dentro, olhar erguido. – Sleet respondeu.
Spike respirou fundo, mas decidiu colocar em prática o que Sleet ensinou. De início, ele teve dificuldades, mas logo estava tirando de letra.
— Isso aí, garoto! Você tem que ter presença! Se quer ser tratado como um dragão de responsa, tem que se portar como um dragão de responsa.
Os elogios de Sleet deram uma fortalecida na autoestima e autoconfiança de Spike, de forma que, por alguns momentos, Spike até se esqueceu do quanto estava cansado e com sede. Enquanto Spike continuava praticando, Sleet saiu de fininho para pegar algo, e então voltou vestindo uma peruca roxa, um vestido branco e carregando uma bandeja com alguns copos cheios de limonada.
— Ó, meu Spikey-zinho, você é justamente o dragãozinho que eu estava procurando! – Sleet falou, imitando uma voz feminina que soava hilariantemente falsa. – Oh, coitadinho do dragãozinho, está todo desconcumbelado! Mas sossegue, a titia vai botar você em forma em um instante com minhas deliciosas e nutritivas limonadas, do jeitinho que o dragão mais fofo de Equestria gosta.
— P-Puxa... obrigado!
Spike estendeu a mão para pegar um copo, mas acabou levando um tapa na costa da mão, desferido por Sleet.
— Que mané obrigado! Acabei de te desrespeitar umas cinco vezes e você me agradece? – Sleet censurou. – Não pode deixar as pessoas falarem com você como se você fosse um bebezão!
— Mas eu estou com sede!
— Isso não é desculpa! – Sleet insistiu. – Não importa se você está com fome, com sede ou com uma garra encravada. Ninguém tem o direito de te tratar sem o devido respeito! Nada de “Spikey-zinho”, “dragãozinho”, “fofinho”... não! Seu nome é Spike e você é um dragão com “D” maiúsculo. Se suas amigas são suas amigas de verdade, elas vão entender e respeitar isso! Agora, vamos, tente de novo!
Spike pigarreou, fez uma cara séria e começou de novo.
— Meu nome não é “Spikey-zinho”! É Spike! Eu não sou um “dragãozinho fofinho”! Sou um dragão com “D” maiúsculo e exijo ser tratado com respeito! Não quero mais você se dirigindo a mim com esses apelidos degradantes!
— Mas Spikey-zinho, você sempre adorou esses apelidinhos! Da mesma forma como você sempre adorou os cachecoizinhos que eu tricotei com minhas próprias patas para você!
Seria muito difícil para alguém que estivesse presenciando aquilo não rir com aquela atuação de Sleet, mas de alguma forma, Spike conseguiu manter a seriedade.
— Se você for minha amiga, vai entender e respeitar isso!
— É assim que se fala, garoto! – Sleet parabenizou o aprendiz. – Aqui, isso merece uma limonada no capricho.
Os dois beberam juntos e saciaram a sede. Mais tarde, eles voltaram a praticar as lições de “draconidade” de Sleet. Isso continuou por mais alguns dias, até que, num belo dia, Sleet estava aguardando Spike, mas dessa vez, sem sua capa e seu gorro.
— E então, qual lição iremos aprender hoje?
— Hoje não teremos lição nenhuma, Spike. – Sleet respondeu. – Hoje nós teremos um teste.
— Que teste?
— Quero que você coloque em ação todas as lições de treino físico que ensinei a você nesses últimos dias e lute comigo!
— Hã? P-Por mais que eu tenha treinado, eu não vou te vencer, Sleet! Você é muito mais forte!
— Lição número oito: Dragões não dão desculpas! Eles dão resultados! – Sleet respondeu. – Se me der um soco na cara, eu levo você para o parque de diversões por um dia inteirinho!
— Está falando sério, Sleet? Me leva mesmo? TÁ CERTO!!!
Empolgado com a promessa, Spike avançou com tudo para cima de Sleet, desferindo vários socos e chutes em sequência, sem acertar nenhum. Em dado momento, Spike decidiu desestabilizar Sleet usando um sopro de fogo nos pés dele.
O sopro de fogo de Spike estava muito maior que das últimas vezes, o suficiente para criar um pequeno tapete de fogo nos arredores. Aquilo deixou Sleet surpreso e espantado por tempo suficiente para que Spike conseguisse o acertar, de raspão, um soco na bochecha. Por puro reflexo, Sleet desferiu um soco que acertou em cheio o focinho de Spike, e foi tão forte que o fez rolar em cambalhotas até atingir uma pedra.
— Como você é bruto, Sleet! Eu não esperava que você fosse bater tão forte!
— Pare de resmungar! Eu não me lembro de ter dito que não iria revidar! – Sleet respondeu.
— Ai, isso doeu muito!
Sleet ficou desconfortável ao perceber que Spike estava prestes a chorar, mas conseguiu manter a pose.
— E-Ei, nada de chorar! Lição número nove!
— D-Dragões não choram? – Spike perguntou.
— Claro que não é isso! De onde você tirou uma burrice dessas? – Sleet questionou. – Lição número nove: dragões são seres de palavra. Ponha uma compressa de gelo nesse focinho, tire a poeira das escamas e me acompanhe. Nós vamos ao parque.
— Oba!
Spike voltou para a biblioteca Carvalho Dourado, sendo o mais discreto possível, para que Twilight não notasse o vermelhão que o soco de Sleet deixou em seu rosto. Então, ele aplicou a compressa de gelo e, para sua sorte e seu alívio, percebeu que não havia ficado inchado, e que não havia sido deixada nenhuma marca. Após isso, ele foi ao parque, encontrando Sleet na entrada deste.
— Oi, Sleet. Te deixei muito tempo esperando?
— Não, não deixou. Eu acabei de chegar – Sleet respondeu. – Agora, chega de enrolação, vamos nos divertir.
Sleet carregava consigo uma bolsinha cheia de moedas, que ele juntava fazendo bicos nos períodos em que não estava com Spike. Diferentemente dos outros dragões, que estavam seguindo juntos para a Grande Imigração, ou dos pôneis, que fixavam suas raízes em Ponyville ou em outras cidades, Sleet era um espírito livre, que nem criava raízes em lugar algum e nem seguia multidões em ciclos migratórios. Tudo o que ele precisava era de um punhado de moedas e de sua caverna de tesouros... a qual ninguém sabia onde ficava.
Sleet levou Spike para vários brinquedos no parque: levou para uma roda gigante, levou para um tiro ao alvo com estilingue, levou para um de acertar a bolinha no alvo para fazer a pessoa sentada num banco mergulhar em água (este, o Sleet particularmente adorou, já que água e frio eram suas paixões)... mas o que, provavelmente foi o favorito de todos foi um onde eles deveriam dar socos num saco de pancadas, para que sua força fosse calculada. O valor que Sleet tirou foi, naturalmente mais alto que o de Spike, mas o de Spike havia surpreendido até mesmo ele.
— E-Eu... não acredito! – E-Eu nunca consegui um valor tão alto! Da última vez, eu tirei menos da metade disso!
— Isso, meu amigo, é o resultado do seu treinamento duro. – Sleet sorriu satisfeito. – E isso é porque você começou há apenas alguns dias. Imagine você depois de semanas, ou meses... empolgante, não?
— Com certeza!
— Aí, amigo. Eu vou pegar uns doces aqui para a gente. Me espere aqui.
Sleet se afastou de Spike, deixando-o sozinho. Os minutos se passaram enquanto ele esperava pelo amigo e, por um instante, ele pareceu demorar de novo.
— Oi, Spike!
Spike reconheceu na hora a voz de Pinkie Pie, que estava acompanhando sua amiga Rarity.
— Oi meninas! Tudo bem com você?
— Com a gente, tudo. – Pinkie respondeu. – Mas e você? O que está fazendo sozinho aqui?
— Ah, estou apenas esperando meu amigo Sleet voltar.
— Uh, esse é aquele mesmo “Sleet mala sem alça” de quem a Rarity me falou? – Pinkie Pie perguntou, de forma inocente.
— Sim, é ele mesmo... peraí, o quê?
— Nada, querido. Não é nada. – Rarity encarou Pinkie Pie com um olhar de censura, logo em seguida voltando sua atenção para Spike. – Enfim, só queria saber se está tudo bem com meu Spikey-zinho. Eu olhei você de longe e você parecia que tinha se perdido. Olha, eu trouxe seu sabor preferido de algodão doce, do jeitinho que o dragãozinho mais fofo de Equestria gosta.
Spike estava prestes a pegar o algodão doce, quando se lembrou das coisas que Sleet havia lhe ensinado.
— Eu agradeço pelo algodão doce, Rarity, mas agradeceria muito mais se você não se dirigisse mais a mim dessa forma.
— Que forma? Eu não estou entendendo. – Rarity respondeu, desconcertada.
— Não sou um bebezinho para você ficar me chamando de “Spikey-zinho” isso, “dragãozinho” aquilo. Eu sou um dragão com “D” maiúsculo, e exijo ser tratado como tal!
— Spike, a Rarity é sua amiga! – Pinkie Pie tomou a iniciativa, falando com um tom de voz surpreendentemente sério. – Isso não é jeito de se falar com amigos!
— Eu poderia dizer a mesma coisa sobre o jeito que vocês falam comigo.
As duas ficaram legitimamente espantadas com aquela fala de Spike.
— De agora em diante, quero que vocês me chamem apenas de “Spike”! Nada de “Spikey-zinho” ou “dragãozinho fofo” ou nada disso. Se vocês forem minhas amigas de verdade, vão entender e vão respeitar isso!
“Se vocês forem minhas amigas de verdade”. Aquela frase acertou Rarity e Pinkie Pie em cheio. Elas não começaram a chorar, mas era visível o quão consternadas elas ficaram.
— T-Tá bom, Spike... eu... errr... me desculpe.
Rarity se despediu, consternada e constrangida com o que havia acontecido. As duas saíram de perto, com Pinkie Pie dando uma olhada rápida para trás, preocupada com o que havia acontecido. Spike se sentiu estranho com o que havia acabado de acontecer, mas não teve tempo de processar o que houve ou se tinha agido corretamente, pois logo em seguida, Sleet apareceu atrás dele segurando dois churros em sua cauda para que tivesse as mãos livres para bater palmas.
— Bravo, Spike, bravo! – Sleet parabenizou. – Você realmente aprendeu bem minhas lições! Agora suas amigas entenderam como é o jeito certo de se tratar você. Mandou muito bem, parça.
Spike ficou em silêncio.
— Tudo bem com você, Spike?
— A Rarity pareceu chateada...
— Pffft, claro que ela ficou chateada. – Sleet revirou os olhos – Acha que ela não gostava de te tratar feito o brinquedinho de pelúcia fofinho favorito dela? Mas não se preocupa, ela vai superar isso.... Como eu disse: se ela for mesmo sua amiga, ela vai respeitar seu novo eu.
— É, eu acho que você tem razão...
— Claro que eu tenho razão, Spike. Como eu já disse, sou um dragão há muito mais tempo que você. – Sleet sorriu – Mas chega de falar sobre mim ou sobre lições de como ser um dragão. Para a aula de hoje, a única lição vai ser sobre como se divertir!
Dito isso, os dois abriram um largo sorriso e deram continuidade àquele dia de diversões.
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