Notas iniciais
Estou de volta. Já agradecendo os comentários do capítulo anterior.
Bom, nesse capítulo iremos acompanhar as consequências dessa aproximação entre Gil e Heather e o que Catherine fará a respeito de tamanha ameaça.
Não percamos mais tempo...

Senti que seria capaz de me jogar da janela a qualquer momento naquele maldito laboratório. Ecklie havia acabado de pedir para que voltasse a ligar para Gil. Não tinha como negar ou contestar. Peguei o celular novamente, muito hesitante. Apertei o botão e fechei os olhos. Preparei — me para outra grosseria.

Pov — Gil

– Catherine, o que quer? Estou ocupado. – Dessa vez atendi sem alterar o tom de voz. Não discutiria com Catherine na frente de Heather.

Acabo de falar com Ecklie novamente. Ele falou com o prefeito Goodman e ele está furioso, acha que você está fazendo pouco caso da reunião e do seu cargo. Disse que se você não entrar em contato ainda hoje com ele, não precisará marcar nenhuma reunião, pois entrará em contato com o Xerife e vão procurar outro diretor para o laboratório.

– Eu lamento, mas estou muito ocupado agora e não posso fazer nada. – Tentava parecer o mais calmo possível.

Mas é muito importante para o laboratório...

– Eu sou o diretor e eu digo o que é importante ou não. Estou muito ocupado agora. – disse mais sério, vendo Heather fitar — me fixamente.

– Gil, esqueceu os bons modos?– Heather disse rindo e levou a mão até o aparelho. Tentei me esquivar, mas não consegui. Ela pegou o telefone e o desligou, colocando-o sobre a mesa e me encarando. Ri com a atitude dela, mas não pude deixar de me perguntar se Catherine havia escutado a voz de minha companhia.

Pov — Catherine

Torci para que o que tinha acabado de escutar não tivesse passado de minha imaginação e desconfiança, ma no fundo sabia que era verdade. A voz da mulher que estava com Gil era bem clara e audível. Então o tal compromisso que não estava marcado e que surgiu tão de repente era com uma mulher...Heather Kessler...

Tentei não me abalar com aquilo. Comecei a arrumar os papéis que estavam em minha mesa sem atenção nenhuma. Mal sabia o que estava fazendo. Não consegui me conter e comecei a chorar. Não conseguia controlar aquela tristeza tão forte que estava dentro de mim. Ele estava com Heather, logo após ter tido a coragem de dizer que me amava.

– Ainda bem que eu não acreditei em você... – gemi com a cabeça deitada sobre a mesa, as lágrimas caindo sobre papéis. Afirmava para mim mesma aquilo, mas seria verdade? – Odeio você, Gil Grissom...

Não queria sentir aquele ciúme, mas não tinha como me controlar. Amava Gil e imaginá- lo com outra que não fosse eu fazia meu coração gritar de raiva, mesmo desejando antes que ele se afastasse. Me arrependi de ter aceitado trabalhar com ele. Como pude acreditar que conseguiria manter uma relação estritamente de trabalho? Aquilo não era certo. Estava ali sofrendo por ele como se em algum momento tivesse tido chance de voltar a ficar com ele. Eu mesma havia eliminado qualquer possibilidade de reconciliação. Mas então porque sofria tanto em pensar que ele havia dito que me amava como ninguém, e naquele momento estava com outra? Talvez, no fundo, havia acreditado que poderia voltara ser feliz com ele.

Olhei em volta. Não ficaria ali nem mais um minuto. Se o próprio Gil não levava seu trabalho a sério, também não levaria. Arrumei minhas coisas rapidamente e peguei o elevador. Na recepção, passei por todos sem dizer nenhuma palavra, inclusive com Ecklie, que tentou correr atrás de mim para pedir explicação do porquê estava indo embora àquela hora.

Pov — Grissom

Já havíamos terminado o almoço,e estávamos no carro, indo para o consultório de Heather.

– Mas você não me contou uma coisa, Gil . – Ela falou, inclinando o corpo um pouco mais para o lado, se aproximando de mim, após um tempo em silêncio. – Por que sua filha não sabe que você é o pai dela?

– Bem... Eu estive muito tempo longe e Catherine acha que ainda não é o momento certo dela saber. – disse sem muitos detalhes. Não contaria toda a minha história para ela, não só por ser algo pessoal demais, como também por não confiar totalmente nela.

– É ali. – apontou para um grande prédio mais à frente e pegou sua bolsa.

– Dominatrix, empresária, psicóloga,você faz de tudo, não é? – Parei o carro em frente ao local.

Ela aproximou seu rosto do meu,mirando-me com um olhar malicioso — Você não faz idéia... – sorriu e abriu a porta. – Espero te ver em breve.

– Você vai ver. – afirmei com um meio sorriso e acenei ligeiramente para ela, que fechou a porta do carro e lançou um beijo no ar.

Depois de deixar Heather, fui para casa. O último lugar para o qual iria naquele momento era para o laboratório. Lembrei – me do telefonema de Catherine. Por um segundo pensei no aviso de Goodman, mas minha principal preocupação era com ela. Sabia que seria muito difícil ela não ter escutado a voz de Heather. Então um pensamento me veio em mente: talvez aquilo não fosse de fato ruim. Talvez fosse bom Catherine saber que eu estava com uma mulher e, mais do que isso, seria bom ela saber que não estaria mais correndo atrás dela como antes, que ela não era a única mulher na minha vida.

Após o banho, peguei um livro de entomologia e fui para a cama. Abri-o inutilmente e li algumas frases que não pude entender. Não estava concentrado. Lembrei-me dos recados que Catherine havia passado. E se estivesse colocando o futuro do laboratório em risco ao ignorá-los? Olhei para o relógio. Ainda era bem cedo. O que tinha que fazer era ligar para o prefeito Oscar Goodman e dar uma desculpa qualquer. E então, me lembrei que, para isso, teria que falar com Catherine. Mesmo se não o quisesse,todas as minhas coisas estavam em minha sala, no laboratório. Relutante, peguei o celular e liguei para ela.

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Estava saindo do banho quando o celular tocou. O encarei vibrando sobre a cama. – “Aparelho estúpido” – resmunguei para mim mesma antes de me aproximar e ver no visor o nome que aparecia.

Ah não... – gemi. Aquilo parecia um martírio. Quando finalmente conseguia tirar esse homem da cabeça,ele liga. Pensei se deveria atender. Não queria. – Mas se for importante? — Qual o problema agora? –atendi ríspida.

Preciso que você ligue para Oscar Goodman e marque a reunião o quanto antes – ele disse.

– O quê? – gritei sem me importar com o ar profissional que deveria usar. Só queria tê – lo ali na minha frente para poder enfiar a mão em sua cara. – Deixe- me ver se entendi direito? Você ignorou todos os seus compromissos durante todo o dia, esquecendo – se que é o DIRETOR daquela porcaria de laboratório criminal e agora pede que eu ligue para o prefeito Goodman, quando provavelmente ele já está em casa com a família? Pois ligue você ou mande a Heather Kessler ligar. Desliguei o telefone enfurecida. Esqueci que era sua assistente. Foi só então que me dei conta do que fiz. Havia gritado com ele e, mais do que isso, havia deixado claro que estava com ciúmes. Não acreditei na burrada que acabara de fazer. Como me deixei levar pela raiva dessa maneira?

Com um terrível remorso me dominando fui para a cama. Precisava dormir e esperar o dia seguinte. Não havia nada mais que pudesse fazer.

Pov — Grissom

Não conseguia conter a satisfação. Ao desligar o telefone, tudo que consegui fazer foi sorrir; um sorriso muito contente. O que havia pretendido deu certo. Catherine não só percebera que eu estava com Heather, como estava com ciúmes. Não tinha como ter me saído melhor.

Deixei o telefone de lado, junto com o livro que antes havia pegado e me deitei. Fitei o teto acima, tentando imaginar como Catherine estaria naquele momento. Esperava que ela estivesse se corroendo de ciúmes. Em minha mente, era o que ela merecia por ser tão cabeça-dura.

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No outro dia, preferi chegar mais tarde. Não estava disposta a encarar Gil quando ele chegasse, seria melhor que ele já estivesse em sua sala, e assim foi. Foi só pôr a minha bolsa sobre a minha mesa para escutar movimentação vinda de sua sala. Respirei fundo.

Enquanto me arrumava naquela manhã, decidi que fingiria que nada havia acontecido no dia anterior. Nem a discussão, nem os telefonemas. A primeira coisa que fiz foi pegar a agenda de compromissos dele e ligar para o prefeito Goodman. Após muitos e muitos minutos de explicações quaisquer e pedidos de desculpas e compreensão, consegui convencê – lo a marcar a reunião. Seria no dia seguinte. A última chance, segundo ele.

Desliguei o telefone, aliviada por conseguir reverter aquele problema, que surgiu justamente porque eu e Gil não conseguíamos manter nossos problemas pessoais fora do trabalho, e sabia que aquilo não estava nada certo. E, mais do que tudo, tinha que continuar ali. Mesmo que, no fundo, soubesse que jamais seria despedida, queria fazer por merecer. Pegando a agenda, levantei-me da cadeira e fui para sua sala.

– Entre! –ele disse.

– Os compromissos para hoje, Grissom. – disse, evitando encará-lo diretamente nos olhos. Aproximei-me da mesa e lhe entreguei a agenda aberta naquele dia.

– Obrigado. – ao pegar a agenda, encostou sem querer na minha mão e tremi ao sentir o toque e dei dois passos para trás. Ele percebeu meu constrangimento.

– E eu liguei para o Goodman. Foi difícil, mas consegui convencê-lo a marcar outra reunião para amanhã. – Não disfarcei o tom orgulhoso por ter conseguido salvar sua pele, tentando deixar isso bem claro para ele.

– Isso é muito bom...

Só vê se não estraga tudo de novo... –murmurei, olhando para o lado, em voz baixa, mas não o suficiente para que ele não escutasse.

– Está com a língua afiada desde ontem, não é, senhorita Willows? – falou em tom provocativo, com um pequeno sorriso de deboche no rosto e uma sobrancelha arqueada.

O encarei imóvel, muito sem jeito. Tinha que aprender não só a controlar a língua, mas também meu tom de voz. Senti meu rosto corar e minhas mãos suarem, mas não me deixaria intimidar com aquilo.

– O que eu falo ou deixo de falar é somente de meu interesse. – Encarei-o pela primeira vez naquele dia. O olhar firme, não queria fraquejar.

– Não quando você faz comentários sobre a minha vida...

– Pois pouco me importa a sua vida! – Comecei a me irritar ao ver que perdia o controle da situação.

– Então, por que está com ciúmes? – ele não resistiu em perguntar, vendo que me alterava. Encarou-me, sem nem ao menos piscar.

Não consegui dizer nada. Não poderia mentir, mas também não confessaria o que estava em meu coração. Não confessaria que estava morrendo de ciúmes e que só de pensar nele com outra,sendo essa mulher Heather Kessler, me fazia sentir — me como se me arrancassem um pedaço do coração. Jamais diria aquilo.

Abaixei o olhar para o chão e, segundos depois, voltei a fitá-lo, agora mais arduamente.- Aqui é um ambiente de trabalho, Grissom, e não um lugar para discutir a sua vida. Ele riu, visivelmente com raiva.

– Eu acho isso muito bom. E, permitindo-me usar suas próprias palavras, a vida é minha e eu faço o que eu quiser, e ninguém tem nada a ver com isso. Muito menos você.

O peso das palavras usadas no local durante toda a conversa preenchia a sala, envolvia-nos, sufocava-nos. Continuei a encará-lo de forma séria, tentando aparentar que nada daquilo realmente me importava, mas sabia que, se permanecesse ali por mais um minuto, não conseguiria evitar com que lágrimas surgissem em meu olhar. Peguei a agenda que estava sobre a mesa. — Qualquer coisa, estarei na minha mesa. Com licença,...

Mal esperei uma resposta e lhe dei as costas, desejando que toda aquela sala caísse sobre minha cabeça e eu tivesse um ótimo motivo para não voltar mais naquele lugar e muito menos ver a cara dele. Contudo, mesmo querendo ter em toda aquela história um álibi para afastá-lo por completo de minha vida e de minha filha, não conseguia odiá-lo. Muito pelo contrário, aquilo só me mostrava que o amava demais e jamais poderia esquecê-lo.

Pov — Grissom

E os dias foram se passando lentamente, quase obscuros e desinteressantes. Tudo estava muito frio e cinza,incluindo a minha vida. Catherine e eu nunca estivemos tão indiferentes um com o outro como naquelas semanas. Quando não falávamos sobre coisas exclusivamente relacionadas ao laboratório, falávamos sobre Lindsey. Nada muito diferente. Apenas pedia permissão a ela para me encontrar com a garota e ela autorizava. Até mesmo nos momentos quando eventualmente a deixava em casa nós nos cumprimentávamos educadamente e nada mais.

Talvez para mim as coisas ainda estivessem um pouco melhores. Decidido a esquecer Catherine, comecei a sair com Heather. Conhecia-a muito bem e sabia que ela não era totalmente confiável, mas era de fato uma companhia agradável e divertida, sempre disposta a me agradar. Os jantares e almoços aumentaram aos poucos e, quando dei por mim, já estávamos bem íntimos. Afinal, era um homem e precisava de certos tipos de distração. Mas o que realmente dava luz à minha vida era Lindsey. Saía freqüentemente com ela para diversos lugares. A ajudava com algumas matérias da faculdade. Divertíamos bastante. No entanto, por mais que aquilo me enchesse de alegria, não era o suficiente. Ansiava a cada dia mais poder dizer a verdade para ela e poder escutar a palavra "pai" sair de sua boca. Não era pedir demais, era?

Contudo,havia algo que realmente parecia me tirar todo o ânimo: Catherine. Nossa situação não me agradava em nada, mesmo que fosse aquilo que pretendia desde que comecei a sair com Heather. Jamais imaginei que seria tão difícil agir daquela forma. Ficar longe quando estava tão perto, ter que conviver com a presença, com a voz, com o cheiro dela e mal poder tocá-la ou mostrar o que desejava. Perguntava-me o que seria mais torturante: vê-la todas as manhãs sentada em sua sala com os lindos cabelos caindo sobre o rosto, ou a cada vez que me aproximava sentir o perfume inebriante dela, que parecia penetrar nas minhas roupas.

Pov — Catherine

As coisas estavam um pouco mais difíceis de levar. A começar pela pressão interna que sofria para que contasse a verdade a Lindsey sobre o pai. Receava que ela pudesse se revoltar contra mim ao descobrir a verdade. Isso porque uma coisa era ela gostar dele como amigo e outra bem diferente era aceitá-lo como pai, depois de tantos anos.

Minha relação com Vartann parecia estar muito bem. Aquele namoro era o que me tranqüilizava. Pensava que, se estivesse com ele, seria mais difícil Gil se aproximar. Engano. Pois a cada dia que passava me convencia mais de que não conseguiria amar Lou como ele merecia. Gostava da atenção dele, mas precisava de mais.

O modo como as coisas andavam com Gil também me fazia sofrer, mas, pior do que aquilo era saber que ele realmente estava com outra pessoa. O estava perdendo novamente, e justamente para Heather Kessler. Sentia-me completamente deprimida a cada compromisso dele que não estava em sua agenda, a cada almoço que ele saía e pedia para não ser incomodado, a cada sinal de que ele estaria com ela. Nunca imaginei que pudesse sentir tanto ciúmes de alguém. Mal deitava na cama à noite e a imagem dele com ela vinha em minha mente. Da mesma forma como acontecia quando ele estava com Sara. Os dois se beijavam com paixão e algumas vezes até pareciam rir de mim em meus pensamentos. Me perguntava se não estaria ficando louca...

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Certa manhã acordei muito decidido. Passei a noite anterior pensando seriamente se já seria o momento certo; algo em meu interior dizia que sim. Tinha que falar com Catherine. Como Heather mesmo aconselhara, pressionaria-a se fosse preciso. Já havia se passado muito tempo e precisava assumir uma posição.

Ao chegar ao andar da diretoria,Catherine já estava em sua sala ao telefone, muito centrada. Olhei para o relógio. Realmente estava um pouco atrasado. Passei mais tempo do que pretendia na frente do espelho ensaiando as palavras e as expressões que usaria ao falar com ela — Bom dia.– a cumprimentei rapidamente chegando mais perto.

– Bom dia. – disse ao pôr o telefone no gancho. – Deseja alguma coisa? – indagou.

– Preciso falar com você. Venha até minha sala.

– Está bem. – concordou confusa, franzindo as sobrancelhas. Levantou-se, e seguiu-me até dentro da sala, parou em frente à mesa. Me sentei em minha cadeira e a fitei. Ofereci a cadeira para que ela se sentasse. Ela estranhou, mas obedeceu.Tentei fazer a expressão firme,dura e autoritária que ensaiei, pus as primeiras palavras planejadas na boca,mas não consegui emitir nenhum som. Havia sido mais fácil na frente do espelho. Com Catherine ali à minha frente seria bem mais difícil. E por que ela tinha que estar tão bonita naquele dia?

Ela percebeu que eu não sabia por onde começar. Entrelaçou os dedos das mãos sobre as pernas. Começou a estalar um por um. Estava ficando tensa.- Aconteceu algo? – Ela se apressou em perguntar, mostrando preocupação com o que poderia ser o assunto daquela conversa.

– Sim... – disse distraidamente, enquanto viajava nos olhos azuis dela. Tinha tanto tempo que não parava para fitá-los tão profundamente, que não consegui evitar. Foi somente quando ela abaixou o olhar, parecendo perceber minha concentração nela,que me dei conta do que estava fazendo. – Digo, não. Queria conversar com você sobre Lindsey. Eu tenho adorado ficar com ela, poder me aproximar, mas não aguento mais ser apenas um amigo para minha filha. Então, eu estava pensando...Será que já não está na hora dela saber a verdade? – me reprovei imediatamente.Onde estava o tom ríspido que havia planejado?

Pov — Catherine

Parei pensativa ao escutá-lo. Estivera com a mente tão ocupada com meus ciúmes que acabei me esquecendo de que ainda tinha que contar a verdade sobre o pai para Lindsey. Como pude ser tão egoísta? Estava indo contra meus próprios princípios. Sempre falava que Lindsey era minha única prioridade, mas aquilo não estava acontecendo de verdade. Senti-me uma péssima mãe. Fitei Gil, que parecia estar esperando ansiosamente por uma resposta. Talvez ele tivesse razão. Lindsey era apaixonada por ele e isso, por mais que fosse difícil para todos, ninguém poderia negar. E, além do mais, ela sempre demonstrou ser muito madura e compreensiva. Alguma hora teria que contar e não adiantaria adiar mais.- Está bem... – concordei um tanto relutante.

– Catherine, entenda... – começou, já imaginando que eu discordaria, mas ao perceber o que havia dito, parou e me encarou, muito surpreso. – Sério?

– Sim. Também não quero mais ficar adiando esse momento.

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Abri um enorme e incontrolável sorriso. Quase não acreditava que realmente havia sido tão fácil. Finalmente assumiria meu lugar de pai na vida de Lindsey. Queria pular de alegria, correr até ela naquele momento mesmo, e chamá-la de filha por diversas vezes. Mas, ao ver o olhar vermelho e perdido de Catherine na direção da janela, meu entusiasmo foi morrendo aos poucos. Dava para ver que ela estava triste, ou, no mínimo assustada e temerosa. Não poderia acusá-la. Conseguia imaginar o quantoaquela decisão deveria ter sido difícil para ela. Vi pequenas lágrimas se formarem enquanto ela abaixava a cabeça e cruzava os braços sobre si, como se quisesse se proteger daquele receio. Cerrei os lábios. Senti desejo de me levantar dali e abraçá-la,dar-lhe consolo e dizer em seu ouvido que tudo ficaria bem. Queria, pelo menos,poder estar mais perto dela, mas não poderia. Infelizmente, não poderia. A situação entre nós estava bem clara. Tínhamos que permanecer distantes um do outro.

– E o que vamos fazer? – ela perguntou, ao passar a mão rapidamente sobre o rosto, secá-lo e levantar o rosto para me encarar. – Como vamos falar com ela?

– Eu não sei. Vamos pensar com calma para que nada saia errado. Ela simplesmente balançou acabeça, concordando.

Percebendo o profundo e incômodo silêncio que se formava ali, levantou-se, ainda um pouco desnorteada.- Acho melhor eu voltar para minha sala. – Gesticulava nervosamente. – Depois conversamos sobre isso.

– É melhor. – olhava-a com um olhar cheio de sentimentos tão confusos...

Ela deu uns passos para trás e olhou para o que estava em suas mãos. Voltou-se para perto da mesa. — Quer ver os compromissos para hoje? – indagou ao estender a agenda para mim, que a peguei de imediato.

– Eu vou dar uma olhada e depois levo para você. – Continuava a encará-la da mesma forma. Percebi que ela começou a se sentir incomodada.

– Está bem. – apressou-se em concordar e rapidamente saiu da sala.

Pov — Catherine

Ao fechar a porta, me apoiei com as costas nela. Estava exausta. Sentia-me como se estivesse saindo de um campo de batalha, onde não havia vencedores. Suspirei ao relembrar o olhar de Gil. Como amava aqueles olhos, mas os odiava ao ver o efeito perturbador que tinham sobre mim. Olhei para o lado, na direção de minha sala, onde havia o porta-retrato de Lindsey. Me perguntei qual seria a reação dela ao saber que seu grande amigo, Gil Grissom era seu pai...

Notas finais
Então é isso. Como eles contarão essa grande novidade para a filha, e mais importante, qual será sua reação?
Espero que tenham gostado e aguardo os comentários. Bjs!