Doux Apollo et sa muse

19 Chapitre Dix-Neuf


Parecia que o mundo havia desacelerado. Ela pôs a mão sobre o ferimento e soltou um gemido de dor. Gavroche, ainda estava ao seu lado, com um tiro na perna. Porém tirando isso, estava bem.

Ela desceu com ele no colo, quase caindo pois não conseguia se apoiar com o lado onde havia sido baleada. Os rapazes a ajudaram e levaram Gavroche para que pudessem enfaixar seu ferimento. Foi só chegar ao chão que Grantaire e Enjolras foram até ela.

"Esme, meu deus, está bem?" R perguntou, segurando seu rosto nas mãos.

"Estou. Não acho que seja tão grave" Respondeu. Enjolras, que possuía uma expressão séria no rosto, andou até ela e sem cerimônias, abriu os três primeiros botões da camisa que ela usava, a deixando meio envergonhada.

Ele começou a inspecionar o ferimento.

"Foi de raspão, nada que comprometa sua vida. Mas deixará uma cicatriz" Constatou.

Todos em volta suspiraram aliviados.

Grantaire soltou o nó que prendia sua faixa com as cores da bandeira da França na cintura e a amarrou por debaixo do braço de Esme e envolvendo seu ombro.

"Isso deve ajudar a estancar o sangramento, mas é melhor procurar um médico assim que possível."

"Se Joly estivesse aqui, ele poderia fazer algo." Murmurou Enjolras.

"Ele está fazendo algo mais importante. O meu ferimento não se compara ao de Eponine. A vida dela está em risco, a minha não."

"Sua vida está em risco só por estar aqui nessa barricada. A de todos nós." Enjolras foi embora e subiu na barricada.

Grantaire se virou para ela, os rastros de lágrimas ainda molhados em seu rosto.

"Não irei te impedir de lutar. Apenas quero que tome cuidado. Para que isso não se repita." Apontou pro ombro dela.

"Pode deixar." Concordou, sorrindo um pouco, mesmo com dor.

As trombetas soaram novamente. Dessa vez, os Amis de l'ABC já estavam furiosos pelo que aconteceu a Gavroche e Esme.

"Vocês nas barricadas, escutem! O povo de Paris está adormecido, vocês não tem chance!Anunciou um oficial.

"Vamos morrer enfrentando nossos inimigos, fazê-los sangrar enquanto pudermos!" Gritou Enjolras, seu rifle já apontado.

"Vamos fazê-los pagar, pagar por cada homem!" Gritou de volta Combeferre, que estava dentro do Cafe cuidando de Gavroche.

Esme, mesmo ferida, pegou novamente seu rifle. O olhar dela se cruzou com o de Enjolras. Ele mexeu a boca para ela, formando uma frase.

"Eu te amo"

Isso foi o suficiente para que borboletas surgissem no estômago dela fazendo-a corar. Ela sorriu, os olhos se enchendo de lágrimas.

"Também te amo"

Ele acentiu e se virou novamente para a barricada, ficando sério novamente.

"Deixem outros tomarem nosso lugar, até que a terra seja livre!"

Esme nunca havia visto nada igual.

Os tiros eram incessantes e o cheiro de pólvora quase insuportável. No início, Esme achou que estava indo tudo bem para eles, já que haviam muitos soldados mortos porém nenhum dos revolucionários estava gravemente ferido.

Com o tempo, pode-se perceber que sua sorte estava mudando.

O exército havia trazido canhões, e a cada tiro que era dado, eles tinham que recuar com medo de ser atingidos por balas e destroços, dando a chance para que os militares avançassem.

Esme começou a ver pessoas com as quais ela tinha convivido por meses, caírem no chão sem vida. Ver pessoas conhecidas, mortas, a fez ficar nauseada.

A náusea piorou quando foi seu irmão que caiu. Ela entrou em desespero e pensou em correr até ele, porém viu que o Sr. Fauchelevant estava cuidando dele.

Ela pareceu ter ouvido um clique em sua cabeça.

Ela correu até Enjolras.

"Precisamos recuar, fugir, alguma coisa! Tem gente morrendo!" Esme gritou. Ele a ignorou enquanto atirava em um oficial, o matando instantaneamente.

"Eu sabia do risco que estávamos correndo" Murmurou.

Esme olhou para Grantaire, que estava mais afastado, com uma pistola na mão, defendendo Jehan de um soldado que ia atacá-lo por trás.

"Enjolras, por favor! Não há mais jeito, perdemos! Vamos fugir enquanto dá tempo!" Implorou.

Ele só então pareceu ter percebido a gravidade da situação quando Courfeyrac caiu de cima da barricada. Ele havia sido ferido pela ponta afiada de uma baioneta, porém estava respirando.

Enjolras mordeu o lábio, algo que ele tinha mania de fazer quando estava nervoso.

"Recuar! Homens, recuar!" Gritou, largando a arma e segurando na mão de Esme, a puxando consigo.

Muitos homens se dispersaram, fugindo assim que lhes foi dado a ordem.

O grupo principal dos Amis permaneceu.

"Procurem os feridos e corram!" Ordenou Enjolras.

Bahorel foi até Courfeyrac e o ajudou a levantar. Grantaire entrou no café e voltou com Gavroche no colo.

Cada vez mais o exército chegava perto.

"Para onde vamos?" Perguntou Feuilly.

"Qual o último lugar onde a polícia procuraria estudantes liberais?"

"Na casa de meu avô. É um bairro nobre, não nos incomodarão lá" Esme sugeriu, enquanto o grupo corria para longe dos restos da barricada.

"Não acho que ele nos deixará entrar" Bossuet comentou, enquanto passava a mão por um ferimento em sua cabeça careca.

"Assim que ele me vir assim, deixará."

Correndo do jeito que estavam, o caminho à casa de Monsieur Gillenormand não demorou muito. Ao chegarem no portão, Esme começou a gritar e a bater na grade.

"Vovô!! Julliet! Alguém, abra o portão por favor!"

Os seus amigos a imitaram.

A gritaria parecia ter acordado todos na casa, pois sua tia e Julliet, a empregada, saíram para ver o que era que estava acontecendo ainda usando camisolas e roupões por cima.

"Esme! Oh meu deus, o que aconteceu com você? Quem são eles? Cadê seu irmão?" Sua tia a encheu de perguntas. Julliet começou a tirar o cadeado do portão.

Ela não sabe se foi o conjunto de emoções ou se foi o simples fato de que ela havia sido baleada e estava perdendo sangue, porém não conseguiu responder a nada que lhe foi perguntado, pois manchas brancas surgiram em sua visão e tudo começou a escurecer.

A última coisa que ela se lembra antes de desmaiar foi de braços a segurando, evitando que caísse no chão.

Notas finais
Aeee não matei ninguém!!