Down
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Antes, mais uma vez obrigada pelo imenso carinho que me dão.
Esse capítulo será especialmente dedicado a minha amiga Tarcila Coimbra.
Vamos lá...
Acordei zonza e desorientada. Tentei abrir os olhos mas pareciam que faíscas os perfuraram. Que barulho infernal era aquele? Respirei devagar e aos poucos abri minhas pálpebras. Segundos depois meus olhos se arregalaram em choque. -
Que droga está acontecendo aqui?- Onde estou? – falei para mim mesma.
Ai! Bastou um movimento e descobri que o barulho era minha cabeça latejando sem parar.
- Droga! Senti minha boca seca. As cortinas brancas forradas, as paredes num tom rosado, lençóis de seda azuis, iguais aos que eu usava em minha cama.Tentei me levantar, mas meu estômago se contorceu e voltei a me deitar. Um suor frio escorreu em minha nuca. Puxei o lençol até o pescoço e olhando debaixo do tecido me dei conta que a única peça que vestia era minha calcinha vermelha de renda.
- Céus! O que eu fiz? Minha mente trabalha depressa. Onde eu estava, meu Deus? Tentei recordar alguma coisa da noite anterior, mas não consegui. Será que... Não! Meus olhos quase saltaram das órbitas com aquele pensamento. Não era possível.
Procurei meu relógio e não encontrei. O sol já estava alto e entrava pelas janelas. Que horas seriam? Sabia que era domingo, mas o que quer que haja acontecido ontem à noite ainda era um mistério.
- Merda!
Vagamente a imagem de Gil entrou em meu cérebro. O encontrei ontem à noite ou seria como de costume parte de um sonho louco ou um pesadelo? Pressionei minhas têmporas doloridas. Céus...
De repente um suspiro baixo chamou minha atenção. Virei àcabeça e arregalei os olhos dando um salto devido ao susto e apertei o lençol contra mim.
- Olá! — Prendi a respiração. A última pessoa na face da Terra que eu queria encontrar. O homem que amava, encontrava – se sentado numa poltrona de um dos lados da cama... Ele!
- Não sabia que você falava sozinha – falou divertindo – se.
Eu estava alarmada. Gil estava sem camisa, usando apenas uma calça. Seus cabelos grisalhos ainda molhados respingavam sobre seu peito e suas costas. Seu olhar era carregado de sensualidade e seu sorriso matreiro. Doce Jesus... Era um sonho. Tinha que ser um sonho!
Sem conseguir resistir, corri meus olhos pelo seu corpo. Fui descendo para o abdômen acompanhando a trilha de pêlos que desaparecia sob o cós da calça. Minha respiração acelerou e apertei o lençol com mais força. As pernas rijas, o queixo firme, o volume escondido pela calça levando – me a quase ter um colapso. Meu coração batia descompassado enquanto ele me dava um sorriso.
- Pode olhar a vontade, querida. – ele disse zombeteiro e eucorei.
- Eu... eu...
- Hum... Bom dia, Cath!
- Eu...Ele sorriu cinicamente.
- Nem um bom dia? Puxa, estou decepcionado. A nossa noite realmente acabou com as suas ásperas e ferinas palavras. Gelei.
- Nos... Nossa noite? Falei sentindo um calafrio percorrer minha coluna. Ele cruzou os braços e me fitou divertido:
- Sim.
- Como assim?
Ele sorriu lascivo.
- Onde você acha que está, Catherine Willows?
- Não faço idéia – respondi seca.
- Em meu quarto, amor. Na minha cama. Não se lembra mesmo? Falou com a voz de veludo e um arrepio me percorreu inteira, mas esse não tinha nada a ver com o primeiro... Pelo contrário, meus seios reagiram instantaneamente.
- Como? Onde? Nós? Quando? – não conseguia completar a frase.- Não, não me recordo de nada, Gil. Ele lambeu os lábios e eu quase me derreti.
- Que pena...
- Co – como eu vim parar aqui?
- O que diria se eu contasse que você se atirou em meus braços? – falou sorrindo.
Estava paralisada. Ele se levantou indo até o banheiro e voltando com um copo d´água e analgésicos. Agradeci a Deus por aquilo. Peguei os comprimidos das mãos dele. Seria bom que fizesse efeito rápido. Tomei os dois de uma vez e estendi o copo para ele. Nossos dedos se tocaram levemente, mas foi o suficiente para que um arrepio eletrizante transpassasse o meu corpo. Engoli em seco e o fitei. — Por favor, me responda.
- Claro. — Era óbvio que estava se divertindo.
- Como eu vim parar aqui? Coçou o queixo, a barba por fazer. Cretino! Contei até dez para me acalmar.
- Catherine...
- Se eu me lembrasse não precisaria perguntar a você – falei exasperada.
- Viemos juntos no meu carro quando deixamos o Riviera.
Riviera... Eu me recordava vagamente. Será que bebi além da conta? — O Riviera...
- Sim. Perguntei ao manobrista pelo seu carro, mas ele disse que você tinha chegado de táxi.
- Sim, não queria dirigir ontem. Mas porque não me levou para casa? – questionei friamente.
- Achei que você não iria gostar que Vartann lhe visse no estado alcoólico em que se encontrava e muito menos em minha companhia.
Estremeci ao me lembrar de Lou... O que ele pensou ao acordar e não me encontrar? Será que Gil e eu havíamos transado? Bom, a defesa é o melhor ataque, por isso gritei:
- VOCÊ É UM CANALHA GIL GRISSOM! ME TROUXE AQUI PARA ABUSARDE MIM. SEU... SEU APROVEITADOR!
Falei dando um salto e esquecendo que me encontrava nua. O lençol caiu e senti seus olhos cravados nos meus seios e percorrendo todo o meu corpo. Me abaixei depressa pegando o lençol e me enrolando nele. Desci meus olhos para sua calça e o volume lá era grande. Engoli em seco.
- Relaxe, Catherine! Eu nunca precisei abusar de mulher nenhuma em minha vida, muito menos de você. O que fizemos foi com seu total consentimento.
Maldito! Ele estava se referindo as inúmeras vezes que me entreguei a ele sem pestanejar.
- Não quero saber os detalhes de sua vida libertina, Gil . A lembrança dele com outras me deixava mal.- Escute aqui...
- Escute aqui você, Catherine. Bebeu demais ontem à noite. Tanto que quase caiu no meio do bar por duas vezes.
Senti meu estômago revirar.
- Te trouxe para cá para evitar que desse um vexame. Portanto, que tal me agradecer ao invés de ficar ai bancando a donzela frágil,puritana e indefesa? E quer saber, o que aconteceu entre a gente foi lindo...Disse se aproximando.
Não podia permitir que aquilo continuasse. Peguei meu vestido que estava jogado no canto do quarto e corri para o banheiro. Me troquei rapidamente, peguei minha bolsa e sai correndo pelo corredor enquanto calçava meus sapatos. Não disse uma palavra o deixando em pé no quarto me observando sair. Quando cheguei ao jardim dei uma última olhada para trás e o vi pela janela.
E agora, como iria para casa? Que desculpa daria a Lou por passar à noite fora? Isso me fez lembrar o motivo da nossa briga no dia anterior...
Flashback
Brigas e mais brigas. Era assim o nosso relacionamento. Sempre brigávamos e reconciliávamos. E foi assim durante os últimos meses. Os motivos eram sempre os mesmos: ciúmes, cobranças. Nos respeitávamos,tínhamos momentos de amor incríveis, mas ele sempre me acusava de guardar segredos dele. O que nos últimos dias, não deixava de ser verdade. O ciúme dele também era grande, principalmente depois que Gil voltou para o laboratório e voltamos a trabalhar juntos. Certa vez ele insistiu tanto que lhe contasse detalhes do meu passado que acabei revelando meu envolvimento com Gil e depois da sua volta, Lou ficou paranóico.
Foram inúmeras vezes que Lou e eu estávamos sentados na mesa de minha casa discutindo. Inúmeras vezes que após uma discussão ele saia batendo a porta e partia com o carro em alta velocidade, só Deus sabe para onde...E lá estávamos, mais uma vez, brigando pelo mesmo motivo.
- Lou! Quantas vezes eu tenho que te dizer que ele é apenas um amigo e meu chefe?’ — alterava a voz,impaciente, enquanto tirava meus sapatos.
- ‘Ah! Claro! E desde quando assistentes ficam tomando cafezinho com o chefe enquanto eram pra estar no horário de trabalho?’ — ele falava também impaciente, debaixo do chuveiro.
- ‘Pelo amor de Deus Lou! Estávamos definindo os assuntos da viagem que faremos a DC a convite da xerife para tratarmos de assuntos referentes ao envio de verbas para o laboratório!
- ’E pra discutir a reunião precisa de café?’- ele saiu do banho, colocando o roupão.
- ‘Só foi um café. Qual a maldade nisso? Olha, eu não quero mais falar sobre isso ok?’ -Parou na porta me encarando. Se dirigiu até o closet e trocou de roupa. — ‘Agora você vai ficar com essa cara a noite toda?’- perguntei encostando na porta, cruzando os braços.
— Foi só um café. Se você quiser, eu tomo três, quatro, mil cafés contigo.’ — Falei me aproximando e beijando seu pescoço.
Para minha surpresa, ele virou – se e caminhou para fora do quarto sem dizer uma palavra. A porta do quarto se fechou num estrondo.
Fiquei sentada na cama esperando que ele retornasse arrependido como sempre fazia. Esperei alguns minutos, e como ele não apareceu, fui até o closet e me vesti de forma provocante. Já que ele queria motivos para brigas, encontraria.
Quando abri a porta do quarto, dei de cara com ele.
- Aonde vai? –indagou.
- Sair – respondi friamente.
- Não seja infantil – disse,seguindo meus passos.
Peguei minha bolsa e as chaves do carro caminhando até a porta, porém não consegui sair. Ele me puxou num tranco, virando seu corpo e jogando minhas costas contra a porta de vidro.
- Aonde vai a essa hora? –indagou, soltando meus pulsos e me abraçando na cintura.
- Sair um pouco – respondi com a voz mais calma.
- Por que não fica aqui comigo?
- Porque eu quero refrescar minha cabeça – respondi. – Lou, solte-me, pois eu não vou ficar aqui.
Ele foi empurrado para trás sem muita força, me virei e sai de casa, me dirigindo a garagem, mas resolvi caminhar.
Ergui o olhar, arrependendo-me de ter saído de casa. As lágrimas quentes escorriam por meu rosto, caminhava com a cabeça baixa, chorando baixinho, tentando segurar meus soluços que faziam meu corpo tremer. Andava sem rumo, olhando para as poucas pessoas que andavam pela rua.
- "Isso precisa acabar" – refleti.
Fim do flashback
Peguei o primeiro táxi que encontrei e passei o endereço da única pessoa em que eu poderia confiar e que tanto magoei. Precisava me desculpar.Toquei a campainha mas ninguém atendeu.
- Droga, será que ele não está em casa? Olhei para o portão torcendo os lábios. Entrei atravessando o jardim e parando na porta. Bati, esperando que alguém atendesse. Já se passava das 9:00 hs da manhã, ele já deveria estar em casa após o trabalho.
Virei de costas pronta para ir embora quando o ouvi me chamar.
- Catherine?
- Oi – sorri meio sem jeito sentindo o peso em minha consciência – Será que podemos conversar? Se não quiser vou entender – sorria marga.
Ele franziu a testa: — Vem, entre!
As cortinas da sala estavam fechadas. Uma garrafa de uísque estava aberta sobre a mesa de centro.
- Atrapalho? – indaguei.
- Não, estou só afogando as mágoas – deu de ombros cruzando os braços sobre o peito – O que quer conversar?
Entrelacei os dedos, constrangida sem saber por ondecomeçar. — Estou me sentindo mal – confessei mordendo os lábios e desviando os olhos – Sabe, por tudo que disse a você ontem à noite, por ter saído daquela maneira e...
- Não precisa se preocupar – me cortou, forçando – me a olhá– lo novamente. – Falamos e fazemos besteira quando estamos de cabeça quente.
- Você não está chateado comigo? Ele riu, sentando – se no sofá e pegando o copo com uísque,bebendo.
- Como poderia? – perguntou irônico. – Eu te amo! –
Sentei – me no sofá ao seu lado. — Fico mais aliviada em ouvir isso – limpei meu rosto percebendo que chorava.
- Vem cá, não chore – aceitei seu abraço, encaixando meu rosto em seu ombro.
- Me desculpe, por favor, sou uma idiota.
- Eu disse que estaria aqui sempre que precisasse – alisou meu rosto, sorrindo.
- Obrigada, mesmo. – sorri enquanto secava minhas lágrimas –Você é incrível, consegue agir comigo como se eu não tivesse feito toda merda que fiz.
- O que está querendo dizer? – indagou.
- Deixa para lá – abaixei o rosto negando com a cabeça. Ele me deu um sorriso, enquanto suas mãos desciam por meus ombros. Precisava me retratar com ele, depois de tudo o que fiz. Nunca iria me perdoar por isso.
- Senti tanto sua falta – seus braços enlaçavam meu pescoço. Sua boca buscou a minha em um beijo.
- Não é o certo – neguei me levantando. – Preciso ir, nos vemos depois. E mais uma vez, me perdoe...
Dei um beijo rápido em seu rosto, saindo em seguida.
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Acordei com o barulho estridente do meu despertador. Segunda feira, precisava voltar para o trabalho.Como vou encarar Gil?
Meu desejo agora era de enfiar em um buraco bem fundo e escuro e nunca mais sair de lá, mas tinha obrigações a cumprir. Foi só sexo – repetia a caminho do banheiro, mas no fundo,sabia que não era.
Fiquei quase uma hora debaixo do chuveiro, queria que a água apagasse minha memória, mas era impossível, ele não saia da minha cabeça. Me vesti e fui para o laboratório.
Pov – Grissom
Acordei sentindo um perfume familiar. Era o cheiro dela. Sorri ao lembrar o dia anterior. Há muito tempo não me sentia feliz assim. Ter Catherine em meus braços novamente era a realização de um sonho, mesmo ela fingindo não se lembrar de nada no dia seguinte. Mas a conhecia bem e orgulhosa como era, tinha certeza de que iria continuar com seu teatro de amnésia e me acusaria de ter abusado dela quando estava bêbada.
O que posso afirmar é que fizemos amor e me senti amado e para completar o lindo dia que fazia lá fora, o sol brilhava. Os anos não foram suficientes para que a esquecesse. Tinha certeza de que iria amá – la mais que qualquer pessoa no mundo.
O alerta do celular me lembrou que deveria encontra – la no laboratório.
POV – Catherine
Resolvi que não tocaria no assunto referente à noite de sábado. Agiria como se nada tivesse acontecido. Já era quase final do expediente. Os funcionários do andar da diretoria do laboratório já haviam ido embora. Apenas Gil e eu permanecíamos. Terminávamos de completar alguns relatórios que seriam necessários na próxima reunião com o xerife.
- Mas a solução de crimes no mês passado aumentou em 25%. É um aumento considerável. – disse.
- Sim e vamos torcer que continue assim. É a única forma de conseguirmos o aumento de verbas – Gil disse ao fechar os olhos e jogar a cabeça para trás. Parecia cansado.
- É melhor pararmos aqui. Você está exausto. Se precisar,continuamos amanhã.
Fui até minha sala arrumar as coisas e ir embora. Precisava ir para casa. Passar o dia inteiro trabalhando com ele depois de tudo o que aconteceu entre a gente no final de semana não foi fácil. Precisava de um banho frio.
Arrumei minha bolsa e minha pasta e fui até sua sala. Da porta mesmo disse:- Até amanhã, Grissom. – não ouvindo resposta, estranhei. Ele nunca me ignorava. Aproximei – me e vi que ele dormira ali mesmo. Ri.
- Grissom, Grissom... – chamava enquanto balançava seu ombro delicadamente, mas nenhum sinal dele despertar. — Gil, acorde. Acorde!
Pov — Grissom
Aos poucos fui abrindo os olhos. Levantei a cabeça e a encarei,muito próxima. Sorri. Gostei da sensação. A respiração dela, o aroma de seus cabelos e de sua pele. Senti – me um pouco fora de controle. Talvez fosse o sono.
Não tinha idéia do que era, só sabia que não aguentava a vontade de ter aquela mulher perto de mim. Levei a mão ao seu rosto e a acariciei. A pele quente me trouxe lembranças do nosso último encontro. Desci a mão do rosto para o pescoço. Ela, estática, não sabia o que fazer.
Pov — Catherine
- Grissom é melhor irmos. – disse querendo afastar – me, mas não tinha forças. Sentia que meu corpo era atraído pelo dele. Buscava dentro de mim qualquer rastro de sensatez que me desvencilhasse dele. Não encontrei...
- Chega, Catherine... Não agüento mais isso. Fizemos amor há dois dias. Você sabe disso. Se entregou a mim de livre e espontânea vontade. Agüentei seu silêncio durante todo o dia, mas agora já deu. Eu te amo, preciso de você. Quero você – disse e puxou meu rosto até o seu encostando seus lábios nos meus.
Me afastei o encarando imóvel, querendo entender o que meu coração sentia. Enquanto o que mais desejava era poder beijá- lo de verdade. Confusa, corri até minha sala, peguei minhas coisas e desci as escadas desesperadamente. Não quis correr o risco de esperar o elevador. Só queria sair dali. Não estava acreditando no que havia acontecido, quase me entreguei novamente.
Ao chegar à recepção parei para respirar, mas logo que ouvi os gritos dele vindos da escada continuei a correr para fora do laboratório não me importando com os olhares surpresos que recebia. E em meio aos flashes que vinham a minha memória do que havia acontecido minutos antes e o ritmo do meu coração acelerado, tudo aconteceu muito rápido...Só pude escutá- lo gritar e a freada de um carro.
Quando me dei conta do que havia acontecido, estava do outro lado da calçada, jogada no chão, minhas costas doendo, os joelhos ardendo e como corpo de Gil sobre o meu. Ele com a respiração pesada me olhava assustado enquanto passava as mãos pelo meu corpo. Verificava se estava bem.
Ainda desnorteada e tonta olhei para o lado e vi um carro batido no poste, muito próximo a nós e um motorista furioso vindo na nossa direção.
- Você é maluca? – o homem gritava ao se aproximar. – Não olha para os lados? E agora, como fica meu carro?
Gil se levantou rapidamente e foi até o homem ao perceber que não entendia o que acontecia. — Eu arco com as despesas do carro – ele disse olhando de relance para mim que permanecia sentada no chão.
Só aí percebi o que acabara de acontecer. Havia sido atropelada, mas Gil me salvara. Olhei para ele. O vi abrindo a carteira e entregar algumas notas para o homem que num segundo mudou o semblante de irritado para satisfeito. Ao guardar o dinheiro pegou o carro destruído na frente e seguiu pela estrada a toda velocidade. Não parecia um motorista prudente.
- Aquela lata velha não vale nem metade do que eu dei – ele resmungava. Se abaixou perto de mim e me olhou preocupado. – Como você está? – perguntou passando a mão em meus cabelos.
- Bem – disse sem convicção. Fiquei de pé com seu apoio e tentei andar. Não consegui. Gritei de dor. Meu joelho doía muito. – Nem tanto.
- Eu te levo para casa.
- Não! – o interrompi logo. Não queria ficar perto dele. – Não precisa. Eu pego um táxi ou ligo para Vartann vir me pegar.
- Catherine, já é quase de madrugada. Ele já está trabalhando. Eu a levo. Não se preocupe, não faremos nada que você não queira.
O olhei desconfiada. Sabia que podia confiar nele, não confiava era em mim. Tentei dar mais um passo, mas vi que era impossível.
- Tudo bem, então. – concordei a contra gosto. Ele sorriu satisfeito e me pegou no colo me deixando surpresa. Foi até o estacionamento do DP levando – me com facilidade. Coloquei um braço em suas costas para que pudesse me apoiar. Me sentia sem jeito naquela posição.Tinha medo que alguém do laboratório nos surpreendesse naquela situação constrangedora.
Gil me colocou no carro do lado do carona com cuidado. Entrou logo em seguida e deu a partida sem dizer uma palavra. E assim foi durante todo o trajeto até minha casa.
Ao sair do carro senti que já podia andar, mas com o apoio de alguém. Ele pegou meu braço e o pôs em torno de seu pescoço me segurando pela cintura. Senti um arrepio pelo corpo. Abri a porta e tudo estava vazio e silencioso. Estranhei. Lindsey me ligou dizendo que viria para casa. Ele me colocou no sofá e acendeu a luz.
- Lindsey, querida, onde você está? – gritei da sala. Ameacei me levantar, mas ele me impediu.
- Onde você pensa que vai? Não pode ficar andando!
- Tenho que ver onde minha filha está. Ela disse que viria para casa hoje.
- Não precisa, eu vou.
- NÃO! – o interrompi depressa. – Não quero que ela te veja aqui.
Pov — Gil
A olhei profundamente decepcionado. Como, depois de tudo o que havia acontecido, ela tinha coragem de agir assim? Parecia que a única coisa com a qual ela realmente se importava era esconder a verdade de nossa filha. Balancei a cabeça negativamente. Não queria fazer nem dizer nada naquele momento. Não começaria uma briga novamente. Puxei – a com cuidado pelo braço e a levei até o lugar que parecia ser o quarto de Lindsey. Entramos.
Acendi as luzes. Vi um bilhete na cabeceira da cama e o entreguei a ela.
- Ela foi dormir na casa de uma amiga. Esqueceu que tinha um trabalho para entregar amanhã – ela disse visivelmente aliviada.
Pov — Cath
Gil simplesmente me ignorou. Me levou até meu quarto e pediu que me deitasse na cama. Obedeci.
Ele tentou mexer em minha perna, mas gritei de dor involuntariamente. Disse que era apenas um deslocamento. Pegou minha outra perna e levantou a calça até a altura do joelho. Havia apenas um hematoma. Apertou e gemi novamente.
- Dói? – indagou. Apenas afirmei com a cabeça. – Posso ir até a cozinha pegar algo para você?
Apenas concordei. Ele se retirou do quarto e voltou dez minutos depois. Estava deitada e ao vê – lo me levantei rapidamente. Ele trazia uma bandeja com suco, pães, frutas e biscoitos. — Não estou com fome – disse.
- Beba o suco pelo menos. Não é bom tomar remédios com o estômago vazio.
Contrariada bebi todo o suco.
- Onde está sua caixa de primeiros socorros? – ele perguntou.
- No armário debaixo da pia do banheiro. Ele foi até lá voltando em seguida com um analgésico e um copo d’água. Trazia também um gel cicatrizante em spray. Enquanto tomava o comprimido, ele passou o spray em meu hematoma do joelho.
- Isso dói! – gritei.
- Mas vai ajudar na cicatrização. Amanhã você já estará bem. Apenas descanse – disse e se levantou. Foi em direção a porta, dando – me ascostas.
- Aonde você vai? – perguntei ao levantar levemente a cabeça. Já não sentia tantas dores pelo corpo.
- Embora. Não é o que você quer desde o momento em que cheguei aqui? – terminou e, me dando as costas novamente, saiu pela porta me deixando sem ação.
- Gil, espere! – gritei tentando me levantar, mas me sentando em seguida. A perna não estava tão boa assim. Esperei alguns segundos até que o vi entrar de cabeça baixa. — Não é verdade o que disse. Te agradeço por ter me ajudado e peço desculpas se por acaso demonstrei algo diferente.
- Por que não permite que me aproxime de Lindsey? – disse se aproximando da cama. Nossos olhares se cruzando – Ela é minha filha e você não pode negar isso.
- Não quero falar sobre isso de novo – desviei o olhar do dele e encarei a janela. A janela na qual passara noites em claro, pensando no homem que naquele momento estava ali, na minha frente.
- Até quando? Para você é fácil falar! Descobri agora que tenho uma filha e a única coisa que desejo é me aproximar dela. – ele disse rápido, tropeçando nas palavras. Não continha a raiva e a frustração que sentia.
O encarei confusa. Não sabia o que fazer. Não podia culpá-lo e sabia que estava certo. Mas por outro lado, a mágoa do passado não permitia que agisse racionalmente.Ainda o amava e o queria junto a mim, mas como deixar o orgulho e o passado para trás? Era difícil.
- Vou pensar nisso... – foi a única coisa que conseguidizer. Tomado de revolta ele me deu as costas novamente, caminhou até a sala e saiu batendo a porta violentamente.
Sem saber o que fazer, com muito esforço, fui até a janela e o vi se aproximar do carro. Ele se apoiou de costas na porta e ficou assim por alguns minutos. Parecia estar pensativo.
Arrependida por ter agido daquela maneira comecei a chorar. Me apoiei na janela e permiti que as lágrimas caíssem pelo meu rosto. Não sabia quanto tempo suportaria essa situação.
I Need You Tonight (Nick Carter)
Open up your heart to me,
and say what's on your mind,( oh yes)
I know that we have been through so much pain,
but I still need you in my life, this time,
Chorus:
And I need you tonight,
I need you right now,
I know deep with in my heart,
it doesn't matter if it's wrong or right,
I really need you tonight.
I figured out what to say to you,
sometimes the words,
they come out so wrong, ( yes they do)
and I know in time that you will understand,
that what we have is so right,
this time,
Chorus:
And I need you tonight,
I need you right now,
I know deep within my heart,
it doesn't matter if it's wrong or right,
All those endless times,
we tried to make it last
forever more,
and baby I know.. I neeeeed
you ohh, oh yeah
I know deep with in my heart,
it doesn't matter if it's wrong or right..I really need you oh,ohhh
I need you oh I need you baby,
I need you tonight,
I need you right now,
I know deep within my heart,
noo, it doesn't matter if it's wrong or right,
all I know is baby,
I really need you..... tonight
oh,ohhh
Eu Presico de Você Esta Noite
Abra seu coração para mim
E diga o que está em sua cabeça (Oh, sim)
Eu sei que passamos por tanta dor
Mas eu ainda preciso de você na minha vida, desta vez
REFRÃO:
Eu preciso de você esta noite
Eu preciso de você agora
Eu sei dentro do meu coração
Não interessa se é certo ou errado
Eu preciso mesmo de você esta noite
Eu pensei no que dizer a você
Às vezes, as palavras
Elas vêm tão erradas (Sim, elas vêm)
E eu sei que depois você vai entender
Que o que nós temos é tão certo
Dessa vez
REFRÃO:
Eu preciso de você esta noite
Eu preciso de você agora
Eu sei dentro do meu coração
Não interessa se é certo ou errado
Todas essas intermináveis vezes
Nós tentamos fazer dar certo
Para sempre e mais
E, baby, eu sei...
Eu preciso de você, oh, sim...
Eu sei dentro do meu coração
Não interessa se é certo ou errado... Eu preciso mesmo de você
Oh, eu preciso de você baby
Eu preciso de você esta noite
Eu preciso de você agora
Eu sei dentro do meu coração
Não interessa se é certo ou errado
Tudo que sei, baby
Eu preciso mesmo de você...esta noite
oh,ohhh
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=RKHdfUwQwcA
Pov — Grissom
Abri a porta do carro e antes de entrar, olhei mais uma vez para a janela do quarto de Catherine. Percebi que ela chorava. Queria ir até lá para consolá- la,mas não iria.Tinha absoluta certeza de que ela não me queria por perto. Disse a mim mesmo que não me meteria em sua vida novamente,mas não permitiria que ela me afastasse de minha filha. Iria atrás de Lindsey e do direito de poder tê – la por perto de todas as maneiras possíveis. Mesmo que para isso precisasse travar uma batalha contra a mulher que amava.
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