Notas iniciais
Bom, nesse capítulo acompanharemos o sofrimento de Catherine pelo distanciamento de Gil e como ela tem lidado com isso.
E uma surpresinha no final...
Acompanhem.
P.s = Muito obrigada pelos reviews sempre tão carinhosos.

Os excessos de Gil não melhoravam nem quando estávamos em casa. Agora que uma pequena barriga começava a aparecer, ele parecia fazer alguma associação estranha disso com minha alimentação, dizendo que agora eu deveria comer por dois. Para não começar uma guerra, comecei a adotar o hábito de jantar porções pequenas. Era claro que ele queria que eu comesse feito um leão a cada jantar, mas depois de convencê-lo (aos gritos, quando minha paciência se esgotou) de que aquilo seria impossível, ele pareceu aceitar. E dessa forma, ele passou a ser um verdadeiro perseguidor na minha vida. Todos os dias ele ia pelo menos umas vinte vezes até minha sala, ou quando estávamos em compromissos diferentes, eu recebia, pelo menos, dez ligações suas, me perguntando se havia algo errado e o que eu estava fazendo. Quando ficava cansada daquela perseguição, desligava o celular. Mas não adiantava, porque ele sempre me achava pelo rádio. Descia também para o andar do CSI e tentava trabalhar em minha antiga sala, agora ocupada por Nick, mas ele aparecia por lá e fazia um drama shakespeariano e me arrastava de volta para a diretoria. Eu já me sentia um pouco sufocada, mas não o suficiente para me incomodar. Aliás, seria muito bom se Gil me sufocasse em determinados momentos...Suspirei, agarrada a ele na cama. Passava das dez da noite.

- Que foi? Quer alguma coisa? – Ele perguntou, desviando os olhos da tv e me encarando preocupado. Ultimamente, ele sempre me encarava daquele jeito, e aquilo estava começando a me tirar do sério.

- Não foi nada, Gil. – Falei, já meio irritada – Só estou te abraçando.

- Ah. Mas você est…

- Estou bem. Não estou enjoada. Nem com fome, nem com sede, nem com dores, nem com frio, nem com calor, nem cansada e muito menos com sono.

- Ótimo… – Ele falou, só para ter algo para dizer. Me agarrei a ele outra vez, encaixando meu rosto na curvatura do seu pescoço e respirando de uma forma propositalmente intensa ali. Senti-o estremecer de leve.

- Não namoramos há algum tempo… – Falei, tentando recordá-lo, de uma forma sutil, que aquele era um período sem sexo relativamente longo, e, no estado em que me encontrava, desesperadamente longo.

- Ah, amor… Você sabe… – Ele começou, acariciando meu braço – Eu ando muito atarefado com o laboratório. E o tempo livre que tenho uso para resolver as coisas do meu divórcio e tomar conta de você, de Lindsey e do bebê.

- É, eu sei. – Falei, dando beijos suaves pelo seu pescoço – Mas não é como se você não tivesse nenhum tempo livre… Por exemplo, agora…

- Ahm… – Ele começou, se afastando um pouco de mim – Eu estou meio cansado… Sabe, hoje foi um dia exaustivo. Ecklie continua exigindo que diminuamos os gastos no laboratório... — Continuei abraçada a ele, remoendo um sentimento crescente de rejeição. Mas ao invés de ficar triste e deprimida, me senti incrivelmente com raiva.

- Você está me dizendo que está tão cansado que não podemos nem curtir um pouco o momento? – Perguntei, controlando minha fúria monstruosa.

- Estou com muito sono, querida… – Ele falou, dando um bocejo audível e, eu tinha certeza, falso. Continuei encarando-o, planejando de quantas formas poderia torturá-lo. Mas depois de algum tempo, tudo que fiz foi engolir em seco e me desvencilhar dele, virando de costas e puxando o cobertor todo para mim. Algum tempo depois, ouvi a tv sendo desligada e seus braços envolverem minha cintura, sua mão tocando como sempre minha barriga.

- Não encosta em mim. Isso provavelmente vai fazer que você gaste muita energia. – disse sarcástica. Ele pareceu não ligar para o comentário, e se aproximou ainda mais de mim, espalmando sua mão na minha barriga. Aquele pequeno contato, mesmo que inocente, estava me incendiando. Tudo porque ele havia decidido bancar o monge budista, e provavelmente estava se divertindo às custas do meu desespero sexual. Mesmo gostando de sentir sua pele, segurei sua mão com firmeza e retirei-a da minha barriga.

- Catherine… – Ele começou, mas o interrompi.

- Estou falando sério. Se você não tem tempo ou disposição, não sou eu que vou ser o empecilho que vai te manter acordado. Bons sonhos, querido. — Falei a última palavra em um tom de deboche, e com toda a certeza ele percebeu. Ainda assim, não respondeu nada, apenas aceitando com um suspiro de desgosto a distância que eu havia estabelecido entre nós. Mas não adiantava. Na manhã seguinte, seus braços estariam em volta da minha cintura e sua mão sempre estaria espalmada na minha barriga outra vez.

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Eu estava agora com quase 15 semanas de gestação, e com exceção do dia em que havíamos descoberto sobre a gravidez, Gil não me tocava. Cada tentativa desesperada minha resultava em uma nova desculpa, e mesmo que eu soubesse que ele andava realmente atarefado, era impossível deixar de notar que, se fosse algo relacionado ao bebê, e não a mim, ele parecia completamente alheio ao resto do mundo e dava total atenção às minhas necessidades. Ele não queria transar comigo. E eu não sabia o motivo. E estava subindo pelas paredes.

- Alô?- Oi, Beth. É a Catherine.– Falei, tentando parecer casual.

- Olá, Catherine. Aconteceu alguma coisa com você ou com o bebê? – ela respondeu, do outro lado da linha. Pela visto, a paranoia de Gil era contagiosa.

- Não… Nada aconteceu. O bebê e eu estamos ótimos. Quer dizer, estou com um pouco de enjoo, e dor nas costas, mas… – parei, antes que ela resolvesse ligar para Gil relatando meus sintomas – É outra coisa.

- Pode falar.

- Ahm… – Comecei, me sentindo um pouco idiota – Não sei se é com você que eu devo falar sobre isso…

- Podemos tentar. – ela respondeu, encorajando-me. Hesitei um pouco, mas lembrei do meu atual estado.

- É sobre Gil. — Ela ficou em silêncio, provavelmente esperando que eu prosseguisse. Como isso não aconteceu, ela voltou a falar.

- Ok, estou ouvindo.Suspirei.

- Ele… Ele está distante.

- Distante como? Ele não está dando atenção à gravidez?

- Não, não é isso. Ele dá bastante atenção ao bebê. Até me sufoca…

- Então?

- Então… – Comecei, e tive certeza de que estava começando a corar – Ele me dá atenção, mas… Só com coisas relacionadas à gravidez… Entende? — Rezei para que ela entendesse. E como uma mulher experiente, ela entendeu.

- Ah. Vocês estão distantes como casal.

- É…

- Ele não mostra interesse…Interrompi-a, um pouco desesperada.

- Não! Ele não me toca! Se recusa a transar comigo! Fica inventando desculpas toda vez que eu tento alguma coisa. A última vez que transamos foi na noite da descoberta da gravidez! Eu não aguento mais!

- Calma, Catherine. — Me calei, esperando que ela me desse alguma explicação com relação à atitude do filho, pois,afinal, ela o conhecia muito bem. Ou quem sabe me daria uma solução. Qualquer coisa seria bem vinda.- Ele deixou de ser carinhoso com você? – Ouvi-a perguntar.

- Não… Ele continua o mesmo… Diz que me ama todos os dias… Mas não me toca de jeito nenhum!

- E antes da gravidez, qual era a frequência com que vocês mantinham relações? — Meu Deus, a que ponto chegou meu desespero... Falando de minha vida sexual para minha sogra.

- Quase todos os dias. – Choraminguei, deixando de lado a vergonha – Eu não sei mais o que faço! Estou a ponto de embebedá-lo pra conseguir me aproveitar dele! — Eu sabia que aquilo tinha soado idiota, mas não me importei. Eu era uma mulher desesperada.

- Catherine… As reações dos homens no período de gravidez variam. Alguns podem se sentir mais atraídos por suas mulheres, outros mantêm a relação como ela costumava ser, e outros se afastam. Gil está nesse último grupo. Isso não quer dizer que ele não sinta mais atração, mas às vezes é complicado para o homem. E você sabe que Gil é um homem complicado. – pelo tom de sua voz percebi que ela sorria ao dizer. — Se antes ele a via como amante, agora ele tem uma imagem mais pura de você. Você é a mãe do filho dele, e isso deve fazer com que ele não consiga te tocar sem se sentir culpado ou achar que está fazendo alguma coisa errada. Muitos homens reagem dessa maneira. O pai dele fez o mesmo comigo quando engravidei.

Fiquei olhando para a parede como uma idiota, simplesmente porque tudo que eu podia fazer era esperar que Beth me desse alguma solução para aquilo.

- E como… Como eu vou convencê-lo…? – Comecei, amaldiçoando Gil por ser tão esquisito.

- Vocês precisam conversar. Tente entendê-lo, e tente fazer com que ele te entenda. Se não funcionar, vou ter uma conversa com ele. Tudo bem? — Tentei controlar o nó na garganta, me forçando a não chorar.

- Tudo bem.

- E se acalme. Lembre-se que sua carga emocional reflete em Daniel. Conversem hoje, e amanhã você me liga e me diz como foi. Vou ficar esperando.

- Certo. – Falei, tentando me acalmar – Obrigada, Beth. E desculpe por ocupar seu tempo com essas bobagens.

- Não precisa se desculpar. Estou aqui sempre que você precisar, lembre-se disso. Sempre gostei de você ainda mais agora que vai me dar meu segundo neto.

- Obrigada.

- Amanhã irei ai levar uns presentinhos que comprei para Daniel e você me conta como foi a conversa entre vocês.

- Tudo bem, te espero amanhã.

Doce Jesus, mais presentes. Preciso começar a arrumar o quarto dessa criança...

Desliguei, com um aperto no peito. Passava um pouco das 21hs, e Gil ainda não havia chegado. Saí mais cedo, pois precisava me encontrar com meu advogado para resolver alguns assuntos pendentes do Eclipse. Tentei retomar a calma, exercitando minha respiração de olhos fechados. Tentei me recusar a acreditar naquilo. Ele não podia simplesmente ter deixado de me desejar. Não podia me ver com outros olhos. Aquilo era absurdo, e me magoava. Eu teria outro filho dele, e só Deus poderia dizer o quão feliz eu me sentia com esse fato. Mas isso não fazia com que eu deixasse de lado o meu papel de mulher. E, como toda mulher, precisava explorar minha sexualidade. Se aquilo fosse verdade, eu passaria a me sentir apenas uma barriga ambulante, carregando alguma coisa valiosa que ele possuía. E isso me magoava. Ele não me tocaria pelo resto da gravidez? Se ele me rejeitava com a barriga ainda ligeiramente crescida, como seria nos últimos meses da gestação? Ele me evitaria ainda mais? Por que a falta de intimidade incomodava apenas a mim, e não a ele? Seria possível que ele estivesse satisfazendo suas necessidades de outras maneiras? Seria possível que, me vendo exclusivamente como a mãe de seu filho, ele tivesse procurado outra que desempenhasse o meu antigo papel? O papel de amante, que satisfaria aos seus desejos limitados por essa gravidez? Será que ele havia ido atrás de outra mulher? Ou o que seria pior: Será que havia ido atrás de Sara desistindo do divórcio?

Deus, por que eu estava pensando naquilo? Talvez estivesse exagerando, ou fazendo suposições absurdas, mas o desespero começou a me tomar de uma tal forma que, agora, eu fazia força para não rir da própria situação.

- Não seja idiota! Ele não está te traindo! – Falei em voz alta, controlando a vontade de me estapear. Me forcei a repetir, incessantemente, que aquilo era simplesmente ridículo, e que não havia motivos para tal suspeita. Mas eu precisava que ele confirmasse isso, para poder respirar direito. Então, por um motivo ou por outro, eu o colocaria contra a parede aquela noite. Não passaria daquela noite.

- Oi, honey! – ele falou de forma tranquila enquanto entrava na sala e se jogava no sofá ao meu lado. Como sempre fazia, me deu um beijo carinhoso e, seguindo sua mais recente mania, levantou meu casaco e beijou minha barriga, falando com ela como um louco fala com qualquer objeto inanimado – Oi, garotão. – E você, mocinha, por que não me esperou para virmos juntos para casa? –indagou enquanto continuava acariciando minha barriga.

- Você demorou a sair da sala de Ecklie. – Falei, esquecendo do programa que passava na tv, torcendo para que minha voz não tivesse mostrado toda a hostilidade e a ansiedade dentro de mim.

- Tivemos uma reunião de emergência – Ele falou, desanimado – Ele te deu muito trabalho hoje? Toda vez que Gil falava sobre “ele” comigo, estava se referindo ao nosso filho. Eu havia aprendido isso nas últimas semanas.

- Não. Hoje foi um dia tranquilo. Não vomitei nenhuma vez. – Respondi, observando-o se agarrar a mim e esfregar o rosto mais uma vez no meu umbigo. Sua barba fez cócegas nada inocentes em mim, por isso tremi involuntariamente. Meu arrepio, no entanto, não passou despercebido por ele.

- Que bom. – Ouvi-o dizer, enquanto se afastava repentinamente. Senti a rejeição outra vez, e outra vez segurei a vontade de chorar e agredi-lo. – Vou tomar um banho. O dia hoje foi cansativo…

- Como todos os outros. – Falei de forma amargurada. Ele notou meu mau humor, mas não falou nada, se virando e indo para o banheiro do quarto.

Foi o banho mais demorado que Gil já tomou na vida. Ou talvez tivesse durado o que seus banhos costumavam durar, mas dado meu estado de ansiedade, ele parecia estar trancado no banheiro havia alguns meses. Estava a ponto de socar a porta, fingindo estar passando mal, mas me contive. Esperei pacientemente – ou quase -, apenas querendo que ele saísse logo e diminuísse minha ansiedade. Eu precisava conversar com ele.

Caminhei pelo quarto, tentando me conter. Fiquei assim por alguns minutos, até que ele finalmente teve a bondade de se juntar a mim outra vez.

- Está tudo bem? – Ele perguntou, me observando no canto do quarto, de braços cruzados.

- Quero que você sente. – Falei, sem rodeios.

- Por quê? – Ele rebateu, sua voz soando um pouco preocupada.

- Porque quero conversar com você. — Ele me encarou ansioso, e, tomado pela curiosidade, foi se sentar na poltrona próximo a cama, só para que eu falasse logo.

- O que foi? É alguma coisa com ele?

- Não. Ele está ótimo. – Respondi, sentindo meu sangue começar a ferver.

- Então o que foi? Você quer alguma coisa? — Encarei-o por algum tempo, tentando achar as palavras certas para começar aquela conversa.

- Quero. Quero uma coisa.

- O que é? – Ele se apressou em falar – Seja o que for, você sabe que pode pedir…

- Quero sexo. — Aquilo pode ter parecido um pouco inapropriado, mas eu não estava me importando muito com isso. O importante era passar o recado, da forma mais limpa e cristalina o possível.

Como ele não respondeu, finalizei meu pequeno discurso.- Agora, se for possível.- Ahm… – Ele falou, se mexendo na poltrona e olhando para a parede oposta. Mas eu já estava preparada para a desculpa que viria a seguir, fosse ela qual fosse.

– É que… Minha cabeça, ela está me matando…

- E desde quando você virou mulher pra negar uma transa por causa de uma dor de cabeça? – Falei, agora completamente hostil. Ele me encarou surpreso.

- Eu… Você sabe que meu dia foi cheio… – Ele começou, mas o interrompi sem a menor educação.

- Grissom, não seja mentiroso! Se eu dissesse que estava passando mal, você não mediria esforços para me levar ao primeiro hospital que encontrasse pelo caminho. Mas como tudo que eu quero é transar, depois de SEMANAS na seca, você parece indisposto? — Ele não respondeu, e pelo menos fiquei mais satisfeita por ele não ter insistido na mentira.- O que diabos está acontecendo? Por que você não encosta um dedo em mim? – Falei, já não conseguindo mais disfarçar minha completa indignação.

- Querida…

- É porque eu estou grávida? Porque se for isso, tenho que te informar que continuo sendo mulher. – Falei, de forma amarga e irônica.

- Eu sei…

- Então é isso? – Insisti, já com vontade de chorar outra vez.

- Não! Não é isso!

- O que é então? Você não se sente mais atraído por mim? – Perguntei, sentindo uma leve dor no peito pela possível rejeição.

- Claro que sinto atração por você! – Ele respondeu, parecendo incrédulo.

- É porque eu estou gorda? É a minha barriga? Meu corpo não está como você queria?

Ele suspirou, e por um segundo imaginei que ele estivesse começando a perder a paciência.

- Catherine, por favor, não fale besteiras…

- Você tem saído com outras mulheres? Desistiu do divórcio e voltou para Sara? – Perguntei antes que pudesse pensar se aquela era uma pergunta adequada. Ele arregalou os olhos, talvez por surpresa ou talvez por indignação.

- De que droga você está falando? – Ele falou, agora realmente irritado.

- Como você está lidando com isso tão bem durante todo esse tempo? – Falei, já tremendo.

- “Tão bem”? Você não sabe o que está dizendo!

- Sei sim! Você não me toca!

- E sabe como é difícil não te tocar quando, toda noite, você tem seus sonhos e fica se esfregando em mim como uma ninfomaníaca?Olhei-o com um misto de vergonha e indignação.

- E por que diabos você se recusa a me tocar? Porque não transa comigo? Você sabe que eu quero!

- Por que você vai ter um bebê! — Fiquei em silêncio, tentando fingir que não tinha acabado de escutar aquilo.

Tentei conter minha respiração, mas não adiantava. Se Gil queria me tirar do sério, ele havia conseguido. Aquilo era para ser uma pergunta, mas saiu como um berro.

- E QUAL É A MERDA DO PROBLEMA?

- Eu não vou transar com você com meu filho aí dentro! Se eu machucá-lo…Eu não estava mais ouvindo. Aquilo era tão absurdo, tão incrivelmente idiota, que meu cérebro simplesmente parou de processar o que quer que ele estivesse falando naquele momento. Minha ira se multiplicou por cem ao saber que minha abstinência forçada se dava unicamente pelo fato de Gil ser tão burro a ponto de achar que algo completamente absurdo como aquilo pudesse vir a acontecer.

- Você… Você… – Comecei, sem saber ao certo se gritava ou partia pra cima dele com minha arma – Você não pode estar falando sério…

- Se eu fizer mal a ele…

- VOCÊ NÃO PODE TOCAR NA DROGA DO BEBÊ! NEM QUE O SEU PINTO TIVESSE DOIS METROS! – gritei, querendo socar cada parte visível do corpo dele.

- Não chame nosso filho de “droga”! – Ele respondeu, com um tom de voz indignado e irritado, mas se forçando a não gritar no mesmo tom, porque viu que eu estava começando a perder o controle. E aquilo obviamente o deixava preocupado, por causa do nosso filho. Como sempre. Sem pensar, e só porque não havia nada mais pesado por perto, ou porque minha raiva me cegou, agarrei uma das almofadas espalhadas pelo chão, ao lado da cama, e joguei com toda força na cara dele. Era óbvio que aquilo não tinha o machucado, mas de qualquer forma, fiquei feliz por poder agredi-lo de algum jeito. Nem que o resultado fosse patético.

- Imbecil! – Gritei, saindo do quarto o mais rápido possível, antes que a lágrima de raiva que eu tentava conter escorresse pelo meu rosto – Você é um imbecil! — Bati a porta com força, deixando-o sozinho ali.

POV GRISSOM
Me mantive sentado, olhando para a porta fechada, pensando qual atitude seria melhor: Deixar que Catherine esfriasse a cabeça e chegasse à conclusão que não valia a pena me matar, ou ir atrás dela e tentar acalmá-la, correndo risco de vida. Tudo bem, eu era um perfeito ignorante sobre sexo na gravidez. Não sabia merda nenhuma de bebês, mesmo já tendo uma filha. Mas aquela gravidez havia me pego de surpresa, e confesso que não pesquisei muito sobre o assunto depois de saber que seria pai novamente. Sim, era provável que eu estivesse sendo estúpido. Aliás, se fosse tomar como referência a reação de Catherine à minha confissão, eu tinha certeza que estava sendo MUITO patético. Mas eu admitia ser suficientemente ignorante sobre aquele assunto, por isso não sabia se corria algum risco de machucar o nosso filho. Tudo que me restou, então, foi me privar de um pequeno prazer. Ok, de um prazer importantíssimo. Mas agora, sentado ali, ainda na mesma posição, comecei a me achar realmente idiota. Não sei por que nunca havia conversado com ela sobre isso. Talvez temesse que ela não entendesse, ou me achasse um completo ignorante. De qualquer forma, não havia desculpas.

Me levantei, tomando a decisão de ir atrás dela e esclarecer algumas coisas. Mas não cheguei a dar um único passo, porque ela já entrava no quarto bufando, com seu celular na mão e os olhos esbugalhados. Ela era mais ou menos como uma leoa com raiva, e isso seria adorável caso eu não estivesse com medo. Quando ela estendeu o aparelho para que eu pegasse, desviei involuntariamente, pensando que ela me daria um soco no nariz. Quando entendi o que ela queria, peguei o celular de sua mão e trouxe o aparelho à orelha.

- Alô?

- Uaaahhh… Ah, boa noite, Gil. É o Al. – Ouvi-o dizer, disfarçando o bocejo. Olhei para ela e constatei que seu olhar ainda tinha um brilho incrivelmente assassino. Por isso, mesmo me sentindo mal em interromper o sono de meu amigo, em uma de suas raras noites de folga – ainda que tenha sido ela a ligar e acordá-lo – continuei falando com ele ao telefone.

- Ah… Boa noite, Al.

- Catherine me ligou e contou que vocês conversaram. — Pela cara que ela fazia, provavelmente ele já sabia de tudo que havíamos conversado.

- É… Nós conversamos… Mais ou menos.

- Ela me disse que você tem algumas dúvidas quanto à possibilidade de manter relações sexuais no período da gravidez. — Al estava sendo educado, e eu sabia disso. Tinha certeza que ela havia contado a situação para ele de uma forma muito menos suave, com alguns gritos e xingamentos.

- É, eu… Eu não sei direito se posso…Catherine bufou na minha frente de repente, e outra vez me mexi de forma involuntária para longe dela.

- Gil, veja bem… A primeira coisa que quero deixar claro é que você não é o único a ter essa dúvida. Muitas pessoas acham que sexo durante a gravidez pode afetar o bebê de alguma forma e prejudicar a formação do feto, mas escute bem o que vou dizer: Não há o menor problema em se manter relações durante a gestação.“O filho de vocês está bem protegida no útero, e o seu órgão sexual não pode, de forma alguma, tocá-lo. Não há a menor chance de você machucá-lo. Mas é claro que eu aconselho que vocês deixem um pouco de lado práticas como sexo selvagem e posições mais desafiadoras do Kama Sutra. O importante é deixá-la confortável em qualquer posição que ela quiser”.“Repito: Não há como você fazer mal ao bebê. Ao contrário, tudo que seu filho sente é reflexo de como Catherine se sentir. Se ela estiver bem, seu filho estará bem também. Por isso, faça com que ela relaxe. Sexo ajuda bastante nessa parte, além de fortalecer os músculos do períneo, o que ajuda na hora do parto”.“E se ainda há dúvidas sobre outros métodos, deixe que eu te explique: Não há problema com sexo oral ou anal, com ou sem ejaculação, contanto que haja higiene sempre. Masturbação também é liberada, e não se preocupe quanto aos seios dela. Você pode fazer com eles tudo que fazia antes normalmente, mas como estão mais sensíveis, só tome cuidado para não machucá-la”.

Mesmo que fosse desagradável ouvir tudo que ele me dizia com Catherine me encarando como se quisesse me matar a qualquer momento, tentei dar total atenção àquelas informações.

- E… E eu posso… Você sabe… Dentro dela?

- Pode ejacular dentro do canal vaginal sem o menor problema. Ela também pode se permitir atingir ao orgasmo. Digo isso porque muitas mulheres têm a ideia errada de que orgasmos podem levar ao aborto. Isso não é verdade.“Sexo durante a gestação deve ser aproveitado ao máximo, até mesmo porque serve como válvula de escape para todas as ansiedades desse período. As relações sexuais durante a gravidez só devem ser interrompidas quando houver sangramento ou perda de líquido amniótico, mas esses casos são raros. Fora isso, vocês estão livres pra se envolverem fisicamente. Não se preocupe, vai fazer bem tanto pra vocês quanto para o bebê”. — Continuei encarando – a de volta, como se estivesse esperando que ela me atacasse a qualquer momento. Me dei conta de que todas as minhas dúvidas haviam sido tiradas quando ouvi, do outro lado da linha, mais um bocejo por falta de perguntas.

- Certo… Ok, obrigado amigo. Desculpe interromper a sua noite…

- Tudo bem. Eu até esperava por isso. Catherine estava um pouco chateada no início da nossa conversa. Acho que você vai ter que se redimir. – Ele disse, dando um risinho de provocação.

- Ah… É, acho que sim. – Respondi, sentindo meu bom humor voltar aos poucos.

- Bom, você tem mais alguma pergunta?

- Não. Obrigado pelas explicações.

- Não há de quê. Você sabe que minha especialidade não é obstetrícia, mas tenho certeza que é o que um lhe diria. Te aconselho que na próxima consulta de Catherine ao obstetra, você esclareça mais coisas com ele.

- Ok, mas acho que não será preciso. Você já tirou todas as minhas dúvidas e me sinto mais a vontade com você, mesmo sendo um legista... – falei em tom de ironia. — Obrigado mais uma vez. Aproveite sua noite de folga, nos vemos amanhã. Boa noite.

- Você sabe que pode contar comigo sempre que precisar. Boa noite. — O telefone ficou mudo do outro lado da linha, e então me dei conta de que agora era a hora de enfrentar toda a fúria da ruiva à minha frente.

- Ahm… – Comecei, um pouco sem graça – Desculpa, amor… Eu não sab…Fui interrompido por seus punhos, me socando em todas as partes possíveis. — Ai! Querida! – Tentei segurá-la, mas ela era rápida e escorregadia.

- Idiota! – ela gritou, me socando com mais força ainda. Eu estava apanhando como uma garotinha. Me senti uma vergonha para a raça masculina.

- Ei! Foi ruim pra mim também… Ai! Catherine!

- Dane-se! Você merecia mais vinte anos sem sexo por isso! Seu… Seu… Idiota! – Ela pontuou, com mais um soco no meu ombro. – Você me fez ligar para sua mãe e contar sobre nossa vida sexual.

- Você fez o quê? – indaguei assustado com sua declaração. – Comentou com minha mãe sobre nossa intimidade? Agora entendi o motivo do sermão que ela me deu ao telefone hoje à tarde. — Parecendo cansada em me bater, ela parou e ficou ali, me olhando com a respiração cansada do esforço. Não reagi, apenas esperando pelo momento em que, depois da pequena trégua, ela voltaria com tudo para cima de mim, com tapas ainda mais fortes e xingamentos ainda mais agressivos. Era óbvio que eu poderia usar um pouco da força que tinha e segurá-la de verdade, imobilizando-a. Mas eu não faria isso, principalmente porque sabia que merecia cada soco recebido.

Suas mãos estavam cerradas, seus olhos ainda assassinos, mas ela não se moveu mais. Talvez eu tivesse entendido errado, mas considerei sua atitude como uma brecha para que eu agisse da maneira que quisesse. Agora era minha vez. Então, eu agi. Agarrei-a sem pensar se seria certo, e se ela aceitaria. Colei meus lábios nos dela com um pouco de força e forcei minha língua contra a dela, sem dar espaço para um beijo carinhoso. Abracei-a com vontade, ainda que tomando cuidado com sua barriga. Como a segurei com um pouco de força, sabia que seu corpo acabaria se chocando contra a parede em algum momento, então coloquei uma das mãos atrás de sua cabeça para protegê-la. Quando senti a parede fria nos nós dos meus dedos, tirei-os de lá e agarrei suas costas. Senti seus dedos se fecharem com força nos meus cabelos como ela sempre fazia, me puxando para perto. Prensei-a com ainda mais força contra a parede, e quando mantive a pequena distância entre nossas barrigas, ela se enfureceu e agarrou meu corpo por trás, me puxando com violência para si.

- Tem como você deixar de ser idiota? – Ela falou, completamente sem fôlego contra minha boca, e no segundo seguinte voltou a me beijar com desespero. Minhas mãos, ainda na sua lombar, desceram e levantaram-na do chão, forçando suas pernas a entrelaçarem-se na minha cintura. Tentei manter meus toques gentis, mas estava sendo muito difícil, principalmente porque ela não parecia querer gentileza. Seu corpo tremia, e eu tinha certeza que não era de frio. Ambos estávamos pegando fogo, e me odiei por saber que todo aquele desespero era culpa minha. Senti minha camisa sendo arrancada, e a tirei de qualquer jeito, voltando meus lábios para o pescoço dela. Não que eu precisasse estimulá-la, mas sabia que minha barba naquela área deixava – a simplesmente louca.

- Meu… Deus! Vem logo! – Ela ofegou contra meu ouvido, e eu acharia aquilo muito engraçado se não estivesse louco de tesão e completamente disposto a fazer o que ela pediu.

Levei Catherine no colo até a cama sem nenhum esforço, deitando-a lá e, desesperado de pressa, arrancando de uma única vez a camisola que ela vestia junto com a calcinha. Aquele era o tipo de situação em que preliminares não serviriam para estimular ninguém, porque ninguém ali precisava de estímulo. Como ela não se opôs à minha pressa, chutei para longe minha calça de qualquer jeito e fui me ajoelhar entre as suas pernas, abrindo-as sem sequer pedir permissão.. Me posicionei em sua entrada já me movendo para frente, mas ainda com cuidado. Fazer aquilo sabendo que meu membro disputava com meu próprio filho espaço dentro do corpo dela era esquisito, mesmo sabendo, agora, que não havia problema nenhum. Era uma neura que eu precisava superar.Indo contra todos os meus desejos mais selvagens, penetrei-a devagar, me acostumando com a sensação e, ao mesmo tempo, lembrando de como era sentir aquilo. Claro que algumas semanas não foram o suficiente para fazer com que eu esquecesse de como era transar, mas foram suficientes para fazer com que meu tesão triplicasse, quase como um adolescente virgem. Segurei em sua cintura, jurando para mim mesmo que só a penetraria com metade do membro. Obviamente, depois de algumas investidas, me dei conta de que já estava colocando tudo para dentro.

- Estou machucando? – Perguntei, mesmo sem saber como.

- Não… – Ela suspirou, se apertando contra mim e encaixando melhor seu corpo no meu.

Respirei fundo, tentando manter o controle. Entrei milimetricamente nela, observando a forma como seu corpo se contorcia contra o meu. Era óbvio que ela não estava satisfeita com aquela lentidão, porque nem eu mesmo estava. Isso ficou óbvio quando, talvez inconscientemente, ela começou a se mexer num movimento de vai e vem contra meu membro, ondulando no colchão à minha frente e fazendo com que eu começasse a tremer. Lutei bravamente contra aquela cena, que me chamava e me incitava a fazer o que ela queria. Eu sabia o que ela queria. E sabia o quanto ela queria. Mas então, ela abriu aqueles incríveis olhos azuis e me encarou. Eles não pediam que eu fizesse aquilo direito. Eles simplesmente ordenavam.

- Foda-se! – Falei para mim mesmo e a segurando com força pela cintura, penetrei-a agora com tanta vontade que quase me desequilibrei. Se ela sentisse dor, me avisaria. Se não sentisse, só Deus poderia dizer quando aquilo ia acabar. Ouvi-a gemer, mas por experiência, sabia que eram gemidos puramente de prazer. Deixei alguns sons guturais escaparem da minha própria garganta, alheio a qualquer coisa que não fosse aquela mulher. Me inclinei para frente, mantendo o corpo ainda suspenso com os braços esticados cada um de cada lado da cabeça dela, e a beijei furiosamente. Ela retribuiu, fechando as pernas na minha cintura e reforçando os movimentos que, agora, ambos fazíamos ao mesmo tempo.

A noite era razoavelmente fria, mas eu estava suando. Só reparei nesse detalhe quando senti suas mãos escorregarem nas minhas costas, desesperadas por apoio. Nos virei na cama abruptamente e cessei o beijo, fazendo com que ela ficasse sentada por cima e ditasse a intensidade e a velocidade dos movimentos. E então ela cavalgou em mim, daquele jeito lindo que só ela sabia fazer.

- Vai… Vai… – Eu respirava e tentava controlar o orgasmo ao mesmo tempo, mas estava falhando nos dois sentidos. Passeei as mãos pelo corpo dela, já ligeiramente modificado pelo avanço da gravidez. Parei na pequena barriga protuberante e me senti incrivelmente atraído por aquilo, mesmo que, em condições normais, aquele excesso não fosse atraente.

Seu corpo estava mudando, e eu estava achando muito sexy. O que, sinceramente, não fazia sentido. Voltei a encará-la como um todo e notei que seu rosto se contorcia em uma expressão já conhecida. Ela estava muito perto do próprio clímax. Ela parecia feita de borracha aquecida pelo fogo depois de um orgasmo, e eu precisava segurá-la antes que ela simplesmente derretesse no meu colo. Por isso, sentei imediatamente e a abracei, fazendo uma gaiola em volta dela, enquanto reforçava nossos movimentos. Seus dedos apertaram os fios dos meus cabelos com muita força, então sabia que era questão de poucos segundos até que ela explodisse. Quando senti seu corpo começar a se abrir e se fechar contra meu membro, apertei-a ainda mais contra mim e aproximei minha orelha de sua boca, apenas para ouvir o som que ela emitiria. Ouvi-la gozando era uma das sensações mais estimulantes que existiam.

- Ahhhhhhhhhhh… Deus… Ahhhhhh… — Não consegui me segurar, e antes que ela conseguisse parar de gemer, eu já estava gozando também. Depois de algum tempo, o que pareceu ser bastante, quando voltei a mim, ela ainda estava no meu colo, sua cabeça descansando no meu ombro.

- Transar com você sempre foi muito bom… – Comecei, ainda um pouco tonto – Mas dessa vez foi… Meu Deus…

- Talvez porque você tenha privado a nós dois disso por semanas. – Ela rebateu, completamente confortável para ser sincera.

- Então quer dizer que toda vez que ficarmos um tempo sem transar vai ser bom assim? – Falei, provocando-a. Ela levantou a cabeça e me olhou. Embora parecesse quase inofensiva agora, vi um lampejo do brilho assassino de antes passar pelo seu olhar.

- Você quer ver seu filho nascer? – ela perguntou, séria.

- Quero.

- Então não me deixe sem sexo outra vez. — Não tive como deixar de rir. Ela continuou séria, mas logo em seguida me beijou calmamente, segundos depois começando a aprofundar o beijo e fazendo com que meu corpo, ainda colado ao dela, começasse a ferver outra vez.

E recomeçamos a matar as saudades. Uma vez, duas vezes, três vezes.

Notas finais
Por enquanto é isso. Espero que gostem e comentem, por favor.
Beijos!