Doux Apollo et sa muse
22 Chapitre Vingt-Deux
Alguns criados dos Pontmercy levaram Marius para o antigo quarto do rapaz, que permanecia intocado desde que ele saiu de casa. Ele foi deitado na cama e um empregado foi mandado procurar novamente o Dr. Khalid para cuidar dos ferimentos. Assim que este chegou, entrou correndo com sua maleta, sendo seguido por Combeferre e Joly.
Nesse tempo, ela se sentou no chão do corredor, perto da porta do quarto do irmão. Afinal, não queria atrapalhar seja o que for que Khalid e os meninos estivessem fazendo. De repente Esme sentiu uma mão sobre seu ombro.
Ela olhou o pro lado e viu um Jean Prouvaire usando as roupas coloridas e descombinadas que eram sua marca registrada, o cabelo preso em um rabo de cavalo com alguns fios soltos lhe caía pelo ombro esquerdo.
"Oi Jehan" O cumprimentou, meio desanimada. Ele abriu um pequeno sorriso e se encostou na parede deslizando por ela até se sentar no chão.
"Marius irá ficar bem" Disse, colocando um braço ao redor dos ombros da menina. Ela apoiou a cabeça em seu braço.
"Eu realmente espero que sim...não sei o que faria se o perdesse."
"Não vai perdê-lo. Marius é forte. E teimoso." Ela sorriu e o rapaz lhe beijou o topo da cabeça.
"Mas vamos pensar em coisas felizes. Que tal falarmos desse casamento seu com o Enjolras que foi uma surpresa para todos nós?" Levantou uma das sobrancelhas.
Esme corou.
"Não há muito o que saber. Ele me pediu em casamento apenas."
"Sei...olhe, eu não quero ser muito intrometido, perdoe-me se eu for...mas não acha que estão indo rápido demais?" Ela suspirou.
"Para ser honesta. Acho. Mas não há outra opção."
"Como assim?"
Ela se xingou mentalmente por ter mencionado isso. Agora ela teria que contar a ele o motivo deles resolverem se casar. Porém Jehan era o melhor amigo de Grantaire e merecia saber. De qualquer forma, melhor contar a verdade para seus amigos do que esconder para sempre.
"Eu estou grávida de Grantaire" Sussurrou baixinho, para que ninguém que estivesse por perto ouvisse.
A boca do rapaz se escancarou e ele permaneceu assim, boquiaberto por um bom tempo, enquanto digeria a informação.
"PUTAIN! Não acredito!!" Gritou. Esme cobriu sua boca rapidamente com as mãos antes que chamassem muita atenção.
"Silêncio! Quer que todos descubram?"
"Desculpe." Sussurrou Jehan de volta, sorrindo mais do que o normal.
Ela lhe contou sobre como havia descoberto a gravidez e sobre o plano de casar com Enjolras e fingir para seu avô que o filho era dele, não de Grantaire.
"Mas, o R já sabe disso?" Perguntou.
"Sim, já contei. Ele pareceu apoiar a ideia contanto que a criança cresça sabendo quem é o pai biológico."
"E você pensa em contar aos outros?"
"Sim, mas...não sei como. Tenho medo de ser julgada, eu acho."
"Se quiser eu conto para eles."
"Obrigada, se eu guardar segredo eventualmente eles irão descobrir. E você é bom com palavras, será capaz de contar o que está havendo melhor do que eu."
Os dois acabaram cochilando ali mesmo, sentados no chão. Isso até escutarem a porta do quarto de Marius abrir. Nesse momento, acordaram em um pulo.
Dr. Khalid saiu, e Esme levantou-se rapidamente para ouvir qualquer notícia que ele tivesse para dar.
"Seu irmão está fora de perigo, ele já acordou. Eu lhe dei um remédio para dor e eu sugiro que o deixe descansar."
Jehan olhou em volta, procurando algum sinal dos dois rapazes que acompanhavam o médico.
"Se procura os jovens Joly e Combeferre, eles foram para seus quartos já tem quase uma hora. Vocês realmente devem ter adormecido aqui." Riu.
Esme se acalmou, agora que sabia que seu irmão não corria nenhum risco, estava sentindo como se um peso tivesse sido tirado de seus ombros. Ela olhou para Jehan e viu que o rapaz mal conseguia manter os olhos abertos. Khalid botou a mão em seu ombro.
"Acho melhor vocês irem dormir. Está tarde e tenho certeza de que irão querer acordar cedo para ver seu irmão"
Esme concordou, enroscando o braço com o de Jehan, que estava quase dormindo de pé e o andando com ele pelos corredores da mansão até chegar ao quarto do rapaz.
Eles se despediram e ela seguiu seu caminho para seu quarto. Abriu a porta já começando a desfazer os laços de seu vestido. Foi quando percebeu que Enjolras estava sentado em sua cama lendo um dos livros que ela utilizava na faculdade e que haviam sido levados para ela junto com suas outras coisas que estavam na Casa Gorbeau.
"Olá" Ela disse, o tirando de seus devaneios. Ele levantou o rosto e fechou o livro, o depositando na mesa de cabeceira e se levantando.
"Oi" Respondeu, indo até ela e a ajudando a desabotoar suas vestes. Ela levantou os cabelos com as mãos e corou, pois era a primeira vez que Enjolras, bem, tirava suas roupas.
Assim que ele terminou, se virou de costas para que ela pudesse terminar de se despir e colocar suas roupas de dormir. Enquanto ele ainda estava de costas, ela o envolveu em um abraço. Enjolras se virou para ela e lhe deu um beijo nos lábios. Ela riu, porém ele pôs um dedo em seus lábios para que ficasse em silêncio.
"O que foi?" Perguntou sussurrando.
"Sua tia acha inapropriado minhas visitas aos seus aposentos agora que estamos noivos." Esme revirou os olhos e retribuiu o beijo, talvez com mais intensidade do que deveria, mas o que fazer quando os lábios de Enjolras pareciam a atrair com uma força absurda.
"Besteiras da burguesia. Viveu tanto tempo entre os menos afortunados que se esqueceu dessas coisas?"
"Parece que sim." Respondeu, pegando o livro que estava lendo e o colocando de volta na estante que havia em um canto do quarto. Esme suspirou, sentando-se na cama.
"Irei sentir falta disso."
"De quê?"
"Da faculdade. Do Musain. De tudo" Disse, encolhendo as pernas e colocando a cabeça sobre os joelhos.
Enjolras se sentou ao seu lado e pegou uma de suas mãos.
"Também irei sentir falta. Das reuniões e dos protestos."
"Sentirá falta de apanhar?"
Ele riu um pouco.
"Talvez."
Ao ver que o clima estava começando a ficar tenso, resolveu mudar de assunto.
"Onde esteve essa noite? Não te vi em lugar algum." Esme baixou o olhar.
"Estive na porta do quarto de Marius esperando o Doutor dar alguma notícia. Meu irmão está fora de risco e amanhã poderei vê-lo."
"Isso é bom. Muito bom." Beijou novamente a menina.
Os dois então resolveram se preparar para dormir. Se encaminharam para debaixo das cobertas e se abraçaram.
"Melhor contar as novidades para Marius amanhã. Que ele será tio e meu cunhado."
"Não acho que ele vá reagir bem de início. Sabe como ele é, superprotetor. Mas é a coisa certa a se fazer."
"É claro."
"E, bem, talvez Jehan saiba também da nossa...situação. Pedi para ele contar aos outros meninos mas que é para manter isso tudo em segredo de meu tio."
"Tudo bem, confio minha vida aos rapazes."
Quando Enjolras já estava quase pegando no sono, ele sentiu Esme se agitar ao seu lado, ela de repente se sentou na cama em um pulo.
"Acabei de ter uma ideia!" O rapaz sentou-se também ainda meio atordoado.
"O quê?" Perguntou.
"E se nós visitassemos Cosette e a convidassemos para visitar Marius?"
"Cosette? A garota pela qual ele está apaixonado?"
Esme concordou com a cabeça.
"Pode ser uma boa ideia. Mas não sabemos onde ela mora..."
"Mas Eponine sabe. Ela levou uma carta à Cosette" Disse, com um sorriso travesso em seu rosto.
No fim das contas, os dois resolveram que manteriam segredo de Marius a visita a Cosette e que assim que possível, iriam procurar Eponine e pedir o endereço da menina. Pelo que Esme se lembrava, Marius havia contado que antes das barricadas serem erguidas, Cosette havia se mudado da mansão na Rue Plumet na qual vivia com o pai porém Eponine sabia o novo endereço.
Os dois adormeceram rapidamente, nessa noite, não houveram pesadelos.
Quando Esme acordou no dia seguinte, uma das empregadas já estava em seu quarto arrumando uma saia e camisa para que a menina usasse. Ela olhou para o lado e viu que se encontrava sozinha na cama. Enjolras devia ter acordado mais cedo e voltado para seu quarto para que a tia de Esme não soubesse que eles haviam dormido juntos.
Ela ainda estava meio sonolenta, mas ao se lembrar que seu irmão já poderia estar acordado, se levantou rapidamente, deixou a empregada trocar os curativos de seu ferimento, que já estava cicatrizando, e vestiu suas roupas. Fez uma simples trança no cabelo e saiu correndo quarto a fora.
Chegou na mesa do café da manhã e todos já se encontravam sentados. Todos menos Marius. Ao perceber que Esme estava procurando por alguém, Joly, que antes parecia estar inspecionando um pedaço de pão a procura de algo que podia fazer mal a sua saúde, se manifestou.
"Marius está no quarto. O Dr. Khalid recomendou que ficasse de repouso para não piorar seu estado. Se ele começar a andar, o ferimento pode a criar pus, infeccionar, gangrenar e ele poderia ter que amputar..." Começou a murmurar. Feuilly, que estava ao seu lado olhou para o jovem aprendiz de médico em desgosto e largou o pedaço de queijo que estava colocando em sua boca, novamente no prato, e o empurrou com nojo.
"Obrigada Joly, acho que perdi a fome."
O hipocondríaco apenas sorriu, empurrando Feuilly de maneira brincalhona.
"O que importa é que ele já está acordado. E nesse exato momento já está tomando café da manhã."
"Que bom. Irei vê-lo assim que terminar o café." Disse.
O café da manhã foi extremamente tedioso. Jehan, Lesgles e a tia de Esme conversavam sobre a decoração da sala de jantar. Bahorel e Courfeyrac falavam sobre mulheres, algo que certamente não era novidade. Grantaire estava cortando os pedaços de pão e queijo para Gavroche, já que o menino, pobre e morando na rua, nunca havia aprendido a usar talheres. Joly conversava animadamente sobre doenças venéreas com Combeferre que apenas fazia sinais concordando com a cabeça enquanto Feuilly parecia estar com náuseas e já havia desistido de comer.
Esme estava aborrecida por querer ficar perto de Enjolras porém o rapaz estava do outro lado da mesa em uma ponta completamente oposta a dela. Enquanto todos (ou a maioria) socializava, Monsieur Gillenormand estava comendo silenciosamente, parecendo estar ignorando a presença de todos.
Esme comeu apenas alguns brioches com chá e assim que terminou, se levantou com uma rapidez surpreendente e saiu da sala, indo direto para o quarto do irmão. Quando ela chegou no corredor, um empregado estava saindo do quarto de Marius com uma bandeja das mãos, ali estavam pratos e copos vazios, o que significava que o rapaz já havia se alimentado.
"Seu irmão está ansioso para vê-la senhorita." Disse o homem, Esme sorriu e entrou no quarto.
Marius estava pálido, porém em uma situação muito melhor do que estava no dia anterior quando apareceu na porta da mansão. Sua perna esquerda estava enfaixada e também um curativo em sua testa. Havia um pequeno sorriso em seu rosto, o que foi suficiente para fazer Esme sorrir também.
"Como está?" Perguntou se sentando em uma cadeira ao lado da cama.
"Como pareço estar?"
"Parece que foi pisoteado pela cavalaria." Ele riu.
"Bem, quase isso."
Marius olhou para o ombro de Esme, que ficava a mostra com a camisa larga que ela usava. Assim, era possível ver seu curativo.
"E você, como está?"
"Fora de perigo, isso é o que importa."
Os dois ficaram conversando por um tempo. Esme descobriu que Marius não se recordava de absolutamente nada que havia acontecido após ele ser atingido por um tiro.
"O Dr. Khalid disse que bati a cabeça quando fui atingido. Desmaiei logo depois disso. Não tenho ideia de como vim parar aqui."
"Alguém lhe salvou. Não tivemos tempo de ir até você, para falar a verdade, achávamos que estava morto. Quando os guardas avançaram além da barricada, recuamos. Tivemos que escapar ou estaríamos todos mortos." As lágrimas vieram aos olhos da menina antes que ela pudesse impedir.
"Entendo, não guardo rancor, sei que se estivesse em uma situação similar, faria o mesmo."
"Desculpe" Secou os olhos com a parte de trás das mãos.
Marius se apoiou na cama para sentar na mesma e gemeu de dor ao mexer a perna ferida. Assim que a dor momentânea passou, ele sorriu.
"Mas então, o que eu perdi enquanto estive desaparecido?"
"Você nem imagina."
"É agora ou nunca" Esme pensou e respirou fundo.
"Não fique bravo." O sorriso de seu irmão desapareceu.
"O que você fez? É algo grave?" Perguntou preocupado.
"Mais ou menos. Eu estou grávida."
Marius ficou em silêncio porém ela pôde notar que suas orelhas e bochechas ficaram vermelhas.
"Eu vou matar o Grantaire." Falou simplesmente.
"Por favor, você não consegue nem matar uma mosca..."
"Mas eu matei soldados na barricada."
"Grande coisa!"
Aos poucos, a raiva de Marius foi se esvaindo. De repente ele começou a rir.
"Olhe para nós, brigando como crianças!"
Esme riu também.
"Quer dizer que não está com raiva de mim?"
"Como poderia ficar? Você é minha irmãzinha, não consigo ficar com raiva de você por muito tempo. Mas, me explique melhor isso."
"Explicar o que? Não teve aula de anatomia? É isso que acontece quando se faz sexo sem proteção."
Marius corou.
"Você sabe do que estou falando."
"Quando o Doutor foi me examinar após eu chegar aqui ele descobriu que eu estava grávida. Grantaire já sabe, e está feliz em ser pai. Porém como nossa família sabe que estou em um relacionamento com Enjolras tive que fingir para nossa tia que o filho é dele. Nosso avô nem sabe. Enj e eu planejamos nos casar o quanto antes para que não suspeite que é uma gravidez fora do matrim..."
"Espere, espere!" Marius a interrompeu. Esme parou.
"Desde quando você chama Enjolras de 'Enj' ?" Perguntou.
"Desde que ele me pediu em casamento" Mostrou o anel de noivado em seu dedo. O rapaz ficou boquiaberto.
"Já?"
"Iremos nos casar no próximo final de semana. Nossa tia irá encomendar as flores e a decoração hoje."
Os dois foram interrompidos por batidas na porta. Marius deu permissão para quem quer que fosse, entrar, ele ali surgiu Courfeyrac com suas muletas.
"Olá amigo! Pensei que estivesse sozinho." Disse, fazendo menção de sair novamente.
"Não, não! Já terminamos. Acho melhor vocês dois terem um tempo para conversar, afinal, são melhores amigos." A menina deu um beijo na testa do irmão e saiu rapidamente do quarto. Ela queria encontrar seu noivo.
Não foi muito difícil de encontrar o líder em seu quarto lendo um livro, como fazia sempre.
"Como foi com seu irmão?" Perguntou o loiro.
"Foi ótimo. Ele não ficou zangado com as notícias."
"Bom saber."
Ela tirou o livro de suas mãos e o jogou para o lado.
"Ei!" Reclamou Enjolras enquanto a menina o puxava pelo braço para fora do quarto e pelos corredores da mansão.
"O que está fazendo?" Perguntou tentando acompanhar os passos apressados de Esme. Quando se deu conta, já estavam do lado de fora, correndo pelas ruas e becos estreitos.
"Onde vamos? Vamos perder o almoço!"
"Vamos ver Eponine agora."
"Mas...almoço..." Gemeu, afinal fazia tempo que haviam tomado café e a barriga de Enjolras roncava.
"Agora!" Ela insistiu.
Isso fez o líder bufar.
"Não é como se houvesse como fazer você mudar de ideia, não é mesmo?"
Esme riu alto, correndo com mais rapidez.
"Não há mesmo!"
Enjolras riria junto com ela, mas a fome e principalmente a falta de ar, não deixavam. Se tentasse, ele seria capaz de desmaiar ali mesmo.
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