Notas iniciais
Prontos para mais um capítulo? Então vamos lá.
Antes, obrigada pelos reviews. Bjs!

Passei a acordar junto com Gil, íamos para o laboratório juntos. Com o passar do tempo, uma pequena ideia – que, segundo ele, era boa demais para ser desperdiçada assim – começou a ser aplicada nas nossas manhãs.

- Hmmmpppff…

- Bom dia. – Ele falou, com uma voz sedutora ao meu ouvido. Fui despertada pelos seus beijos suaves no meu pescoço e o forte cheiro de pasta de dente de menta.

- Espera… – Falei, completamente desorientada – Deixa eu acordar…

- Você já está acordada. Senti uma mão puxar para o lado minha calcinha sem a menor cerimônia. Quando finalmente abri os olhos, notei que ele estava em cima de mim, seu rosto a menos de dois centímetros do meu.

- O que está fazendo? – Perguntei apenas para ganhar tempo. Porque eu sabia perfeitamente o que ele estava fazendo.

- Você sabia que a prática do sexo matinal reforça as defesas imunológicas do corpo e melhora o funcionamento de alguns órgãos, além de melhorar consideravelmente o humor pelo resto do dia? E esses são só alguns benefícios. Eu não sabia se ele estava inventando aquilo ou se realmente chegou a pesquisar sobre o assunto. Mas não me importava.

- Espera… – Repeti, sentindo sua mão lentamente tentar tirar minha camisola – Deixa eu escovar os dentes…

Ele me ignorou. Tentei argumentar que daquela forma acabaríamos nos atrasando, o que foi exatamente o que aconteceu no primeiro dia da sua brilhante ideia. Imaginei que ele desistiria daquele plano, mas a solução que mais pareceu lhe agradar foi acordar uma hora mais cedo. Proibi que ele me tocasse antes que eu fizesse minha higiene matinal. Ele pareceu contrariado, alegando que “a graça era me acordar desse jeito”. Eu até concordava: Tinha que admitir que ser tirada dos meus sonhos pela língua dele passeando pelo meu corpo – algumas vezes nos lugares mais inapropriados – era bastante interessante. Chegamos então ao acordo de que ele pelo menos não me beijaria até que eu escovasse os dentes, já que os dele estavam sempre escovados quando eu acordava.

Ele parecia um adolescente de 16 anos com os hormônios em fúria. Mas eu não desgostava nem um pouco disso, porque meu apetite sexual parecia estar maior. O problema era que, no resto do dia, por causa do sono interrompido e de algumas noites de insônia, eu me sentia incrivelmente sonolenta. Em determinado momento, quando me perguntou sobre alguns relatórios referentes ao nosso trabalho, tive que omitir o fato de não ter conseguido terminá- los devido ao cansaço súbito que me acometeu. Optei por esconder dele também uma estranha ansiedade. Por conta dela, passava vez ou outra por alguma desordem estomacal. Minha digestão não andava muito boa, algumas vezes me provocando enjoos extremamente desagradáveis. Mas como não queria preocupá-lo, esperei que os sintomas passassem. Talvez eu estivesse apenas desenvolvendo algum tipo de stress, mas cedo ou tarde ele desapareceria. Era com isso que eu contava.

- Você está bem? – Ele perguntou desconfiado enquanto me assistia caminhar até a cama com uma expressão exausta.

- Só com um pouco de dor nas costas. – Respondi, deitando e sentindo alguns pontos da minha coluna estalarem silenciosamente.

- Você parece exausta nesses últimos dias.

- É impressão sua. – Menti, tentando acalmá-lo. Eu me sentia exausta, mas não diria isso a ele. Soaria como ingratidão. Ele continuou me encarando desconfiado, mas parecia ansioso com alguma outra coisa.- O que foi? – Perguntei, agora curiosa.

- Nada demais, apenas preocupado com você e esse seu cansaço excessivo. Vem, vamos dormir. Acho que não tenho te tratado muito bem – disse sarcástico.

- Impossível! Me sinto como uma verdadeira princesa ao seu lado – disse o beijando e encostando a cabeça em seu peito. A última coisa que me lembro era dele perguntando algo sobre Lindsey que não consegui responder pois fui vencida pelo sono.

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Os dias seguintes à novidade foram alguns dos melhores da minha vida. A expectativa de estar perto da pessoa que eu sabia que me amava era uma coisa maravilhosa, e não era raro perder o foco no trabalho pensando no futuro breve em que nos casaríamos e formaríamos uma verdadeira família ao lado de nossa filha. E então eu ia me convencendo de que ficava mais estranha a cada dia.

- Catherine?

- Sim.

- Os relatórios já estão prontos? — Continuei olhando-o de forma doce, sem dizer nada.- Tenho que apresentá – los na reunião de amanhã – Ele insistiu.

- Eu ainda não terminei. Ele me olhou de forma inquisitória.- Que foi? – Perguntei inocentemente.

- O que está acontecendo com você? Nunca atrasou com os relatórios antes...

- O que foi agora? Está duvidando de minha competência? — Gil fez uma cara de “quem não estava entendendo nada”, e ignorando completamente minhas explicações, me disse.

- Termine – os, por favor, é importante. Ele falou de um jeito sério, e por algum motivo isso me fragilizou.- Não, não chora! Pelo amor de Deus!

Eu não sabia se ele estava desesperado ou sem paciência, mas qualquer que fosse o caso, já era tarde. As lágrimas começaram a descer sem que eu pudesse fazer nada.

- Ok, faça quando pude. Mas por favor…

E meus dias passaram a ser assim. Sempre que coisas desse tipo aconteciam, eu me achava uma completa idiota: Minha vida era maravilhosa, então porque eu não parava de chorar e me irritar como uma depressiva suicida?

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- Amor, talvez você devesse ir a algum psicólogo… Quer que eu marque? – Ele me disse um dia, e então briguei com ele porque, além de me chamar de louca, achava que eu era incompetente. Lindsey passou a almoçar quase todos os dias comigo. E eu sabia que era a pedido de Gil.

- Papai disse que você anda irritada com ele. – Ela falou, enquanto comia a sobremesa.

- Não estou irritada… Só estou confusa, acho. E ansiosa para que o divórcio dele saia logo…

- Eu sei. Deve ser difícil se acostumar com tantas mudanças ao mesmo tempo. Mas sei que vai dar tudo certo. Logo, logo ele será um homem livre e vocês poderão se casar. Não vejo a hora disso acontecer...

Lindsey e eu estávamos mais próximas. Não falávamos do passado, mesmo porque não fazia o menor sentido estragar o clima bom com as merdas que ficaram para trás. Saíamos, conversávamos, fazíamos até compras juntas. Bem, ela fazia compras. Eu a acompanhava. Ela me animava. Não que eu precisasse desesperadamente disso, porque não estava deprimida. Minhas mudanças de humor não se resumiam apenas a ficar normal e, minutos depois, chorar compulsivamente. Eu também tinha momentos de uma alegria efusiva, irritação irracional e depravação profunda. Gil obviamente gostava desse meu último estado de espírito.

- Ahhhhhhh…- Você não estava com dor de cabeça há algumas horas atrás? – Ele perguntou, enquanto me penetrava com força e falava contra a minha boca. E eu realmente estava, o que fazia com que minha vontade de fazer sexo chegasse a ser negativa. Mas não era minha culpa que, ao acordar às 04h00min da manhã, eu tenha sido tomada por uma vontade súbita e enlouquecedora de fazer sexo com ele.

- Está reclamando que eu tenha te acordado? – Falei, um pouco provocativa.

- Não mesmo. Você será sempre bem vinda quando quiser me acordar com um boquete de novo.

Mas nos momentos em que meu lado ninfomaníaco despertava, eu não era de muito papo.

- Certo. Cala a boca e continua!

Ele não se importava. Ou pelo menos parecia não se importar. De qualquer forma, não era como se eu estivesse só fazendo sexo com qualquer um. Estava muito longe disso. Eu ainda o amava, talvez mais a cada dia, e nunca havia feito “apenas” sexo com ele. Mas ultimamente minha libido estava explodindo. Eu me sentia mais confiante na nossa relação. Não que não me sentisse antes, mas saber que eu podia me abrir em qualquer aspecto com ele me dava uma força impressionante. Podíamos conversar sobre qualquer coisa, e isso incluía, vez ou outra, algumas referências ao passado. Mas não era como antes, que uma simples menção parecia ser um castigo: Se algo tinha que ser falado ou explicado, então era isso que era feito.Sem drama, sem frescura.Isso só fazia com que os poucos obstáculos restantes em mim fossem ruindo, um de cada vez. E contar com ele para me ajudar a romper algumas barreiras só fazia com que eu o amasse ainda mais. Como nunca imaginei ser capaz de amar alguém. E eu o amava tanto que às vezes era necessário dizer isso a ele assim que a vontade surgia, fosse enquanto fazíamos sexo ou enquanto ele lavava a louça.

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- Eu considero traição transar com uma pessoa e pensar em outra. É muito esquisito se você for parar pra pensar. — Estávamos vendo um filme na tv, onde exatamente isso estava acontecendo. Gil estava encostado na cabeceira da cama comigo entre suas pernas.

- Por que seria traição? – Ele perguntou, tentando entender meu ponto de vista.

- Bom, tudo bem. Pode não ser traição, mas é injusto. Se você dorme com uma pessoa e pensa em outra, é sinal que só está usando a pessoa com quem você está no momento. E mesmo que ela nunca vá saber… Bom, ainda é injusto.

- Hum… Isso conta pra masturbação também?

- Claro que não. Aí você precisa mesmo pensar em alguém, né?Ele ficou calado por algum momento, e senti que estava se decidindo se deveria ou não continuar com o assunto.

- Eu já tive que pensar em você enquanto estava com Sara. — Fiquei em silêncio. O que eu deveria responder? “Que bom”?- Eu estava com sono. – Ele continuou – E queria gozar logo. Mas não conseguia…

- Queria dormir? Pelo visto ela não era muito boa na cama, né? – Perguntei, ainda olhando para a tv, mas muito atenta à conversa.

- Em alguns momentos sim… Mas, não sei… Acho que o problema era que ela não era você. Eu estava meio obcecado por você na época. Sorri, mesmo aquilo sendo horrível.

- Você é uma péssima pessoa. – Falei, mais contente do que deveria. Seguindo o meu raciocínio, ele havia se aproveitado dela, mas eu realmente não estava me importando. Ele riu atrás de mim, dando um beijo delicado no meu pescoço.

Ficamos em silêncio por mais algum tempo, mas eu sabia que aquilo não terminaria ali. Gil era como uma criança que precisava de algumas certezas.

- Você nunca fez isso? – A voz dele saiu tímida, quase como se estivesse se sentindo culpado por fazer aquela pergunta – Quero dizer, nunca fez amor com outro cara pensando em mim? — Eu estava de costas para ele, mas podia apostar que ele estava com sua cara de cachorrinho- -sem-dono.

- Não. – Respondi simplesmente. Pude sentir um suspiro no meu pescoço. Sabia que ele estava triste pela resposta, mas sabia que o que estava prestes a contar a ele o deixaria radiante. — Nunca fiz amor com outro cara. — Deixei que aquele pedaço de informação fizesse o efeito que eu sabia que faria.

- Nunca fez amor com outro cara? – Ele perguntou, depois de algum tempo.

- Não — Mais silêncio.

- Nunca?

-Não, o que fazia com eles era somente sexo. Ele parecia um pouco incrédulo, mas não tentei convencê-lo de nada.

- Por quê?

- Como assim “por quê”?- Porque, você foi o único cara que eu já amei. – Me virei para trás, procurando seus olhos – Faz sentido, não? Era claro que os olhos dele brilhavam. Ele não sorria, mas era simplesmente óbvia a satisfação em seu rosto. Ele não respondeu, apenas ficou me encarando com aquela mesma expressão. Virei para a posição original outra vez. — Está feliz por ter sido o primeiro em pelo menos alguma coisa comigo, não é? – Perguntei, encarando a televisão distraidamente. Ele hesitou. Sabia que a própria essência daquela pergunta era triste.- Pode falar. Não vou começar a chorar. E não ia mesmo. Eu me sentia segura tanto para fazer aquela pergunta quanto para aceitar a resposta.

Ele apenas me abraçou como resposta, mas mesmo com seu silêncio eu pude ouvir a confirmação daquela pergunta induzida. Seus braços me apertavam com força, passando uma sensação de posse, de domínio. Mas mais do que isso, eu sentia uma estranha gratidão no seu ato. Algo que eu não poderia explicar, porque simplesmente não fazia sentido. Era como se ele estivesse me agradecendo simplesmente por torná-lo especial. Agradecendo, de alguma forma, por amá-lo como eu amava. Por deixar minha felicidade nas mãos dele.

Me desvencilhei dos seus braços de forma gentil, mudando de posição e sentando outra vez entre suas pernas, mas dessa vez de frente para ele. Ele encostou sua testa na minha, fechando os olhos e respirando contra a minha pele enquanto falava.

- Você não faz ideia… Não faz ideia do quanto eu te amo…Calei-o com um beijo. Ele retribuiu. Não sei como, mas ele conseguiu puxar minha calcinha até os tornozelos. Quando dei por mim, ele próprio já estava completamente nu, sentado em seus calcanhares e me trazendo para cima das suas pernas, mantendo-me sentada de costas para ele ali.Senti um líquido gelado ser passado na minha entrada de trás, mas imediatamente se tornou quente assim que ele afastou seus dedos de lá. Esperei de olhos fechados, lembrando que era ele ali. Que era a pessoa que eu mais confiava no mundo. Ele beijou meu pescoço de forma provocativa, tocando propositalmente nos pontos que sabia serem mais sensíveis. Uma de suas mãos segurava suavemente minha cintura, sem apertar, e a outra voou para o meu clitóris. Não podia vê-lo, porque estava de costas.

Senti a cabeça de seu membro encostar na minha entrada e estremeci. Apertei com força a mão que ele mantinha na minha cintura.

- Posso?.… – Ele começou no meu ouvido, e ouvir sua voz me deu uma nova onda de segurança e conforto.

- Por favor... – Respondi simplesmente.

- Você tem que relaxar…Aproveitei enquanto o som da sua voz vibrava para me forçar um pouco mais contra seu membro.Senti a cabeça de seu membro entrar em mim e fiquei imóvel, tentando me acostumar com o encaixe. Queria que ele continuasse falando alguma coisa, desesperada para identificar sua voz e fazer com que meu corpo se mantivesse receptivo a ele. Gil abriu os botões da minha camisa, para me dar uma sensação melhor. Passeou uma de suas mãos por todo o meu tronco, sem apertar nada, de forma muito suave. Era como se simplesmente quisesse fazer com que o meu corpo reconhecesse seu toque. Relaxei mais um pouco, sentindo-o se enfiar mais fundo dentro de mim. De forma cuidadosa, lenta, pronto para interromper o movimento a qualquer momento. Mas não adiantava me enganar: Eu estava desconfortável. Não conseguia relaxar completamente, mas ainda assim estava feliz por não estar sentindo dor. Ele era cuidadoso. Como sempre havia sido.Joguei minha cabeça para trás, respirando contra seu pescoço e tentando sentir o perfume do creme de barbear dele.

De repente, ele virou nossos corpos para a esquerda e nos jogou para frente, me fazendo ter que apoiar as mãos no colchão e ficando de quatro. Não entendi o que ele estava fazendo. De olhos ainda fechados, senti seu corpo se apoiar no meu por um momento e no momento seguinte voltamos à posição original, comigo sentada em seu colo de costas para ele. Em nenhum momento seu corpo havia saído do meu. Minhas mãos apertavam com força as suas, que por sua vez estavam firmes nos dois lados da minha cintura. Sua boca mordia o lóbulo da minha orelha de forma provocativa, exatamente da maneira que ele sabia que me enlouquecia. Ele me segurou com firmeza para que eu subisse um pouco em seu membro e, logo em seguida, me empurrou para baixo outra vez. Não consegui prender o gemido baixo ao senti-lo daquela forma.

- Eu te amo! – Ele suspirou baixo no meu ouvido. Senti cada terminação nervosa do meu corpo explodir, agora eu mesma sentando nele com força e finalmente sentindo prazer. Ainda que eu visse o quão desesperado ele estava para apressar as coisas, ele se manteve calmo, lento e quase submisso. Tudo que fez foi envolver seus braços na minha barriga e manter o ritmo que eu ditava. Se estivesse muito devagar ou muito rápido, eu o deixaria saber, usando meu próprio corpo contra o dele. Era o suficiente para que ele se adaptasse ao que eu queria. Mas não precisei “corrigir” nada. Ele foi perfeito. Foi perfeito .

Não gozei pela penetração por trás. Ele me levou ao orgasmo com seus dedos. Quando ele estava perto do seu próprio clímax, me inclinou suavemente para que gozasse nas minhas costas. E então, senti a tranquilidade tomar conta de nós dois, enquanto um filme qualquer chiava na tv. Me sentia estranhamente dopada, exausta. Fechei os olhos e esperei. Ele saiu da cama por algum tempo, e quando voltou senti uma toalha úmida limpando minhas costas. Quando ele encostou em mim outra vez, moldou seu corpo ao meu na posição de colher, beijando meus ombros e meu pescoço com carinho. Ouvi a televisão ser desligada. Sabia que, como eu, ele não queria quebrar o silêncio, porque isso também era perfeito. Nós dois sabíamos não haver palavras certas que coubessem direito naquele momento, por isso tudo o que fizemos foi permanecer ali, até que um de nós caísse no sono primeiro. Provavelmente seria eu. Mas antes de me entregar aos sonhos, só porque a vontade veio, agarrei o anel de compromisso que envolvia meu anelar direito e, de uma vez, coloquei o aro naquele mesmo dedo da outra mão. Se bem me lembrava, tomando as próprias palavras dele como referência, eu tinha a opção de transformar aquele compromisso no que eu quisesse. Não sabia dizer se ele havia notado meu movimento. Mas antes de adormecer, tive a impressão de sentir seus dedos rodarem, como de costume, a aliança na sua mais nova posição.