Double Game (jogo Duplo)
3 Capítulo 3 - Dado Adquirido
- Vens ou não? – Perguntou-me, enquanto entrelaçava os seus dedos nos meus.
- Não sei, mas muito provavelmente devo ir. – Respondi, sorrindo-lhe, enquanto levantava a cabeça por ele ser mais alto que eu.
- Espero bem que sim. – Respondeu Ethan, baixando-se ligeiramente e beijando-me. Ethan e eu tínhamos começado a namorar á cerca de um mês e estava tudo a correr lindamente. – Queres ir para a minha casa? – Perguntou-me, dando-me um beijo no pescoço.
- Não posso. – Respondi sorrindo e afastando a boca dele do meu pescoço. – O Rick quer ajuda a fazer o jantar. – Expliquei, afastando-me dele e entrando num táxi que estava ali parado.
- É pena. – Disse enquanto se aproximava de mim e colocava os seus braços á volta da minha cintura, para me puxar mais para ele. – Vou ter saudades tuas. – Disse-me e esfregou o seu nariz com o meu, fazendo-me rir.
- E eu tuas. – Respondi, beijando-o. Ethan largou-me e eu entrei no táxi.
Quando chegámos ao portão da minha casa, saí do táxi e agradeci ao condutor, pagando-lhe. Entrei nos portões de ferro branco e fiz o longo caminho que ia deste, até á minha casa com as mãos nos bolsos do meu casaco.
Caminhei em direcção á cozinha, onde estava o meu irmão á conversa com Francisco. Boa, perfeito! Agora tinha de ir aturar este anormal.
- Olá. – Cumprimentei Rick aproximando-me dele e dando-lhe um beijo na face.
- Olá, maninha. – Respondeu-me e devolveu-me o beijo.
- Olá, Sarah. – Disse-me o Francisco, mas eu ignorei-o e fui ao frigorífico ver o que tínhamos para puder fazer o jantar. – Vais-me ignorar? – Perguntou ele. Sim, vou, ainda estava chateada com o que ele me tinha feito á três meses atrás.
- Tenho de ir buscar polpa de tomate. – Disse para mim própria, começando a caminhar em direcção á porta.
- Eu vou. – Ofereceu-se Rick e passou á minha frente, num passo rápido – tenho de me lembrar de odiar o meu irmão.
- Sarah, tu ainda estás chateada comigo? – Perguntou-me Francisco, com olhos de cachorro abandonado.
- Estou. – Respondi, voltando ao frigorífico para tirar as outras coisas que precisava.
- E o que é que eu posso fazer para deixares de estar? – Perguntou-me, colocando-se ao meu lado e colocando a sua mão por cima da minha. Tirei a minha rapidamente e virei-me de novo para o frigorífico.
- Um pedido de desculpas, ajudava. – Respondi eu, tirando mais algumas coisas e pousando-as no balcão.
- Não vou pedir desculpa. – Disse-me decidido. Olhei para ele, absorta. – Desculpas são para quem está arrependido e eu não estou. – Concluiu fazendo-me revirar os olhos.
- O orgulho é maior, não é? – Perguntei, enquanto começava a picar a cebola com a faca.
- Não tem nada a ver com orgulho. Eu consigo perfeitamente pedir desculpa quando estou errado ou arrependido, mas neste caso não estou nem uma coisa nem outra. – Respondeu-me, olhando pela janela. Lembrei-me do primeiro dia em que o vi, quando ele me salvou de me transformar em cinzas e quando ele me carregou até ao meu quarto porque eu estava demasiado cansada para andar e quando, uma vez em que ele esteve cá em casa, eu ia caindo para cima da mesa de vidro da sala, mas ele agarrou-me antes que isso acontecesse.
- Como queiras. – Respondi eu, aproximando-me um pouco dele, fazendo-o baixar o olhar para mim. – Eu perdoo-te. – Disse no fim, fazendo um sorriso aparece nos seus lábios.
- Obrigado. – Disse ele, aproximando-se mais de mim.
- Não te estiques. – Respondi, virando-me para o balcão e voltando ao meu terrível trabalho de picar a porcaria da cebola.
- Queres ajuda? – Perguntou Francisco, agarrando numa faca.
***
Ethan agarrava-me na mão e encaminhava-me até ao cimo das escadas. Andamos mais um pouco e entramos num quarto, supostamente, o dele. Olhei á volta – era giro, quero dizer, para um cantor Pop, era decente – as paredes eram verde lima, com alguns posters aqui e ali, havia uma secretária de madeira escura com uma cadeira rotativa azul muito escuro, quase preto, a sua cama era de casal e também era de madeira muito escura com uma capa azul, quase do mesmo tom do da cadeira.
- Então, gostas? – Perguntou-me, sentando-se na cama e colocando-me ao seu colo.
- Gosto, tiveste bom gosto. – Respondi eu, antes de ele me beijar. Coloquei os braços á volta do seu pescoço e ele colocou as suas mãos na minha cintura. Remexi-lhe em algum do cabelo castanho claro da nuca e ele começou a baixar as suas mãos, até á bainha da minha camisola rosa e agarrou-a com força começando a puxá-la para cima. – Espera! – Gritei, fazendo-o deixar cair as suas mãos. Levantei-me e ele fez o mesmo. – Eu não posso fazer isto, quero dizer, não o posso fazer agora. – Respondi, atrapalhada. Ethan sorriu-me e agarrou-me pela cintura abraçando-me.
- Não faz mal, eu não vou deixar de gostar de ti, por causa disso. – Sorri e abracei-o, colocando os meus braços á volta do pescoço dele e colocando-me em bicos de pés. Ficámos assim um bocado e depois separámo-nos para nos beijarmos.
Fiquei na casa de Ethan até escurecer e depois, disse-lhe que tinha de ir embora, senão o meu avô ficava preocupado. Lembro-me que durante o tempo que fiquei á espera, de Ethan fechar a porta do quarto, no fim das escadas, vi um vulto, bastante parecido com Ethan, mas ligeiramente mais baixo e menos musculado, mas eram praticamente iguais.
Quando cheguei a casa, Rick estava a ver televisão, enquanto que Karen e Francisco conversavam – e agora estavam mesmo a conversar. Entrei na sala e sentei-me ao lado de Rick a fingir que via televisão. Desde quando é que o Francisco conversava com a Karen?
- Ciúmes? – Perguntou o meu irmão, baixinho, só para eu ouvir, de sobrancelha erguida.
- Estás-te a passar? Porque é que eu haveria de ter ciúmes do Francisco? – Perguntei, no mesmo tom de voz que Rick tinha utilizado, olhando para a televisão de braços cruzados sobre o peito.
- Tonta. É claro que não estou a dizer que tens ciúmes do Francisco, tens é ciúmes da Karen, por ela se estar a dar bem com ele. – Respondeu-me o meu irmão, revirando os olhos e sorrindo.
- Nunca. – Respondi, olhando para eles os dois. A Karen tinha sido uma espécie de “segunda escolha”. Mas que raio? – Preciso de ar. – Respondi, saindo pela porta.
A noite estava fresca e ainda bem que assim era. Comecei a caminhar em direcção ao pequeno bosque que havia dentro da nossa propriedade. Era um sítio agradável, era pequeno, mas tinha imensas árvores, o que fazia com que ninguém conseguisse ver o que se passava lá dentro. Estava a sentir-me tão doente, mas sem razão aparente, quero dizer, eu agora namoro com o Ethan, porquê ficar importada com Karen e Francisco, afinal, eles estão perfeitos um para outro, já para não dizer que a Karen é e tem tudo o que eu não sou ou tenho e o Francisco é modelo, onde é que eu estava com a cabeça quando achava que ele ia ficar eternamente preso a mim?
- Posso? – Ouvi a sua voz perguntar atrás de mim. Virei-me, fazendo o meu cabelo rodar á minha volta.
- Claro. – Respondi acenando com a cabeça. Francisco avançou até mim, até ficarmos frente a frente.
- Está tudo bem? – Perguntou-me, com um olhar preocupado nos olhos.
- Está, claro que está, porque é que não haveria de estar? – Perguntei com um sorriso forçado nos lábios.
- “Preciso de apanhar ar”, boa deixa para dizeres que estavas com ciúmes. – Gracejou Francisco, rindo-se levemente.
- Ciúmes? – Perguntei, dando um passo para trás. – Porque é que agora anda toda a gente com essa coisa de eu estar com ciúmes?! Por amor de Deus, eu tenho namorado. – Respondi, virando-me de costas para Francisco e começando a enterrar-me mais no bosque. Senti um braço agarrar-me e a forçar-me a olhar para trás.
- Eu não estou a dizer que tens ciúmes por gostares de mim, estou a dizer que tens ciúmes por me achares um dado adquirido e agora estou a conversar com a Karen. – Explicou-me, fazendo ficar mais calma. – Acertei ou não? – Perguntou ele, largando-me o braço. Não respondi, apenas cruzei os braços sobre o peito. – Não te preocupes Sarah, fico contente se me deixares ser o teu dado adquirido. – Concluiu, com um sorriso, fazendo-me corar e deixar cair os braços. Francisco, puxou-me mais para ele, a partir da minha cintura e deu-me um abraço caloroso. Sorri e abracei-o com os braços á volta do seu pescoço.
- És o meu dado adquirido? – Perguntei, baixinho, ao seu ouvido.
- Agora e sempre. – Respondeu-me com um sorriso nos lábios e aninhou-se um bocado mais ao meu ombro. – Agora e sempre. – Repetiu, fazendo-me sorrir.
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