Doux Apollo et sa muse

14 Chapitre Quatorze


Notas iniciais
Desculpem a demora, teve férias e provas na escola e não deu pra postar :v P.s.: Assisti Les Mis no west end e foi a melhor experiência da minha vida!

Semanas se passaram, e essas semanas se transformaram em meses. Dois meses, para ser mais exato. Esme estava ajudando Montparnasse a conquistar Eponine, embora ela tivesse certeza de que nunca daria certo.

Grantaire continuava pintando Esme, e isso significa que os dois continuavam dormindo juntos regularmente. Apenas Jehan e Courfeyrac sabiam do que acontecia entre os dois, e Esme esperava que continuasse assim.

Por mais que R quisesse tornar público o seu relacionamento, Esme achava que não era uma boa ideia e que isso podia desfocar a atenção do grupo da revolução.

Por falar em revolução, nesses dois meses, Enjolras não estava sendo o mesmo. Ele parecia menos dedicado à causa, porém muito mais pensativo do que o normal.

Era mais um dia comum de reunião no Musain. Todos estavam presentes. Esme estava sentada no colo de Grantaire enquanto ouviam ao discurso de Enjolras. O loiro não conseguia tirar o olhar dos dois, ver aquilo estava deixando-o desconfortável.

Ele tentava continuar o discurso enquanto os analizava. Nisso pôde perceber que Esme usava uma camisa um tanto grande para ela, e se lembrou de que a camisa pertencia a Grantaire, pois o mesmo já a havia usado diversas vezes.

Por dentro, Enjolras queria interrogar o bêbado só para saber o porque de Esme estar usando aquela camisa, mas ele apenas respirou fundo e continuou o que fazia.

Não muito depois, foi interrompido por risadas que encheram a sala, vindo da mesa onde Bahorel, Marius, Esme e Grantaire estavam sentados. Ele não podia ouvir o que diziam, mas aparentemente Grantaire estava contando uma piada, pelos gestos que fazia com as mãos. Esme deu uma alta gargalhada e depois deu um beijo na bochecha de R. Este retribuiu a menina com um beijo nos lábios, a deixando envergonhada e Marius e Bahorel perplexos.

A mesa ficou em silêncio por alguns instantes e depois todos voltaram novamente a conversar, Enjolras porém estava em estado de choque, olhando para os dois com os olhos arregalados.

Combeferre sacudiu seu braço para acordá-lo do transe, porém ele nem se mexeu, apenas foi andando até a mesa que havia voltado a ser a fonte do barulho da sala. Ele delicadamente cutucou o ombro de Esme.

"Posso falar com você?" Perguntou. Se ele parecia nervoso? Sim. Estava suando e dava para ver uma veia pulsando em sua testa. O sorriso de Esme sumiu e ela se levantou do colo de Grantaire e seguiu Enjolras para o canto da sala.

"O que está acontecendo?" Ele perguntou de uma vez. Esme ficou muda por uns instantes até resolver o que responder.

"O-o que?" Perguntou nervosa. Enjolras riu ironicamente.

"Você sabe o que, Grantaire beijou você. E você me pareceu não se importar quanto a isso" Ela abaixou a cabeça lentamente.

"Hum...é, sobre isso..." De repente, Grantaire estava ao lado dos dois.

"O que foi?" Perguntou, se pondo à frente de Esme em um gesto protetor.

"Vocês se beijaram." Disse o óbvio.

"É, bem, não foi a primeira vez." Enjolras estava ficando mais nervoso à cada segundo.

"Não foi a primeira vez? Por quanto tempo vocês tem feito...isso?"

"Feito o que?" Perguntou Marius. Enjolras então percebeu que estava gritando e todos na sala olhavam para ele.

"Grantaire está cortejando sua irmã." Respondeu.

"Ah, mas isso é muito bom, parabéns." Disse Marius sorrindo e dando leves batidinhas nas costas de Grantaire.

"Não! Quer dizer, não estamos, não é nada sério." Grantaire se defendeu. Marius franziu as sobrancelhas, como se não compreendesse.

"Não, só ficamos juntos algumas vezes." Completou Esme. Enjolras estava começando a ficar vermelho.

"Não estão comprometidos?" Marius perguntou, sua alegria se desvaindo.

"Então...quando vocês somem ao mesmo tempo, vocês ficam se agarrando por aí?" Perguntou o líder.

"Grantaire também pinta quadros de Esme, você devia ver, vai adora-" Começou Courfeyrac porém teve sua boca tampada pela mão de Bahorel.

"Quadros? Que quadros?" Enjolras perguntou.

"Você realmente não irá querer vê-los..." Murmurou Esme.

"Como ela está nesses quadros?" Perguntou Marius. Esme e Grantaire baixaram a cabeça porém ele se pronunciou.

"Nua." Respondeu. Esme fungava, tentando afastar o choro. Marius balançou a cabeça, inconformado. Grantaire deu uma risadinha, sem emoção.

"Por deus Marius, não seja tão lento. Você passa tanto tempo vendo sua irmã como uma criança que nem repara nas coisas que ela faz. Sabia que ela não é mais virgem?" Disse o cínico.

Enjolras a essa altura já estava tremendo.

Feuilly apareceu ao seu lado e pôs a mão em seu ombro.

"Enjolr-" Porém teve sua mão afastada por um tapa de Enjolras.

"Não! Esme, me diga. Me diga que ele está mentindo, que você não dormiu com ele" Falou segurando as mãos da menina nas suas, as mãos dela estavam geladas, e as dele, quentes.

Ela apenas fez um sinal positivo com a cabeça, as lágrimas escorrendo por seu rosto.

"Me desculpem...por favor." Ela olhou para Marius, este apenas balançou a cabeça. Ele também parecia a ponto de chorar, ele a olhava com forte sentimento, de raiva? Não, de desapontamento, vergonha.

Enjolras soltou suas mãos e as cerrou em punho, se virando para Grantaire.

"É melhor ir embora." Falou calmamente.

"Ou você fará o que?" Perguntou o desafiando.

"Eu vou matar você!" Depois disso, tudo virou um borrão. Ele foi na direção de Grantaire, desferindo socos contra ele, que se protegeu e revidou. Ele podia sentir mãos fortes, provavelmente pertencentes a Combeferre o puxando para longe de Grantaire, do mesmo jeito que via Bahorel puxando o cínico.

Ele podia ouvir todos gritando para que se afastassem, alguns tentando acalmar os dois. Tudo aconteceu muito rápido. Esme correu até ficar no meio dos dois, porém Enjolras, que estava cego de ódio, não havia notado ela ali e desferiu um soco contra o seu rosto, a derrubando. Ele só se acalmou quando ouviu Jehan gritando e ajudando Esme a se levantar. O soco havia atingido a bochecha dela, que estava vermelha e começando a ficar inchada. O olhar de Enjolras e Grantaire se cruzaram e percebeu que já havia batido demais, porém tinha certeza que apanhou mais do que bateu.

Grantaire estava ficando com um olho roxo e sua boca sangrava. Suas roupas estavam amassadas e a manga da camisa estava rasgada.
Os dedos de Enjolras estavam doloridos e vermelhos, em alguns pontos sangravam. Seu nariz doía e dele escorria sangue que manchava suas roupas, seu estômago doía devido a um soco que havia recebido no local. Seu cabelo antes preso por uma fita agora estava solto e lhe caía sobre os ombros.

Tentou se aproximar de Esme porém ela se afastou, lágrimas caindo novamente.

"Se afastem de mim, vocês dois." E saiu andando rapidamente para fora do café. Quando Grantaire ia a seguir, Jehan olhou feio para ele.

"Acho que você tem outros erros para consertar aqui. Eu vou atrás dela." E saiu atrás da amiga. O Musain estava em silêncio. Apenas era possível escutar as respirações aceleradas de Enjolras e Grantaire. Combeferre puxou Enjolras pelo café até irem parar na rua.

"No que estava pensando?!" Perguntou ao loiro, irritado. Este o olhou com os olhos marejados.

"Eu...não sei" E abraçou o amigo, chorando em seu ombro.

"É melhor ir visitá-la amanhã e pedir desculpas" Disse. Enjolras assentiu. Ele voltou para dentro do café, que continuava silencioso. Assim que entrou na sala de reuniões, Grantaire passou direto por ele, indo embora sem nem ao menos olhar para ele, Bahorel foi atrás logo depois.

Enjolras olhou para os outros que ainda estava parados nos mesmos lugares, de cabeça baixa.

"A reunião acabou, podem ir para casa" E foi embora para casa, antes de todos os outros sequer se levantarem. Chegou em casa e apenas deitou na cama, dormindo logo em seguida.

(...)

No dia seguinte, Enjolras estava de pé em frente à Casa Gourbeau, onde Esme morava, as 8h. Ele entrou na casa e para sua surpresa, encontrou Jehan no corredor. Enjolras estava confuso.

"Eu passei a noite aqui. Ela não parava de chorar e eu não queria deixá-la sozinha" Falou de cabeça baixa.

"Então você sabia?" Perguntou.

"Bem, sim. Eu acidentalmente vi os dois juntos, desculpe"

"Tudo bem, não foi sua culpa" E foi subindo a escada. Mal chegou na metade e Jehan o chamou.

"Enjolras! Não seja tão duro com ela."

Eles se despediram e logo Enjolras estava em frente à porta de Esme. Ele bateu e alguns segundos depois ouviu um baixo "entre".

Ele entrou e demorou um pouco para achá-la na cama, em baixo do cobertor. Seu cabelo estava bagunçado e os olhos vermelhos de tanto chorar. Ele podia perceber o quão vermelha e um pouco roxa estava sua bochecha. Ela estava acabada.

Primeiro ela não olhou diretamente para ele, mas foi obrigada a fazê-lo quando ele se sentou ao seu lado na cama. Seus olhares se encontraram e ela o desviou rapidamente.

A garganta de Enjolras se fechou e ele não conseguia falar. Estava nervoso e com medo de ela não aceitar seu perdão.

"Eu sei porque veio aqui. Aceito suas desculpas, eu só...não queria que vocês descobrissem desse jeito. Vocês devem estar me odiando agora, achando que sou uma puta" Ela agora chorava novamente. Enjolras tirou um lenço do bolso e deu para ela enxugar as lágrimas.

"Mas por que? Se ele não estava cortejando você, porque...estavam dormindo juntos?" Perguntou, seu coração deu um pulo e ele se sentiu mal de repente.

"Porque eu queria o ver feliz. Queria fazê-lo feliz. Ele sempre foi meio depressivo, e você viu o quanto ele mudou de alguns meses para cá. Ele estava mais alegre."

Enjolras então passou a ponta dos dedos pela bochecha machucada de Esme.

"Está tudo bem, não está doendo tanto." O assegurou, porém segurou sua mão no lugar, fazendo os dedos frio do líder se esquentarem com o calor da bochecha dela.

Os dois ficaram em silêncio, até ela olhar para ele e franzir as sobrancelhas.
"Ainda há sangue em você"

Enjolras olhou para seu reflexo no espelho de corpo inteiro no outro lado do quarto. Realmente, ele não havia trocado de roupa desde o dia anterior. Sua blusa possuía uma mancha de sangue na frente. Havia sangue seco em seu queixo e um pouco em seu cabelo. Seu nariz latejava.

"Deixa que eu cuido disso" Ela disse.

Esme o ajudou a lavar o cabelo e a limpar o rosto. Ela logo depois ajudou a colocar seu nariz que estava quebrado, no lugar.

"Tire a camisa" Falou. Os olhos de Enjolras se arregalaram.

"O quê?" Perguntou surpreso.

"Você vai querer que eu a lave enquanto você a usa? Vai congelar enquanto ela seca. Vai ficar doente." Insistiu. Ele então acabou cedendo. Tirou a camisa e deu para ela.

Esme ficou alguns segundos olhando para o corpo de Enjolras. Grantaire sempre o comparava com um deus grego e ela tinha que concordar. Sua pele era pálida, algumas poucas sardas se espalhavam pelos ombros dele, a maioria delas ficava escondida pelos cachos de seus longos cabelos, que pela primeira vez Esme teve a chance de ver soltos e molhados. Era uma bela visão.

Enjolras era bem magro, porém de tanto fugir dos policiais, acabou desenvolvendo alguns músculos. Ela corou (algo que ele notou, porém permaneceu calado) e rapidamente se pôs a lavar a camisa.

"Que bom que você me avisou que eu estava assim. Iam pensar que eu matei alguém ou sei lá. Talvez foi por isso que recebi alguns olhares tortos no caminho para cá" Sorriu para ela.

"Sou bastante observadora" Sorriu de volta para ele, enquanto colocava a camisa molhada no encosto de uma cadeira para secar e se sentava novamente na cama.

"Tem certeza?" Perguntou Enjolras se sentando outra vez do seu lado.

"Hum...sim" Ela respondeu, confusa.
Ele estava começando a se sentir nervoso, suas mãos suavam e ele estava meio tonto.

"Então por quê? Por que você não percebeu?" Perguntou segurando suas mãos.

"Oh Deus, por que é tão difícil lhe dizer isso? Hum...eu nem ao menos sei o que é? O que estou sentindo?"

"O que é o quê?" Ela perguntou.

" Eu me sinto estranho ao seu lado, mas de um jeito bom. É como quando você bebe muito e parece que todos os seus problemas somem. Sinto como se pudesse fazer qualquer coisa. E os seus olhos, são tão lindos que as vezes eu me vejo incapaz de parar de olhá-los. Você me faz sorrir e quando estou com você, eu sinto calor."

Esme ficou parada, olhando fixamente para ele. Logo sua expressão de surpresa e nervoso trocou por uma mais calma e suas bochechas coraram.

"Enjolras...eu acho...que isso é amor" Ela murmurou.

"Não, não pode ser. Não posso me apaixonar, minha única dama é a pátria e...isso não pode acontecer agora."

"Tarde demais, já aconteceu. Olhe" Ela pegou sua mão e a colocou sobre o peito dele, onde ele podia sentir seu coração batendo extremamente rápido. Então ela pegou sua outra mão e a guiou para seu próprio peito, onde ele podia sentir que o coração dela batia da mesma forma, logo o ritmo dos corações se igualou e eles batiam juntos.

"Então você também? Porque nunca me contou?" Perguntou.

"Por que não queria criar falsas esperanças. Achei que você nem ligava para a minha existência"

"Eu ligo, e muito. Mais do que para a minha" A assegurou, e logo os dois se abraçaram.

Enjolras se enclinou para frente e beijou a bochecha machucada de Esme. Suas testas se encostaram e seus lábios foram se aproximando, porém Enjolras parou antes que eles se tocassem.

"Eu não posso Esme. Tenho uma revolução para tomar conta. Não posso ter nenhuma distração" Eles se afastaram novamente.

"Tudo bem." Ela murmurou cabisbaixa.

"Posso...beijar você? Só uma vez?" Perguntou Enjolras. Esme se surpreendeu com o pedido, porém aceitou. Foi um beijo rápido, mal deu para Esme sentir os lábios de Enjolras, porém sentiu o mesmo gosto de morangos que havia sentido da última vez.

"Talvez possamos ficar juntos, quando tudo isso acabar" Ele sussurrou. Esme assentiu. Ela se levantou e começou a colocar suas botas.

"Onde vai?" Ele perguntou.

"Visitar Grantaire. Terminar com ele, se é que tinhamos algo antes. Não podemos ficar juntos, não agora que há uma pequena chance de eu ficar com você."

Terminou de se calçar e saiu, deixando Enjolras sozinho no quarto.

(...)

Não demorou muito para ela chegar na casa de Grantaire, na velocidade em que correu. Ao tentar abrir a porta, viu que ela estava destrancada (como sempre, ela já se cansou de pedir para ele consertar a fechadura porém ele nunca a ouvia).

Ela entrou na sala e o encontrou dormindo no sofá, cercado de garrafas vazias. Ao que parece, ele voltou a beber. Andou até perto dele e o cutucou até que ele acordasse.

"Não Bahorel, já disse que estou bem, eu..." Começou a falar porém parou ao ver que era Esme quem estava ao seu lado.

"Preciso falar com você" Ela disse, se sentando do lado dele no sofá.

"Fale" Ele murmurou, os olhos inchados. Ao menos ele já não estava mais sujo de sangue e havia trocado de roupa.

"Nós...isso, tem que terminar" Ela disse calmamente. Ele pareceu pensar um pouco e assentiu, devagar.

"O que a fez pensar nisso? Finalmente percebeu que ama o nosso Apollo?" Perguntou com um pequeno sorriso cansado no rosto.

"É que eu...espera, como sabe disso?" Perguntou.

"Eu soube desde o dia em que vocês dois se beijaram." Ela se lembrou e corou um pouco.

"R, desculpa..." Ela foi interrompida.

"Tudo bem, olha, eu sabia que isso ia acontecer, que você iria me trocar por ele. Eu sabia que você estava comigo para me fazer feliz, e vou te dizer uma coisa, esses dois meses que passamos juntos foram sem dúvida os melhores e mais felizes meses da minha vida." Algumas lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Grantaire, ele as secou e continuou.

"Vocês são as pessoas que eu mais amo nesse mundo, mais até do que Jehan, que é meu melhor amigo, e eu espero que vocês dois sejam muito felizes juntos." Logo Esme ouviu um clique em sua cabeça.

"Por isso você havia dito que ele era o seu sol! Você ama ele." Ela disse. Grantaire sorriu mais abertamente.

"É, não o amo da mesma forma que você, é algo platônico, mas é amor sim." Esme sorriu.

Ela passou um bom tempo explicando para ele o que havia acontecido com Enjolras naquela manhã.

"Então, quer dizer que não estão juntos?" Ele perguntou e Esme assentiu.

"Ele quer se concentrar na revolução. Acha que se começarmos um relacionamento podemos atrapalhar a causa." Grantaire suspirou.

"Olha Esme, eu não queria falar isso, mas...não acho que essa revolta vá dar certo." R disse cabisbaixo.

"Então porque vai participar?" Ela perguntou preocupada. Grantaire soltou uma risada rouca.

"Porque eu acredito no Enjolras." Disse por fim.

Os dois permaneceram em um desconfortável silêncio durante alguns minutos. Os dois se entreolharam e começaram a rir.

"Tenho que ir, tenho aula daqui a pouco" Esme disse se levantando. Grantaire se levantou logo depois.

"Se importa de eu fazer companhia à senhorita?" Perguntou estendendo o braço para ela, que riu.

"Mas é claro, monsieur!" Segurou o seu braço e assim saíram pelas ruas em direção à Sorbonne.

Notas finais
Foi um capítulo meio filler, mas o próximo já será uma mistura do filme/musical.