Downtown High

3 Embarrassing Talks


Notas iniciais
Quarta-feira, primeira semana. Este capítulo é narrado por Anna, Carol e Jullie. Recomenda-se a leitura do capítulo acompanhado da reprodução das seguintes músicas: Taylor Swift - Love Story (parte da Anna) Carly Rae Japsen - Call Me Maybe (parte da Carol e da Jullie) Boa leitura!

Anna

A terça-feira foi um dia realmente muito calmo, nada de mais acontece no segundo dia de aula, nada como a excitação de rever todos os amigos, nem é uma aula de verdade. Alguns professores se apresentam, novos alunos são recepcionados, sendo a maioria nerds de carteirinha ou meninas tímidas que parecem mais novas do que são.

Hoje, porém, eu cheguei na escola atrasada, retomando o costume do ano passado de perder o primeiro período de aula praticamente todos os dias.

Eu nem sei qual período perdi, mas tudo bem, porque eu estava lá a apenas alguns minutos quando Peter chegou na secretaria.

— Ah meu Deus, o que você fez? — Ele perguntou, parecendo minha tia.

Eu não pude deixar de rir e entrei na brincadeira.

— Digamos que alguns alunos não souberam lidar com tamanha beleza que emana de minha pessoa, e isso estava afetando suas notas...

— O que eu falei sobre emanar essa beleza? Você acha que eu consegui prestar atenção em alguma coisa da última aula de química?

Okay... Eu não fazia ideia do que responder, então apenas sorri, e respondi a primeira pergunta novamente.

— E eu cheguei atrasada, e você, Peter, o que fez?

— Oh, Julieta, vim assim que soube que estarias aqui! — Disse ele, teatral — Vamos fugir daqui!

Antes que ele terminasse de me deixar envergonhada, a secretária nos fuzilou com o olhar e respirou bem fundo, para soltar o "shhhhhhhhhh!" mais barulhento que eu já ouvi.

— Nosso amor não é permitido... — Peter sussurrou. — Oh Julieta, hei de fazer tais cópias para o professor Nesson — disse indicando solenemente uma pilha de papéis em sua mão.

Ele levou as folhas até a secretária, falou alguma coisa e sentou-se ao meu lado.

— Ela disse que vai demorar um pouco enquanto ela copia todos esses testes.

— O que? O senhor Nesson te deu os testes, que você ainda nem fez?

— É, mas parece mais estranho quando você fala desse jeito... Mas eu não vou te dar uma cópia da prova, eu sou o mocinho, não o badboy, o que você pode perceber pela ausência de jaqueta de time no meu vestuário.

— Sr. Nesson é professor de história... Não preciso ver a prova para tirar um A+. História faz sentido, ao contrário de química e física. São apenas ações feitas por pessoas comuns, que acabam sob os holofotes do mundo devido a diferentes circunstâncias.

— Okay, eu só queria uma conversa normal... Esqueci que estava conversando com uma gênia. — Disse ele rindo. — Desculpe, Sócrates.

Graças ao bom Deus a secretária da escola é uma senhora idosa, e a copiadora é da era das cavernas, e demorou quase todo o período para copiar aquelas provas. Eu e Peter conversamos e rimos enquanto ela empilhava as cópias incansavelmente, como se fosse a última coisa que ela faria na vida — e, desculpe por isso, mas talvez fosse, ela é jurássica.

— As cópias ficaram prontas, garoto. — Disse a senhora responsável pelo xerox.

— Já vou buscar — respondeu Peter, que olhou para mim e sussurrou — Okay, Julieta. Professor Nesson na verdade me mandou deixar as provas aqui e voltar para a aula. O que eu faço para não acabar na detenção ou escrevendo dez mil vezes "não vou matar aula" no quadro?

— Ninguém mais faz isso com os alunos, isso é coisa de filmes adolescentes e abertura dos Simpsons. De qualquer jeito, é só falar que tem certeza de que ele pediu para você ficar e entregar as cópias prontas. Não é difícil.

— Adeus, Julieta, quer dizer, Sócrates, quer dizer, Ann. Adeus, Ann...

Quando ele ia passar pela porta o sinal tocou, e eu pude sair dali, e o acompanhei até a sala do sr. Nesson. Entregamos os testes, e Peter o convenceu de que ele o havia pedido para que ele esperasse pelas cópias. Saímos dali comemorando silenciosamente pelo corredor, passando pelo armário de Lauren.

— Eu me lembrei de uma coisa agora. Você gosta de festas?

— Depende da companhia.

— Então você vai amar, pois eu vou estar lá! Minha amiga Lauren vai dar uma festa nesta sexta-feira, na casa dela. Quer ir comigo?

— Com você? Tipo, nós dois? Como em um enc...

— Não! — Gritei automaticamente. — Escolhi as palavras erradas. Quer ir nessa festa... Que eu vou. Com várias outras pessoas também... — Cala a boca, Anna.

— Sim. Claro. Eu te busco na sua casa... Porque eu não sei onde ela mora. E não vou te deixar ir sozinha, de noite... — ele estava vermelho, e gaguejando.

Eu com certeza o deixei nervoso quando acidentalmente o convidei para um encontro. Eu não faria isso por querer, quer dizer, ele é um ótimo amigo, é bem fofo, e convenhamos, um gato, mas eu o conheci segunda-feira. É impossível gostar de alguém em três dias.

No final do dia ele me levou até a minha casa e me prometeu mais caronas no futuro.

Assim que pisei em casa meu irmão Johnny começou a me fuzilar com perguntas sobre o "loirinho" que me trouxe da escola, e eu fui obrigada a falar sobre super-heróis para fazê-lo mudar de assunto. Se quiser saber, prefiro Miles Morales como Spider Man.

Carol

Encontrei alguns velhos amigos e conheci novas pessoas na terça-feira, mas foi quarta-feira que me chamou atenção. Lá estava eu, tranquila, mexendo no meu armário, quando ouço uma voz familiar dizer:

— Não está atrasada para cálculo I? Desculpa, cálculo II.

Gelei. Era Alex e nós tínhamos outro período juntos naquele dia.

— Haha, espertinho. Já estou indo.

— Então, Carol, estive andando por esses corredores e me dei conta de que são muito confusos.

— Ah, é? — Perguntei enquanto fechava meu armário e começava a andar em direção à sala de cálculo com ele.

— Sim, muito complicados. Parece que vou precisar de alguém para fazer um tour comigo pela escola. Tem planos para o próximo intervalo?

— Hm, deixa-me ver... — Fiz de conta que estava pensando — Não, acho que não.

— Ótimo, é um encontro então. — E chegamos à sala de matemática, onde a aula iniciou pontualmente.

Conversamos bastante naquele período, coisa que irritou nosso professor.

— Você toca piano? – Perguntou Alex.

— Sim, a cerca de quatro anos.

— Nossa, isso é muito legal. Eu toco bateria desde pequeno. Deveríamos tocar juntos algum dia.

— Sim, com certeza. – Respondi sorrindo.

Após o fim da aula e de nosso pequeno tour, enquanto acompanhava Alex para a sala de inglês onde ele teria a próxima aula, dei-me conta de que aquela era a oportunidade perfeita para perguntar o que tanto queria.

— Então, Alex... Tem planos para sexta à noite?

— Na verdade, não. Por que?

— Bom, minha amiga, Lauren, está dando uma festa de início do ano letivo na casa dela, e eu gostaria de saber se você está interessado em ir também.

— Parece uma ótima ideia. Preciso do seu número para pegar o endereço certo.

— Eu posso te dar o endereço agora, se quiser. — E fiz menção de abrir minha mochila para pegar um caderno, coisa que Alex interrompeu.

— Não precisa, prefiro te ligar.

Como era de se esperar, fiquei vermelha. Dei meu número a ele, que disse:

— Bom, até mais! — Abanou e saiu com a maior naturalidade possível, enquanto eu ficava lá, encantada.

Logo quando cheguei em casa, recebi a ligação que estava esperando.

"Oi, Carol. Tudo bem?".

Que bom que ele não podia ver minha expressão de pânico pelo telefone.

"Liguei para saber o endereço da sua amiga" continuou, "pode me dizer qual é?".

"Sim, claro. 5th Avenue com 47th, perto do Starbucks.".

"Ah, conheço o lugar. Lindo a noite, sabia? Nós até podíamos dar um passeio depois da festa...".

"Aham, claro..." nossa, como eu estava nervosa.

Alex riu e disse: "OK então, te vejo amanhã na aula.".

Vergonha? Muita.

Jullie

Quando chegou a quarta-feira, contei tudo sobre o dia anterior para Christy e Andy.

— Meu Deus, Jullie! Que cara incrível, realmente um pacote completo.

— Sim, eu sei. Ele é tão carinhoso e prestativo...

— E tem uma bunda linda.

— Christy! Dá para parar de falar isso?

— Desculpa, mas é verdade.

— Então... onde foi que eu parei mesmo?

— Ele te ofereceu carona.

— Isso mesmo, obrigada, Andy. Então ele me ofereceu carona, e eu obviamente aceitei. Quando eu saí do vestiário ele já estava lá me esperando, e eu quase desmaiei por causa daquele sorriso maravilhoso.

— Jullie... Você está apaixonada?

— Claro que não.

Será que eu estava mesmo gostando dele? Eu não sei como essas coisas funcionam, eu nunca gostei de ninguém. Será que ele vai ser só uma paixonite de colegial ou eu realmente vou ficar com ele? Meu Deus, eu tenho tantas dúvidas. Não sei mais o que fazer. Quer dizer, agora eu tenho que ir para casa.

Quando cheguei em casa, vi que tinha uma mensagem de Christy:

''Oii, Jullie. Só para avisar que eu passei seu número para o Alex.''.

O quê? Ai meu Deus, Christy é louca. Por que ela tinha feito isso?

Não deu tempo de eu entrar em desespero, porque logo que eu terminei de ler a mensagem, um número desconhecido me ligou.

''Oi, Jullie. Aqui é Alex, a Christy me passou seu número.''.

''Oi, Alex. Ela me contou.''.

''Ela te contou o motivo?''.

''Na verdade, não.''.

Ele riu e disse:

“É que eu estava com umas duvidas em química... Você poderia me ajudar?''.

“Claro.''.

Passamos horas no telefone conversando, foi tão bom. Eu tirei todas as dúvidas dele, e nós ainda conversamos um pouco mais. Quando desligamos, eu não parava de sorrir. Acho que estou mesmo gostando dele. E agora, o que eu faço? Bom, vou dormir, já está tarde.