Down Theater (Terminado)

8 Capítulo 8 - Um mártir perfeito


Notas iniciais
o segundo grande ato!

Um mártir perfeito

A Névoa densa e fria espreitava acima dos prédios da cidade envelhecida e morta, abaixo em suas ruas, e nas vielas de concreto, havia uma grande cerração. O cheiro de poeira dançava entre os raios, enquanto estilhaços juntavam-se aos escombros, e a luz amarelada abatia suas presas.
— Raios, muitos raios. – disse Tommy a si mesmo, temendo ser a próxima presa, seu cabelo antes arrumado, estava úmido e oleoso, com fios rebeldes circulando seu rosto.
E então uma sombra deslizava no fim daquela rua. Tommy se levantou na varanda de um prédio abandonado e cheio de rachaduras, e tentou olhar o horizonte, procurando a sombra rastejante, que hora ficava invisível pela cerração. Seu rádio tocou pendurado em sua calça por um pedaço de barbante, que ele havia colocado, para prender um dos cinco rádios que Scurra havia dado aos todos os atores.
— Apenas cinco? – ele se lembrou de Caius perguntando. – Somos sete, não sei se você tinha percebido.
— Apenas. – Respondeu Scurra. – É tudo que posso oferecer – ele sorriu. – Eu ofereço o palco e o figurino, e vocês fazem a peça.
Mas isso havia acontecido cedo, quando ainda não estavam dentro do portal, não estavam atuando na bizarra peça de vida ou morte. E Tommy nem lembrava de seu café naquela hora, e sonolento teve que aprender a mexer naquele rádio antigo e ultrapassado, que chiava tanto quanto ratos no sótão. E depois entraram no portal, todos eles, e ai quando Caiu numa praça abandonada numa cidade igualmente inóspita, que se lembrou que estava no Down Theater, ou mais precisamente num mundo bizarro que se abria dentro do teatro, e não no conforto quente de seu lar, apesar de seu pai ser tão odiável, quanto o próprio Mors para Tommy, sua mãe com certeza escolheria várias cobertas, e mantas, e enrolaria o filho na cama, preparando um bom chocolate quente. Porem ela tinha ido, já fazia um ano, e até o Down Theater lhe parecia mais um lar desde então. E quem diria, um menino que sempre vivia na luxuria que o dinheiro lhe proporcionava, trocou tudo àquilo por um teatro velho, e colchões com molas soltas.
Tommy avistou a figura de Vincent num prédio maior a duas ruas dali, aonde a sombra tinha desaparecido. O menino moreno estava atrás da nevoa, quase invisível. Tommy forçou a vista, e viu o menino, parecendo um desesperado, enquanto trocava gritos ao rádio que não funcionava. Ele estava suando, desesperadamente, quando conseguiu avistar Tommy olhando para ele. E então o menino gritou, com a voz rouca.
— AVISE-OS! –gritou Vincent com a voz tremula e fraca, se esforçando e colocando todas as cordas vocais para gritar o mais alto possível.
Porém Tommy entendeu. E virou-se para o rádio, tentando lembrar qual era o botão que ligava para o rádio de Caius. Quando enfim achou, ligou, esperando a resposta depois de seu bip, ele olhou de volta ao prédio de Vincent, e então viu a criatura, atravessando o prédio do menino enquanto esse corria para o lado, porém o monstro saltou de seu interior, se esgueirando entre o concreto e saltando da construção, enquanto essa caia em pedaços, e Vincent desapareceu entre eles, agora, Tommy não sabia se ele havia saltado do edifício, ou se a criatura tinha pegado-o de surpresa e agora, ele estaria debaixo dos escombros.
O Rádio vibrou e Tommy pegou-o rapidamente tremendo enquanto se agachava na varanda enquanto via a criatura de aproximadamente vinte metros de comprimento, nadar no mar de cinzas da cidade, como se o concreto fosse água. A criatura estava chegando mais perto, e agora nadava em sua esquina se esquivando da rua por baixo, aonde desaparecia, ou atravessando um dos prédios, fazendo com que desabasse, ou os que conseguissem se sustentar apresentava os buracos de aproximadamente dois metros de altura.
— A-a criatura... – disse Tommy, tremendo com o medo de que a criatura fizesse o mesmo que fez com Vincent, e agora os raios pareciam tão mais gentis. – Ela está se dirigindo até a avenida principal. Ele está indo até vocês.

A voz de Tommy ecoou entre os chiados, e Caius pode ouvir um som perto de asfalto e concretos se partindo.
Lá estava ele, no meio da avenida principal, com os prédios vazios e nevoa circulando o ambiente, seus cabelos loiros bagunçados para cima haviam caído, úmidos, assim como sua face gélida. Ele estava inquieto, antes no planejar da estratégia estava seguro e incontestável, porem agora, ele pensara, se tudo aquilo iria mesmo funcionar, e mesmo que fosse seu único amigo ali, seria sacrificado. Ele passaria por tudo para ajudar ela, mas até arriscar sua vida, e a de seus companheiros? Isso é com a possibilidade da realização de seu desejo tornasse realidade. E havia uma coisa que estava batendo em sua mente, e não o deixando dormir esses dias, será mesmo que Scurra realizará todos os desejos? Apesar de toda essa insegurança, ele não podia demonstrá-la, Rune estava ali, indefesa ao seu lado, muito mais amedrontada que ele mesmo, esperando o prenúncio de morte chegar neles.
— Você está com medo? – perguntou ele.
É claro que ela estava aterrorizada na verdade, eles sabiam que desta vez, um deles não voltaria para o teatro, e nem chegaria ao fim da peça, mas na verdade quantos realmente chegariam? Eles não podiam estar mais amedontrados.
— E-eu estou com um pouco de medo. – ela disse não diretamente olhando para ele.
A carapaça da criatura apareceu a cem metros em sua frente, depois voltando ao fundo da terra, e emergindo novamente dez metros mais perto, em questão de um segundo. Destruindo o asfalto da avenida, e tremendo as calçadas e prédios.
— É bom ter medo – disse Caius, enquanto avistava a criatura estar a apenas a cinqüenta metros de proximidade, depois emergindo de novo. – É dele, que a coragem aparece – ele tocou sua mão. – Vamos ter medo, porém vamos correr dele!
Ela sorriu, e depois os dois de mãos dadas correram através da avenida. A serpente do concreto perseguia-os, não os alcançando por pouco mais de quinze metros apenas, destruindo todo o concreto, e fazendo algumas partes dos prédios balançarem. Uma varanda foi destruída no tremor caindo a poucos metros de Rune que quase desequilibrou porém Caius deu-lhe um empurrão, e ela acertou o passo. Os dois agora corriam o máximo possível, por que a cada segundo que corriam, a serpente se aproximava meio metro.
— E agora?! – perguntou Rune correndo.
— Vamos levá-la até o Mors!
Os dois agora já avistavam o gigantesco arranha-céu abandonado, que se encontravam na parte sem saída da avenida, era ali, no alto daquela construção que a serpente conheceria seu verdadeiro oponente.
Caius e Rune já estavam esgotados, não sabiam mais como ainda permaneciam correndo tão freneticamente, e isso nem passava por suas cabeças, seu objetivo final estava a alguns metros à frente.
A serpente parou, com suas costas exibidas para os dois, como se estivesse esperando-os entrar no prédio.
— Ela desistiu? – perguntou Rune ainda correndo.
— Não. – Caius abriu a porta, e Rune correu para dentro. – Se esses animais são como Mors falou, essa criatura é tão esperta quanto nós.
E então fechou a porta de vidro, Os dois correram o salão de recepção do prédio, a sala era gigantesca, assim como toda a construção em si. Porem nada havia ali, ao não serem pilares, e escombros. Eles subiram as escadas mais lentamente, degrau por degrau, dando de vez enquanto uma olhada pelas janelas da escadaria, para certificar-se que a serpente não havia fugido, porém, ela ainda permanecia ali, na espera. Subiram mais, e pararam em algum lugar do terceiro andar.
— Avise Mors, que ela já está no na frente do prédio.
Caius pegou seu rádio, exausto, secando a testa suada com a outra mão. Porem o prédio começou a tremer, e o barulho de concreto se partindo pode se ouvir.
— Corra! – gritou Caius, subindo escada acima, e subiram o mais rápido que podiam.– Corra!
Mas era tarde de mais, e no terceiro andar, a boca da serpente emergiu, colossal, entre a parede da escadaria, destruindo-a por completo. Caius empurrou Rune para cima, rapidamente, salvando-a do ataque da víbora. Ela caiu, e viu ao seu lado, o resto da cobra gigantesca passar pela construção e sumindo em outra parede. Ela percebeu suas escamas, não eram orgânicas, e sim pedaços de ferro, uns brilhantes, outros enferrujados, e eram afiados como lâminas, apenas um centímetro perto, e sua perna inteira poderia ir com a serpente. A cauda passou por ultimo, nela havia um ultimo pedaço de escama, grande e turvo, como uma espada.
-Cuidado! – gritou Caius.
Então a cauda, se atirou acima de Rune, quase a pegando por raspão, e os dois correrão escada acima, não antes de a mesma cauda cortar um pedaço do pilar da escadaria, e as escadas caírem em cima das outras, deixando uma vasta destruição escadaria abaixo, Caius quase caiu, pendurado por apenas sua mão esquerda num degrau que rachava lentamente, porém Rune pegou sua outra mão, antes do degrau se despedaçar. E Um buraco de dois metros emergiu aonde a serpente havia passado.
Os dois se dirigiram até o sétimo andar, correndo pelas escadarias, enquanto a mão de Rune e a de Caius, juntas, balançavam e suavam escada acima. Até que chegaram ao salão do sétimo andar, um grande espaço aberto, no centro do edifício, a já pelo menos vinte metros do chão. Lotado de pilares grossos e irregulares. Os dois correram até o final, até chegarem às janelas espelhadas. A pausa para respirar foi bem vinda, mais não durou mais de quinze segundos, até o prédio tremer de novo.
— Vamos fazes como combinamos. – disse Caius recuperando a voz.
Os dois permaneceram no mesmo lugar, imóveis, enquanto a boca da serpente emergia do centro do salão, e seus olhos verdes, e vidrados miravam suas vítimas.
Caius olhou para a boca da serpente, feita também de metais, e seus dentes de ferro afiados como espadas, circulavam sua boca quando abria. E suas narinas, tão grandes quanto a mão de um homem normal. Depois olhou para atrás, através do vidro, a altura do chão. Se não formos despedaçados aqui, seremos mortos na queda, pensou, isso tem que funcionar.
A cobra gigante se dirigia a toda velocidade a eles, faltava cinco metros, quando Rune e Caius saltaram, escapando em tempo perfeito.

A Poeira se esgueirava entre as construções cinza e apocalípticas, paredes fracas desmoronavam em alguns dos arranhásseis, e depois o próprio prédio via abaixo. As lacunas entre o concreto expeliam a névoa densa que se condensava entre as ruas e entorno nas construções. O céu cinza fazia contraste com a cidade de cinzas, as nuvens negras abaixo das brancas, os relâmpagos rugiam vorazmente, os raios já caiam entre os prédios, desabando uns ali, e outro acolá, mas nenhuma única gota da chuva libertadora caia, não ainda, estavam esperando assim como todos os atores, como todos os espectadores que nunca existiram, assim como estava no roteiro, e assim como estava no script.
Mors observava tudo isso, desde a cinza em seus olhos, até a névoa que passava entre seu corpo, e a falta de ar que a altitude lhe causara. Seus novos olhos observavam o apocalipse da cidade, e em sua mente via a imagem de sua própria morte. A mesma morte premeditada, aquela em que Vincent via o sangue de Mors pintar as ruas cinzas de vermelho, mas em troca daria a todos os seis uma chance de ter a realização do desejo. O Pesadelo que antecedia o sonho. E Mors no fim, era um preço pequeno para pagar.
Mas para que a surpresa? Já estava tudo no roteiro, tudo escrito no sorriso malicioso de Scurra. Mors sempre foi queridinho, não por ser cego, ou mais determinado, ou mais corajoso que os outros, ele era apenas mais um peão do quebra-cabeça demoníaco do palhaço. Um cego, o mártir dos sete. O personagem que todos sabem que morreria perto do final.
Não havia tempo para se despedir, seja da cegueira que havia abandonado quando entrou no portal, seja de um possível relacionamento amigável entre ele e Caius, ou seja pela da estranha sensação que sentiu com Dáhlia. Não havia tempo para morte, não havia mais tempo para ele mesmo. Mors ele, era a própria morte.
Não haveria funeral, não haveria choro, não haveria amigos tristes, apenas a dó falsa dos outros seis, e a alegria da eliminação de uma pessoa descartável, para um bem maior, na concepção dos egoístas é claro. Mors se lembrou de toda dor que havia sentido, do pouco de felicidade que passou, de todos os momentos ruins. Estava na hora de deixar o peso do mundo para outros, e partir sem nenhum arrependimento.
O rádio de Dáhlia chiou em seu ouvido, com a mensagem abafada e cortada. Baixinho, ela ouviu o murmúrio chiado. Mas Mors conseguiu ouvir, sempre ouvira, e agora ouviu o prenuncio da sua própria morte, assim baixinha.
— Mors está na hora. – Disse ela num tom de tristeza, de algum arrependimento, e é claro de dó.
Ele não virou para dizer adeus, nem ao menos para dar uma olhada nos olhos azuis e úmidos de tristeza, ele não queria que Dáhlia ficasse triste por ele. Nunca quis. E então apenas esperou cinco segundos imóveis, fechou os olhos, cego novamente. E puxou a sua gigantesca montante, sem sentir nenhum esforço.
Caminhou até a beira do precipício, no topo do arranha-céu. Sentiu o vento passar pelos seus cabelos e por sua pele, gelada. Nenhuma trilha sonora iria tocar nenhuma música melódica triste. Apenas o vento.
Cravou sua espada na construção, e sentiu a altitude alcançar seus pulmões. Era hora, pulou.

O vento passou por seu rosto, dando-lhe golpes pesados e frios, levando seus cabelos para cima. Sua montante se arrastava entre o vidro da janela da construção, fazendo uma grande cicatriz desde o topo do arranha-céu, centenas de quilômetros por hora, e alguns andares abaixo, ele ouviu uma grande explosão, o gigantesco inimigo acabava de sair do prédio com suas mandíbulas abertas, Mors assim como o colosso, encontrou seus olhos, e em câmera lenta, pressionou seu pé para baixo na bainha, fazendo a lamina ficar na direção certa do meio da cabeça da víbora. O monstro então viu, e não teve tempo de fazer nada.
O choque, a lâmina cravou perfeitamente entre os dois olhos da serpente, atravessando o céu de sua boca, Mors viu suas escamas de ferro e metal, mais aquilo não era o suficiente para deter o poder da velocidade em que a montante atravessou seu corpo. A serpente e Mors seguiram a gravidade, e caíram do prédio, a vinte metros do chão, não antes dos escombros e vidros os acompanharem prédio abaixo. E o ultimo choque foi ouvido, a cobra havia batido no chão numa força incontestável, castigando o pobre concreto, assim que seus vinte metros de metal alcançaram a avenida, estilhaços da destruição feita, voaram para cima, alguns atingindo Mors, cortando sua pele, mas agora, ele estava aliviado, havia acabado, a serpente havia morrido. Tudo estava bem. Ele levantou da serpente, ainda segurando a montante, forço-a muito, para desvincá-la das escamas da serpente, e por fim desceu. Com o monstro ao seu lado, de olhos fechados. Ele havia feito de novo, e Vincent parecia errado, para sua sorte.
Mors olhou o arranha-céu a cima, e pode ver muito bem, tamanha destruição que causaram. Uma enorme cicatriz, seguida por um buraco, gigantesco, aonde metade do sétimo andar tinha despencado. Ele se virou para a avenida a sua frente e viu uma figura estranha. Ele forçou o olhar, pois sua ceguisse poderia voltar a enganá-lo de novo, porem ele assentiu, não era nenhum dos outros seis atores. Parecia ser uma menina, a pessoa tinha grandes cabelos brancos como neve, e olhos azuis como gelo.
— Quem? É você? – perguntou o menino.
A figura desapareceu na névoa. Deixando Mors ali. Seria uma ilusão de sua cabeça? Talvez a queda pudesse ter destruído alguns de seus miolos.
— Mors! – ele ouviu Caius gritar em algum lugar do sexto andar.
O menino, esqueceu a figura por um instante e segurou fortemente sua gigantesca lâmina. Os olhos da serpente haviam se aberto, ela estava viva, e agora estava quase que em pé pronta para dar o bote. E agora, não tem nenhum lago para afogar, lembrou ele.
— Vincent no fim estava certo. – Ele se dirigiu a serpente, olhando fixamente seus olhos verdes. — Porem eu não vou morrer sem te destruir.
Tão rápido quanto um projétil, a cobra se pôs com as mandíbulas abertas para Mors, e suas lâminas quase encostaram em sua pele, porem a lâmina de Mors separava-os. Mors agüentou firme, enquanto os dois dentes maiores da víbora se lascavam com a lâmina da espada. A força dos dois juntos, fez o chão em que Mors pisava rachar como numa explosão. Serei eu assim tão forte? Pensou. A Serpente rugiu, e esguichou um liquido esverdeado de suas presas, esses mesmos, passaram da lâmina e caíram em Mors. O que é isso? E quando sua pele ardeu, Mors pode compreender, era veneno. Sua roupa queimava, o veneno parecia ácido, e queimava sua pele, adentrando por seu sangue. Aquilo encheu Mors de fúria. Eu não morrerei antes de acabar com você. Pegou a espada forçou contra a serpente, e jogou a mesma para o lado. Vinte metros de víbora foram lançados contra outro prédio, desmoronando-o, porem rapidamente, o animal se recuperou, e voou para cima de Mors, que pulou assim como tinha feito no primeiro ato, a metros do chão, e brandiu sua espada com a parte frontal da serpente.
Os próximos movimentos aconteceram rápido, a avenida foi palco para o duelo, Mors se pendurou a um prédio menor, e a serpente o seguiu, porem foi estocada, fazendo-a cair por cima da construção destruindo-a, Mors pulou para o próximo edifício, e a boca da víbora o seguiu, separados de novo pela lâmina, enquanto a força da fera, o lançava as paredes as suas costas, destruindo as uma por uma. Até que a cobra balançou sua cabeça ferozmente, lançando Mors de volta para a avenida. Lá a serpente brandiu seus dentes de metal, contra a lâmina de Mors, estocadas rápidas e ferozes, faíscas saiam por todos os lados, e metal abraçou metal, enquanto os olhos mortos de Mors encontravam as da serpente. Mais estocadas, Mors defendeu-as ferozmente e na mesma intensidade, era incrível a velocidade que os dois se moviam. A cobra se encolheu para trás, a alguns metros, preparando para atacá-lo com força total. Mors preparou sua lamina do mesmo modo. Vou acabar com isso rapidamente. Já sentia o gosto do veneno e sangue em seus lábios. Antes que eu Morra.
A víbora se lançou contra Mors na sua mais forte ofensiva, com a boca aberta para despedaçá-lo. Porem o garoto foi mais rápido, se moveu dois passos para o lado, e quando a boca do animal passou do seu lado, fincou a lamina entre suas mandíbulas, enquanto a própria velocidade da besta, a levava a própria morte. Aço encontrou Aço, porem a montante de Mors levou a melhor, enquanto a serpente passava rapidamente, se abrindo em duas a partir da mandíbula, com suas escamas de metal voando para todos os lados. Mas faltava a ultima parte mortal da besta, a calda, assim que ela passou perto, a espada curvada que era, atravessou o tórax do garoto, atravessando toda sua carne, espirrando seu sangue por todo concreto, a boca de Mors se encheu de sangue, e seus olhos quase fechavam, ele fez seu ultimo movimento, cortou a cauda com sua montante, e depois a soltou, desistindo, perdendo toda as suas forças, caindo no concreto, com a víbora cortada ao meio ao seu lado. No fim, Vincent estava certo, pensou, antes de fechar seus olhos, e se tornar cego novamente.