Double
7 Capitulo 6
Devagar, fechou as cortinas do escritório. Só ela e o sua sombra estavam ali a esta hora.
As unhas de tom escarlate deslizaram pelo teclado do telefone de forma elegante e sem presa. Momentos depois, o auscultador esperava pela resposta vinda do outro lado enquanto as unhas tamborilavam impacientes.
— Pagaram a fiança! – Responde a voz do outro lado sem lhe perguntar nada.
— Mas como? – Questionou ela sem medir o tom de voz.
— Mas descanse ela ficou completamente sozinha o nosso inspetor vai leva-la para o meio do nada, aquele vilarejo é horrendo se ela não morrer lá é milagre.
— Eu não quero que ela morra, quero-a viva! Ele está a caminho… tenho de me despachar. .. .
— Mas quem é ele? – Questionou a voz do outro lado.
— Não queira saber mais do que deve, obrigado pela informação, continue a estar do meu lado e será bem paga! – Dito isto desligou a chamada e levantou-se de forma elegante .
Quando abriu a pequena porta que dá para a rua, foi bafejada por uma ventania fria que corrompe a pele como uma lâmina afiada. Ninguém parece reparar, mas o sol está pálido parece medroso ou mesmo doente. As nuvens parecem compadecer da sua dor, o céu está cinzento e o ar muito gélido. Ela parece não se importar com o frio que lhe percorre as veias, acho que até lhe dá ânimo para continuar a sua curta caminhada. A sua imagem é elogiada a cada passo, ninguém consegue ficar indiferente á sua imagem, algo que lhe trás agrado, nunca olha para trás, adora sentir os homens babarem-se com a sua esbelta figura, mas o que mais lhe dá prazer são os olhares de esguelhas que as mulheres lhe mandam, cobertos de inveja e raiva por não poderem ser como ela.
Ao fundo da rua taciturna existe uma pequena casa quase engolida pela densa vegetação que cobre o jardim pouco estimado, gatos vadios fazem dos pequenos buracos esconderijos para poderem passar a noite. Sem ninguém por perto, fez uma chave entrar na fechadura enferrujada abrindo o portão com um rugido estridente. Poucas pessoas ousariam ali entrar, a imagem da casa não é nada agradável pode ser comprada a uma habitação de algum fantasma que assombra a cidade durante a noite. Mal consegue encontrar um lugar para pousar os pés, todo o chão está completamente coberto por uma densa e afiada vegetação que esconde atrás de si a entrada para a velha casa. Tudo nela parece gasto pelo tempo em que ficou abandonada, a cor das paredes fora sugada pela passagem dos anos, poucas janelas tem vidro, a maioria está trancada com tábuas pregadas ás paredes. Estátuas mal estimadas saúdam a visitante com o seu aspeto pouco agradável. Cuidadosamente conseguiu chegar até á velha porta, não teve de se esforçar para a abrir bastou um pequeno empurrão e as velhas tábuas caíram ao chão desgastadas e sem conserto.
Ninguém sabe os segredos que uma casa abandonada pode esconder dentro das suas paredes.
De uma sala aos fundos o som agitado de um televisor rasga o aparente silêncio que inunda a habitação, ela não demora a lá chegar. Há uma pessoa sentada num cadeirão velho de cabedal, pela divisão estão espalhadas saquetas vazias de uma matéria avermelhada.
— Temos de o alimentar o mais rápido possível ou ele irá morrer. – Explicou uma outra mulher que entrara sem pedir licença.
— Se tem de ser, já volto! – Suspirou entediada.
Não demorou muito a achar o alvo, era jovem, alto e a vitalidade percorria-lhe pelas veias. Não foi nada difícil chamar a sua atenção, como seria possível isso não acontecer?
— Será que me podias ajudar! – Pediu ela fazendo uma cara destroçada. – O meu carro não arranca, não sei o que se passa… .
— Claro, nenhum cavalheiro pode deixar uma bela mulher passar dificuldades!
Ela andou à sua frente, chegaram a um beco escuro onde não passava ninguém, o rapaz olhou-a achou aquela situação estranha, mas pensamentos menos decentes passaram pela cabeça, no entanto não se negou a ir com ela, afinal das contas o que poderia uma mulher como aquela fazer com ele? Nada que ele não quisesse, supôs ele …
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