Doux Apollo et sa muse
21 Chapitre Vingt et Un
Parecia que o chão havia caído. Esme mal conseguia raciocinar direito no momento.
"G-grávida?" Perguntou, ainda torcendo para que tivesse ouvido errado. Khalid deu um sorriso.
"Sim, seu avô pediu um exame completo seu enquanto estava desacordada." Ela teve que se sentar na poltrona pois se ficasse de pé por mais tempo certamente iria acabar desmaiando.
"Ele já sabe?" Perguntou assim que conseguiu recuperar o ar. Sua tia olhou para as mãos, nervosa.
"Ainda não tive coragem de contar. Imagine só sua reação ao saber que a neta está grávida antes mesmo de seu casamento e do líder de uma revolução contra a nação!"
Seu sangue gelou. Sua tia achava que o pai da criança era Enjolras.
Esme se virou para o Doutor.
"O Senhor verificou de quanto tempo estou hum...grávida?" Perguntou.
"Sim senhorita! Pouco mais de um mês. Porém a senhora estava muito magra, se me permite dizer, por isso é difícil notar"
Ela fez as contas mentalmente. Era realmente possível ter engravidado de Grantaire, já que os dois pararam de dormir juntos há menos de um mês.
"Então...se Enjolras pedir minha mão e nos casarmos em pouco tempo, ainda dá para dizer ao vovô que engravidei na noite de núpcias..." Sugeriu.
"Está dizendo que quer mentir para ele?" Sua tia disse em choque. Esme acentiu.
"Bem...se for para evitar que ele tenha uma crise e sofra um ataque do coração...pode ser nosso segredo." Concordou.
Esme se levantou.
"Agora, tenho que contar a novidade para Enjolras." Disse.
"Não quer chamá-lo aqui? Para conversarmos juntos?" Perguntou Khalid. Esme balançou a cabeça.
"Não. Acho melhor eu fazer isso sozinha". Ela se despediu dos dois e assim que saiu da biblioteca, correu para um corredor vazio da mansão, se sentou no chão encostada na parede e começou a chorar.
Estava tudo acontecendo rápido demais e desmoronando sob Esme. Seus amigos estavam feridos, seu irmão desaparecido, ela estava apaixonada por um rapaz e grávida de seu melhor amigo.
Ela continuou sentada lamentando por sua própria vida até que sentiu uma mão em seu ombro. Ela levantou o rosto, assustada e deu de cara com um par de olhos azuis e rosto angelical que ela conhecia muito bem e admirava.
Enjolras estava ajoelhado na sua frente.
"O que aconteceu? Você estava demorando a voltar para o quarto e sua tia disse que você estava me procurando...por que está chorando?" Perguntou preocupado, a abraçando. Uma coisa com a qual ela não estava acostumada já que ele era um rapaz bem reservado.
"É...é algo extremamente sigiloso. Preciso conversar com você. No meu quarto, onde ninguém irá nos ouvir"
Quando ele notou o tom sério na voz dela, ele a ajudou a se levantar e ela o guiou, os dois de mãos dadas, de volta para o quarto.
Assim que os dois se encontravam lá, ela foi até sua penteadeira e de uma caixinha, tirou uma pequena chave meio enferrujada e a utilizou para trancar a porta. Ela se virou para Enjolras e gesticulou para ele se sentar na cama.
Ele o fez, mesmo sem saber sobre o que se tratava o assunto.
Esme respirou fundo, tentando impedir mais lágrimas de caírem e falhando miseravelmente.
"Eu tô grávida." Disse em um sussurro, porém tinha certeza de que ele conseguiu lhe escutar, pois seus olhos se arregalaram e sua boca se abriu, porém nenhum som saiu.
Nesse ponto, as lágrimas caíam livremente dos olhos de Esme e ela utilizava as mangas de seu robe de seda para secá-las.
"Por favor, fale alguma coisa." Implorou.
Ele passou as mãos pelos cabelos com tanto nervosismo que acabou os soltando da fita que os prendia.
"O que quer que eu diga?" Perguntou. Ela deu de ombros.
"Não sei eu...eu estou assustada." Admitiu. Ele se levantou e andou até ela, a abraçando com força.
"Está tudo bem." Sussurrou em seu ouvido. Nos braços de Enjolras, Esme se sentiu segura, como se todos os seus problemas desaparecessem.
Os dois ficaram acordados até tarde, abraçados. Nenhum dos empregados ou seus amigos vieram visitá-los. Provavelmente a tia de Esme deu alguma ordem para que os dois não fossem incomodados.
No momento, Esme estava sentada na cama, escostada na cabeçeira e Enjolras estava deitado com a cabeça em seu colo. Os dois estavam em silêncio havia horas. E esse silêncio foi quebrado pelo rapaz.
"E quanto ao seu avô? Vai contar para ele?" Perguntou. Ela deu uma risada irônica.
"Fala sério? Se eu disser para ele que estou grávida antes de me casar, ele me bota na rua novamente. E ainda manda prender você e aos outros meninos."
Ele se sentou repentinamente e a beijou.
"Não vai acontecer nada com você. Prometo." Esme sorriu.
"Mas eu tive uma ideia. Só não sei se você irá concordar." Começou. Ele franziu as sobrancelhas.
"Pode falar."
Ela respirou fundo.
"Se...se você casar comigo logo, podemos enganar meu avô e fazê-lo acreditar que o bebê foi concebido na noite em que nos casamos."
Ele continou apenas olhando para ela, sem reação.
"Mas é claro, foi só uma ideia, não precisa se não quis-"
"Aceito."
Esme ficou paralisada.
"O quê?"
"Eu aceito...me casar com você." Enjolras riu.
"Não acha que isso é rápido demais? Quer dizer, você oficialmente começou a me cortejar ontem" Ele passou uma mão pelos cabelos dela.
"Sim, é rápido. Mas é a melhor maneira. Pela manhã, passarei na casa de minha mãe. Contarei para ela que vou me casar e que preciso de dinheiro para uma aliança."
Esme se jogou em seus braços, quase o derrubando da cama. Os dois começaram a rir que nem duas crianças, porém logo o sorriso de Enjolras se esvaiu.
"Acho melhor contar para Grantaire logo"
"Eu sei. O farei de manhã. Você...me ajuda?"
Ele acentiu e lhe beijou o topo da cabeça.
Os dois dormiram abraçados naquela noite. Quando Esme acordou pela manhã, Enjolras estava sentado na beirada da cama, suado e prendendo os cabelos.
Ela se sentou.
"O que houve?" Perguntou. Ele se virou para ela e balançou a cabeça.
"Nada, só um pesadelo." Suspirou.
"Sonhou com as barricadas não foi?"
"Sim."
Ela abriu um pequeno sorriso reconfortante.
"Estamos todos bem. Está tudo bem."
Os dois se despediram e Enjolras foi para o quarto de hóspedes que lhe foi designado para trocar de blusa, já que a que ele usava estava molhada de suor.
Assim que ele saiu, Julliet entrou no quarto para ajudar Esme a se vestir. Novamente ela colocou um vestido sem espartilho por causa do ferimento.
Foi o tempo dela se vestir, e Enjolras já estava batendo na porta, avisando que a estava esperando. Ela saiu do quarto e o encontrou no corredor.
"Vamos falar com o R" Disse dando a mão para ela.
Os dois foram até o quarto no qual estava Grantaire. Esme bateu na porta diversas vezes, porém nenhum sinal de vida. Como a porta estava destrancada, os dois resolveram entrar mesmo assim.
Grantaire estava dormindo. O mesmo se encontrava vestindo apenas as calças, ainda calçava os sapatos e estava completamente jogado por cima das cobertas.
Enjolras andou até ele e o cutucou.
"R...acorde." Sussurrou. O moreno gemeu.
"Apollo?" Perguntou ainda de olhos fechados.
"...Sim. E Esme está aqui também." Revirou os olhos.
"Esme...musa..." Continuou sonhando.
Ela andou até ele também.
"Grantaire, isso é sério, precisamos conversar"
Isso pareceu ter o feito acordar, pois ele se levantou em um pulo e tentou, sem sucesso, arrumar os cabelos que estavam bagunçados para todos os lados.
"O que foi? Algo aconteceu?" Perguntou sério.
"Mais ou menos." Enjolras respondeu.
Esme andou até R e se sentou ao lado dele na cama e segurou suas mãos. Enjolras permaneceu de pé ao lado deles.
"R...você se lembra das noites que passamos juntos não é?" Começou. Este abriu um sorriso de lado.
"Claro! Foram inesquecíveis...desculpe, Apollo." Enjolras se mexeu um pouco, desconfortável.
"Tudo bem." Respondeu o loiro, calmamente.
"E você sabe que todo ato tem uma consequencia..." Continuou a menina.
Grantaire concordou com a cabeça.
"Esme...onde você quer chegar com isso?"
Ela e Enjolras se entreolharam e ele fez um sinal positivo com a cabeça.
"Grantaire, eu estou grávida."
Ele suspirou.
"E eu presumo que o pai seja eu?" Perguntou. Esme franziu as sobrancelhas.
"Claro que é você, quem mais seria? Por acaso acha que eu dormi com outra pessoa além de você?" Cruzou os braços.
"Não. Jamais!" Respondeu.
Os três permaneceram em silêncio por alguns segundos.
"E então?" Se manifestou Grantaire.
"Então o que?" Esme perguntou confusa.
"O que faremos agora?"
Enjolras contou para Grantaire sobre o plano de Esme, de os dois se casarem e fingirem que o bebê era dele.
"Tudo bem, eu compreendo esse plano. Mas como eu fico?"
"Perdão?" Disse Enjolras.
"Essa criança é minha. Você pode até ser o pai de fachada, mas eu sou o real pai desse bebê."
"Acha que sou incapaz de cuidar de uma criança?"
"Acho que está querendo me impedir de ser um pai presente." Grantaire começou a levantar um pouco a voz.
Esme colocou uma mão no peito de cada um dos rapazes para impedí-los de começar a uma briga.
"Meninos por favor...R, não é isso, é que todos sabem que Enjolras está me cortejando, se eu aparecer grávida de outra pessoa, imagine o escândalo que isso pode dar. Não quero causar problemas maiores para nós." Esme os repreendeu.
"Eu só quero que essa criança cresça sabendo que sou o pai dela. Eu sei como é não ter pai. Não quero isso para ele...ou ela." Respondeu.
"Nós vamos resolver isso. Prometo que esse bebê saberá que você é o pai dele." Esme abraçou Grantaire, que retribuiu o abraço.
Enjolras beijou a bochecha de Esme e deu uma batida amigável nas costas de Grantaire.
"Agora se me permitem, vou visitar minha mãe. Creio que devo pedir a benção dela para me casar e preciso de dinheiro para as alianças. Quando eu voltar, finja que não sabe de nada." Disse andando até a porta.
Grantaire o olhou, com curiosidade.
"E acha que sua mãe vai deixá-lo casar com ela sem a conhecer?"
"Assim que souber que Esme é uma Pontmercy, vai sim. Ela faria de tudo para eu me casar com uma garota de família rica." Respondeu, saindo do quarto, deixando os dois sozinhos.
Eles passaram boa parte da manhã e o começo da tarde conversando. Em um determinado momento, Grantaire colocou uma mão na barriga de Esme.
"Qual nome você dará?" Perguntou, fazendo a menina rir.
"Acalme-se. Mal descobri que estava grávida e você já está se preocupando com isso?"
"Nunca é cedo demais para pensar nisso..."
Voltaram a ficar em silêncio.
"Camille." Grantaire murmurou.
"Perdão?" Perguntou, sem entender.
"É meu primeiro nome. Camille. Camille Grantaire."
"Oh." Foi só o que ela conseguiu responder. Ele começou a rir.
"O que foi? Não achou que meu nome fosse apenas Grantaire, achou?"
Ela corou, envergonhada.
"Não vou colocar seu nome no meu filho. É estranho. Imagine...Camille Pontmercy II"
Os dois riram.
"Tudo bem, está certa, é ridículo mesmo." Ele disse.
"Mas com você ele combina. Camille é um nome bonito."
"Obrigada."
"Não se preocupe, teremos 8 meses para pensar em nomes."
Foi quando ouviram batidas na porta.
"Sim?" Grantaire respondeu.
"Monsieur Enjolras acabou de chegar e diz que tem um anúncio importante a fazer. Ele quer que todos na mansão estejam presentes." Ouviram um dos empregados dizer.
Os dois desceram até o andar de baixo, onde todos estavam aguardando para ouvir o que o líder tinha a dizer.
"Finja estar surpresa." Grantaire sussurrou no ouvido de Esme.
"Você também." Sussurrou de volta.
Enjolras então, vendo que todos estavam presentes, andou até Esme e segurou uma de suas mãos, nas suas.
"Mon cher, Esme. Antes de lhe conhecer, achei que jamais sentiria por alguma pessoa o que senti por você assim que te vi pela primeira vez. Estava assustada, cansada e vestindo um vestido de casamento no meio de um café cheio de estudantes, realmente algo que não se vê todo dia." Riu, fazendo os outros rapazes rirem também, já que todos se lembravam deste momento.
"Eu estive tão preocupado em derrubar o governo, que tentei esconder meus sentimentos, e isso estava fazendo eu me afastar de você e de meus amigos. Depois de muitas brigas, acabamos nos acertando e confessando o que sentíamos um pelo outro. Esse foi provavelmente o momento mais feliz da minha vida até agora."
"E quero passar mais momentos como esse ao seu lado. Para sempre." Nesse momento, Esme já estava ficando sem ar, os olhos cheios de lágrimas.
Enjolras se ajoelhou na sua frente, fazendo todos na sala arfarem ao perceberem o que estava acontecendo.
Esme pode ouvir um guincho de alegria que parecia ter vindo de Jehan e Courfeyrac batia palmas.
"Esme Pontmercy, você aceita ser minha esposa?"
As lágrimas começaram a cair dos olhos dela.
"Sim! Sim, sim! Mil vezes sim!" Pulou nos braços do loiro, que a beijou com fervor.
Todos na sala batiam palmas. A tia de Esme enxugava algumas lágrimas com um lencinho.
O casal estava sendo parabenizado por todos na casa, inclusive pelos empregados, quando começaram a ouvir batidas frenéticas na porta da mansão.
"O que é isso?" Perguntou o avô de Esme, indo até a fonte do barulho e a abrindo.
Esme não conseguia enxergar, mas ela pôde ouvir seu avô gritando para que alguém ajudasse.
Quando todos foram em direção ao hall de entrada, para ver o que havia acontecido, se depararam com a última coisa que estavam esperando.
"Marius!" Ela suspirou, aliviada.
Ali, deitado no chão, do lado de fora, estava seu irmão desacordado. Ele estava extremamente sujo, como se tivesse andado pelo esgoto, e havia um ferimento em sua perna, porém não aparentava ser tão grave, já que não era muito grande e não sangrava tanto.
"Tragam-o para dentro!"
Foi quando ela ficou desconfiada. Pelo estado em que seu irmão se encontrava, ele não tinha condições de ter conseguido chegar até lá sozinho.
Enquanto estava tendo a confusão de levar Marius para um quarto e chamar um médico, Esme ficou olhando para o lado de fora da casa. ela pôde jurar que viu alguém pular o muro para fora da propriedade dos Pontmercy.
E ela tinha certeza de que já havia visto aquele uniforme da guarda nacional antes.
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