Notas iniciais
Hello, people! Olha eu aqui de novo...
Muito feliz com os reviews que tenho recebido e os comentários carinhos em outras redes sociais. Espero estar à altura da quantidade de elogios que tenho recebido. Saibam que não seria nada sem vocês e obrigada pelo imenso carinho.
UM super obrigada também a você que tem acompanhado a fic e por algum motivo, não comenta. Vocês são tremendamente importantes para mim também.
Mas chega de enrolação, vamos a mais um capítulo. Nesse conheceremos um pouco mais da rotina do nosso casal predileto e um acontecimento estranha deixará Gil um pouco abalado.
Enjoy...

Eu estava exausto. Doze horas de trabalho tinham conseguido acabar comigo,mas o pior era ter ficado sem falar com Catherine durante esse tempo todo. Naquele fim de semana, nós completaríamos dois meses que nos reencontramos, e como eu queria fazer uma surpresa,tinha trabalhado o dobro durante a semana toda. Mesmo com todo o cansaço, valeria a pena quando eu visse o seu sorriso doce quando descobrisse a surpresa que eu tinha planejado pra ela.

Entrei no quarto,e encontrei meu anjo particular esparramado na cama,concentrada em alguns papéis. Ela estava de folga aquela semana,resolvendo alguns negócios relacionados ao cassino. Me aproximei silenciosamente,e ela só se deu conta da minha presença quando meus lábios desceram sobre os seus. Quando nos separamos, eu sorri pra ela, e Catherine suspirou.

–Boa noite, amor. Lendo algo interessante?

–Os relatórios do Eclipse, mas nada de tão importante, estava tentando me distrair para passar o tempo e não sentir tanto sua falta. Como foi no laboratório?

–Tranquilo. A única coisa que me preocupa é Conrad, ele insiste em reduzir os gastos do laboratório.

–Sinto muito Gil, deveria estar ao seu lado para ajudá – lo a enfrentar Ecklie. Semana que vem estarei de volta e resolveremos isso juntos.

–Eu não vou desistir amor. Vou encontrar uma forma de resolver esse problema sem comprometer a qualidade de nossas investigações. Eu prometo — disse mais para mim mesmo.

–Gil, você precisa aceitar o fato de que não é Deus. Você se cobra demais amor- ela sussurrou com os lábios colados a pele do meu pescoço. Eu senti um arrepio descer por minha espinha. A proximidade com ela ainda tinha um poder quase inexplicável sobre mim. Suspirei e inclinei a cabeça para trás,enquanto ela continuava tocando os lábios em minha pele. Quando seus lábios tocaram minha orelha, ela sussurrou um “eu te amo” que me fez sorrir estupidamente.

Ficamos algum tempo trocando carícias e palavras bonitas e então finalmente fui tomar um banho. Deitei-me ao seu lado na cama, meu corpo colado ao seu e adormeci pensando em como a minha vida tinha mudado drasticamente desde que Catherine voltou para mim . Se eu pudesse escolher passaria por cada um dos dias angustiantes, pra acabar aqui, com ela ao meu lado. A melhor parte de mim, o grande amor da minha vida.

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Uma pequena parte do meu cérebro sabia que eu estava sonhando. Mas isso não tornou o pesadelo que me assolou na madrugada daquela noite menos assustador.
No sonho, eu andava pelos cômodos de uma casa vazia, a procura de algo que nem eu mesmo sabia o que era. Mas algo me dizia que era imprescindível que eu encontrasse alguma coisa em meio aquelas paredes vazias. Subi uma escada em formato de caracol, e entrei em um dos quartos que havia no segundo andar. O choro de um bebê chegou até mim assim que eu pisei no recinto,ele parecia angustiado, como se estivesse sufocando. Deixei que meus olhos corressem até encontrá-lo, e me ajoelhei ao seu lado, assim que o localizei. Toquei o corpo frágil, em busca de algum sinal de ferimento, alguma explicação para o desespero da criança, mas uma voz estrangulada, fraca e estranhamente conhecida me deteve.

–Gil? — não passava de um sussurro, mas eu me virei assim que registrei as palavras, e notei que Catherine estava encolhida no chão, com o corpo parecendo uma bola, e havia uma poça de sangue ao seu lado. Entrei em desespero, e tentei me aproximar para ajudá-la, mas ela me impediu.

- Cuide dele. Salve o meu bebê, por favor.

Eu corria os olhos entre o menino e Catherine, tentando encontrar uma forma de salvar a ambos, mas não era capaz de pensar em nada. Depois de mais algum tempo,enquanto os soluços dela se faziam cada vez mais audíveis,eu peguei o bebê no colo,tomando o máximo de cuidado que consegui,com medo de machucá-lo e me aproximei de Catherine até colocar a criança sobre seu peito.
Isso acalmou a ambos. O bebê foi parando de chorar aos poucos, e a respiração de Catherine se tornou mais fácil. Eu estava crente que o perigo havia passado quando minha querida gritou de forma quase agonizante,fazendo a criança voltar a chorar, e uma de suas mãos apertaram meu pulso. Olhei em sua direção. e ela formou uma frase desesperadora com os lábios,antesde fechar os olhos:

– Cuide dele, Gil. Eu amo vocês dois, me prometa que vai protegê-lo.

Acordei com o corpo coberto de suor. Olhei de um lado para o outro, e demorei um tempo maior do que o usual pra me dar conta de que estava no meu quarto. Só voltei a respirar,quando olhei para o outro lado da cama, e vi Catherine dormindo tranquilamente, seus cabelos formando uma cortina de fios sedosos contra a fronha do travesseiro. Me deitei ao seu lado,e abracei seu corpo com força,moldando-o ao meu,tentando normalizar as batidas descoordenadas do meu coração,que parecia prestes a saltar pela boca. Eu não consegui mais dormir, toda vez que fechava os olhos, a imagem de Catherine agonizando no chão de uma casa vazia me vinha à mente, e me fazia estremecer involuntariamente.
A pior parte era que eu sentia que aquilo não era apenas um sonho, estava perigosamente parecido com alguma espécie de sinal,presságio. E aquilo me apavorava mais do que eu pensei que qualquer coisa fosse capaz.
Mas era um cientista, e cientistas não acreditavam nessas besteiras... Ou acreditavam?

O sol ainda não havia nascido quando Catherine começou a se mover inquieta entre meus braços. Esticando o pescoço, constatei que eram cinco e meia da manhã, e que ela provavelmente estava tendo algum sonho agitado. Acariciei seus cabelos com calma, até que ela voltou a se acalmar, e aninhou-se ainda mais perto do meu corpo. Depois de cerca de meia hora, eu ouvi sua voz rouca pelo sono me chamar:

–Gil?

– Estou aqui, meu anjo -sussurrei- ainda é cedo, volte a dormir está bem?

– O que você faz acordado? Precisa descansar amor, você anda trabalhando demais.

– Perdi o sono -menti. Eu não ia dizer uma palavra sobre aquele sonho estranho a ninguém, não a assustaria. — mas não se preocupe,apenas estar aqui,sentindo você perto já me deixa descansado.

Ela se virou na cama, ficando com o rosto próximo do meu, e tocou seus lábios nos meus delicadamente, mas antes que eu pudesse realmente beijá-la, ela se afastou, me deixando confuso.

– Algum problema?

– Não, Gil, mas você não acha que eu vou te beijar antes de escovar os dentes não é? — ela tentou se levantar da cama, mas a puxei de volta, e ela caiu com o corpo em cima do meu.

– A senhorita só sai daqui depois que me cumprimentar decentemente — sussurrei, com os lábios colados aos dela, antes de insinuar minha língua de forma calma, quase lânguida por entre eles. O beijo foi carinhoso, e ao mesmo tempo intenso, e eu senti as familiares ondas de desejo percorrerem meu corpo. Acho que eu nunca seria capaz de entender o efeito que Catherine tinha sobre mim, até mesmo seus olhares eram capazes de me deixar completamente enlouquecido. E eu adorava isso, definitivamente.

Depois de algum tempo, ela se afastou, e voltou a se deitar ao meu lado, com a cabeça apoiada sobre meu peito. Sorri involuntariamente quando seus dedos começaram a brincar com o tecido da camiseta. Ela sempre fazia isso quando queria me dizer alguma coisa e não sabia como. Já tinha se tornado uma espécie de código, então eu apenas disse:

– Sabe que pode me dizer qualquer coisa não é?

– Na verdade, eu queria te perguntar uma coisa — sua voz estava baixa e incrivelmente envergonhada,o que só me deixava ainda mais curioso.

– Apenas pergunte, querida.

– Você me acharia muito louca se eu dissesse que meu maior sonho é termos outro filho? — ela murmurou, para depois esconder o rosto em meu peito.
Demorei um tempo absurdamente grande para compreender suas palavras: quer dizer que ela queria ter outro filho comigo? Isso era maravilhoso, mas um pouco assustador. E então algo passou pela minha cabeça: e se isso fosse uma espécie de teste? E se ela já estivesse grávida, e estivesse tentando descobrir como eu reagiria a notícia?

– Você está grávida, Cath? — não consegui conter a curiosidade, e perguntei.

– Claro que não! — ela quase gritou — ou pelo menos eu acho que não.

– Como assim meu anjo? Você sentiu alguma coisa?

– Bem. pra dizer a verdade sim, eu me sinto estranha,ando enjoada,e mais nervosa que o normal. Mas não se preocupe, não é nada, somente o cansaço com o trabalho.
Enquanto ela falava, eu tentava compreender o que estava acontecendo: será que eu ia mesmo ter um outro filho da mulher que eu amava?
Antes que eu pudesse voltar a perguntar,ela mudou o assunto e eu acabei me distraindo. Uma pequena parte do meu cérebro, a parte que Catherine ainda não tinha dominado, estava apreensiva com a possibilidade dela estar grávida. Não que eu não quisesse ter outro filho com ela, mas aquele sonho tinha realmente me perturbado. Eu não queria que Catherine corresse nenhum risco, e se pra isso eu tivesse que evitar que ela ficasse grávida, era isso que eu faria. Pode parecer egoísmo, mas eu não suportava nem a ideia de ter que viver sem meu anjo. Um filho podia esperar.

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