Notas iniciais
Genteeeeeeee desculpem demorar uma eternidade pra postar asdfghjkl deu umas tretas aqui em casa mas tá tudo certo agora

Esme mal havia dormido naquela noite, apenas cochilou por no máximo uma hora e meia. O sol mal havia nascido e Eponine já estava de pé, se preparando para a batalha. Azelma estava sentada no seu canto costumeiro e olhava a irmã com nervosismo.

"Você tem mesmo que ir?" Perguntou com a voz trêmula. Eponine se virou para irmã se ajoelhou na sua frente, passando a mãos por seus cabelos sujos e despenteados.

"Infelizmente sim. Mas não se preocupe. Eu vou voltar." A assegurou. Porém a menina continuara aflita.

"Promete que vai tomar cuidado?" Eponine sorriu e beijou a bochecha da irmã.

"Eu prometo".

Esme apenas observava tudo enquanto tentava comer um pedaço de pão murcho que havia para o café da manhã, embora não conseguisse pois a ansiedade com o que estava pra acontecer estava deixando-a nauseada. Ela esperou sua onda de enjoo passar e calçou os sapatos que havia tirado para dormir.

Enquanto isso, Eponine continuava conversando com a irmã.

"A única coisa que lhe peço Azelma, é para que não saia nas ruas hoje. É muito arriscado. Montparnasse vai vir lhe fazer companhia. Talvez até traga comida" Disse. Azelma torceu o nariz para o nome do rapaz. Desde que o conheceu pela primeira vez, não foi com a cara dele. Eponine então ficou rígida e se virou para Esme.

"Falando em Montparnasse, ele foi até mim ontem à noite,enquanto eu esperava você se arrumar. Ele me perguntou se você já tinha falado comigo...o que ele quis dizer com isso?" Perguntou com uma sobrancelha arqueada.
Esme deu uma risadinha nervosa.

"Err...então...euprometifazerdevocêsumcasal" Falou rapidamente e torceu para que não tivesse que repetir.

"O quê??!" Eponine perguntou. A essa altura Esme já não sabia se ela havia perguntado com indignação ou se realmente não havia entendido.

"Eu prometi que ia ajudar ele a ficar com você." Disse esperando pelo pior. Eponine estava boquiaberta.

"Só pode ser piada" Murmurou e saiu andando pelo quarto começando a se vestir com pressa.

"Ah, Eponine, entenda! Ele gosta muito de você, muito mesmo. Embora seja difícil pra ele demonstrar isso...acho até que ele ame você, embora duvido que ele vá admitir" Explicou indo atrás da amiga.

"Esta enganada. Montparnasse não se importa com ninguém além dele. Acredite, eu sei, conheço ele desde que eu era criança. Provavelmente só quer me levar pra cama ou algo assim." Disse irritada.

"Não estou enganada! Você devia ter visto o brilho nos olhos dele quando ele falava de você." Esme falou segurando as mãos de Eponine, que corou com pensamento por alguns instantes porém balançou a cabeça.

"Ele deve ter mentido" e se afastou. Esme bufou e foi atrás, puxando Eponine pelo braço para que ela ficasse parada.

"Você mesma me disse uma vez que embora ele fosse ótimo ladrão era péssimo ator, e por isso seu pai usava você como isca na maioria dos assaltos" Eponine virou os olhos. Esme continuou.

"Dê uma chance a ele Eponine. Não é possível que você não sinta nada por ele. Embora ele seja um cabeça oca na maioria das vezes, ele realmente se importa com você. Sem falar que ele é bem bonito"

Eponine pareceu pensar por um tempo, porém suspirou.

"Não posso, eu não conseguiria, tem Marius e..." Esme colocou as mãos na cabeça, irritada.

"Pelo amor de deus Eponine, esqueça Marius! Você sabe que haja o que houver hoje, ele ainda não irá escolher você à Cosette." Ela explodiu. Os olhos de Eponine se encheram de lágrimas e Esme se xingou mentalmente por ter dito aquilo.

" 'Ponine...me desculpe, sou sua amiga porém tenho que ser sincera. Ele não te ama e nunca irá te amar, e você sabe bem disso." Disse suavemente.

"Não. Está certa. Eu fui cega esse tempo todo. Eu sabia que ele não ligava para mim porém criei falsas esperanças."

"É claro que ele liga para você! Você só confundiu isso com algo mais. Conheço outra pessoa que passou por isso e sei como está se sentindo agora" Falou, pensando logo em Grantaire.

Eponine a abraçou e Esme acariciou seus cabelos. Elas se afastaram e Eponine abriu um pequeno sorriso enquanto secava as lágrimas.

"Bom, eu vou confiar em você. Quando isso tudo acabar, prometo que vou falar com Montparnasse." Esme riu e abraçou Eponine.

"Mas, eu não prometo que vá haver algo entre nós dois"

"Ah, claro que vai" Esme disse com um sorriso malicioso no rosto, resultando em uma cotovelada de Eponine.

As duas então pararam de rir assim que escutaram o sino da igreja mais próxima.

"Que horas são?" Eponine perguntou. Esme parou para ouvir.

"oito horas" Contou as badaladas.

"Acho melhor irmos. A procissão de Lamarque começa em meia hora."

Esme pegou a boina que havia roubado de Courfeyrac e a colocou na cabeça, a arrumando para que seu cabelo não ficasse a mostra. Eponine fez o mesmo com uma boina velha e desgastada e vestiu um sobretudo que aparentava ser de seu pai.

Chegou a hora de se despedir de Azelma. Eponine lhe deu um forte abraço e um beijo na testa. Antes de chegar a vez de Esme, ela pegou uma folha de papel e um lápis em cima da mesa escreveu nele. Abraçou Azelma e colocou em sua mão o bilhete.

Azelma o olhou confusa e franziu as sobrancelhas enquanto tentava ler. Eponine lia o bilhete por cima do ombro da irmã e também não estava entendendo.

"Um endereço?" Perguntou a mais nova.

"Sim. Caso algo aconteça comigo depois de hoje. Quero que vá nesse endereço e peça para falar com o Monsieur Gillenormand Pontmercy. Quero que conte a ele tudo o que aconteceu, que lutei ao lado dos estudantes a favor da república e que morri lutando pelo que acredito" Explicou.

Azelma acentiu e guardou o papel na bolsinha que ela carregava ao redor da cintura. Esme a abraçou e saiu com Eponine.

As duas andaram em silêncio pela maior parte do caminho, nervosas e com medo de serem vistas, embora estivessem disfarçadas. Eponine foi a primeira a puxar assunto.

"Quando você disse que já havia visto alguém passar pelo mesmo que eu...a quem se referia?" Perguntou curiosa.

Esme olhou para os pés enquanto andava.

"Grantaire" Murmurou. Eponine acentiu.

"Então contou para ele o que sentia por Enjolras?" Perguntou. Esme parou de andar, surpresa.

"Como sabia disso?"

"Ora, todos sabiam. Estava bem óbvio." Riu, fazendo a outra bufar de indignação e voltaram a andar.

"O problema é que o que sinto por R quase se equipara ao que sinto por Enjolras. E isso não ajuda quando sei que os dois sentem o mesmo por mim" Disse chutando uma pedra.

"Vocês podiam fazer como Joly, Bossuet e Musichetta. Os três estão meio que juntos, não?"

"Sim, mas eu não sirvo para essas coisas. Aturar um homem já é difícil, dois é demais. Sem falar no preconceito. Imagina, sem poder casar com as pessoas que eu amo e sem poder andar de mãos dadas na rua. Sem falar que Grantaire e Enjolras mal se suportam."

"É, um pouco complicado. Porém você tem sorte, dois homens amam você. Eu mal consigo fazer um se apaixonar por mim..." Suspirou. As duas voltaram a fazer silêncio e assim permaneceram durante o resto do caminho.

Chegaram à Place de la Bastille e uma multidão já havia se formado dos dois lados da rua esperando o desfile. Não demorou muito para ela encontrar os Amis na multidão. O primeiro que ela viu foi Bahorel, que era tão alto que dava para vê-lo por cima da cabeça do povo.

Todos os outros membros do grupo estavam com ele, incluindo (para a surpresa de Esme) Grantaire e o pequeno Gavroche, sentado em seus ombros.
Esme abaixou ainda mais a boina para que não vissem seu rosto.

De repente, trombetas soaram. O povo todo se entreolhava e algumas pessoas murmuravam preces em honra a alma do General Lamarque. A cada segundo que se passava, Esme começou a ficar mais e mais nervosa, sua náusea voltando.

"Tudo bem?" Eponine perguntou a amiga.

"Tudo bem, só estou ansiosa" Disse.

Logo surgiu a cavalaria, embainhando espadas, atrás deles vinham soldados, marchando lado a lado. Por fim, seguiu a carruagem que carregava o caixão de Lamarque.

Os Amis saíram do meio da multidão e começaram a gritar, carregando com eles bandeiras da França. Eles logo começaram a subir na carruagem com o caixão e Grantaire empurrou o cocheiro no chão, assumindo as rédeas. Os meninos gritavam e riam, porém a alegria acabou assim que a cavalaria os obrigou a parar a carruagem.

Esme segurou o braço de Eponine, se preparando para correr e puxar a amiga se necessário.

Foi então que um dos soldados disparou o mosquete. O som do tiro fez Esme tremer e ela pôde ver que o homem atingiu uma mulher que assistia ao desfile.

Então a confusão começou. Alguns dos Amis começaram a atirar também e os soldados revidavam os tiros. Todo o público que estava ali para o funeral começou a correr. Ela apenas conseguiu ouvir Enjolras gritando.

"Para as barricadas, corram para as barricadas!" Esme pôde ver que próximo a ele estava Courfeyrac, tentando evitar ser atingido pela espada de um soldado.

Esme se virou Eponine.

"Vai para a barricada, te encontro lá."

"O que? Está maluca?" Perguntou desesperada.

"Eu sei o que estou fazendo, vai, vai!" A empurrou. Eponine se virou para trás uma vez e saiu correndo em disparada.

Esme correu até onde Courfeyrac estava tentando não ser notada pelo soldado. Pegou uma pedra do chão e bateu com força em sua cabeça, fazendo com que ele caísse no chão desacordado.

"Nossa, que sorte" Falou o rapaz, abrindo um sorriso. O sorriso desapareceu ao reconhecer quem o havia salvado.

"Esme?" Perguntou.

"É, sou eu. Eu aconselho a ir logo pra barricada, depois você pode começar o sermão." Disse apressada, começando a andar, Courfeyrac porém a parou.

"Espera aí! Essa boina é minha!" Disse tirando-a da cabeça dela e colocando em si mesmo.

"Ah...bem, desculpe, mas meu irmão não tinha nenhuma e eu precisava me esconder." Respondeu. Mais soldados então começaram a surgir no local e a atirar. Eles não tiveram opção a não ser fugir antes que fossem atingidos.

Chegar na Rue Saint-Denis não era difícil, ainda mais correndo como eles estavam. O problema é que haviam soldados por toda parte atirando, e isso os desviou do caminho relativamente simples que era seguir a Rue de Rivoli até Châtelet.

Depois de longos minutos entrando em becos para se esconderem e com Courfeyrac puxando a menina como se sua vida dependesse disso. Os dois finalmente chegaram.

A barricada já estava completamente montada, vários objetos estavam empilhados, bloqueando a rua. Esme pode ver que no topo dela havia uma bandeira vermelha e Joly estava sentado ao lado dela, com uma arma na mão. Assim que viu os dois se aproximando gritou para o resto do grupo.

"Courfeyrac chegou!" Exclamou.

Os dois subiram então na barricada, com Joly os ajudando. Assim que chegaram do outro lado, foram recebidos com abraços e olhares surpresos ao reconhecerem Esme. Ela então lembrou que a boina estava com Courf.

Mal teve ela tempo de falar alguma coisa quando se sentiu sendo esmagada. Foi quando percebeu que quem a esmagava era Grantaire, a abraçando.

"Eu sabia que você iria aparecer aqui. E minhas suspeitas se concretizaram quando vi Eponine chegando" Disse apontando com a cabeça para a garota que estava sentada em um caixote perto da entrada do Musain.

"Graças a deus estou bem" Disse tomando o rosto de R entre as mãos e beijando sua bochecha.

O momento dos dois porém foi interrompido por um pigarrear. E Esme sabia exatamente quem era. Ela se virou para olhar.

"Temos que conversar" Enjolras disse. Ele estava de braços cruzados e havia uma expressão extremamente séria em seu rosto. Ele apontou para dentro do Café.

"Sim, precisamos" Esme respondeu, se soltando dos braços de Grantaire e seguindo o loiro para dentro do Musain onde poderiam conversar em paz.

Notas finais
Aí, só vou avisar que vou mudar um pouco a história pois eu não quero matar os personagens jhvkjhdfgjh Então não se assustem se eu editar os capítulos anteriores (e provavelmente apagarei o prólogo) Enfim, não se esqueçam de comentarem!