Double

4 Capitulo 3


O sol adoentado, tentava espreitar pelo véu enevoado que cobria o céu naquela manhã de segunda-feira.

Katherinne, vira-se empurrada para uma sela suja, não conseguira pregar olho. Sempre que o sono tentava apoderar-se do seu corpo, a imagem do seu recente marido estendido no chão assombrava-lhe a memória.

Uma mulher polícia de cara sisuda, veio busca-la para um interrogatório. Estava muito confusa, de pouca coisa se lembrava, mas tinha a certeza que não tinha sido ela a esfaquear tão macabramente Charles. Como poderia ter sido?

É de esperar a cara de sono com que o inspetor entrou, é um homem novo, deve enquadrar-se na faixa etária de Katherinne.

— Ora… Ora… O que temos nós aqui? Uma noiva assassina! Qual foi o motivo desta vez? Vingança porque descobriu que ele a traiu? Loucura? Admita logo para acabarmos com isto, para eu voltar para a cama!

— Eu não o matei! – Foi tudo o que respondeu com os olhos laços presos nos dele.

Entediado, o inspetor sentou-se mesmo á frente dela, respirou fundo e puxou a cadeira para trás pousando as botas sujas em cima da secretária. Katherinne, fez os seus lábios toldarem-se num trejeito de repulsa.

— Sabe quantas pessoas se sentam aí? – Katherinne fintou-o, já sabia onde ele queria chegar. – Sabe a quantidade de pessoas que se dizem inocentes, quando na verdade não passam de reles criminosos?

— Muitos… — Suspirou Katherinne.

— BINGO! Acho que é uma pessoa sensata, a faca estava na sua mão, todos os convidados são testemunhas… Confesse, não vale a pena estarmos a perder tempo.

— Não o matei! – Repetiu ela – Porque haveria de o fazer?

— Não tem como negar! Tem centenas de convidados que podem testemunhar contra si. – O inspetor debruçou-se sobre a mesa, fitando-a os seus olhos pareciam maiores agora que estavam cravados nos seus, ficaram assim por uns minutos, até que ele desviou o olhar e frangiu a testa.

Algo estava errado para aquele homem, porque quando a sua cara voltou a encarar Katherinne estava assustada.

— A Luz foi apagada, tudo ficou submerso na mais tenebrosa escuridão. Não se conseguia ver nada, os convidados estavam muito nervosos e começaram a ligar os telemóveis, mas de uma maneira inexplicável não funcionavam.

> Lembro-me de ouvir o meu pai a gritar com a porta que não se abria, estávamos ali traçados. As pessoas estavam a começar a perder a paciência, principalmente as crianças que não tardaram a começar a chorar. Como as entendia, a mim apetecia-me fazer o mesmo. Mas por muito que quisesse reagir o meu corpo não se mexia, entrei num total estado de pânico.

> Alguém gritou para nos acalmar-mos, reconheci de imediato a voz de Charles e comecei a não dar tanta importância á situação.

> Do nada senti uma presença á minha beira, pensei que era a minha amiga Ana que me tinha encontrado e finalmente me iria ajudar. Senti um toque suave no meu braço, era com toda a certeza a mão de uma mulher, ela fez-me agarrar em algo, não consegui reconhecer o que era devido á escuridão que nos envolvia, mas quando a luz voltou as pessoas ficaram em silêncio, no entanto não demoraram a suspirar de forma acusatória. Todos os olhares caíram sobre mim. Não me lembro de mais nada, mas eu não o matei! Amo o Charles!

> Não o posso ter matado! – Explicou por fim para quebrar o gelo, que não entendera de onde viera.

Violentamente, o inspetor arrastou-se na cadeira. Os seus olhos tocaram nos de Katherinne novamente, estavam a analisá-la pareciam estar á procura da verdade dentro deles. A mulher vestida de noiva sentiu necessidade de se desviar, sentia-se nua.

— As provas estavam na sua mão… — Recomeçou o inspetor a acusação.

— Será que não ouviu o que eu disse? Alguém me colocou uma faca na mão!

— Bem, estou a ver que não podemos ir a lado nenhum assim… amanhã será presente ao Juiz menina Katherinne.