Doux Apollo et sa muse
5 Chapitre Cinq
"Ah, está vago sim. Mas como você vai pagar o aluguel?" Perguntou Marius. Esme deu de ombros. "Bom, eu estava pensando...já que você se recusa a fazer uso do dinheiro que nossa tia manda pra você, ao menos me deixe usá-lo para o aluguel". Marius riu.
"Tudo bem irmãzinha!" Falou. Isso fez com que Esme corasse de vergonha. E isso fez Enjolras se sentir desconfortável.
Mais algumas horas haviam se passado e todos agora riam e brincavam. Alguns bebiam e outros jogavam cartas. Jehan começou a cantarolar uma música alegre, que fez com que Esme quisesse dançar, então ela o segurou pelas mãos e começaram a rodopiar pelo café rindo e cantando.
Logo as pessoas começaram a ir embora. Cada um se despedindo de Esme como se ela já fizesse parte dos Amis. Marius checou o relógio na parede, vendo que já passava da meia noite.
"Acho melhor irmos logo. Afinal, tem que se acomodar no seu novo apartamento." Disse se levantando e indo até Esme que olhava pela enorme janela do café.
"Marius, o que você acha que vovô está pensando? Sobre meu desaparecimento..e Claude?" Perguntou com preocupação. Enjolras não entendeu muito bem o que ela quis dizer, mas pelo tom em sua voz, Claude era seu noivo.
"Só iremos descobrir amanhã quando provavelmente vão bater na minha porta perguntando por você. Vamos logo antes que Courfeyrac resolva dormir aqui no café mesmo." Respondeu a guiando em direção a porta, onde Courfeyrac esperava pelos dois.
Antes de sair, ela voltou correndo como se tivesse esquecido alguma coisa e deu um beijo de despedida na bochecha de Enjolras, que se espantou e mal conseguiu responder algo. Ficou parado, de boca aberta. Depois, caminhou até a mesa do canto, onde Grantaire jazia desacordado.
"Até logo monsieur, foi um prazer conhecê-lo" Ela sussurrou beijando os cachos negros, fazendo o cínico acordar de seu cochilo e resmungar um adeus para ela também. "O prazer foi meu mademoiselle" E voltou a apoiar a cabeça na mesa.
Esme foi embora junto com Marius e Courfeyrac, que carregava a mala dela.
Enjolras se sentou novamente e ainda não podia acreditar que havia ficado naquele estado somente porque uma menina havia lhe dado um beijo de despedida, na bochecha.
"Parece que o doce Apollo ficou maravilhado com a bela musa..." Murmurou Grantaire se levantando e indo cambaleando até a porta. "O que quer dizer com isso?" Perguntou irritado.
"Oh, nada! Mas não se esqueça, Dionísio também tinha um ótimo relacionamento com as musas" Falou pegando uma garrafa de vinho e indo embora logo em seguida, deixando um Enjolras confuso sozinho no café.
(...)
Courfeyrac e Esme haviam apostado uma corrida e gargalhavam alto, mais atrás andando calmamente estava Marius, que carregava a mala dela e revirava os olhos o tempo inteiro.
"Será que você não pode carregar sua própria mala Esme?" Perguntou pela milésima vez, quase se arrastando. Courfeyrac apenas riu.
"Acalme-se meu amigo, não vai deixar a mocinha aqui carregar esse peso todo não é? Além do mais, já estamos chegando." Respondeu Courfeyrac. O trio continuou andando até chegar em frente ao prédio. Ele parecia meio acabado. Assim que entraram, notaram que o hall estava vazio.
"Hum...acho que a síndica já está dormindo. Melhor não perturbar ela agora, ela já não gosta muito de mim, se eu acordá-la, ela vai me odiar mais ainda" Falou Marius. Os três ficaram em silêncio por alguns minutos. Até Esme ter uma ideia.
"Porque eu não passo a noite com vocês? Aí amanhã de manhã falamos com a síndica" Marius torceu os lábios, super desconfortável com a ideia de sua irmã dormindo no mesmo quarto que Courfeyrac, o cara que conseguia dar em cima de qualquer ser que respirasse. Mas vendo que não havia outra opção resolveu concordar, afinal, ele também estaria no mesmo quarto que eles, não havia como nada dar errado.
"Tudo bem, mas Courf, você fica longe dela" O outro levantou as mãos em sinal de rendição e subiu as escadas com a mala de Esme. Ela e Marius foram logo atrás. Ao chegarem no quarto deles, ela percebeu que não era tão ruim quanto ela pensava.
Era pequeno, sim, mas era aconchegante. Havia apenas uma cama, um sofá uma escrivaninha lotada de papéis, dois armários e uma cortina, que ocupava uma boa parte do quarto, e Esme não pôde ver o que havia do outro lado.
"Gostei. Achei que seria pior." Ela murmurou. Courfeyrac colocou sua mala em cima do sofá e organizou os papéis na escrivaninha. Esme continuou curiosa para saber o que havia detrás da cortina. "Hum...o que tem ali?" Perguntou apontando. Courfeyrac abriu um sorriso.
"Isso, minha querida, é a nossa luxuosa casa de banho" Falou puxando a cortina e revelando uma grande tina de madeira, que era possivelmente a banheira. Esme ficou surpresa.
"É Esme, melhor se acostumar com isso. A tina vai ser o menor dos seus problemas" Comentou Marius colocando uma mão em seu ombro. Esme logo soltou um longo bocejo. Courfeyrac riu, tirou seu paletó e gravata, abriu alguns botões de sua camisa, jogou os sapatos do outro lado do quarto e se jogou na cama, dormindo praticamente logo em seguida.
Esme abriu sua mala e tirou de lá uma camisola azul, carregou ela para detrás da cortina e lá se trocou. Quando saiu, Marius também já havia se trocado. Os dois se deitaram no pequeno sofá e se expremeram para que coubessem. Ela apagou a vela que havia na mesa de centro e adormeceu, se segurando na beirada do sofá para não cair.
Acordou na manhã seguinte com o som de batidas na porta, e logo depois de alguém caindo no chão, seguido por diversos xingamentos, ao abrir os olhos percebeu que era Courfeyrac, caído no chão, que xingava.
"Quem pode ser a essa hora? Será que não se pode nem ao menos dormir em paz?!" Gritou, se levantando e indo atender a porta. Enquanto isso, Marius finalmente acordava, e acabou virando para o lado e batendo com a cabeça no encosto, fazendo Esme rir baixinho.
Courfeyrac fechou a porta um pouco para que quem estivesse do lado de fora não visse o lado de dentro. "Marius...é seu avô." Falou preocupado. Marius se levantou em um pulo e derrubou Esme no chão, apenas para empurrá-la para debaixo do sofá junto com sua mala.
Marius foi até a porta e ali estava Gillenormand. Ele não parecia nem um pouco feliz, entrou e se sentou no divã.
"Bom dia, Marius, preciso falar sobre um assunto sério com você." Courfeyrac pareceu incomodado e tentou sair pela porta, mas Marius o impediu.
"Courf, você não precisa sair do seu próprio quarto." Este então se sentou no sofá onde Esme estava escondida e resolveu ler um livro de Marius que estava na mesinha.
"Pode falar." Foi só o que Marius disse quando se sentou ao lado do avô. Esme tentava respirar o mais devagar e silenciosamente possível, mas estava tão nervosa que achava difícil.
"Esme fugiu de casa." Marius fingiu surpresa, e desespero." Oh céus, está falando sério? Esme? Como?" Ela queria rir, pois a expressão de Marius era hilária, e seu cabelo despenteado não ajudava em nada.
"Sim, antes da cerimônia acabar, você viu isso. Ela voltou para a mansão e quando foram procurá-la, ela não estava lá. E a maior parte de suas roupas haviam sumido, junto com sua mala" Marius continuou em silêncio. "E porque veio aqui?" Perguntou.
"Achei que ela pudesse ter vindo pedir ajuda. Mas pelo visto não. Se a vir, me avise e a traga para casa imediatamente, precisarei ter uma conversa séria com ela." Falou se levantando e indo até a porta, mas então parou. "Marius, se você souber onde ela está, não me contar e eu descobrir...deixarei avisado que ela irá sofrer as consequências de seus atos" E saiu.
Esme se arrastou de baixo do sofá e começou a rir, acompanhada por Courfeyrac, e Marius não entendeu nada. "O que foi?"
"Você é um péssimo mentiroso Marius, sério. Não sei como o vovô não notou." Falou bagunçando os cabelos de Marius mais ainda. Esme se espreguiçou, pegou um vestido cinza velho na mala e indo vesti-lo atrás da cortina. Vestiu-se e guardou a camisola na mala. Courfeyrac a chamou.
"Ei Esme, vamos falar com a síndica. Ela já deve ter acordado."
Tudo correu bem, a síndica foi muito bondosa com ela e a mostrou seu apartamento, era um pouco maior que o dos meninos, porém o preço era o mesmo. Depois de assinar papéis e uma breve discussão da senhora com Courfeyrac, sobre o fato de ele levar muitas meninas para o seu apartamento, Esme levou sua mala para o quarto e começou a desfazê-la.
Vendo que possuia poucas roupas, pensou em ir na cidade fazer compras mais tarde, afinal, tinha levado um pouco de dinheiro com ela.
Ao voltar ao quarto dos meninos, viu que nenhum deles estava, mas viu um pequeno bilhete em cima da mesa, junto com um saco de moedas. Eles haviam ido para aula...claro, e pediram para que ela comprasse algo para o jantar, abusados.
Pegou as moedas dos meninos e voltou para seu quarto, pegou seu próprio dinheiro e o guardou em uma bolsa, calçou um par de botas, penteou o cabelo e saiu, em direção ao mercado.
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