Double
6 Capitulo 5
“Quando a gente está triste, qualquer beiteirinha faz a gente chorar”.
O caminho era imundo, o ar estava impregnado de poeira densa que ficava mais intensa á medida que o jipe passava. Não havia amostra de civilização em qualquer parte por onde olhasse. O único sinal de vida, eram as arvores e abetos que se multiplicavam por todos os lados tal como uma multidão zangada.
Ela evitava falar ou sequer mexer, estava tão desmotivada que o próprio soprar do vento na sua cara fazia uma pequena lágrima cristalina e frágil descer pelo canto do olho, naquele momento só queria desaparecer para um lugar onde não houvesse pessoas que lhe pudessem apontar o dedo por uma coisa que seria incapaz de fazer. Por mais voltas que desse na sua cabeça, a ideia da própria mãe a ter abandonado á sua sorte num momento tão difícil provocava-lhe um nó no estomago. Como é que alguém poderia achar que ela poderia matar Charles! Logo Katherinne, que beijava o chão por onde o namorado passasse se fosse preciso!
— Você parece uma criança! – Comentou Diego sem medir o tom de voz trocista – Ponha um sorriso nessa cara! Vai ter uma casa onde pode viver. Vai poder dormir descansada sem ter receio que alguém a possa matar a meio da noite. Pode inclusivamente festejar, vai encontrar mais pessoas com quem pode treinar a sua técnica de corte, assim voltará rapidamente para a prisão.
— Suponho que se refere a si mesmo! – Fintou-o ela com uma vontade enorme de o esbofetear.
— Isso é uma ameaça? Cuidado posso acusa-la de desrespeito á autoridade!
— Não acha que se tem em muito boa conta?
— Claro que não, perto de uma assassina que acabou de ser liberta por um bom par de notas…
— Por favor há criminosos reais que você beija os pés… desses você não tem medo, porque o seu ordenado e os extras parte deles não é? Hum, eu que não fiz nada sou apontada como uma assassina maluca… mas há certas pessoas que se dizem a autoridade mas aposto que escondem muitos podres! Diga lá, por quanto é que vende a droga que apreende aos traficantes que apanha? Não vai dizer-me que a queima?!
— Droga? Claro que não! – O olhar de Diego era desafiador – Eu faço outras coisas mais divertidas! – Katherinne fintou-o com um olhar interrogador – Não, não comece a fazer filmes na sua cabeça, porque nunca vais chegar lá.
Diego apontou para uma tabuleta velha na berna da estrada, uma letras medievais formavam a palavra “MoonStone”, um calafrio percorreu o corpo dela, parecia que estava a entrar num mundo à parte onde tudo poderia acontecer… .
— Nunca ouvi falar desta cidade! – Reparou ela.
— Ó não se preocupe, MoonStone é uma terrinha tão insignificante que nem consta no mapa, é uma cidade pacata, mas não relaxe aqui tudo acontece, algumas bruxas saem à noite nas suas vassouras! – Katherinne susteve a respiração, era mesmo o que ela estava a pensar – Vá, não faça essa cara, as bruxas não existem sabe… estava só a brincar, pare de ser tão inocente.
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