Dragon Pals

5 O Incidente da Floresta Everfree


Notas iniciais
Twilight Sparkle decide se abrir com alguém de confiança sobre suas preocupações com as mudanças radicais no comportamento de Spike. Enquanto isso, Sleet conduz Spike para seu teste mais difícil como dragão.

Quando a série de livros “Orengi, o Dragão” foi lançada, ela era uma série bastante nichada, escrita por um dragão, para dragões filhotes e adolescentes. Apenas a partir do quarto livro, “O Príncipe dos Dragões”, foi que a série conseguiu “furar a bolha”, por assim dizer, e se tornar uma febre, sendo lida não apenas por dragões, mas também por jovens unicórnios, pégasos e pôneis terrestres. De fato, pouco tempo depois que Sleet conseguiu seu próprio exemplar desse livro, vários alunos do colégio começaram a ler a história e a se tornarem fãs dela.

Cerca de um ano depois, o autor lançou o quinto livro da série, intitulado “A Imperatriz Imortal”. Continuando a história do ponto exato de seu antecessor, o novo livro trazia novos conceitos que expandiam ainda mais o universo de Orengi, como o desaparecimento dos Elementos da Harmonia, o distante continente de Coleptra, que era a terra natal da espécie de Kazoo, o escaravelho-esmeralda, bem como uma nova vilã, que se tornaria uma das mais icônicas da série.

Foi aí que começou o problema: por algum motivo, após o lançamento desse livro, os professores do Internato Starswirl começaram a perceber uma tensão se formando entre os alunos dragões e os alunos pôneis, com os primeiros sendo rudes e ásperos com os segundos, até episódios recorrentes de bullying. Em dado momento, a professora de literatura do internato confiscou um dos livros de um aluno dragão que, após ser denunciado por uma colega de que estava lendo outras coisas no meio da aula, respondeu chamando-a de “inseto atrevido”.

Após aquele episódio, a professora decidiu pedir à diretora para convocar uma reunião de professores para ter uma conversa séria com todos.

- Recentemente, eu tenho ouvido muitas reclamações de alunos nossos lendo esse livro, e imitando as cenas que veem neles. – A diretora começou. – Também tenho ouvido relatos de bullying constantes que alunos dragões vêm cometendo contra seus colegas pôneis, e pelo que ouvi, muitos de vocês acreditam que as duas coisas estão relacionadas.

- Gostaria de pedir sua permissão para falar, diretora. – A professora de literatura começou. Como professora de literatura, andei fazendo uma análise de um desses livros que confisquei de um aluno meu. O que eu li nesse livro me deixou horrorizada e, por isso, peço desculpas pelo que vou ler agora.

- Tudo bem, prossiga. – A diretora pediu.

A professora de literatura abriu o livro numa página marcada, e começou a ler.

- Este aqui é um trecho dito por um dos personagens, chamado de Príncipe Algol. – A professora soltou um pigarro enquanto começou a ler. – “O lugar onde você e eu nascemos era o continente de Caraxia, e a causa de sua destruição não foi uma série de terremotos devastadores. Foi Hexa quem o destruiu, e nós, os dragões estelares, éramos seus súditos mais fieis. Éramos obedientes a ela, seguíamos todas as suas regras, fazíamos tudo o que ela pedia, e apesar disso, ela eliminou a todos, incluindo o seu pai e o meu. Hexa fez o que fez porque ela tinha medo de nosso poder, e sabia que uma vez que o lendário Dragão Supernova nascesse, ele a destronaria e seríamos livres outra vez.”

Tanto a diretora quanto os professores foram ficando mais e mais horrorizados à medida que a professora de literatura continuava lendo aquele trecho.

- “Por favor, acabe com Hexa, Betelgeuse! Por favor, arranque o chifre dela com suas garras de dragão estelar!” – A professora de literatura fez uma pausa, para que todos processassem o que ela havia acabado de ler. Em seguida, voltou a falar. – A propósito, vou mostrar para vocês uma imagem de quem é a personagem Hexa que foi mencionada tantas vezes nesse trecho.

Quando a professora mostrou a imagem, todos ficaram ainda mais horrorizados com o que viram: Hexa era uma alicórnio branca, de olhos que oscilavam entre o vermelho e o púrpura. Sua semelhança com a Princesa Celestia era enorme, sendo as únicas diferenças entre as duas a crina em diferentes tons de roxo e a Cutie Mark, que lembrava um círculo mágico em formato hexagonal.

000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000


Havia uma tristeza clara e profunda estampada no rosto de Twilight Sparkle: ela andava cabisbaixa pela biblioteca Carvalho Dourado, tão curvada que a cauda e a crina dela estavam quase se arrastando pelo chão. Ela havia pego um, dois, três, seis livros para estudar, mas ela sempre acabava abandonando-os após um curto momento de leitura. Soltando um suspiro alto, ela decidiu pegar papel e pena para escrever uma carta. Antes de começa-la, porém, ela não conseguiu evitar de dirigir um olhar entristecido para a cama de Spike, o qual durou alguns segundos. Aquilo pareceu fazer Twilight se sentir ainda pior.

Já fazia dias que Spike não conversava direito com ela e nem a ajudava com seus afazeres e seus estudos: ele acordava, tomava o café-da-manhã, saía e só voltava mais tarde. Nas primeiras vezes, em que Twilight perguntou o que ele estava fazendo, ele deu respostas ríspidas. Quando ela procurou conversar com suas amigas, elas relataram a mesma rispidez da parte de Spike e se sentiram da mesma forma como Twilight estava se sentindo agora.

Agora, só restava uma pônei com quem Twilight poderia desabafar.

000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000

Querida Princesa Celestia,

Me desculpe pelo longo tempo que faz que não lhe escrevo minhas cartas. Há algumas... coisas acontecendo em Ponyville.

Algumas semanas atrás, eu e minhas amigas assistimos à grande migração dos dragões. Nesse dia, Spike ficou encucado em descobrir sobre “quem ele realmente era” e decidiu que seguiria os dragões. Ele não foi longe: logo no início do caminho, ele conheceu um dragão de gelo chamado Sleet, que acabou se tornando muito amigo dele.

Sei o que você deve estar pensando agora: que estou escrevendo para desabafar um ciúme idiota que estou sentindo, e acredite em mim, eu queria que esse fosse o caso... mas a verdade é que, desde que Spike conheceu esse tal Sleet, ele ficou muito estranho, e não consigo deixar de me sentir aflita por ele. Para começar, nós brigamos feio por causa de uns livros que o tal Sleet emprestou para ele, e desde então, ele não quer mais me ajudar em minhas tarefas. Não apenas isso, mas ontem mesmo, Pinkie Pie me contou que Spike criou uma situação um tanto constrangedora com Rarity só porque ela o chamou pelo apelido que ela sempre usou com ele e ele sempre gostou. Desde então, Rarity também ficou muito triste.

Eu não sei, o Spike tem estado muito distante de mim ultimamente, de todas nós, e nada é a mesma coisa sem ele. Eu costumava conversar e até desabafar muitas coisas com ele, mas agora essa parede surgiu entre nós dois e eu não sei como superá-la. Eu preciso de seus conselhos, Princesa Celestia. Eu preciso da sua ajuda.

De sua dedicada aprendiz, Twilight Sparkle.

Ps.: Por favor, ache outro jeito de enviar sua resposta. O Spike também está se recusando a me ajudar a enviar as cartas.

000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000

Enquanto Twilight estava tendo uma manhã aborrecida por conta de tudo o que estava acontecendo entre ela e Spike, o jovem dragãozinho estava mais animado que nunca: ele havia montado uma mochila enorme, e agora estava indo em direção ao lugar onde ele sempre ia para encontrar seu amigo Sleet. Chegando lá, Sleet já estava esperando-o, escorado em uma árvore. Ele lançou um olhar de estranheza para o amigo ao ver a mochila enorme que ele estava carregando.

— Spike, para quê você trouxe esse monte de tralha?

— São minhas coisas para acampar. – Spike respondeu. – Você disse que a gente ia acampar.

— Não, Spike, eu disse que a gente ia DESBRAVAR, isso é diferente. – Sleet respondeu. – Deixe essas tralhas aí. Dragões não precisam dessas coisas.

— E como vamos desbravar sem minhas coisas?

— Não ouviu? Somos dragões, Spike. – Sleet deu um sorriso confiante – Desbravar e conquistar terras hostis está em nosso sangue.

— E o que nós vamos desbravar?

— Aquilo.

A expressão facial de Spike mudou para puro medo quando ele viu para onde Sleet estava apontando: para a floresta Everfree. Aquela floresta já era conhecida por Spike por ser um lugar muito perigoso: foi para lá que Twilight e suas amigas tiveram que ir para recuperar os Elementos da Harmonia e derrotar Nightmare Moon. Foi de lá também que saiu a Ursa Menor que atacou Ponyville durante todo o incidente envolvendo Trixie Lullamoon e era lá que viviam os temíveis Lobos de Madeira.

— M-M-Mas aquilo... é a Floresta Everfree!

— Precisamente! Quer teste melhor que esse para um dragão?

— Mas Sleet... eu sou só um...

— Não termine essa frase, entendeu? Você não é “só um...” sei lá o quê. Você é um dragão, e é tão dragão quanto eu! Você dá conta! – Sleet ficou aborrecido. – Lembre-se do que eu te ensinei: postura, confiança, força e todas as outras habilidades suas que você cultivou. Não se preocupe, eu vou estar o tempo todo do seu lado.

Mesmo a contragosto, Spike deixou a sua mochila onde Sleet indicou e foi seguir o dragão mais velho. Entrando na Floresta Everfree, Spike tremia feito vara verde a cada passo, pois cada sombra, cada ruído estranho, cada vulto entre as folhas podia ser o de algum monstro feroz e devorador de bebês dragões.

— Spike, venha ver isso!

Spike se assustou e levou uns dois segundos para reconhecer que era a voz de Sleet. Ele estava com a boca lambuzada de uma substância arroxeada brilhante, que tinha alguns traços estranhos de dourado. Ele também carregava uma porção daquilo na mão

— Dá uma provada nisso!

Antes que Spike pudesse responder, Sleet meteu a porção que ele segurava na boca de Spike. Spike demorou um tempo para processar o que havia acontecido, mas logo seus olhos se arregalaram, junto com um sorriso enorme.

— HUMMMMMM!!! Mas isso é uma delícia! O que é?

— É geleia real! Uma delícia, não é?

— Geleia real? – Spike perguntou. – Mas a Twilight me disse que abelhas produzem isso! Como você pegou isso sem elas te picarem.

— Aura gélida, meu amigo. – Sleet sorriu. – Dragões de gelo emitem um frio natural que ajuda a manter insetos afastados. Isso me permite, facilmente, pegar um pouco disso para nós.

Naquele momento, Spike e Sleet começaram a ouvir alguns zumbidos pouco amigáveis.

— Mas isso não quer dizer que nossas amigas abelhudas não estejam um pouco aborrecidas comigo. Vamos indo, parceiro!

Sleet pegou Spike pela mão e saiu correndo com ele floresta adentro, até encontrar uma lagoa onde ambos pularam de cabeça. Sleet sinalizou para Spike ficar submerso até que os zumbidos passassem, e uma vez que passaram, eles saíram em segurança.

— Caramba, eu não sabia que tinha um lugar legal assim na Floresta Everfree!

— Spike, meu amigo, tem MUITA coisa legal que você não conhece... e eu não podia estar mais animado para te mostrar CADA UMA delas.

Depois da degustação de geleia real, do leve exercício de cooper fugindo de algumas abelhas aborrecidas e mais um mergulho numa lagoa, Sleet decidiu levar Spike até outro lugar da floresta Everfree: tratava-se de uma clareira, onde havia uma bela árvore, cujas frutas possuíam diversas variantes da cor azul: haviam as azuis claras, as azuis escuras, as que eram de cor ciano, as que eram de cor turquesa, as roxas, as lilases, as violetas... enfim, qualquer cor derivada do azul que alguém pudesse pensar aparecia em, pelo menos, uma fruta daquela árvore.

— Que árvore linda... – Spike exclamou.

— Esta é a Lazurina. – Sleet respondeu. – Ela faz parte da família das Árvores Cromáticas. Vê essas frutas, em diferentes tons de azul que ela dá? Cada tom de azul significa um estágio diferente de amadurecimento, e cada estágio de amadurecimento dá a elas um sabor único. As Lazurinas têm esse nome porque as cores de suas frutas fazem todas parte da paleta azul, mas existem árvores cromáticas com paletas de outras cores: as Ruberinas dão frutas vermelhas, as Flavônias dão frutas amarelas, as Viridênias dão frutas verdes e assim por diante.

— Elas parecem deliciosas! – Spike exclamou.

— E são. – Sleet respondeu. – Por que você não pega uma para comer?

— Eu posso? De verdade?

— Claro que pode! – Sleet respondeu. – Elas não têm dono e também não têm veneno. Por que você não poderia?

A primeira fruta que Spike pegou era uma fruta azul-turquesa, que tinha uma textura crocante.

— Tem gosto de menta. – Spike comentou

— Tenta essa outra. – Sleet respondeu, jogando uma fruta ciano escuro.

— Ai, que azeda!

— Agora pega essa outra! – Sleet riu, jogando uma fruta violeta para Spike.

— Nossa, essa é tão docinha! Eu adorei!

A dupla de dragões continuou experimentando as frutas de diferentes cores, inclusive misturando os sabores para obter novas combinações. O festival de degustação, no entanto, encontraria um fim abrupto e desagradável: um rugido grave acabou assustando Spike e colocando Sleet em estado de alerta. Alguns segundos depois, uma ursa apareceu por detrás de alguns arbustos, arreganhando os dentes e emitindo grunhidos graves. Spike havia começado a tremer feito vara verde e fez menção de correr, mas Sleet o segurou pelo pulso.

— Não corra, Spike. – Sleet disse num tom de voz assustadoramente calmo. – Esta é a sua décima lição: “dragões não correm de ninguém, todos é que correm dos dragões!”

Spike não respondeu. Ele estava suando frio enquanto a ursa continuava se aproximando.

— Spike, lembra das técnicas de luta que eu treinei com você?

— S-Sim.

— Muito bem. Vamos usar a técnica Anti-Rigel.

— O q-quê?

— Preciso que você distraia a ursa por alguns momentos. O suficiente para que eu assuma a dianteira.

— S-Sleet, eu estou com medo...

— Está tudo bem ter medo, Spike. – Sleet sorriu, com uma gota de suor escorrendo pela sua testa. – Isso prova que você sabe das coisas.

A ursa soltou outro grunhido grave, mais alto que os demais. Sleet, percebendo que Spike não ia se mexer, cochichou no ouvido dele.

— Imagine aquela unicórnio branca que você tanto gosta estando aqui e agora, atrás de nós. Você a deixaria na mão?

Sleet não ia com a cara de Rarity. Na verdade, ele não ia com a cara nem de Twilight e nem de nenhuma das amigas dela, mas ele sabia que Spike tinha um vínculo com elas; ele havia treinado ele para ser forte e ele sabia que um dragão forte jamais deixaria nada acontecer com alguém com quem ele se importasse. Mencionar a paixonite de Spike teve o efeito desejado: mesmo com medo, ele tensionou o próprio corpo, e se preparou para agir ao menor sinal.

— AGORA, SPIKE!!!

Spike saiu correndo na direção da ursa, com as patas levantadas e as garras de fora, berrando como um louco, como se querendo intimidar a ursa. A ursa reagiu se empinando nas patas traseiras, ficando ainda mais alta. No último instante, Spike soprou seu jato de fogo com todas as forças, e o impulso o projetou para cima como um foguete. A ursa assistiu o pequeno dragãozinho roxo decolando completamente atônita.

— BOA, SPIKE!!!

Aproveitando-se da distração de Spike, Sleet deu uma arrancada em direção à ursa, parando em frente a ela. Então, ele soprou um jato congelante, mirando nas pernas traseiras e nas patas dianteiras dela. O jato que a atingiu nas pernas traseiras congelou quase toda a metade inferior do corpo dela. O jato que a atingiu nas patas dianteiras as envolveu em blocos de gelo que atuaram como bolas de ferro.

— Ele conseguiu! – Spike exclamou.

— Agora, Spike! Vamos acabar com essa bola de banha! JUNTOS!!!

— O quê?

— Toma isso, projeto de tapete!

Sleet acertou um soco na barriga da ursa, e depois um no queixo, e outro na lateral do corpo, e então um chute no focinho. Em pouco tempo, Sleet estava dando uma surra franca na ursa.

— Acha que pode se meter com meu parceiro? Quem mexe com os amigos de um dragão toma na cara, desse jeito! – Sleet vociferou, dando outro soco no focinho da ursa.

Spike ficou estarrecido ao ver aquilo. Ele já tinha ouvido histórias de como Applejack havia conseguido derrubar alguns animais ferozes na Floresta Everfree, ou de como a própria Fluttershy havia conseguido domar um urso de forma brutal... mas ver alguém como ele lutando corpo a corpo com uma ursa? E ainda por cima vencendo? Aquilo era algo inebriante.

— Não fique aí parado, Spike! – Sleet bradou. – Lição número 11: Dragões sempre permanecem unidos, não importa quão grandes sejam as chances contra nós!

Incentivado pelo brado de Sleet, Spike arreganhou os dentes e pulou nas costas da ursa. Rosnando igual a um cão raivoso, Spike começou a arranhar e a morder as costas da ursa, fazendo-a rugir de dor e a tentar, a todo custo, remover o filhote de dragão das costas.

O ataque de ambos os dragões continuou de forma incessante, até que a ursa conseguiu jogar Spike em cima de Sleet e também quebrou o gelo que a prendia. Aquilo fez com que Spike se espantasse, e quase regredisse ao estado de medo de antes, mas a ursa estava bastante ferida pelos golpes de Sleet e pelos arranhões e mordidas de Spike. Foi aí que Sleet teve outra ideia.

— Ruja, Spike!

— O quê?

— Eu mandei rugir! – Sleet repetiu. – Mostre para ela que esse é seu território! Não podemos lutar para sempre, então vamos fazê-la desistir de lutar. Ruja o mais rápido que puder!

Spike tentou rugir, mas seu rugido pareceu mais um grito do que qualquer outra coisa. Sleet reagiu soltando seu rugido também, um pouco mais grave, mas ainda adolescente. Combinado com seu rugido, o dragão de gelo também abriu suas asas para parecer maior. Aquilo fez a ursa hesitar por um momento.

Ver a ursa que era tão maior que ele hesitando fez Spike sentir algo que ele nunca havia sentido antes. Uma sensação inebriante de força e poder. Pela primeira vez, ele não se sentia mais só como o assistente de Twilight, ou como o dragãozinho de bochechas fofas que a Rarity gostava tanto. Agora, ele se sentia grande. Grande e forte.

Então Spike rugiu de novo... e de novo... e de novo. Ele e Sleet rugiram juntos algumas vezes, e Spike seria capaz de jurar que sentiu seu rugido ficar cada vez mais grosso a cada vez. Spike e Sleet rugiram juntos umas cinco ou seis vezes, e então a ursa, ferida, se encolheu, voltando à sua postura de quatro patas, e então ela saiu correndo.

— É isso aí! Foge, sua bola de banha, ou eu te transformo num tapete para minha caverna! Eu sou o filho de Hailstorm Frostbite! Está me ouvindo, comedora de mel? Eu...

Sleet comemorou sua vitória vociferando para o animal que sumia à distância. Enquanto isso, Spike, completamente chocado com o transcorrer dos eventos, só conseguiu dizer duas palavras.

— Eu... consegui...