Notas iniciais
E ai, qual atitude Catherine tomará após Gil ter aberto seu coração na noite anterior? E teremos uma visita inesperada.
Vamos descobrir?
E obrigada pelos comentários.

Não pude dormir depois de tudo que tinha ouvido. As palavras de Gil ecoavam em minha mente insistentemente, como fantasmas que me perturbavam e tiravam minha paz. Estava muito confusa.Só queria saber se ele realmente me amava ou não e se tudo aquilo que ele dissera era verdade. Uma parte de mim dizia que ele realmente me amava,que deveria acreditar nele e me dar mais uma chance de ser feliz ao lado dele. Mas outra parte dizia que não deveria acreditar em nada e mesmo se fosse verdade, nada mudaria porque minha vida havia mudado e agora iria me casar com Lou.- Por que isso tudo tem que acontecer comigo? – indaguei a mim mesma deixando as lágrimas caírem novamente. Não sabia qual época da minha vida era pior: se quando Gil foi embora ou naquele momento em que passava por tanta confusão.Queria gritar, chorar! Qualquer coisa que pudesse fazer com que jogasse esses sentimentos para fora. Fui até o quarto de Lindsey que já dormia. Lamentei não ter ouvido dela como fora o passeio. Tinha certeza que havia sido emocionante, mas aquela noite não havia saído como planejara.

Fui para meu quarto, entrei no banheiro e encarei o espelho. Vi meu reflexo abatido. Aos poucos aquela triste Catherine do espelho foi se transformando na Catherine Flynn que havia se apaixonado por Gil e era feliz ao lado dele. E, principalmente, a Catherine forte e alegre que lutara para ficar ao lado de quem amava. Será que aquela mulher ainda existia? Aquela que se guiava pelo coração?

Abaixei a cabeça com olhar banhado em lágrimas. Não. A única que agora existia era a que tinha como prioridade a felicidade da filha, a que assumia responsabilidades, a que fazia o mais sensato. Uma Catherine cheia de mágoas e rancor que a iam consumindo dia a dia. Ia me deitar para descansar um pouco, mas ao olhar o relógio esqueci a ideia. Já era quase de manhã. Abri a torneira da banheira. Precisava relaxar após a madrugada em claro. Um longo período mergulhada na água com óleo para banho poderia me ajudar a pelo menos suportar mais um dia de trabalho.

Depois do banho me vesti e fui acordar Lindsey e continuar com minha rotina matinal. Tudo igual, menos minha cabeça cheia de pensamentos confusos.

____________________________________________________

Cumprimentei Greg e Nick no laboratório e peguei o elevador. Eles estavam visivelmente chateados comigo, mas não comentavam. Sabiam que não era mais a mesma há algum tempo, mas não perguntavam o motivo.

Percebi que Gil ainda não havia chegado. Estava tudo quieto. Resolvi iniciar meu trabalho, quanto antes começasse, antes acabaria e poderia ir para casa e me afastar dele e de sua presença marcante. Não passou dez minutos quando ele saiu do elevador em direção a sua sala. De minha mesa em minha sala nos encaramos hesitantes e envergonhados. Rapidamente desviei o olhar e ele entrou em sua sala sem dizer nada. Senti que não agüentaria nem mais um segundo naquela situação constrangedora. Como poderíamos continuar trabalhando daquela forma? Me levantei e me dirigi a sua sala. Entrei sem bater e me aproximei de sua mesa.- Grissom, não quero mais que você diga aquelas coisas para mim. Não quero mais que você se meta em minha vida e fique me confundindo. –disse firme, de pé, quase furiosa com o que nem mesmo eu sabia. Talvez comigo mesma por me sentir tão balançada e impotente perto dele.

Ele me encarou muito sério, sem saber o que dizer. Pareceu decepcionado. — Catherine, eu... – começou, mas não conseguia completar.

- Entenda de uma vez por todas que a única coisa que nos une é Lindsey e mais nada. Não se intrometa na minha vida, por favor...

- Quer saber? – ele se levantou furioso. Apoiou as mãos na mesa e me encarou com o olhar duro. – Estou farto de tentar falar com você! FARTO! – deu a volta na mesa e, aproximando – se me encurralou na parede. – Eu amo você! Amo você como ninguém nunca amou, mas não vou ficar me rastejando. Cansei! Você não quer a verdade, não quer ver que ainda podemos tentar outra vez, sermos felizes juntos. Mas é você quem decide. Não vou insistir nem falar mais nada. Estou cansado de sua teimosia. Fique com quem quiser, viva da maneira que quiser, mas lembre – se de uma coisa: você jamais será feliz com Vartann. Ele nunca vai te amar como eu te amo – terminou e deixou a sala.

Fiquei paralisada, encostada na parede.

Escutei o telefone da minha sala tocar.- Sim? Mas Conrad eu... Eu sei, mas... Não, não sei. É que... Está bem, eu vou ligar para ele. Bati o telefone furiosa. Queria xingar Ecklie na frente de todo mundo. Por que ele estava gritando comigo? E não havia outra hora mais propícia para pedir que eu ligasse para Gil?

Peguei o celular e quando ia começar a discar, o telefone tocou novamente.- MERDA! – gritei e joguei o celular na mesa. O nervosismo começava a me dominar. Peguei o fone, tentava controlar a voz:- Willows, pois não... Ah, senhor Goodman... – ri sem graça tentando parecer tranqüila. Era uma péssima hora para o prefeito de Las Vegas ligar. Com certeza não seria nada bom. – Entendo. Grissom teve alguns imprevistos, mas vou tentar localizá- lo. Lógico, avisarei. Pus o fone no gancho e me joguei na cadeira, pedindo a Deus que aquele maldito telefone parasse de tocar. Peguei a agenda de Gil. Não havia compromissos naquele dia. Era uma boa oportunidade para remarcar a reunião adiada ontem. Mas não queria ligar para ele justamente naquele momento. — Droga... – resmunguei e peguei o celular, não vendo outra saída. Era meu trabalho e sempre fui reconhecida por meu profissionalismo.

Pus na chamada rápida e esperei. Senti meu corpo tremer ao escutar sua voz chateada ao me atender.

- O que quer, Catherine? – perguntou.

- Me desculpe, mas Ecklie está muito irritado à sua procura e o prefeito Goodman acabou de ligar também nada satisfeito. Ele quer que a reunião seja hoje e pediu que você ligasse pessoalmente.

- Mas hoje eu não posso – continuou num tom duro.

- Mas acabo de ver na sua agenda, não há compromissos para hoje.

- Surgiu um compromisso e não poderei fazer nada até o fim do dia.

- Mas Gil...

- Qual o problema? Não consegue entender? – gritou raivoso. – Estarei indisponível o dia todo – terminou, desligando o telefone na minha cara. Meus olhos se encheram de lágrimas. Ele não precisava ser tão arrogante comigo por causa do que aconteceu essa manhã. Só estava fazendo meu trabalho, tentando não misturar vida pessoal e profissional. Havia dito para ele que se afastasse de mim, mas não que me odiasse, o que parecia estar começando a acontecer. Pelo menos, para mim.

Pov — Grissom

Peguei o elevador sem saber ao certo o que estava fazendo. Só sabia que queria me afastar de Catherine. Dela e de sua teimosia. Não entendia como ela conseguia ser daquele jeito. Soquei o espelho do elevador ao fitar minha imagem. Era um estúpido por me comportar de maneira tão fraca perante ela, mal conseguia me reconhecer. Nunca fui assim. Senti certa falta de ar de estar ali, num local tão fechado, quando queria só respirar. Ao chegar ao andar do laboratório, a porta se abriu. Vi a caótica movimentação de peritos que andavam de um lado para outro entre vozes altas e baixas. De que adiantava ser diretor daquele grande laboratório se não podia ao menos ficar com minha mulher e minha filha em paz? Imaginei como estaria minha vida se estivesse ainda casado com Sara em São Francisco. "Será que daria para ser pior?" indaguei- me. De qualquer forma, era um tanto irônico que meu "refúgio" fosse logo o laboratório criminal, o lugar do qual fugi, pois não agüentava mais aquela vida. Vendo que Ecklie se aproximava para, provavelmente falar algo do trabalho, não pensei duas vezes antes de entrar novamente no elevador e descer até o estacionamento. Ali, pelo menos,ficaria sozinho. Ia até o meu carro quando senti um tremor na perna. O celular.

- Alô... Heather? – estranhei. Era a última pessoa da qual esperava receber uma ligação naquele momento. – Ah,está bem. Te vejo daqui a uma hora no... Top the World Restaurant? Ou tem outra preferência?... Perfeito então. Até mais.

Desliguei um tanto confuso.Conhecia Heather e sabia que, se ela havia marcado um almoço comigo, era porque algo ela queria. Mas o que ao certo? Um novo envolvimento, talvez? Não me importava, afinal. Iria de qualquer forma. Precisava sair daquele ambiente e ver outras pessoas.Lembrei que minha maleta estava na minha sala e que nem ao menos havia visto minha agenda com os compromissos do dia. Pensei se realmente deveria sair. Seria uma irresponsabilidade ignorar meus compromissos, mas também seria sufocante voltar para aquela sala, ficar tão perto de Catherine e fingir que nada havia acontecido. Pus as mãos nos bolsos da calça, a chave estava ali. Dei um pequeno sorriso para o carro à minha frente. Estava na hora de voltar a ser um pouco irresponsável,mesmo que por um dia, e, principalmente, estava na hora de colocar na cabeça que não existia apenas uma mulher no mundo.

____________________________________________________

Estacionei próximo ao restaurante. Respirei fundo. Senti – me um tanto arrependido por ter sido tão grosso com Catherine, mas não conseguia controlar. Estava com raiva , mais do que isso, estava magoado. Estava certo que havia errado com ela no passado,jamais negara isso, mas o que precisaria para que ela me perdoasse? Estava cansado. Cansado de tentar, de ter falsas esperanças, de me humilhar, de ser um homem que não queria ser.

Entrei no restaurante e escolhi uma mesa bem próxima a janela. Não demorou muito até que Heather chegasse. Ela vestia um insinuante vestido vermelho, que dizia perfeitamente o que ela pretendia com aquele encontro.

\"\"

- Olá Gil. – cumprimentou-me ao chegar perto da mesa. O tom de voz quase melodioso.

- Heather... – me levantei,como um cavalheiro, e ofereci-lhe a cadeira. Me sentei novamente quando o garçom se aproximou. Ele puxou a cadeira para que Heather sentasse. Encarei a mulher à minha frente. Ela estava muito bonita. Bonita e provocante.

- Você escolheu muito bem o restaurante. – disse sorrindo ao observar em volta.

- É que esse fica próximo da minha casa. – falei com um sorriso no canto da boca. Tinha que confirmar se minhas suspeitas estavam certas. Ela me fitou com um longo olhar malicioso.

- Ótima escolha... Mas seria melhor se isso fosse um jantar.

Sorri por dentro. Não poderia ser diferente. Ela queria algo mais. Refleti por alguns segundos, observando-a enquanto pedia o menu. Será que deveria cair no jogo dela?