Down
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Então não percamos tempo.
Mas, antes, obrigada pelo carinho de sempre.
Pov — Grissom
Abri os olhos com dificuldade. Havia deixado as cortinas abertas e a claridade do sol me despertava. Olhei em volta. O quarto estava silencioso e vazio como sempre. Não queria me levantar nessa manhã. Como havia sido estúpido em pensar que Catherine me aceitaria novamente. Não seria melhor desistir de tê – la ao meu lado?
Cheguei ao laboratório mais tarde do que o de costume. Cumprimentei a todos formalmente e fui para o meu andar. Catherine não estava em sua sala,mas suas coisas sim. Já havia chegado e provavelmente estava resolvendo alguma coisa. Melhor assim. Não queria encará – la. A evitaria de todas asformas. Era a única maneira de esquecê – la, ou pelo menos tentar. Não podia negar que a cada dia que trabalhava ao lado dela era um tormento. Não conseguia conviver tão próximo sem poder tocá- la. Escutei batidas na porta. Já sabia quem era. Mandei que entrasse. Parecia um pouco abatida. Trazia algumas pastas.
Pov — Catherine
- Bom dia, Grissom – falei séria. Não conseguia encará- lo.
- Bom dia, Catherine.
- Trouxe alguns relatórios para você assinar. Já os revisei,mas se quiser revisá – los também antes de assinar...
- Não será necessário. Confio em seu trabalho – disse friamente.
- Só isso então? – esperava, no fundo, uma resposta negativa. Queria escutar sua voz, mantendo – me ali ao lado dele. Qualquer coisa era melhor que aquela indiferença.
- Sim. – respondeu secamente. Abaixei a cabeça e saí da sala. Próxima a porta me lembre ide algo. Voltei para perto dele. — Eu gostaria de lhe agradecer novamente por ontem.
- Não foi nada.
Queria me desculpar pelo que dissera na noite anterior. Sabia que havia sido dura, mas a frieza pela qual ele me tratou me desencorajou a tocar no assunto novamente.Voltei para minha sala e me sentei em minha cadeira encarando uma foto de Lindsey. Sorri triste. Minha filha me dava forças para superar tudo aquilo.
Pov — Grissom
Uma semana se passou até que resolvi falar com Catherine novamente. Foram dias de frieza e distanciamento de ambas as partes, até que a chamei em minha sala. — Precisamos conversar, Catherine. — comecei num tom sério. A encarei profundamente.
- Pode falar – ela disse parecendo ansiosa.
- É sobre Lindsey... Ela me encarou por alguns segundos parecendo não acreditarno que eu dizia. Parecia decepcionada. Revirou os olhos.
- O que quer falar sobre minha filha?
- CHEGA!- disse duramente. Não estava mais disposto a ouvi –la falar daquela maneira. – Você vai ter que parar com isso. Não vou mais aceitar que se refira a ela como se fosse unicamente sua filha. Ela é minha filha também e vou assumir isso, querendo você ou não.
- O que está dizendo? – inclinou o corpo para se aproximar de mim. Os olhos cerrados. – Ou melhor, o que acha que pode fazer? Contar a Lindsey que é o pai dela? É essa sua estratégia? – indagou furiosa. O tom de voz elevado.
- Não seria má idéia. Mas acho que antes dela saber é necessário que a justiça saiba. Ela me fitou com ódio. Riu debochada.
- Pare de ser estúpido. O que pretende fazer?
- Não queria fazer isso, mas, se for necessário, vou provar que você me afastou e me proibiu de ver minha filha. Todos ficarão sabendo que ela é minha filha da pior maneira possível. Você acha que Lindsey vai ficar feliz ao saber que sua mãe lhe escondeu a verdade durante todos esses anos? Acho que não. Ela engoliu em seco. Me fitou durantes alguns segundos com um olhar indecifrável. Deu um soco na mesa:
- Canalha! É isso que você é, um canalha maldito. – levantou– se da cadeira e se pôs de pé na minha frente. – Você acha isso certo? Aparecer do nada na minha vida após ter me abandonado pela segunda vez, me deixando sozinha, tendo que supervisionar uma equipe destruída, sem se importar se estávamos bem ou não. E agora sou obrigada a te enfiar na vida da minha filha também ou do contrário você a porá contra mim? É isso mesmo? Realmente é muito justo...– terminou sarcástica. Seus olhos rasos d’água. Percebi que prendia o choro.
- Você está colocando as coisas de forma drástica...
- Não vou ouvir mais nada. Não vou ouvir tamanha loucura! – Deu as costas e saiu batendo a porta com fúria. A vi sair, mas não me deixei sensibilizar com o que ouvira. Estava certo e nada me tiraria à razão. Faria as coisas do meu jeito.
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Quando dei por mim já estava no meu carro. Catherine não me viu sair. Dei a partida e dirigi a caminho da UNLV. Quando estacionei o em frente ao local vi que algumas pessoas já saiam para o almoço. Sai do carro e caminhei em direção a entrada. Fui até o prédio de biologia procurando uma menina loira. A vi parada na porta de uma sala junto com um rapaz. Resolvi me aproximar lentamente, tentando não chamar a atenção de ninguém. Com óculos escuros e as mãos no bolso da calça fui andando até eles. Ela estava distraída e assim que me viu abriu um imenso sorriso e veia na minha direção. Me deu um abraço e me beijou no rosto, olhando em meus olhos e ainda sorrindo.
- Como vai, querida? – perguntei já com os óculos na cabeça e a fitei. Me impressionei com tamanha semelhança entre seus olhos e os meus.Também tinha muito da mãe. Como nunca reparei nisso?
- Bem. Esse é meu amigo Jeremy – falou apontando para o rapaz que me olhava desconfiado.
- Oi, Jeremy – o saudei. – Vim te convidar para almoçarmos. O que acha?
Ela ficou um pouco pensativa, mas para minha alegria, em seguida, balançou a cabeça afirmativamente. Se aproximou do rapaz lhe dando um beijo no rosto. Falou algo para ele que não pude entender.
- Vamos? – perguntei ao estender a mão para ela. Ela a segurou com confiança.
- Tem um restaurante aqui perto – ela afirmou enquanto atravessávamos o campus de braços dados e cercados por olhares curiosos. Abri a porta do carro do lado do carona e ela se sentou. — A mamãe não quis vir com você?
Quando comentou sobre a mãe me lembrei dela. Imaginei como Catherine reagiria ao descobrir que estava com nossa filha. Com certeza não muito bem. Mas precisava fazer aquilo. Tinha que conquistar o carinho e confiança da garota antes de contar que era seu pai.
- Ela não pôde vir. Tinha uma reunião importante. – menti. Saímos em direção ao restaurante que não ficava longe dali. Era um lugar pequeno, mas aconchegante. Ficava em frente a um parque. Lindsey me disse que ela e a mãe almoçavam sempre ali. Escolhemos uma mesa próxima a janela e mais ao fundo do restaurante.
Após pedirmos, começamos a conversar.
- Você vai embora novamente? – ela perguntou. Me surpreendi com a pergunta.
- Não, não mais... Vim para ficar. E me arrependi de ter partido.
- E Sara? – continuou o interrogatório.
- Sara... Ela está bem. Em uma viagem com o Greenpeace pela Ásia – menti. A verdade é que desde que voltei a Vegas nos falávamos muito pouco. E não fazia idéia do seu atual paradeiro. Ela sorriu como se fosse a melhor notícia que pudesse receber em sua vida. Almoçamos e como ainda havia tempo para ela voltar para a universidade, decidimos caminhar pelo parque.
No parque havia alguns jardins e um lago. Era um lugar muito bonito. Caminhamos e conversamos sobre várias coisas. Ela falava sobre tudo: a escolha da faculdade de biologia, os motivos que a levaram a tal escolha, as dificuldades para se adaptar, as matérias que não gostava, o fascínio po routras, da difícil decisão em morar no campus deixando a mãe sozinha, da falta que sentia dela, das dificuldades que a mesma enfrentou com minha partida.
Eu a ouvia fascinado. Não imaginava que pudesse me divertir tanto. E como ela era madura para a idade. Catherine havia feito um bom trabalho...Sorri ao ouvi – la falar por sua paixão por biologia. Era muito autêntica. Sentia que cada vez mais me apaixonava por ela. Queria estar sempre ao seu lado, protegê – la de tudo e todos. Ajuda – la com as matérias que tivesse dificuldade, ensinar – lhe coisas importantes, uma vez que também era um biólogo. Participar de sua vida. Consola – la quando estivesse triste, dar – lhe ânimo quando estivesse para baixo. Queria ser seu pai. Fomos para o carro. No caminho não pude deixar de pensar novamente no que Catherine faria comigo quando descobrisse. Fiquei receoso.Conhecia sua fúria. Ela poderia matar – me ou estrangular – me. Ou talvez me dar um tiro. Olhei para o lado. Lindsey observava a paisagem. Sorri. Valeria a pena só pela tarde maravilhosa que passei com minha filha. Valeria àpena morrer nas mãos de Catherine ou mesmo ter que escutar um sermão ou uma discussão.
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