Doux Apollo et sa muse
4 Chapitre Quatre
Notas iniciais
Havia chegado o grande dia. A maioria das meninas estariam chorando de felicidade e fazendo seu cabelo e maquiagem com um sorriso no rosto. Mas as lágrimas de Esme não eram de alegria, muito pelo contrário, eram de tristeza e desespero.
O casamento seria ao ar livre, nos jardins atrás da mansão e Esme podia ver pela janela do seu quarto os convidados começando a chegar, muito bem vestidos e trazendo presentes. Os soluços de Esme aumentaram ao ver Claude sendo parabenizado pelos convidados.
As senhoras que estavam maquiando Esme tinham que parar de 2 em 2 minutos para enxugar suas lágrimas que estavam arruinando a maquiagem. Elas achavam que ela estava emocionada e ela achou melhor não comentar o motivo de suas lágrimas, para não causar conflitos. Após terminarem, se puseram a vesti-la.
O vestido era lindo, o que ela sempre havia sonhado em usar em seu casamento, mas ela não quis usá-lo, se ver no espelho usando-o sabendo que ia se casar com Claude a fazia querer se matar. "Podem ir, preciso ficar um tempo sozinha" Falou para as senhoras que assentiram.
Assim que saíram, batidas na porta tiraram Esme de seu transe. Nem se importou em responder, pois logo a porta abriu revelando Marius, que abriu um pequeno sorriso ao vê-la.
"Está linda Esme, embora eu gostaria de te ver com um sorriso no rosto" Falou se sentando em sua cama. Esme tentou sorrir, mas não conseguiu. Marius se levantou e a abraçou, os soluços de Esme voltaram, e Marius a apertou mais contra ele. Julliet bateu na porta.
"Senhora, Claude já está no altar, está na hora de você descer." Esme se desesperou. Marius saiu do quarto e voltou para o jardim, onde música tocava. Gillenormand apareceu na porta logo depois e estendeu o braço para ela segurar.
Assim que chegaram no jardim, foram recebidos por aplausos, Esme tentava sorrir, por Marius, mas não conseguia. Esse era para ser um dia especial para ela se casar com alguém que amasse, e estava sendo forçada a casar com um homem que ela não suportava.
Chegaram no altar, onde Claude esperava, um sorriso falso no rosto. Esme não conseguia nem olhar em seus olhos, pois era capaz de desmaiar ou começar a chorar novamente.
O padre começou a falar, ela se sentia nauseada, queria sair dali. Procurou entre os convidados por Marius, que estava na segunda fileira. Este fez um sinal positivo com a cabeça, como para indicar que estava tudo bem.
Esme não notou que havia chegado sua vez de fazer o juramento.
"Eu...hum...eu, Esme Pontmercy...eu..." Não conseguia terminar a frase, estava muito desesperada. Os convidados franziam as sobrancelhas e cochichavam uns com os outros.
"Eu...me desculpe, não posso. Não com você, não dá" Falou para Claude e começou a correr de volta para dentro da mansão. Os convidados agora falavam mais alto, alguns haviam se levantado surpresos.
Subiu as escadas correndo e entrou em seu quarto, fechando a porta e deixando as lágrimas caírem. Não demorou muito para baterem na porta. Esme se sentiu aliviada ao ouvir a voz de Marius do outro lado. "Abre logo! Antes que o vovô descubra que eu subi pra te ver!"
Ela abriu a porta e se jogou nos braços do irmão.
"E-eu não consigo! Marius, eu não quero fazer isso, não estou pronta! Por favor...por favor me tira daqui." Suplicou, mais lágrimas escorrendo. Marius sorriu. "Pensei que nunca fosse pedir".
Ele abriu seu armário tirando algumas mudas de roupa de lá e as guardou dentro de uma bolsa grande que estava em cima da cadeira. Segurou sua mão e antes de abrir a porta se virou para ela.
"Se eu fosse você eu tiraria esses sapatos, eles não servem para correr. Quando eu contar até três, corra o mais rápido que puder" Ela tirou os sapatos e os chutou para o lado, logo levantando a saia do vestido para que não pisasse nela.
Assim que Marius contou até três, ele abriu a porta e os dois saíram correndo de mãos dadas. Para a sorte dos dois, ninguém os percebeu.
Ao chegaram na rua atraíram olhares de reprovação de muita gente que passava pelo local. Acho que não estavam acostumados com uma noiva descalça correndo pela rua. Esme soltou uma gargalhada. Céus, havia meses que não ria tanto. Mas logo começou a se preocupar.
"Marius...vão perceber que eu sumi, e como conheço o vovô, você vai ser a primeira pessoa que ele vai procurar, o que vamos fazer?" Perguntou assustada. Marius apertou levemente a sua mão. "Vou pedir ajuda ao meus amigos, tenho certeza que vão nos ajudar. Falando nisso, é para lá que estamos indo agora" Falou a puxando pelas ruas de Paris.
"Para lá aonde?" Perguntou confusa, Marius sorriu e continuou a puxando. "Café Musain, na Rue de Villette, é onde eles se reúnem".
Continuaram andando pelo que pareceu serem horas. Os pés de Esme estavam doendo e podia jurar que agora tinham bolhas. Finalmente chegaram a algum lugar, era uma rua comprida e estreita, com um café ao fundo, meio mal acabado. Uma placa escrito Musain indicava que era o lugar certo.
Logo antes de entrar, ela parou. "Marius...e se os seus amigos não gostarem de mim?" Perguntou receosa. Marius passou a mão pelos seus cabelos. "Esme, você é perfeita, não tem como não gostarem de você." Falou a puxando para dentro.
Lá dentro haviam algumas pessoas bebendo e conversando, mas Marius continuou a puxando em direção a escada. "É lá em cima". Dali Esme podia escutar pessoas conversando em voz alta e música sendo tocada.
Marius abriu a porta da sala, revelando homens rindo e conversando, um rapaz alto de cabelos loiros cacheados fazia um discurso, embora apenas umas três pessoas estivessem prestando atenção nele. Assim que entraram, todos pararam para olhar para Esme e Marius, fazendo a mesma corar.
"Nossa, Marius, se casou e não nos avisou? Pensei que fossemos amigos. E eu esperava ser o padrinho" Perguntou um homem que estava sentado na cadeira ao lado da porta, ele tinha cabelos castanhos cacheados e estava com um sorriso brincalhão no rosto.
"Essa é minha irmã Courfeyrac. E nem pense em flertar com ela." Respondeu, e o tal Courfeyrac apenas piscou para Esme, a fazendo rir. O homem loiro que fazia o discurso veio andando até os dois. "E o que sua irmã faz aqui na reunião, Marius? E vestida dessa maneira?" Perguntou mal humorado. Antes que Marius respondesse, Esme tomou a frente.
"Eu fugi de casa, do meu casamento para ser mais precisa. Eu estava sendo obrigada a me casar com um imbecil que não me amava." Falou tirando o véu que ainda estava preso em seus cabelos e o jogando no chão. O loiro a fitou por alguns instantes "Eu sou Enjolras".
"Esme" respondeu.
Os meninos foram muito gentis com Esme, e ao final do dia esta já se sentia parte do grupo. Conheceu todos. Jehan trançou o cabelo dela e fez uma coroa de flores enquanto citava alguns trechos de poesias, Feuilly pediu a opinião dela para uma nova coleção de leques que ele iria fazer, Joly cuidou de suas bolhas nos pés e fez questão de falar todas as doenças que ela poderia pegar se infeccionassem, Courfeyrac e Combeferre conversaram com ela sobre política, ciências e história, embora da parte de Courfeyrac, aquilo havia sido só uma maneira de dar em cima dela.
Grantaire dividiu com ela uma garrafa de vinho, o que surpreendeu a todos, já que ele nunca dividia nada com ninguém e desconfiava de tudo e todos ao seu redor.
Bahorel e Bossuet tentaram ensinar a Esme as várias maneiras de nocautear uma pessoa, o que arrancou gargalhadas de todos e resultou em um olho roxo em Bossuet, que havia tropeçado no vestido de Esme e caiu, deixando Joly mais do que preocupado. Tudo isso enquanto Enjolras tentava fazer um discurso, no qual apenas Combeferre e Marius prestavam atenção. Ele então desistiu e se sentou ao lado de Marius.
"Você não devia tê-la trazido. Agora ela vai querer ser parte da revolução. Não posso permitir uma mulher aqui" Falou, baixo o suficiente para que somente Marius ouvisse. "Pode deixar, eu jamais deixaria ela participar. Mas ela pode continuar vindo nas reuniões não é? Para ficar informada e passar o dia com os meninos. Nunca a vi tão feliz assim, é a primeira vez que tem amigos." Falou.
Enjolras ficou espantado. Como uma menina tão bela, e tão alegre podia não ter amigos? Ele realmente não compreendia. Ia ser bom ter uma mulher por perto de vez em quando.
Esme estava conversando com Grantaire, ou tentando, pelo menos, pois ele falava meio enrolado. Ele estava feliz por estar com ela. Era a primeira vez que ele conversava com alguém sem ser julgado, e isso a divertia. De repente ela levantou e foi andando em direção a Marius e Enjolras.
"Marius, você está morando com Courfeyrac não é? Ele me disse que o apartamento em frente ao de vocês está vago e me convidou para ir morar lá." Falou transbordando alegria. E por algum motivo, isso fez Enjolras se sentir alegre também, mas este rapidamente afastou tais pensamentos da cabeça. Essa menina era diferente, e o fazia se sentir diferente também.
O que ele não sabia, é que havia mais uma pessoa naquela sala, se sentindo exatamente da mesma maneira.
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