Doux Apollo et sa muse

18 Chapitre Dix-Huit


"Marius, descanse" Enjolras disse, apontando para uma parte da barricada onde daria para o moreno se sentar. Marius o obedeceu, ainda nervoso com o que havia acontecido com Eponine.

Esme sentou-se ao lado de Feuilly e este a abraçou de lado. A atmosfera na barricada estava pior do que antes, todos com medo desta ser sua última noite juntos e com vida. Enjolras andava de um lado para o outro e parecia estar planejando alguma estratégia.

Logo em seguida, moças, incluíndo Musichetta, saíram de dentro do Musain carregando travessas com garrafas de rum e canecas. Esme não reconheceu todas porém tinha certeza que deviam ser as namoradas ou esposas dos outros membros do grupo, algumas eram garçonetes do café.

Todos logo se serviram de suas bebidas.

"Bebam comigo, aos dias que passaram" Feuilly cantou baixinho, porém foi ouvido pelo grupo que estava próximo a ele e todos se viraram em sua direção. Ele corou e abaixou a cabeça.

"Cantem comigo, as músicas que sabíamos..." Completou Esme, brindando com o amigo, que abriu um pequeno sorriso.

"Às garotas que ocuparam nossas cabeças" Jehan cantou, um pouco mais alegre, brindando com eles.

"Às espirituosas garotas que foram pra nossa cama" Riu Bossuet, que levou um leve tapa no braço de Musichetta, que estava passando por ele.

"À elas, e à vocês" Todos brindaram juntos, inclusive outros rapazes que Esme nem sabia que estavam prestando atenção a sua música.

"Bebam comigo, aos dias que passaram, pode ser que você teme morrer" Grantaire cantarolou com sua voz rouca e já havia bebido meia garrafa de rum, sentado no chão encostado a um baú de munição. Ele tinha seu velho sorriso cínico no rosto.

Bahorel, que estava extremamente abalado com toda a situação, avançou como se fosse bater nele, porém foi segurado por Combeferre e o pequeno Gavroche.

"Vai o mundo lembrar de você? Pode ser que sua morte não signifique nada" Grantaire cantou já se levantando cambaleante na direção de Bahorel. Esme e Enjolras foram mais rápidos e se dispuseram em sua frente, o impedindo.

Grantaire olhou para os dois com tristeza nos olhos cheios de lágrimas.

"A sua vida é mais uma mentira?" Terminou, esfregando os olhos e tomando um enorme gole da garrafa. Enjolras pegou a bebida e a jogou no chão, quebrando a garrafa. R apenas os olhou por alguns segundos e saiu andando, sentando-se ao lado de Marius e colocando a cabeça entre as mãos.

Esme olhou para Enjolras, que acentiu, e ela andou até Grantaire.

"Olá R." Murmurou. Ele balançou um pouco a cabeça. Esme sabia que no estado no qual ele estava, não conseguiria conversar muito com ele, então apenas segurou suas mãos, fazendo carinho na parte de cima delas.

Logo logo, Grantaire pegou no sono, assim como muitos rapazes em volta. Esme também já estava quase dormindo quando sentiu alguém a cutucar. Era Gavroche.

"Oi Gav, o que houve?" Perguntou. O menino tinha medo no olhar.

"Posso dormir com você?" Esme sorriu, deixando-o subir em seu colo. Ele se aconchegou um pouco e ela o envolveu com os braços.

"Esme...sinto saudades de Eponine" A voz falhando um pouco.

"Também sinto. Mas temos que esperar. Ela ficará bem."

"Espero que esteja certa" Respondeu.

"Pois é, eu também." Beijou o topo de sua cabeça. Não demorou para que ela adormecesse junto com o menino.

Para falar a verdade, Esme não lembrava exatamente quando pegou no sono. Só se lembrou de acordar com os primeiros raios de sol no rosto. Por ter dormido meio sentada, tentou se espreguiçar, porém foi impedida por algo em cima dela. Ela se lembrou de ter dormido com Gavroche e abriu os olhos.

O garoto realmente estava ainda adormecido em cima dela, porém seu peso foi aumentado pelo braço de Grantaire ao redor dos dois. Em cima dos três, jazia a jaqueta vermelha que Enjolras estava usando no dia anterior.

Ela balançou Gavroche devagar, sussurrando em seu ouvido para que ele acordasse. O menino, que tinha um sono muito leve, estava de pé rapidamente. Ela se virou para o lado.

"R...Grantaire. Levante" Susurrou. Nada. Ela então o sacudiu. Nada também. Ela lhe deu um beijo na bochecha. Ele não abriu os olhos, porém retribuiu com um pequeno beijo nos lábios. Foi quando ele se deu conta de que não estava mais tendo um "caso" com Esme e que não podia mais sair beijando ela quando bem entendesse.

"Sinto muito" Respondeu melancólico.

"Tudo bem" Disse, meio sem graça.

Alguns outros membros dos Amis de l'ABC estavam acordando naquele momento. Enjolras, que até este momento havia estado dentro do Musain saiu, com a espressão mais sombria que Esme já viu. Ele pegou sua jaqueta e a vestiu.

"O povo não se ergueu. Fomos abandonados por aqueles que ainda vivem com medo..."

Esme segurou a mão de Grantaire com força.

"...mas não iremos abandonar os que não puderam ouvir. Vamos poupar vidas. Mulheres e crianças, estão dispensados" Disse olhando para Esme. Ela tinha certeza que aquilo havia sido para ela. Ele realmente não queria que ela lutasse.

Casais se despediram. Mulheres e homens choravam. Musichetta e Bossuet estavam ao prantos por terem que se separarem.

Não demorou para Esme ser a última mulher na barricada.

"Esme, por favor, é a última chance. Vá para casa" Enjolras disse. Esme virou os olhos.

"Já disse que não. Por favor, pare de insistir em me fazer ir embora. Não vou. Se vocês morrerem, morro com vocês" Respondeu.

"Hm, Enjolras. Eu sei o que sente por ela. Sei que não quer que ela se machuque. E eu prometo, com toda minha alma que irei protegê-la." Grantaire, que até agora permanecia calado, se manifestou.

"É um ato muito nobre de sua parte. Obrigado." Enjolras agradeceu e foi embora, indo verificar se tudo estava pronto para a batalha. Grantaire sorriu, orgulhoso de si mesmo.

Marius se aproximou.

"Esme, me prometa que se ficarmos com problemas, vai ir embora quando tiver a chance."

"Só se eu puder ter a certeza de que todos aqui ficarão bem" Esme abraçou ao irmão.

De repente, surpreendendo a todos, as trombetas soaram novamente.

Todos pegaram suas armas e se prepararam.

A segunda parte da batalha ia começar.

"FOGO!!" Gritou Enjolras.

Todos começaram a atirar, inclusive Esme.

Não haviam se passado nem 10 minutos de batalha quando Enjolras foi até Feuilly, que cuidava da munição.

"Como estamos, Feuilly?" Perguntou, esbaforido.

"Temos armas suficientes, mas a munição está acabando"

"Eu vou para a rua, tem corpos por toda parte. Vou roubar a munição deles" Marius sugeriu. Enjolras porém negou e os dois começaram a discutir. Logo o voluntário, que na noite anterior, antes de Esme adormecer, havia se apresentado com Monsieur Fauchelevant, entrou na discussão também.

"Eu vou! Sou velho, não tenho nada a temer" Insistiu.
Uma voz que Esme reconheceria em qualquer lugar, gritou de cima da barricada.

"Precisam de alguém rápido, eu vou!" Gavroche gritou, se esquivando de Courfeyrac que tentou puxá-lo de volta e desaparecendo do outro lado.

Grantaire ainda tentou correr atrás dele porém foi segurado.

A barricada inteira ficou em silêncio, apenas ouvindo Gavroche do outro lado.

"Je suis tombé par terre, c’est la faute à Voltaire" Cantarolou o menino.

"Gavroche, volte!" Esme gritou. R havia coberto o rosto com as mãos e parecia estar rezando.

"Le nez dans le ruisseau, c’est la faute à Rousseau" De repente, um tiro e silêncio. Todos pularam de susto e Esme pode ouvir Grantaire começar a segurar o choro e rezar com mais rapidez.

Todos se acalmaram novamente quando a voz de Gavroche ressoou novamente.

"Je ne suis pas notaire, c’est la faute à Voltaire" A voz estava trêmula e mais baixa, porém se aproximava e puderam escutá-lo subindo na barricada.

Mais um tiro.

"Rápido Gavroche!" Jehan gritou.

Esme a essa altura já tinha lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela subiu a barricada e se sentou no topo, esticando o braço para o outro lado, com a intenção de ajudar o menino a subir mais rápido.

"Je suis petit oiseau... c’est la faute à Rousseau"

Outro tiro.

Dessa vez, não atingiu Gavroche pois Esme havia conseguido puxá-lo para cima a tempo.

Todos gritaram. O grito que mais se destiguiu foi o de Grantaire, que ela pôde ver que havia caído de joelhos, chorando.

Ela não entendeu o motivo até que sentiu uma dor lascinante no ombro. Foi aí que percebeu que sua blusa estava manchada com sangue. Porém não era de Gavroche. Era dela.

Notas finais
Sim, coloquei a musiquinha do Gavroche da versão francesa do musical...sorry not sorry