Doux Apollo et sa muse
15 Chapitre Quinze
Grantaire esperou do lado de fora do prédio da faculdade de Esme até a menina sair. Ao final de sua aula, ela se aproximou dele e o abraçou, fazendo alguns de seus colegas de classe a olharem torto.
"Porque te olham assim?" Perguntou gesticulando para um grupo que cochichava e olhava para os dois.
"Ah, eles tem algum tipo de aversão à mim pelo fato de eu ser amiga de um grupo de revolucionários. São uns idiotas, não ligue para eles". R passou o braço ao redor dos ombros de Esme e foram juntos para o Musain.
Ao chegarem lá, se juntaram aos amigos no andar de cima.
O grupo estavam polindo as armas que estavam estocando para a batalha que segundo Enjolras, estava se aproximando.
Todos pararam para olhar para os recém chegados.
"Sobre o que aconteceu ontem...já está tudo resolvido. Eu só queria me desculpar por não ter contado para nenhum de vocês, é claro, além de Jehan e Courf." Feuilly foi até ela e colocou a mão em seu ombro.
"Está tudo bem." Disse, fazendo a menina se sentir mais calma. Marius se colocou em sua frente e abaixou a cabeça.
"Sinto muito pela forma como eu reagi" Esme o abraçou.
"Eu lhe perdoo, Marius" Beijou sua bochecha e se afastou, porém seu irmão a puxou novamente para perto dele.
"Ah, tenho algo para lhe contar" Ele disse sorridente.
"E o que seria?" Perguntou franzindo as sobrancelhas.
"Eu falei com ela, com a menina pela qual estou apaixonado!" Esme abriu um sorriso porém este sumiu após ela automaticamente se lembrar de Eponine.
"Hum...sério?"
"Sim, veja, Eponine estava me ajudando a procurá-la e descobriu que ela mora com o pai em uma mansão na Rue Plumet. Ontem à noite fui até a casa dela e lhe devolvi seu lenço. Hoje fui vê-la novamente, e a beijei!" Disse.
"Ao menos agora você sabe o nome dela?" Esme revirou os olhos para o irmão
"Sim, se chama Cosette" Esme tinha que admitir que 'Cosette' era um nome bonito.
Logo em seguida, Combeferre e Courfeyrac entraram na sala carregando alguns barris de pólvora e foram falar com Enjolras, sorrindo para Esme assim que seus olhares se cruzaram. Ela retribuiu o sorriso. Combeferre sussurrou algo no ouvido do líder e a expressão em seu rosto mudou.
"A hora está chegando, e está tão perto que o nosso sangue ferve. Mas tomem cuidado...não deixem o vinho lhes subir à cabeça" Olhou diretamente para Grantaire que já estava bebendo. Esme foi até ele e lhe tirou a garrafa da mão. A essa altura, todos prestavam atenção no que Enjolras falava.
"O exército contra o qual iremos lutar é perigoso. Com homens e armas de sobra. Temos que nos preparar, mas para isso precisamos de algum tipo de sinal...Marius, está prestando atenção?" Perguntou se sentando em uma cadeira ao lado do irmão de Esme.
"O que há de errado Marius?" Joly perguntou. Grantaire se levantou e foi até ele, rindo.
"Tome um pouco de vinho e nos diga o que houve" Marius balançou a cabeça. Esme resolveu intervir.
"É a menina pela qual ele está apaixonado. É só nela que ele pensa" Respondeu por ele. Enjolras se levantou, frustrado.
"Já é hora de decidirmos quem somos e qual o preço iremos pagar com essa revolução." Disse, Marius se levantou e foi para o lado de Enjolras.
"Enjolras...estou apaixonado, não há nada que posso fazer. Eu a amo e devo protegê-la, não posso fazer isso lutando" Esme pôde jurar que assim que Marius disse isto, o olhar de Enjolras se depositou sobre ela por breves segundos.
"Você não é mais uma criança! Ninguém liga pra sua alma solitária, nossas vidas pequenas não importam. Esqueça essa menina, ela só está lhe distraindo" Enjolras insistiu. Isso fez com que o coração de Esme se partisse.
Ela sabia que o que Enjolras pedia para que Marius fizesse era a mesma coisa que o mesmo fazia com Esme. Tentar esquecê-la para que seus sentimentos não atrapalhassem a revolução.
No exato momento em que Marius ia responder algo, Gavroche entrou na sala correndo.
"Pessoal, pessoal!!" Gritava tentando chamar a atenção dos estudantes. Grantaire foi até ele e o levantou para que o menino conseguisse subir em uma das mesas. Assim que isso foi feito, ele gritou mais uma vez, fazendo todos se virarem para ele.
"O General Lamarque está morto" A sala ficou em silêncio. Jehan tampou a boca com as mãos, surpreso. Esme se sentou novamente em sua cadeira. De todas as expressões no rosto dos estudantes, somente Enjolras não parecia triste.
"Então é isso...a morte dele era o sinal pelo qual esperávamos. Iremos nos rebelar em seu funeral!" Gritou alegre.
Ele, Combeferre, Courfeyrac e Feuilly começaram a correr pela sala, gritando, cantando e jogando uma toalha de mesa vermelha um para o outro. Assim que se cansaram, começaram a preparar tudo para a batalha.
Enjolras foi até uma mesa onde havia um mapa de Paris e começou a planejar onde ficaria cada barricada.
Esme foi até ele, nervosa.
"Está louco? Não temos homens suficientes, Enjolras! E nem ao menos tivemos tempo para treiná-los" Disse.
O loiro olhou para ela e acariciou sua bochecha.
"Vai dar tudo certo. Sei que podemos ganhar." Esme tinha certeza que não conseguiriam porém não queria falar isso para Enjolras.
Ela resolveu então falar com Marius. Caminhou até seus amigos que estavam desesperados contando todas as armas que tinham e terminando de limpá-las porém nenhum sinal de vida de Marius.
"Ele saiu ainda pouco e não disse para onde ia" Bahorel disse.
"Um dia, pessoal! Um dia para a batalha. Irão tomar seu lugar junto à mim?" Enjolras gritou. Os outros membros do grupo respoderam um 'Sim!' em sincronia e Esme foi até o líder.
"Vou para casa, até mais" Se despediu. Enjolras porém segurou seu braço, a impedindo de sair do lugar.
"Haverá perigo nas ruas amanhã, me prometa que não irá sair de casa" Pediu. Esme o olhou, incrédula.
"O que? Não! Não, eu irei lutar com vocês!" Ela respondeu.
"E desde quando você sabe usar uma arma?" Perguntou nervoso.
"E vocês sabem? São apenas estudantes..."
"Eu não irei deixar você correr perigo! Se algo acontecer com você seu irmão jamais iria me perdoar...eu jamais iria me perdoar."
"Não pode me impedir" A essa altura, ela tinha certeza que seu rosto estava vermelho de raiva.
"Você. Não. Vai...essa conversa acabou" Enjolras disse entre dentes. Esme bateu o pé no chão e saiu do café furiosa, chutando algumas pedras em seu caminho.
Quando já estava quase na esquina de casa, viu uma figura em uma rua vazia. Ela reconheceu o corpo magro e frágil e os longos cabelos negros e embaraçados. Era Eponine, porém usando roupas masculinas.
Esme andou até ela.
" 'Ponine, o que faz aqui?" Perguntou. A menina se virou para ela, os olhos vermelhos e inchados. Esme a abraçou.
"Marius me mandou entregar uma carta à Cosette lhe dizendo que irá lutar amanhã nas barricadas." Eponine mostrou um pequeno envelope e depois o guardou novamente no bolso de seu casaco.
"Eu vou lutar amanhã. Tentarei protegê-lo custe o que custar" Disse fungando e colocando seu chapéu na cabeça.
"Também vou. Enjolras me proibiu de sair de casa, mas ele não manda em mim, não pode me obrigar a nada."
"E como pretende ir escondida?" Eponine perguntou.
"Usando um disfarce" Esme sorriu. Eponine franziu as sobrancelhas, porém acentiu.
"Tudo bem. Vou entregar isto à Cosette agora."
"Olha, vou arranjar algo para vestir e te encontro aqui em meia hora" Disse. As meninas se separaram e Esme foi para casa.
Assim que chegou em seu quarto ela começou a pensar no que poderia vestir e chegou à conclusão que não tinha nada que a deixaria irreconhecível. Ela então teve uma ideia.
Ela iria pegar as roupas de Marius e se vestir com elas. O problema era que o rapaz já estava em seu quarto e seria impossível entrar lá sem ser percebida.
Esme entrou no quarto do irmão e o viu deitado no sofá, apenas uma vela acesa e ele estava com um braço cobrindo o rosto. Torcendo para que ele estivesse dormindo, Esme se dirigiu ao baú onde ele guardava as roupas. Foi só ela abrir a tampa que ouviu o barulho de algo se mexendo.
"O que faz aqui?" Marius perguntou. Esme ficou paralisada tentando pensar em uma resposta.
"Err...vou lavar suas roupas. Se vou ficar em casa até a sua guerra acabar, tenho que fazer alguma coisa ou morrerei de tédio" Inventou. Ele apenas acentiu e se virou de lado, indo dormir.
Esme pegou uma calça, suspensórios, uma camisa, sapatos e aproveitou que o irmão não estava olhando e pegou uma boina de Courfeyrac. Ela saiu rapidamente e voltou ao seu quarto para se vestir.
As calças eram um pouco largas mas os suspensórios as segurava no lugar.
Ela amarrou os seios com uma tira de tecido e vestiu a camisa. Calçou os sapatos e amarrou os cabelos, os escondendo em baixo da boina.
Já estava quase saindo quando se lembrou de um último detalhe. Ela abriu uma das gavetas da cômoda e de lá tirou uma das faixas vermelha, branca e azul que ela ajudou a costurar.
Ela a amarrou na cintura e saiu do quarto sem fazer nenhum barulho, para não chamar a atenção de Marius. Ao chegar na rua, ela encontrou Eponine encostada em um muro e foi logo falar com ela.
"Estou pronta" Disse, girando para poder mostrar suas roupas para ela.
"Está perfeita! Eu quase não havia lhe reconhecido de longe" Riu.
"O que faremos agora?" Perguntou.
"Podemos passar a noite lá em casa, saímos assim que amanhecer" Eponine notou o quão desconfortável Esme estava.
"Não se preocupe, meus pais não estão em casa. Será apenas eu, você e Azelma."
Eponine começou a andar e Esme foi logo atrás, não demorando muito para chegarem na casa de Eponine.
As meninas não ficaram muito tempo acordadas, Eponine adormeceu no momento em que se deitou no pequeno e esfarrapado colchão.
Esme porém permaneceu acordada, pensando na batalha que estava para acontecer e rezando para que seus amigos saíssem dela ilesos.
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