Double Game (jogo Duplo)
2 Capítulo 2 - Blake
- Quero um café expresso, forte e venti, por favor. – Pedi á rapariga que estava atrás da caixa registadora do café Starbucks.
- Com certeza. – Respondeu ela, clicando em alguns botões da caixa. – São dois dólares e setenta e cinco. – Informou-me. Procurei na mala a minha carteira, mas não estava a conseguir encontrá-la em lado nenhum.
- Tome. – Respondeu um rapaz atrás de mim, dando uma nota de cinco dólares á rapariga da caixa. Virei-me para trás e dei de caras com Ethan Blake, o cantor de Pop.
- O quê?! Não, eu tenho aqui a minha carteira. – Protestei, olhando para a rapariga e abrindo a minha carteira, mas uma mão impediu-me de o fazer.
- Por favor, deixa-me pagar. – Pediu ele, com um olhar suplicante. – Afinal, não é por três dólares que me vão cair os parentes na lama. – Completou, com um sorriso adorável.
- Tal como se me deixares pagar o mesmo não vai acontecer. – Respondi, retribuindo-lhe o sorriso.
- Fazemos assim, eu pago-te o café e em troca tu dás-me o teu número. – Disse-me e piscou-me um dos seus olhos azuis-pálidos. A minha cabeça começou a andar a mil á hora – seria possível o Ethan Blake, o cantor Ethan Blake, quisesse o meu número? Não custava nada tentar. – Então, temos acordo? – Perguntou-me sorrindo.
- Isto não fica assim – Disse na brincadeira, enquanto me ria. Ethan riu-se também e colocou-se ao meu lado na caixa registadora.
Ethan insistiu para eu ficar ali algum tempo com ele, na conversa. Vim a descobrir que tem vinte e dois anos e para além de cantar gosta de fazer desporto de vez em quando. Admito que nunca gostei e muito dificilmente gostaria da música dele, mas sobre Ethan, não tenho razões de queixa.
Quando o sol já se começava a pôr no cinzento céu de inverno, despedi-me de Ethan e voltei para minha casa. Rick estava sentado no sofá a ver televisão, enquanto que Karen, estava a ler uma das suas habituais revistas.
- Só chegas-te agora? – Perguntou-me ela, com um olhar fulminante.
- Não, já cheguei á muito mais tempo, mas tu ignoras-me tanto que nem deste pela minha presença. – Ironizei, terminando com um sorriso e aproximando-me do meu avô para lhe dar um beijo na cara.
- Sarah. – Repreendeu-me ele. Revirei os olhos e beijei o meu irmão na face. – Onde é que estives-te? – Perguntou-me o meu avô, tomando atenção a um jornal.
- Encontrei uma pessoa no café e fiquei na conversa. – Respondi, sentando-me no meio do meu avô e de Rick.
- Quem? – Perguntou o meu irmão, erguendo uma das suas sobrancelhas.
- Aposto que era o teu amiguinho, Francisco. – Cuspiu a minha irmã, secamente – era menos óbvio se escrevesse “ciumenta” a letras bem grandes na testa.
- Não, por acaso não. – Comecei por dizer, ajeitando-me no sofá para conseguir olhar para ela. – Por acaso, foi alguém que tu conheces muito bem. – Concluí, fazendo com que ela pousasse a revista no colo e olhasse para mim com um olhar chateado.
- Quem? – Perguntou ela, erguendo uma das suas sobrancelhas loiras e consegui ver um ligeiro gozo no olhar dela.
- O Ethan Blake. – Afirmei vitoriosa, fazendo com que o seu queixo caísse. Ela tinha uma paixoneta enorme pelo Ethan, ela já o tinha conhecido, mas foi apenas para tirar uma fotografia com ele no fim de um concerto.
- Quem?! – Perguntou o meu avô incrédulo.
- O Ethan Blake. – Repeti, olhando desta vez para ele, com um sorriso na cara. – Ele até me pagou o café e tudo. – Afirmei, contente.
- É bem, maninha. – Respondeu o meu irmão, obrigando-me a dar-lhe um soco no braço.
Karen levantou-se bruscamente e subiu as escadas para o seu quarto. Rick e eu ficámos a olhá-la enquanto que o meu avô, continuava a prestar atenção ao jornal.
- Alguém quer ir fazer um bolo? – Perguntou o meu avô, fechando o jornal, pousando-o em cima da mesa e levantando-se.
Rick e eu desatámos a rir que nem uns perdidos, mas lá nos levantámos e fomos ajudar o nosso avô a fazer um bolo.
***
Acordei com o meu telemóvel a informar-me que tinha recebido uma mensagem. Ainda a dormir, agarrei no telemóvel e abri a mensagem – dizia simplesmente “Bom dia” com o número de Ethan no fim. Sorri e levantei-me, para lhe responder com um “Bom dia”.
Saí do meu quarto e desci as escadas até á sala, onde me deparei com o meu irmão a conversar com Francisco, que desviaram a sua atenção para mim, quando eu cheguei á ombreira da porta.
- Bom dia. – Cumprimentou-me o meu irmão com um sorriso nos lábios.
- Bom dia. – Repeti, retribuindo o sorriso. Olhei para Francisco que me sorriu e eu retribuí o sorriso.
Dirigi-me á cozinha, onde aqueci um copo de leite e cortei uma fatia de bolo de manteiga feito por mim, Rick e o nosso avô ontem á noite. O meu telemóvel voltou a tocar e abri a mensagem do Ethan que me perguntava se eu tinha dormido bem ao que eu lhe respondi que sim.
- Às mensagens? – Ouvi a voz de Francisco perguntar á entrada da cozinha. Desviei o olhar do telemóvel e olhei para ele que me sorria. Retribui-lhe o sorriso e encolhi os ombros.
- Sou uma adolescente, estou na idade. – Respondi colocando o telemóvel ao lado do prato onde tinha o bolo.
- Não estou a dizer que não. – Respondeu ele, sentando-se na cadeira ao meu lado. – Então e quem é ele? – Perguntou-me curioso.
- Ninguém em especial. – Respondi, bebendo um bocado de leite da caneca.
- Bem, vou andando, o teu irmão convidou-me para andar de todo-o-terreno. – Informou-me Francisco, levantando-se e sorrindo para mim.
- Hum, espera, vou com vocês. – Disse, enfiando um último pedaço de bolo na boca e bebendo o resto de leite no copo.
Depois de pedir ao Rick e ao Francisco para esperarem por mim, fui até ao meu quarto e tirei o meu macacão vermelho, azul e branco do armário e vesti-o por cima das minhas jeans e da minha camisola, básica, preta e alças finas. Dirigi-me á casa de banho, lavei os dentes, escovei o cabelo e voltei a descer as escadas para o hall de entrada, onde Rick – com o seu macacão preto, amarelo e azul – me esperava juntamente com Francisco – com um macacão antigo, castanho e branco do meu irmão.
- Parece que alguém fica bem no macacão. – Gracejou Francisco, rindo-se com o meu irmão, deixando-me um pouco que perdida.
- Eu disse que odiava vestir o macacão porque me fica mal e ele disse que não devia ficar bem a ninguém. – Esclareceu o meu irmão que deve ter percebido que eu tinha ficado perdida.
- Desculpa, ainda não te tinha visto com ele vestido. – Respondeu Francisco, com um sorriso adorável.
- Oh, está calado. – Respondi eu, sorrindo e batendo nos braços de Rick e Francisco para eles saírem pela porta.
Quando estávamos a caminho da pista de todo-o-terreno, o meu telemóvel vibrou dentro do bolso do meu macacão. Tirei-o deste e li a mensagem que estava escrita –“Amanhã, no Starbucks?”, tinha escrito Ethan. Sorri espontaneamente e comecei a escrever nas pequenas teclas do telemóvel para lhe escrever uma resposta.
- Mensagem boa? – Perguntou-me Francisco, fazendo-me levantar o olhar do telemóvel para ele.
- Andas muito interessado nas minhas mensagens. – Constatei, fazendo com que ele ficasse atrapalhado.
- Só quero que tenhas cuidado. – Disse, por fim. – Quero dizer, já ouvi dizer que a família Blake teve muitos problemas com raparigas. – Concluiu, com um encolher de ombros e olhando novamente para a frente.
- Blake? – Perguntei eu, parando de andar. – Como é que sabes que ando a falar com um Blake? – Perguntei, fazendo-o parar e olhar para mim. – Foi o Rick, não foi? – Perguntei, chateada, passando pelo Francisco, mas este agarrou-me pelo braço e fez-me virar para ele.
- E ele teve razão. – Respondeu Francisco, de olhar pesado.
- Não, não teve. – Cuspi rispidamente. Olhei para o braço e Francisco, largou-mo. – Ele não tem nada a ver com a minha vida, muito menos tens tu. – Concluí olhando com raiva para Francisco.
Senti as mãos de Francisco a fazerem pressão na minha cara e a puxarem-na mais para ele. Tentei soltar-me das suas mãos, mas estas faziam demasiada força e não me conseguia soltar, fizesse o que fizesse. Num movimento mais rápido do que estava á espera, os seus lábios juntaram-se com os meus. Continuei a tentar desviar as mãos de Francisco da minha cara, mas não conseguia e, consequentemente, os nossos lábios continuavam juntos.
Francisco acabou por se afastar com um sorriso estampado na cara – quem é que ele pensa que é?! Primeiro mete-se na minha vida, a seguir beija-me contra a minha vontade. Levantei a minha mão direita e dei-lhe uma estalada na cara.
- E dizes tu para eu ter cuidado com o Blake. – Disse-lhe, secamente, virando costas e retomando o meu caminho para a pista, deixando Francisco sozinho.
Fale com o autor