Doux Apollo et sa muse
6 Chapitre Six
Notas iniciais
Definitivamente Saint Michel era um dos bairros mais afetados pela pobreza. Os mendigos se amontoavam nas ruas e era quase impossível andar por aí sem se esbarrar com um deles.
Em uma das ruas estreitas, ela pode ver duas meninas e um menino, ao que parecia, eram irmãos. Eles estavam bem magros, quase doentes, e a menina mais nova tossia. Esme prometeu para si mesma que iria ajudá-los.
Após fazer as compras para o jantar, ela comprou uma torta grande, e embora fosse difícil carregar aquilo tudo, chegou até a rua onde os irmãos estavam. As meninas agora estavam sentadas no chão encostadas na parede de um prédio, o menino não estava ali. Ela se aproximou, com a torta na mão, e a estendeu para elas. "Aqui, vocês parecem famintas" Tentou parecer amigável.
A mais nova a olhava com curiosidade, enquanto a mais velha parecia desconfiada, quase com raiva. "É uma brincadeira? Porque está nos dando isso?" Perguntou, sua voz rouca.
Esme sorriu e se sentou de frente para elas, as duas se encolheram, embora tentassem parecer intimidadoras, estavam muito assustadas, não estavam acostumadas a serem bem tratadas.
"Porque vocês pareciam mortas de fome, e eu vi que tem um irmãozinho também. Então pensei em trazer algo para vocês." Respondeu, dividindo a torta em pedaços. Após alguns minutos de silêncio, apenas olhando umas para as outras, a menina mais nova pegou um pedaço e começou a comer, a outra ainda ficou encarando Esme por mais um tempo até finalmente pegar uma fatia e começar a comer logo depois.
Quando já estavam quase na metade da torta, o irmãozinho delas chegou, e ficou parado tentando entender a cena a sua frente.
"Anda Gavroche, vem comer!" A menina mais velha gritou, com a boca cheia, fazendo Esme rir. O menino, Gavroche, se sentou ao lado delas com seus olhos brilhando ao ver o alimento e começou a comer rapidamente, acabando com a torta logo em seguida.
Esme abriu um sorriso novamente."Bom, então é isso, amanhã mais ou menos nesse horário eu volto, trarei mais alguma coisa para vocês." Assim que tentou levantar, a menina mais nova a abraçou e começou a chorar. Nada Esme pode fazer a não ser retribuir o abraço. "Obrigada...como a gente pode te agradecer?" Ela perguntou, entre cabelo de Esme.
"Pode começar dizendo o nome de vocês. Assim fica mais fácil de achá-las" Falou, se separando da menina, ela sorriu, pela primeira vez desde o momento em que Esme se sentou ali. "Sou Eponine, esta é Azelma. E como você já viu, esse panaca aqui é o Gavroche." Falou a mais velha, Eponine, bagunçando os cabelos de Gavroche que socou seu braço em resposta.
"Bom, Eponine, Azelma e Gavroche, foi um prazer conhecê-los. Vejo vocês novamente amanhã" Disse e se levantou, limpando a sujeira de seu vestido, e voltou para o mercado, mas um puxão na sua saia a parou. Era Gavroche.
"Obrigada mademoiselle, por ter nos dado comida. Foi a primeira vez que vi Azelma sorrir em meses" Falou. Ela se abaixou e ajeitou o casaco de Gavroche.
"Não foi nada Gavroche, só fiz o que precisava ser feito. Quem dera todos pensassem assim..."
(...)
Esme resolveu então comprar roupas novas. Entrou em uma loja e analizou os vestidos. Só havia um que a agradava, ela então passou a olhar as roupas masculinas, por curiosidade. Achou uma calça bege e uma blusa azul de seu tamanho. Ela resolveu comprá-las junto com o vestido, afinal, por que não? Poderia ser útil talvez, e pareciam confortáveis.
Ao sair da loja reconheceu alguém do outro lado da rua. Aquele cabelo ruivo lhe era familiar. Feuilly. Ele estava arrumando um mostruário de leques na loja em que trabalhava. Esme então resolveu lhe fazer uma visita.
"Olá Feuilly, como vai?" Perguntou se aproximando, ele sorriu e terminou de arrumar os leques. "Vou bem Mademoiselle Esme, e então, o que lhe trás a minha humilde oficina?" Perguntou entrando novamente, Esme o seguiu. A loja em si era...bem...colorida.
Haviam manchas de tinta pelo chão, o balcão também era manchado. Haviam pincéis e potes de tinta espalhados e tecido também. As paredes eram decoradas com diversos leques, de várias formas e tamanhos. Feuilly pegou uma caixa no chão e tirou de lá uns 20 leques em branco, provavelmente iria pintá-los.
"Bom, eu estava fazendo compras e o vi do outro lado da rua. Resolvi visitá-lo" Falou se sentando em uma cadeira próxima a ele. Ficou observando enquanto ele pintava o primeiro leque. Logo ele parou.
"Você vai realmente querer ficar aqui me vendo pintar os leques? São muitos, provavelmente vou demorar o dia inteiro." Falou virando em sua direção. Esme deu de ombros. "Não é como se eu tivesse muito o que fazer. Além do mais, hoje tem reunião dos Amis não é? Não posso te fazer companhia até termos que ir? Não quero ficar sozinha em casa" Falou fazendo bico. Feuilly riu e assentiu.
Eles passaram o resto do dia conversando, Feuilly até deixou Esme tentar pintar um leque mas ela falhou miseravelmente e resolveu só sentar e assistir mesmo. O dia passou rápido. Feuilly terminou os leques pouco antes das 19h e foi andando com Esme até o Musain. No meio do caminho ouviram alguém os chamando.
"Ei Feuilly, Esme! Vão para o Musain? Eu tava esperando pelo Courfeyrac para irmos juntos, mas ele não apareceu. Posso ir com vocês? " Perguntou Gavroche correndo em sua direção. Esme abriu um sorriso.
"Claro, vamos logo antes que Enjolras exploda de raiva por chegarmos atrasados." Disse Feuilly os apressando.
"Então Gavroche...você faz parte do grupo?" Perguntou curiosa, o menino que estava distraído então se virou para olhá-la.
"Hum...mais ou menos. Enjolras me manda espionar a polícia e essas coisas. E eu sou bom em obter informações. Talvez quando começarem a rebelião ele me deixe lutar!" Sorriu para ela. Feuilly riu e deu uns tapinhas em suas costas.
"Acho que não amiguinho, você é muito pequeno. Sem falar que Courfeyrac nunca iria permitir que você segurasse uma arma" Gavroche franziu as sobrancelhas e começou a andar mais a frente. Finalmente já podiam ver o café no final da rua.
O Musain parecia mais cheio, mas talvez fosse só a imaginação de Esme. Ela deixou suas compras atrás do bar junto com a barista, uma jovem morena de origem hispânica chamada Musichetta, que por sinal era muito amigável e subiu as escadas, em direção à sala onde os meninos estavam.
Havia sido dada para Esme a tarefa de costurar faixas com as cores da bandeira francesa, isso não a agradou muito, só porque ela era mulher iriam a colocar para costurar? Ela queria discutir política também! Mas como ela não queria incomodar, ficou quieta. Mesmo ocupada, ela tentou prestar a máxima atenção no discurso de Enjolras, mas estava difícil, com Grantaire sentado ao seu lado fazendo piadinhas de tudo o que o líder dizia.
"Porque faz isso?" Perguntou a ele. Grantaire baixou os olhos e começou a encarar o copo de vinho à sua frente. "Fazer o quê?" Perguntou cabisbaixo.
"Você sabe do que eu estou falando...você está aqui mas parece não se importar com nada pelo qual luta...você realmente está lutando?" Perguntou, largando as faixas, a linha e a agulha em cima da mesa. Grantaire soltou uma simples e triste risada.
"É mais complicado do que parece Calíope...mas sim, estou lutando. Não pela mesma coisa que vocês. Estou lutando pelo meu sol." Falou virando o copo e terminando com toda bebida do recipiente de uma só vez. Esme estava confusa.
"Calíope? Seu sol? Se importa de explicar melhor?" Grantaire balançou a cabeça e tomou mais um gole de sua garrafa.
"Calíope, oh, musa da eloquência que é capaz de persuadir os homens com sua voz e beleza...mais cedo ou mais tarde você vai entender."
Ela não sabia o motivo, mas se sentiu um pouco incomodada com o que Grantaire havia lhe dito, então resolveu ir se sentar entre Jehan e Bahorel.
A pior parte, é que foi obrigada a ficar o resto da noite sentindo os olhares de Grantaire em suas costas, mas em nenhum momento se atreveu a olhar para trás.
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