Down
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Mas vamos capítulo: qual será a reação de Catherine ao descobrir que Gil saiu para almoçar com filha?
Conhecendo - a bem, sabemos que isso talvez não termine bem, não é mesmo?
Vamos descobrir...
Precisava sair dali. Aquele ambiente estava me sufocando. Se ficasse ali por mais um minuto faria uma grande besteira. Iria aproveitar o tempo livre para almoçar com Lindsey. Peguei minha bolsa e as chaves do carro e sai rápido. Nem me importei em avisar Gil. Depois resolveria. O importante era estar ao lado de minha filha. Em poucos minutos cheguei à faculdade. Fui até a entrada do prédio de biologia. Encontrei alguns amigos de Lindsey conversando.
- Que bom vê – la por aqui, senhora Willows! – disse Jeremy,o melhor amigo de Lindsey desde a high school.
- Oi, querido! Onde está Lindsey? – perguntei confusa não a vendo ao lado dele uma vez que eram inseparáveis.
- Não sei bem, — Jeremy disse parecendo lamentar.
- Como assim, não sabe bem? Vocês estão sempre juntos...
- Eu a vi saindo acompanhada por um homem – falou Rebecca,outra amiga de Lindsey.
- Mas... Como? Por quê? Como vocês permitiram? – gritei.
- A culpa não foi nossa, senhora Willows – Jeremy disse acuado em um canto – Me desculpe, mas ela foi voluntariamente. Ele a convidou para almoçar e ela aceitou de imediato. Achei que fosse um parente ou algo assim.
Parei e o fitei pensativa.
- Quer dizer que ela foi por vontade própria com ele? –indaguei e o vi fazer sinal de positivo com a cabeça. – Ela o conhecia então,pois Lindsey jamais acompanharia um estranho dessa forma... – conclui levantando hipóteses para o que havia acontecido. As coisas começavam a fazer sentido em minha mente. Não parecia mais tão estranho.
- Sim! – Jeremy falou mais calmo. – Ele parecia ser amigo dela.
- Como assim, Jeremy? Como você sabe? – Rebecca perguntou.
- Ela me disse que ele era um velho amigo da família e também seu chefe, senhora Willows – disse inocente.
Encarei a paisagem com o olhar perdido. Parecia não ter escutado direito. Fiquei alguns segundos em silêncio, quando voltei a falar com ele.- Como esse homem era?
- Ele estava usando calças e blusa preta com um casaco marrom, óculos escuros. Era branco e tinha os cabelos grisalhos.
Fora o suficiente para que saísse furiosa e correndo pelos corredores. Fui até ao restaurante onde estávamos acostumadas a almoçar quando a visitava no campus, mas não os encontrei. Sai frustrada. Onde eles estariam? Decidi então voltar ao laboratório. Entrei em minha sala eme joguei na cadeira me sentindo impotente. Ele diria tudo a ela e Lindsey me odiaria para sempre. Perderia minha filha... Peguei uma foto dela que ficava sobre minha mesa: — Minha filha! Filha, meu amor... – dizia enquanto a acaricia através da foto. – Eu te amo, querida! – apertava o porta retratos contra o peito enquanto o choro intensificava.
Gil sem dizer nada entrou e parou perto da porta, encostado na parede. Olhei para onde ele estava e percebi que me encarava receoso. Respirei fundo. Me segurei para não gritar pois ouvi passos e vozes no corredor. Mas estava com muito ódio, não podia negar. Por mais que ainda o amasse como homem, minha filha vinha acima de tudo. E ele iria magoa – la. Isso não teria perdão. Não consegui desviar o olhar dele. Cerrei os punhos. Continuei a encará – lo com os olhos semi cerrados. A boca contorcida de raiva. Ele tentando uma aproximação deu alguns passos.
- Catherine, eu... – começou, mas o interrompi.
- Seu cafajeste... – gemi e pulei em cima dele com as mãos direcionadas em seu pescoço. Caímos no chão com força. O ouvi gemer de dor. Bateu as costas no chão duro. Eu por cima, mantinha as mãos em seu pescoço. Ele tentava me segurar, empurrando meu braço. Estava com dificuldades para respirar. Tentava me acalmar sem sucesso.- Como você pôde fazer isso? Tentar roubar minha filha, joga– la contra mim! Eu te odeio! Vou te matar! – gritava enfurecida, mas me deixei dominar pela emoção e caí em prantos, perdendo as forças e o controle da situação.
Foi a chance dele se defender. Levantou o corpo e se virou,se pondo sobre mim. Mesmo com o peso do seu corpo sobre o meu, tentava bater nele. Algumas vezes consegui dar tapas em seu rosto, mas ele segurava meu braço, tentando me deter.
- Deixa eu te explicar – dizia, tentando deter – me com mais força, mas fui mais rápida e lhe dei um soco que pegou no ombro.
- Não quero ouvir nada! NADA! – o choro veio novamente e a precisão de socos diminuiu. Aproveitando – se do momento, segurou meus pulsos com firmeza. Senti meus braços presos ao chão, tentava reagir, mas não conseguia.
- Temos que conversar, Catherine. Me bater não vai resolver nada – segurava meus braços com força, mas com cuidado para que não me machucasse.
- Não quero ouvir, odeio você. – gemi em meio ao choro. Ele se levantou, me levando com ele e me fez sentar, assim como ele. Me abraçou com força, ainda não permitindo que me mexesse. O que de fato não fazia diferença, já que não tinha mais forças.
- Fique calma... – disse com voz suave em meu ouvido. – Fique calma.
- Você não faz idéia de como eu fiquei. Você não podia ter feito isso.
- Eu não queria, querida. Você me obrigou a agir dessa forma.
– Soltou – me e ficou de frente para mim. – Conversamos e você...
- Você não tem idéia – disse, primeiro olhando para ele e depois abaixei a cabeça em meio a soluços – de como uma mãe se sente, de como fica ao pensar que vai perder a filha, não vai mais ter sua confiança, seu amor...
- E você não sabe, — ele começou e levantou meu queixo delicadamente para que pudesse fitá- lo – o que um pai sente, de como um pai fica, em pensar que jamais teve a filha ao seu lado e jamais vai ter. Em pensar que não pode sequer se aproximar...
Escondi o rosto nas mãos para poder chorar sem que ele visse. Sabia que, no fundo, não era a única vítima da história e Gil não era o único que cometera erros. Ele apenas me abraçou. Correspondi ao abraço. Era de carne e osso e precisava de carinho e consolo. Ainda mais quando vinham dele. Ficamos por um muito tempo daquela forma.
- Desculpe – me. Não farei isso de novo. Não queria deixa –la nesse estado.
Fechei os olhos e ia sorrir para ele quando percebi que estava amolecendo demais. Não poderia agir daquela maneira. Me levantei do chão e comecei:- Vai embora, Grissom. Saia da minha sala. Não quero te ver na minha vida e nem na de minha filha. Suma!
Ele suspirou. — Sabe qual é o seu problema, Catherine? Você quer se vingar de mim pelo que fiz a você e usa Lindsey.
- O que você quer dizer? – indaguei.
- Sabe que eu não sabia que estava grávida. Se eu tivesse tido conhecimento, mas não! Você não me disse! Foi embora e logo em seguida se casou com Eddie. Depois aparece grávida, o que me fez acreditar que ele era o pai. Eu não o deixaria criar Lindsey como sua filha se soubesse. Jamais a abandonaria. Você quer se vingar de mim porque eu abandonei você e não porque abandonei Lindsey. Eu nem sabia que ela era minha filha! Você quer se vingar de mim pelo que fiz a você e a usa. Tenta me afetar usando minha filha – ele falou duro tudo o que lhe vinha à mente. Falava o que sentia.
Escutei aquelas palavras com atenção e quando terminou,senti que meu coração estava sendo literalmente partido. Podia sentir o peso da dor que aquilo me causava. Uma única lágrima caiu do meu olhar. Ele jamais poderia ter dito algo que me fizesse me sentir tão mal. Apenas sacudi a cabeça e fui até a porta, abrindo – a. Ele entendeu o que eu queria e sem discutir saiu de minha sala. Fechei a porta logo atrás dele e encarei a sala. Só queria me deitar e chorar, mas ali não poderia. O laboratório estava movimentado. Não queria falar com ninguém. Resolvi sair.
Dirigi até o Floyd Lamb Park ao noroeste de Vegas. Ali era ótimo para ficar sozinha e pensar.
Havia um lago ao centro que criava um efeito encantador. Me sente ino chão e me lembrei do ocorrido em minha sala minutos antes. Poderia repetir cada palavra que ouvira de Gil. Palavras que me fizeram refletir. Ele estava certo.Nunca havia percebido, mas realmente estava fazendo o que ele dissera e aquilo era errado. Não podia continuar agindo daquela maneira,apenas por mágoa, só fazia aquilo por mim e não por minha filha. Tinha que pensar no melhor jeito de agir, mas não proibiria Lindsey de ter o pai em sua vida.Contudo, o que mais me abalara fora o que concluí. Gil nunca me amou de verdade. Pelo menos, não o suficiente. Se ele tivesse conhecimento da filha não me abandonaria. Eu somente não fora o suficiente para ele ficar. Ele me havia abandonado e não parecia arrependido.Aquilo me trazia muita dor. Em pensar que havia me entregado a ele, entregado toda a minha vida. Esses pensamentos me machucavam ainda mais. Não valeria a pena tal sentimento por alguém que não merecia. Não entendia porque aquilo acontecia comigo. A vida cada vez mais parecia se complicar e causar – me sofrimento.
Pov — Grissom
Joguei minhas coisas em cima da mesa no canto do quarto e fui até o banheiro. Encarei meu reflexo no espelho. Levantei um pouco o rosto e vi algumas marcas em meu pescoço. Marcas dos dedos de Catherine. Não pude deixar de rir. Catherine Willows havia me atacado mesmo. Era um tanto engraçado: “Marcas de amor! – disse a mim mesmo sorrindo. Mesmo achando a situação engraçada não pude negar que ver como ela estava magoada me deixava chateado. Não queria que ela sofresse! Sabia que as coisas não estavam sendo fáceis para ela, mas para mim também não. Lembrei – me de quando a abracei. A senti por completo em meus braços. Melhor se fosse em outras circunstâncias, mas foi bom. Podia recordar o aroma de seus cabelos. Tão delicado.Sua fragilidade, suas lágrimas que caíram em minhas roupas. A presença de Catherine ainda estava forte em meu corpo. E era bom. Após um banho me deitei na cama. Fechei os olhos. Desejava que a mulher em quem não conseguia deixar de pensar estivesse ao meu lado, naquela cama tão grande e vazia. Tão fria. Imaginei como seria viver em uma casa com ela e minha filha. Como uma família. Durante as refeições todos juntos à mesa. Poderia ver minha filha todos os dias, pois a convenceria a voltar a morar em casa. Poder acordar e dormir ao lado da mulher que amava. Jamais desejara uma família daquele jeito. Nem mesmo quando estava casado com Sara. Nossos planos não incluíam filhos. Mas naquele momento não havia nada que ambicionasse mais...
Pov — Catherine
Ali estava eu. Em frente a porta da sala de Gil. Me perguntando se realmente deveria fazer o que tinha em mente ou, mais do que aquilo, se conseguiria fazê – lo.Era muito difícil ter que tomar aquela decisão. Aquilo poderia mudar toda a minha vida. Vi em minha mesa uma foto de Lindsey. Ela sempre pareceu gostar tanto dele e ficaria feliz em descobrir que o pai estava vivo.Tinha que engolir o orgulho e esquecer as mágoas. Tinha que finalmente agir pensando nela. Bati na porta e o ouvi dizer “entre!”. Respirei fundo. Era agora. Abri a porta e entrei. Percebi que ele ficou surpreso. Parecia não me esperar ali. Pediu que me sentasse. Obedeci.
- O que deseja, Willows! – tentava manter o ar formal e o olhar erguido.
- Gil – comecei com o coração batendo forte. Não queria entrar no jogo de formalidades e sobrenomes. Queria ser direta. – Quero resolver tudo de uma vez por todas.
- Fico satisfeito, porque desejo o mesmo. – disse abrindo um pequeno sorriso quase imperceptível.
- Você realmente quer assumir seu lugar de pai na vida de Lindsey?
- É o que mais desejo, Catherine.
- Depois das coisas que me disse ontem, percebi que não devo te afastar dela. Ela precisa de um pai. Se estiver disposto a assumir seu papel, não vou mais impedir. Tudo o que disse ontem era verdade, sobre o que eu estava fazendo...
- Catherine, não é assim... – percebi que tentava se desculpar, mas o interrompi.
- Não, Gil, você tinha razão. Eu não tinha percebido, mas realmente não estava deixando você se aproximar de Lindsey pelo que fez a mim. Você não a abandonou. Nesse momento, prefiro acreditar que não me deixaria se soubesse que eu estava grávida.
- É lógico que não. Jamais deixaria você em tal situação sozinha. Quantas vezes tenho que te dizer? As coisas não foram fáceis. Eu não podia ficar...
- Não quero ouvir. Para mim as coisas já estão suficientemente claras. O que passou, passou e não há nada que a gente possa fazer para mudar. O que quero é esquecer o passado. Você terá o que quer. Pode ver Lindsey, mas não quero que ela descubra a verdade agora. É muito cedo. Pode vê –la quando quiser, sair com ela, contando que me avise. No momento certo, quando eu sentir que ela está preparada, nós dois contamos a ela. Até lá, você é apenas o “tio” Gil. É minha única condição.
- Concordo plenamente – falou ainda parecendo não acreditar no que ouvira.
- Está bem então — terminei e me levantei. Ele fez o mesmo. Abaixei a cabeça vencida. Estava feito e não tinha como voltar atrás. Dei as costas para ele e já ia em direção a porta quando o senti segurando meu braço.
- Catherine, muito obrigado por isso. Eu imagino o quanto deve ter sido difícil para você, mas...
- Não – o interrompi – Você realmente não pode imaginar o quanto vem sendo difícil para mim.
- Você ainda não me perdoou, não é?
- Eu não sei, Gil. Talvez o tenha perdoado sim. Mas isso não faz diferença nenhuma.
- Faz sim, Catherine. Quando você esquecer tudo isso as coisas serão diferentes.
- Esquecer? Quem disse que quero esquecer? Não confunda as coisas. Posso até te perdoar, mas nunca vou esquecer. – Meus olhos se encheram de lágrimas. – A dor que você me causou, ninguém jamais vai poder tirar de mim. Me soltei dele com raiva e sai rapidamente da sala. Bati a porta com força. Queria pegar minha bolsa e ir para casa chorar, mas não podia. Precisava trabalhar.
Notas finais
Bjs e desde já obrigada pelo carinho.
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