Down
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Preparados? Let´s go!
E mais uma vez obrigada pelos comentários tão carinhosos. Sintam - se beijados.
Pov — Grissom
Fui arrastado para o trabalho. Dormi mal à noite. Não conseguia parar de pensar nos comentários de Hodges e Greg a respeito de Catherine e Vartann. Aquilo não saía da minha cabeça. A última coisa que desejava fazer era trabalhar, mesmo sabendo que isso não era certo. Todos esses problemas estavam acabando com minha responsabilidade profissional. Era um homem muito diferente daquele que supervisionava o turno da noite do laboratório criminal no passado. Estava me tornando relapso. Se eu era um problema na vida de Catherine, ela também era na minha.
Fui para minha sala e para meu alívio ela não havia chegado. Melhor assim. Acomodei – me em minha mesa e poucos minutos depois, escutei batidas na porta. Minha paz solitária havia acabado. Pedi que entrasse.
- Bom dia, Grissom! – ela disse tentando não olhar nos meus olhos.
- Bom dia! – respondi seco.
- Aqui estão os compromissos de hoje – me entregou a agenda aberta.– E preciso que confirme a reunião de amanhã às 16:00 hs.
- Com o prefeito, não é?
- Sim. Precisamos apresentar os últimos números dos feitos do laboratório para que ele use na campanha de sua reeleição.
- Ligue para ele e peça para que a reunião seja remarcada para depois. Estarei ocupado nesse horário. – devolvi a agenda.
- Mas, Gil, essa reunião está marcada há muitos dias. Só precisava confirmar.
- E eu não estou confirmando – falei assinando algumas coisas que já estavam sobre a mesa.
- Mas, Grissom, não sei...
- Catherine – falei colocando a caneta de lado e levantando os olhos para encará- la sério. – Marque para outro dia. O que você não entendeu?
- Irei remarcar – me encarou também muito séria e voltou para sua sala. Provavelmente estranhando receber ordens minha.
Estava guardando minhas coisas quando ela apareceu na porta.
- Já estou indo. Precisa de mais alguma coisa? – perguntou.
- Não, não. Pode ir. Aliás, gostaria de lhe pedir uma coisa...
- Pode dizer – ela falou com o olhar desconfiado.
- Eu queria sair com Lindsey amanhã. Tudo bem?
- Que horas você pretende se encontrar com ela? –Impressionou – me. Não esperava por isso.
- Provavelmente por volta das 16:00 hs. Ela disse que estará disponível à tarde.
- Por isso não pode ir à reunião? — me perguntou com um sorriso.
- Sim. Já havia planejado nosso passeio.
- Mas terá que pegá- la no campus. Mandei o carro dela para a revisão.
- Não tem problema – afirmei fechando a pasta.
- Ok, então... – ela falou e me deu as costas – Boa noite! – disse da porta.
Encontro com Lindsey
- Entendo! Mas você a ama, tio? – corei e olhei para o lado tentando disfarçar o meu nervosismo. – Mamãe o ama também. A vejo suspirar pela casa toda vez que recebe um telefonema seu. Ela guarda coisas de quando vocês namoravam em uma caixa dentro do seu closet. Ela também te ama, basta que você a ame também. E então, tio Gil, você ama minha mãe?
- Bem, eu amo muito sua mãe. Sempre a amei, mesmo quando me envolvi com Sara. A verdade é que a decepcionei profundamente e não sei se o amor dela por mim sobreviveu a tantas decepções. Não sei se meu amor por ela será suficiente – disse com um nó na garganta.
- Ótimo, você a ama. Isso é perfeito. Agora vocês precisam se acertarem e se casarem.
- Lindsey, não é tão simples assim. – argumentei.
- Olha tio Gil, eu entendo que não é fácil, mas... Por favor, por mim? – me olhava suplicante.
- Lindsey, antes tenho que ter certeza se sua mãe sente o mesmo por mim. – mentira, tinha certeza do que ela sentia por mim, mas tinha consciência que ela estava confusa. Sabia quando olhava para ela, para os olhos, por mais que o tempo tivesse nos separado, ainda era possível nos entendermos pelo olhar.
- Ok, se é assim então... Tudo bem! – suspirou resignada.
- Que tal aproveitarmos o resto da tarde para pegarmos um cinema ou passear por Vegas? – me levantei sorridente.
- Adorei a idéia. Vamos dar uma volta por Vegas e depois vamos ao cinema. – ela disse se levantando num salto. Sua energia me lembrava Catherine quando nos conhecemos. — Vamos logo, antes que fique tarde – disse me puxando em direção a porta.
Passamos o restante da tarde na Las Vegas Boulevard. Aproveitamos para visitar os mais de cinco mil peixes exóticos, tubarões e arraias que moram no The Aquarium do Silverton Hotel. Visitamos também as lojas do Crystals.
As lojas pareciam bastante convidativas. Lindsey parecia se divertir. Olhava as vitrines, adentrava em algumas lojas e algum tempo depois voltava com sacolas. Sorria e a observava enquanto carregava suas sacolas. Pelos meus cálculos já devia estar segurando a décima. Passeamos, compramos sorvete,lanchamos e voltamos a caminhar novamente. Olhando para o relógio vi que já estava na hora do filme começar. Avisei a ela e nos dirigimos ao cinema que ficava em uma região escondida de Vegas. Comprei os ingressos e entramos, sentando numa poltrona dupla.
- Então, tio Gil, qual o nome do filme já que não me deixo uacompanhá- lo até a bilheteria?
- “Quando um homem ama uma mulher”.
- É um filme romântico. Assisti há muito tempo atrás com sua mãe. O filme é muito emocionante. Você vai gostar. Sua mãe chorou muito. Aliás,ela chora por tudo. – respondi sorrindo. Ela revirou os olhos. 125 minutos depois o filme acabou. Lindsey estava chorando e soluçava compulsivamente. Meus olhos estavam marejados.
- Tio Gil, você disse que o filme era emocionante, mas não tão triste. – resmungou secando as lágrimas. Dei de ombros, fazia força para não chorar também.
- Desculpe, mas não podia deixar de ver você chorar. Exatamente como sua mãe, você fica mais linda chorando. – comentei pensativo.
- É, somos duas choronas – ela disse me dando um tapa de leve no braço.
- Eu sei, por isso comprei os ingressos para esse filme,além do mais, ele é muito tocante.
Ela concordou.
Fomos em direção onde meu carro estava estacionado. Lindsey estava de braços dados comigo. Ia pegando a direção do campus quando ela me disse: — Não vou voltar para o campus. Vou dormir em casa essa noite. Importa-se de me deixar lá? Vi um brilho em seus olhos que não consegui identificar.
Estacionei o carro em frente à casa de Catherine e respirei fundo com ar de satisfação. Passar aqueles momentos agradáveis com minha filha me deixava bem. E tinha certeza que havia conquistado a confiança e o carinho dela.Lindsey desde que entrara no carro não parou nem sequer um minuto de falar sobre o filme.
- Vamos? – indaguei ao abrir a porta do carro. Ela me encarava pensativa. — O que foi? – sorri curioso.
- Eu prefiro você, tio Gil. – disse rindo e me abraçando.
- Como assim? – indaguei ainda mais confuso.
- Eu gosto do Vartann, mas gosto mais de você. Seria legal se você fosse meu pai.
- Fico feliz em ouvir isso – disse sorrindo. Não poderia ouvir algo melhor.
- Ficaria mais feliz se você namorasse minha mãe e se casasse com ela e não ele. A fitei sério.
- Eles vão se casar? – perguntei tentando não parecer me importar com aquilo.
- Ela me ligou ontem à noite me dizendo que ele a pediu em casamento. Mas ela não respondeu ainda. Disse que está confusa. Mas ainda acho que você seria melhor para ela.
- Eu concordo, meu amor. Comigo seria muito melhor. Senti um misto de ódio, mágoa e ciúme me invadir e apaga rtoda a alegria que estava sentindo em ficar um pouco com minha filha. Queria poder surrar aquele homem naquele momento mesmo, mas não poderia. Sabia que se ela estava com Vartann era culpa minha. Eu praticamente a jogara nos braços dele quando fui embora e a deixei sozinha. Percebi que Lindsey me encarava. Ela parecia perceber que aquela notícia não havia me agradado.
- Vamos entrar? – ela perguntou. Entramos na casa sorrindo. Catherine estava sentada no sofá lendo um livro e nos olhou interrogativa e levemente confusa.
- Onde vocês estavam? – ela se levantou e se posicionou em frente a filha que continha um sorriso nos lábios.
- Primeiro fomos passear pela Las Vegas Boulevard, depois fomos ao cinema. – Lindsey respondeu displicente sorrindo para a mãe.
- Sim, é verdade! E devo admitir que essa foi a tarde mais divertida que já tive em anos. – admiti.
- Com licença tio Gil e mamãe. Estou muito cansada e ainda tenho que revisar uma matéria para a prova de amanhã. Depois vou dormir. – disse caminhando em direção ao seu quarto.
- Está bem, querida. Vá estudar e depois se deite. Já, já passo lá no seu quarto e você me conta o passeio com mais detalhes – ela disse rapidamente.
- Preciso conversar com você, Catherine – disse me aproximando dela.
- Sobre o que, Gil? Acho que não temos nada a tratar – disse baixo, com o olhar duro. Ia começar a falar quando vi um homem sair da cozinha. Cerrei os punhos e tentei de todas as formas me controlar: Louis Vartann.
- Catherine, o jantar está pronto. Você vai... – parou pasmo ao me ver ao lado dela. – Gil Grissom! O que faz aqui?
- Ele veio trazer Lindsey. Catherine interrompeu parecendo nervosa.
- Então acho que já pode ir, não é? – Vartann indagou, se aproximando como um cão de guarda. A sugestão me pareceu uma ordem.
- Acho que esta casa não é sua, não é? – retruquei debochado, também chegando mais perto, encarando – o.
- Grissom... – ele começou levantando o dedo em direção ao meu rosto.
- Pense bem antes de falar comigo! – dei um tapa em sua mão levantada e o encarei com os dentes cerrados. Não permitiria ser acuado por ele.
- O que você for falar com ela pode falar comigo também. Sou namorado dela – afirmou com ênfase e orgulho. – Não temos segredos um com o outro. Estou ao lado dela sempre que ela precisar, coisa que você não fez...
Ia avançar furiosamente nele quando ela se meteu na frente.
- É melhor você ir, Lou. – disse virando – se para ele com os olhos suplicantes.
- Mas, Catherine...
- Por favor, Lou.- Está bem. – concordou contrariado.– Nos vemos amanhã.
Ele me encarou mais uma vez e sorri debochado, muito satisfeito. Ele não deixou por menos. Para me provocar agarrou Catherine e tascou – lhe um beijo. Ela se afastou rapidamente. — Até amanhã, amor – disse olhando para mim. Senti que a qualquer momento perderia o controle.
- Até amanhã. – ela disse com o olhar preso ao chão. O constrangimento tomando conta dela.
- Adeus, fujão – falou provocativo e saiu porta a fora. Dei um passo trás e soquei a porta já fechada. Como gostaria de correr atrás dele e lhe dar um tiro.
- O que você quer conversar, Gil? – ela perguntou ao se sentar no sofá. Não parecia mais paciente.
- Você vai mesmo se casar com esse idiota? – indaguei.
- O que você tem a ver com minha vida Gil Grissom?
- Catherine, — parei em frente a ela e a encarei profundamente. Minha respiração estava pesada. Estava nervoso – você vai colocar esse idiota em meu lugar. Não pode fazer isso! Não vou permitir que ele tome meu lugar de pai na vida de Lindsey.
- Mas Gil, — ela se levantou impaciente – quem disse que eu vou fazer isso? Não seja idiota. Eu jamais colocaria Vartann em seu lugar. Lindsey gosta dele, mas para ela ele sempre será um tio, um amigo. E eu não vou permitir que ela pense o contrário. Se assim não fosse, porque eu permitiria que você se aproximasse dela? Não faria sentido! Mas eu preciso reconstruir minha vida. Perdi muitos anos inutilmente por alguém que não mereceu.
- Como assim? – interrompi perturbado – Catherine, não comece...
- Sejamos honestos. Você deixou bem claro para mim que jamais me amou. Você me abandonou. Não permiti que nenhum homem se aproximasse de mim – começava a se exaltar, mas não elevou o tom de voz para que a filha não ouvisse nada. Seus olhos marejavam. – Tudo porque, mesmo sabendo que você havia me trocado por outra, eu não conseguia te esquecer. E descobri que nada valeu a pena! Eu jamais fui importante para você. Se eu tivesse sido, você não teria ido embora pela segunda vez. Pois me cansei! Vartann me ama e esteve sempre ao meu lado durante o tempo em que você esteve fora, correndo atrás daquela inútil. Dei uma chance a ele sim e você não tem nada a ver com isso.
A fitei perplexo. Queria ter palavras para discutir, mas não as tinha. Como poderia culpá- la de tudo aquilo? Tudo que dizia estava certo. Ela tinha toda a razão de estar magoada e tinha o direito de reconstruir sua vida. Somente com uma coisa não poderia concordar...
- Você está certa, mas como pode pensar que nunca te amei? –indaguei num tom magoado. Permaneci fitando – a diretamente nos olhos. – Ninguém é capaz de te amar como eu te amei e ainda amo! Ela abaixou o olhar. — Eu sempre te amei loucamente. Enfrentei todos os meus medos para ficar com você. E nunca usei a palavra amor com ninguém, exceto com você.
- Então porque me deixou e se casou com Sara? – indagou com lágrimas caindo. Não continha mais a emoção.
- As coisas não são tão simples assim. Eu me acovardei sim. Admito. Mas estava confuso com meus sentimentos. Achei que gostava dela, que ela me completava, pois tinha um estilo de vida parecido com o meu. Queria protegê – la, cuidar dela. Pois sempre achei que não teria mais chances com você. Você sempre deixou isso bem claro todas as vezes que tentei me reaproximar.
_ Fui me aproximando dela, me deixando envolver, até que decidi dar uma chance ao amor que ela dizia sentir por mim. No início foi bom,não posso negar. Mas ai vieram as cobranças. Ela queria me mudar, assim como você tentou uma vez. Queria que deixasse o laboratório e a seguisse em uma expedição as Ilhas Galápagos. Isso me apavorou. Sabe que odeio mudanças. Até que ela se cansou e partiu. Fiquei perdido durante muito tempo, como você mesma sabe. Me perguntava se fiz a coisa certa ao ficar. Me lembrava da oportunidade que havia perdido uma vez com você. Ai veio a morte de Warrick. Me senti culpado por tudo o que aconteceu. Estava tão envolvido com meus problemas que não consegui perceber que ele se perdia. Então resolvi partir. Na verdade fugir. Reencontrei Sara, viajamos juntos. Fizemos expedições. Conseguia dar minhas palestras de entomologia. E um dia resolvemos nos casar. As coisas seguiram um rumo e eu apenas acompanhei. Eu tinha medo de voltar e remexer em feridas que ainda não tinha se fechado. Mas não conseguia te esquecer. Até que recebi uma propostado Xerife e resolvi voltar. As coisas entre Sara e eu já não estavam bem e decidi voltar por você e para você. Quando vi que estava tão perto, eu... eu pensei que tudo poderia mudar na minha vida. Que a gente poderia ficar junto de novo. E surgiu Lindsey que foi a coisa mais incrível que me aconteceu.
- Mas suas mágoas não permitiram que a gente reconstruíss etudo. Eu, pelo menos reconheço que errei e te pedi perdão. Eu sempre te peço perdão! E se você não teve ninguém em sua vida, eu também não tive. Tive noites com Sara sim porque sou homem e fraco. Mas não era amor, apenas sexo. Errei em tentar encontrar você nela. Porque foi isso o que fiz durante todo o tempo em que estivemos juntos. Procurava você, tentava reviver o tempo que passamosj untos quando nos conhecemos. Tentava reviver o que perdi ao não aceitar seu conselho e deixar o laboratório há 20 anos.Mas paguei por isso porque ela jamais conseguiu fazer com que eu tirasse você da minha cabeça.Se hoje não estamos juntos e você está com Vartann, pode ser por vários motivos: pelo destino, por seu orgulho, pelo meu medo, pelos meus erros, pelas suas mágoas, por tudo! Menos porque eu não te amei. Porque eu te amei perdidamente. Te amei mais do que a mim mesmo. E, apesar de tudo, ainda te amo.
Terminei com o corpo trêmulo por dentro. Um turbilhão de sentimentos me invadiu. Ao falar tudo aquilo revivi tudo o que tínhamos passado há anos. Senti como se tivesse saído de uma guerra. Passei a mão pelos meus cabelos úmidos, minha testa estava coberta de suor. Não acreditava que havia dito tudo aquilo para ela. Por um momento me arrependi ao vê – la estática me encarando com os olhos arregalados e marejados, mas me convenci de que tinha sido melhor assim. Ela tinha que saber a verdade e eu tinha que desabafar. Queria me aproximar e pedir que ela dissesse algo, mas não consegui. A única coisa que desejava era sair dali.
- Eu vou embora.... – sacudi a cabeça e, dando – lhe as costas, sai pela porta.
Notas finais
Agora só nos resta esperar para saber qual será a reação de Catherine.
Aguardo comentários. Bjs!
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