Down Theater (Terminado)
5 Capítulo 5 - A batalha no primeiro ato
A batalha no primeiro ato
Um Colosso, feito de entulhos e pedra, tão grande quanto seis homens, e tão forte quanto um nunca conseguiria ser, armado com uma marreta que poderia cortar uma árvore em duas, e olhos humanos que refletiam medo. A situação não poderia ser pior, ao não ser que digamos que um Tommy cheio de medo se encolhia no chão a sua frente, enquanto esperava a letal marretada de um gigante de pedra. O que tinha levado Tommy a fazer uma coisa tão absurdamente idiota naquele instante? Seria o medo? Ou talvez a vontade de derrotar aquele que interfere na realização de seus desenhos? Ou a imensa vontade de voltar para seu lar e sua família? Não adiantava de nada refletir sobre isso agora. Tommy tinha apenas três segundos, antes que sua cabeça fosse esmagada por uma marreta três vezes maior que seu corpo inteiro, não tinha como fugir, não naquele estado, tremendo, morrendo de medo e encolhido no chão. Uma morte brutal lhe esperava, e talvez por sua culpa, seus companheiros morreriam também, tudo era uma questão de segundos. O Golpe chegava rapidamente mais perto dele, que imóvel só pode chorar, quanto à marreta já estava a menos de um metro de sua cabeça, Tommy fechou os olhos, esperando a sua própria morte sem mexer nenhum músculo. Tommy nem mesmo conseguiu sentir a dor do golpe, ou ouvir o barulho de seus ossos quebrando, ele só estava ali num lugar negro, sem som, sem dor, sem sentimentos, apenas a morte. Mas algo ali estava estranho, ele então percebeu que ainda respirava, e ao abrir os olhos viu algo impossível: Um menino de cabelos negros, de uniforme igual ao seu, e olhos que um dia já foram mortos, estava em sua frente, empunhando um Montante de seu mesmo tamanho, impedindo a marreta do colosso, de esmagar os dois. Tommy observou, esperando que aquilo fosse alguma mentira que a morte causava em sua mente, mas a figura que segurava a espada fortemente, e já suava de tanta força que aplicava contra aquele golpe. — VOCÊ QUER VIVER?! – Gritou um Mors enfurecido, segurando um peso tão grande que mal conseguia respirar direitamente – ENTÃO SAIA DO CHÃO! Tommy recuperou suas forças, e correu junto aos outros “Atores”, que assim como ele pareciam tão surpresos, e imóveis. — O QUE DIABOS VOCÊS ESTÃO ESPERANDO!? – Gritou Mors ainda segurando a marreta, que estava presa contra sua espada. Acordados por um grito do menino de antigos olhos mortos a sua frente, seis crianças atacaram sem pensar uma criatura monstruosa e gigantesca. Mas e Mors? O que sentia depois de salvar pela segunda vez a pessoa que mais lhe odeia, seria aquilo um ato gentil de propósito? Ou apenas o instinto de um heroísmo estranho, aquele mesmo que percorreu sua mente na luta contra Gilbert. Mas diferente de uma briga colegial, ele estava enfrentando um brutamonte muito maior do que Gilbert ou qualquer um dos seus capangas, ele estava frente a frente a uma fera gigantesca. Mas Mors também não era mais um garoto qualquer, agora ele enxergava, e via em sua frente uma prova de seu próprio heroísmo. Mas mesmo um novo sentimento de orgulho e força seria capaz de vencer o estranho e medonho monstro a sua frente? Um perigo real, num mundo de ilusões. Uma granada explodiu perto da onde deveria ficar a orelha do Colosso, que gritou de dor e ira, e machucado se acanhou para trás, dando chance assim para Mors sair debaixo de sua marreta e começar o ataque. Havia algo inacreditável, um cena distinta e fantástica, crianças, que faziam acrobacias e aplicavam golpes que nunca um homem havia feito sem pelo menos décadas de treinamento. O tinir de laminas se batendo contra o mármore e as pedras em que o colosso se formava, a sinfonia de destruição que ecoava por uma floresta colorida e cheia de vida. A batalha pela realização de seus desejos, transformaram crianças inocentes em soldados habilidosos. Caius avançava primeiramente, com a lança em punhos, pulando tão alto, que parecia saber voar, e sua lamina foi de encontro ao peito do colosso. Um boomerang havia cortado o ar e apunhalou as costas do monstro. Granadas eram jogadas ao monte entre suas pernas e braços, mas nenhum arranhão foi feito para tristeza de Dáhlia, que via explosões gastadas a toa. Cansado dos golpes, O homem de pedra elevou seus punhos e tentou golpear Mors, que correu contra o golpe, que o perseguia perto das árvores coloridas, derrubando uma a uma, fazendo estilhaços de madeira voar na direção das pernas de Mors, que caindo, conseguiu desviar do murro, que socou uma arvore tão forte, que se despedaçou em milhões de pedaços de madeira e folhas retorcidas. Adagas rápidas foram desferidas no joelho direito do Colosso, que conseguiu trocar o golpe no mesmo instante, chutando Amy para dentro da densidade da floresta, tão rápido que Vincent mal viu Amy indo de encontro ao seu tórax que com o impacto voou floresta adentro, mas por sorte segurando um pouco do peso de Amy. — Você está bem? Está ferida? – Perguntou Vincent, tentando levantar-se, e enxergando as marcas e feridas que o golpe lhe causara.
— Por minha sorte, acho – ela levantou-se dos braços de Vincent – Houve algum objeto que amaciou minha queda. — Me acha macio? – perguntou Vincent e seu sorriso. — Talvez, mas bati minha cabeça em seu ombro – disse ela compartilhando um sorriso – E não é algo que eu gostaria de fazer sempre. -Prometo ser mais cuidadoso. Distantes do campo de batalha, Amy e Vincent, demorariam a chegar, e Mors e os outros quatro atores precisavam parar o colosso, para voltar ao Down Theater. — Essa criatura é imortal! – Exclamou Caius, depois de ser atingido por um chute monstruoso do homem gigante. Uma cortina de terra, folhas arrancadas e madeira retorcida cobria Mors, que estava ao chão, e já sentia os arranhões e uns poucos ferimentos que do golpe que quase lhe matara. Mors se recompôs e buscou sua espada. — Atacaremos todos juntos, temos que machucá-lo o suficiente para pelo menos deixá-lo mais lento – Mors retirou a terra de sua espada – Nunca vi algo tão grande e tão rápido, se não agirmos juntos, seremos mortos separados. — Certo – respondeu Caius – Dáhlia, Rune e Tommy, na contagem de três segundos. O Monstro esperou a contagem, encarando cada uma das crianças que o desafiavam, esperando sua chance para matá-los com o mais forte de seus golpes. Seu olhar azul estranho entrou na espinha de Mors, que se preparava para um golpe direto. Um, Dáhlia preparou suas bombas de fumaça. Dois, Caius cuspiu e apontou sua lança, Três Mors olhou a ultima vez para a face monstruosa. Ao som do ultimo número, Mors cortou o ar rapidamente, elevando seu montante tão acima de sua cabeça, pulando para cima da testa do monstro. Uma cortina de fumaça fraca cobriu os olhos do animal, que ficou sem enxergar apenas três segundos, o suficiente para os quatro atacarem ao mesmo tempo diferentes partes do colosso. Assim que a cortina passou por seus olhos, já era tarde, uma lamina gigantesca ia de encontro a sua testa, pronta para cortá-la em duas. E então aquele encontro de olhares: os olhos negros de Mors fitaram os olhos azuis do animal, que pareceram ficar imóveis por um milésimo de segundo, mas que mesmo assim pareceu uma eternidade. Aqueles olhos azuis, aquela Iris, aquilo não parecia um monstro, e sim uma pessoa, tão amedontrada quanto Mors. E por um milésimo, o pensamento de angustia e relativa dó corroeram a mente de Mors, O que ele estava fazendo? Ele estava realmente lutando contra um monstro? Ou apenas um ser como ele? Assim que a lamina finalmente encostou em sua testa de pedra, arranhando devagar sua pele de mármore, fazendo pequenos estilhaços voarem lentamente. A Criatura reagiu, seu braço direito foi de encontro a Mors, em que sua lamina já estava clavada na testa do animal, seus dedos grossos de pedras, seguraram as duas pernas de Mors puxando-as para longe, mas a espada já havia começado o corte, e assim o desenvolveu até seu olho direito. Mors se viu cortando a Iris e o globo ocular do homem de pedra, se viu rasgando um olho muito mais vivo que o dele, viu o mesmo sangue vermelho que escorria em suas veias, ser jorrado diante daquele corte. Vislumbrando a dor que ele mesmo causou a criatura, as pernas de Mors foram puxadas, e seu corpo inteiro se encontrou a mercê da gravidade, indo vorazmente em direção as árvores coloridas e retorcidas, enquanto via o monstro coberto de dor, e cego de um olho, se debater e apunhalar qualquer coisa que via pela sua frente. E então, o impacto, o corpo atirado do menino foi de encontro a uma grande árvore de folhas rosas e tronco claro, sentiu suas costelas e seus ossos baterem no tronco, uma grande dor enchia seus nervos. Caindo então do topo da arvore, batendo em galhos afiados que arranharam seu rosto, tiraram fios de seu cabelo e rasgaram partes de sua roupa, ele caiu no chão. E ali ficou desacordado por alguns segundos, forçando-se a ver o que ele tinha feito, não conseguindo chamar por ajuda nem se levantar. A Besta havia se descontrolado, destruindo a tudo em seu redor, batendo na terra, destruindo árvores, e tentando encontrar qualquer alvo para por toda sua ira. Os outros quatro correram entre o campo minado de árvores sendo arrancadas e jogadas acima, até pedaços de pedra e galhos voadores. Então Mors ouviu: — Não tem como matá-lo, ele está descontrolado! — Então vamos explodi-lo. Não, pensou Mors, aquilo era uma tremenda burrice, se causarem uma grande explosão, além de poderem ser atingidos por estilhaços, também poderiam fazer árvores pegarem fogo, e causarem um incêndio devastador. Mas as palavras não saíram de sua boca, e seu corpo tardia a responder os seus mais simples movimentos, fraco e acabado, Mors viu aquilo que ele mesmo teve certeza. Dáhlia encheu o redor do colosso de bombas, mas o animal estava se movendo loucamente, com a dor de ter um olho cego, e com seus movimentos, fez as tnts e granadas voarem pela floresta. O medo então percorreu Dáhlia, que não só tinha feito todos seus companheiros serem vitimas de possíveis explosões, como também provocaria um grande incêndio, e mesmo que não fossem explodidas e queimadas as crianças ainda seriam vitima de um colosso cheio de fúria. -Péssima idéia! – gritou Dáhlia, correndo floresta adentro, tentando se refugiar das explosões próximas. As Tnts, granadas e outras dezenas de bombas voaram por cima da floresta, cada uma se movendo para um lado da floresta, e então a gravidade lhes puxou, poucas explodiram no ar mesmo, outras explodiram ao tocar em suas semelhantes, causando uma “chuva de fogo”, aonde pequenas labaredas enchiam a floresta. Agora elas estavam caindo uma atrás das outras, causando as primeiras grandes explosões. A medida em que caiam desorientadas, as explosões não tinha lugar marcado, e muito menos podiam ser previstas, mas Mors sabia, que se continuasse aonde estava, imóvel, seria explodido em questão de segundos, ou se fosse sortudo, esperaria o incêndio alcançá-lo, o que não tardou a começar, já que as pequenas labaredas já subiam entres os galhos. — Aonde está o Mors?! – Perguntou Rune correndo em direção a mata junto a Caius. — MORS?! – Caius pareceu se lembrar do menino que foi atirado para longe – Ele deve estar em perigo! — O Que você está pensando em fazer?! – Disse Rune percebendo a preocupação no rosto de Caius. — Estou indo procurá-lo! – Então, Caius deu meia volta e voltou a planície em que o colosso estava, ainda desnorteado, e agora mais furioso, já que havia chamas por todo seu corpo. — NÃO! VOCÊ VAI MORRER! – Gritou Rune, mas Caius já estava longe do seu alcance. Uma explosão ocorreu no resto do templo destruindo fazendo a fumaça subir e a visão ser dificultada para Caius. Que correndo em círculos procurava Mors, quando uma explosão ocorreu a um metro de seu corpo, e cambaleando para o lado, esbarrou na perna do colosso, chamando a atenção do animal, que agora tinha sua tão desejava vitima. Vendo aquilo, as poucas energias de Mors voltaram e então gritou: — AQUI! Caius imediatamente tomou sua compostura e voltou a correr em direção do chamado, Mas agora uma grande fera o perseguiu, e as explosões estavam mais freqüentes. Passou ao lado de Mors ajudando o menino fraco a se levantar, enquanto corriam floresta adentro. O incêndio já havia se alastrado, e agora ocorria em toda a floresta, galhos queimados e troncos fracos já começavam a desabar, enquanto os barulhos de explosões não paravam. Uma árvore explodiu atrás dos dois meninos, fazendo os dois quase se desequilibrarem. E mesmo com o impacto, o homem de pedra continuava a segui-los, usando seus punhos para derrubar as árvores quebradas a sua frente. Galhos pegando fogo caíram ao ritmo das explosões e o barulhos da chamas, atingindo os ombros de Mors e Caius, causando as primeiras queimaduras. O Suor, a adrenalina e o foco, manteve os dois meninos correndo, enquanto mais e mais explosões estavam ocorrendo. Uma granada caiu do céu, passando por um galho seco, e em seguida indo em direção a Mors, que tirou rapidamente a montante de suas costas, enquanto com a mão esquerda, puxou Caius, e então posicionou a montante como escudo, a granada se chocou com a lâmina, o impacto, a explosão jogou Mors para o lado, enquanto suas mãos deixaram a espada, seu corpo foi levado pelo impacto, bateu em duas ou mais árvores queimadas, até sair da densidade da floresta, caindo em uma beira de rio, o mesmo que cortava floresta adentro. Agora via com sua visão turva, a floresta a sua frente, queimando em chamas, enquanto as ultimas explosões eram ouvidas. Vincent e Amy saíram da floresta chegando até a margem junto a Mors, que procuravam água para apagar as pequenas labaredas em suas roupas desgastadas. Rune, Dáhlia e Tommy apareceram ao lado oposto, também procurando por água, com suas faces machucadas e corpo cansado.
Tentando recuperar as forças Mors tentou se levantar, e então lembrou de Caius, o único não presente naquele encontro a margem do rio. Mas sua preocupação durou pouco quando o Colosso, que havia perseguido-os até então apareceu, derrubando árvores, procurando sua vitima. E então ele avistou o menino se levantar, o encontro de olhares, o gigante de pedra viu aquele que havia ferido seu olho, e então um calafrio passou pela espinha de Mors, aquela seria a cena de sua morte, A criatura ignorou as outras cinco crianças, que se afastaram para o lado, e congelou seu olhar em Mors, que havia tentando pegar a sua espada, sem sucesso, lembrando que ela havia sumido no momento da explosão. O menino então acolheu a própria morte, apenas vendo o Monstro correr descontroladamente até ele, a terra ao redor dele tremeu, e o monstro pulou em cima de seu corpo. Mas no mesmo instante um chamado ocorreu na margem oposta do rio. — Mors! Virando-se para ver que lhe chamava através do rio, lá havia um Caius machucado e quase sem forças, mas que com todo seu esforço jogou um objeto em sua direção, era ela, a montante de Mors, que atravessou o rio, e chegou até seus punhos, quando a fera de pedra já estava a um metro de distância. Mors segurou fortemente sua espada, apontando-a para o peito do colosso, enquanto se entregava ao ultimo ato de heroísmo antes da sua morte. Os dois foram de encontro um ao outro, mas a força da colisão fez com que os dois caíssem no rio, enquanto a figura de pedra caia por cima de Mors, até o fundo da água. Os personagens permaneceram espantados, até Tommy, pareceu espantado com tudo aquilo, mesmo que odiasse Mors, vê-lo morrer assim, foi um golpe duro. Caius caiu de joelhos a ver seu amigo, afundar junto com a criatura. E então o silencio foi cortado, barulhos de pedra rachando, e bolhas saíram da água. Mors havia morrido, essa foi à certeza que eles tiveram. Amy que era a mais frágil emocionalmente, caiu em lagrimas, enquanto os outros tinham mantido uma face de extremo horror e apreensão. E então mais bolhas foram ouvidas, e eles voltaram a atenção até o rio novamente, esperando que o colosso saísse vitorioso, agora disposto a matá-los. Mas para sua surpresa algo incrível ocorreu, a montante voou até a margem de Caius, que se assusto e se jogou para o lado. E então a figura medonha saiu do lago, indo de encontro a Caius, este não era um gigante, não tinha corpo feito de pedra, nem olhos azuis, e sim um olhar frio e negro, com apenas um reflexo da luz da floresta em chamas. Com suas roupas molhadas e rasgadas, e em sua face mantinha um olhar de ódio. — Eu não matei um monstro, eu matei um homem.
Notas finais
O Primeiro ato do estranho Down Theater, o que acharam?
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