Dormindo com o Inimigo
15 A calmaria antes da tempestade
O clima estava estranho à mesa do café. Ninguém sabia dizer o porquê, mas ao olharem para Ren e Tokiya era impossível não pensar que algo havia acontecido. Isso porque havia uma certa tensão entre os dois, atenuada pela forma intensa que o Jinguji o encarava.
— Hum... tá tudo bem? — Perguntou Cecil, quando não aguentou mais o clima tenso.
— Tá sim. — Respondeu o loiro, não deixando de encarar o Ichinose. — Por que?
Masato chegou até eles nesse momento.
— Bom dia, pessoal.
O cumprimento de todos perdeu força quando Ren se levantou e saiu, sem sequer olhar para o namorado. Todos se entreolharam, confusos.
— O que aconteceu? — Arriscou Natsuki. Masato suspirou, sentando-se à mesa.
— Ele está bravo porque eu troquei de quarto.
A informação pegou todos de surpresa, menos Tokiya, obviamente.
— Trocou de quarto? — Repetiu Ai.
— Com quem? — Continuou Reiji.
— Com Otoya.
Natsuki e Syo congelaram.
— I-isso quer dizer q-que... — Começou Syo.
— Você está no mesmo quarto que... — Continuou Natsuki.
— TOKIYA?! — Terminaram os dois.
— Sim. — Confirmou.
— Isso é um desastre!
Natsuki levou as mãos à cabeça enquanto Syo deu a volta na mesa, agarrando Tokiya pelo colarinho e o arrastando para longe, seguido pelo olhar curioso dos demais. Ao chegar em um local escondido dos outros, Syo o soltou. Tokiya se surpreendeu com o quanto Syo era forte, apesar de ser pequeno.
— O que você fez? — O tom do loiro era acusatório.
— Eu não tenho nada a ver com isso. — Defendeu-se. — Foi Otoya quem pediu pra trocar com ele.
Syo o olhou com desconfiança.
— E por que exatamente o Masato? Por que não eu, Natsuki ou Cecil?
— Talvez porque você e Natsuki sejam esquisitos demais pra compartilhar o quarto com uma pessoa normal como ele?
O loiro levantou uma sobrancelha, ofendido.
— Nós não somos esquisitos.
— Consegue imaginar um de vocês dois dividindo o quarto com Otoya? — Devolveu. Syo pareceu pensar.
— É... realmente. E quanto ao Cecil?
— Cecil não pode. Ele cuida do Hayato.
— Que, tecnicamente falando, é função SUA.
— O dia que ELE reclamar, eu mesmo faço isso. Mas ele gosta, então deixe ele lá.
Syo coçou a cabeça. Colocando dessa forma, parece que Otoya não tivera mesmo opção. Parecia não haver nenhum dedo do Ichinose nisso.
— Tá certo. Mas vou avisando: se você fizer algo que prejudique Masato, você vai se ver com todos nós.
Tokiya levantou uma sobrancelha.
— Posso estar enganado, mas não foi você que disse que ia me ajudar? Ou tá dando pra trás agora?
— Eu ainda não consegui pensar em nada que consiga te livrar, mas eu vou conseguir. Até lá, não mova nem um músculo, senão você já sabe.
E lhe deu as costas, voltando para o refeitório.
— Quem me dera ter tempo pra ficar esperando a sua boa vontade... — Balbuciou consigo mesmo.
oOo
Cecil aproveitava os últimos raios de sol à beira do lago, nos jardins da escola. Seu semblante preocupado em nada lembrava o rapaz alegre e confiante que ele sempre fora.
Ele estava preocupado.
Deitado, com as mãos atrás da cabeça, ele não viu quando alguém se aproximou.
— Aijima-san?
Ele se virou e viu Haruka em pé ao seu lado.
— Haruka... — Eles sorriram um para o outro.
— Eu posso me sentar?
— Claro.
Ela se sentou na grama ainda quente do sol que se escondia aos poucos.
— Você parece distraído. — Observou ela. Ele abraçou os joelhos, o olhar distante.
— ...
— Pode se abrir comigo. Eu prometo que não conto pra ninguém.
Ela sorria de forma meiga. Cecil soltou um longo suspiro.
— Eu estou preocupado... sabe... com tudo isso que está acontecendo.
Ele abriu os braços em um gesto largo.
— Como assim?
— Ah, sabe... Essas coisas com Tokiya... Do nada ele some, quando volta Otoya está bravo com ele... Agora ele trocou de quarto, Ren parece que quer decepar alguém... E hoje no café, Natsuki e Syo estavam agindo de forma muito suspeita... Esse tipo de coisa... Está acontecendo alguma coisa que eu não sei. Eu detesto não saber.
Ela pensou cuidadosamente antes de falar.
— Acho que em um grupo tão grande de amigos, é normal que tenham algumas desavenças, não é?
Cecil retorceu um pedaço de grama, sujando seus dedos de verde.
— Talvez sim... mas... sei lá, de alguma forma, sinto que não somos mais tão unidos quanto costumávamos ser. É como se nosso sonho estivesse se perdendo aos poucos.
Haruka não sabia o que dizer. Ela queria animá-lo, dizer que era só uma fase e que tudo ficaria bem, mas quem era ela pra afirmar tal coisa?
Em sua mente, uma ideia formou-se. Algo que poderia uni-los de forma única. Algo que só ela poderia fazer.
— O sonho de vocês não está se perdendo, vocês só estão se desfocando dele um pouco.
Ele olhou interrogativamente para ela.
— Hã? O que você quer dizer?
Ela não respondeu. No lugar, lhe deu apenas um sorriso travesso.
oOo
Cansado, Otoya seguiu direto para o quarto depois do jantar. Suas costelas doíam terrivelmente, ele achava que pelo menos uma estava fraturada. Teria que pedir licença no dia seguinte para ir ao médico.
Tomou um banho rápido e se deitou em seguida. Quando estava quase pegando no sono, escutou a porta se abrir.
— Ren... — Murmurou. — Por favor, não acende a luz...
Ele ficou agradecido quando Ren acatou seu pedido. Mas ele estranhou quando o sentiu sentar em sua cama.
— Ren, o que foi? — Perguntou sem se mexer.
— Não sou o Ren. — Respondeu a voz de Tokiya.
Otoya saltou, o coração aos pulos, e se virou esquecendo completamente a cautela.
— O que você está fazendo aqui? — Acendeu o abajur. — É melhor você sair, se Ren te ver aqui... não quero nem pensar!
— Ele está conversando com Masato, me expulsou do quarto.
— E por que você veio pra cá?
— Estava preocupado com você.
A maneira calma com que o Ichinose disse aquilo o deixou um tanto confuso.
— Quem é você e o que fez com o Tokiya que eu conheço?
Tokiya esboçou um pequeno sorriso.
— Eu só disse a verdade.
— Você nunca diria isso. Especialmente pra mim. Ou de mim... — Ele se confundiu com as palavras. — Ah! Você entendeu!
— Esqueça isso. Eu não tenho intenção de me explicar.
— Então o que raios veio fazer aqui? Além de quase me matar de susto?
O braço de Tokiya o empurrou levemente, forçando-o a deitar na cama. Em seguida retirou a coberta de seu tronco para então tentar erguer a camiseta que Otoya usava. "Tentar" porque obviamente Otoya o impediu quando percebeu suas intenções.
— O que você está fazendo!?
— Não precisa ter medo, não tenho segundas intenções. Só quero ver o seu machucado.
Otoya ficou sem reação diante de sua voz baixa e sincera. Aquele não era o Tokiya que conhecia. Quem era aquela pessoa?
Ele permitiu que Tokiya fizesse o que queria. O Ichinose ergueu sua camiseta e tocou a marca roxa com as pontas de seus dedos frios. A pele de Otoya se arrepiou e ele se sentiu corar.
Tokiya tirou do bolso um pote pequeno que trouxera, o abriu e pegou um tanto da pomada, espalhando cuidadosamente pelo local.
— Vai aliviar a dor. — Explicou.
— Como sabe que estou com dor?
— Você ficou se encolhendo o dia todo. É difícil não perceber.
O coração de Otoya martelava no peito enquanto o Ichinose continuava cuidando dele. Sua pele ardia, não sabia ele se era pela pomada ou pelo toque dos dedos de Tokiya. Ele queria sentir mais aquele toque gostoso, não só em seu peito, mas em seu corpo inteiro.
Como naquela noite, no hotel.
"Não posso pensar nisso." Censurou-se. "Se ficar duro, ele vai perceber."
Mas era difícil. Ele já sentia uma pequena ereção se formando nele e antes que fosse tarde demais, parou os movimentos de Tokiya.
— J-já está bom...
Tokiya tampou o pote e o guardou no bolso novamente. Em seguida voltou-se para Otoya e este sentiu os mesmos dedos que o cuidaram agora acariciando sua face. Os orbes azuis intensos de Tokiya pareciam negros na escuridão do quarto e a pequena luz do abajur refletia neles. Era como se estivessem em chamas.
Tudo que aconteceu em seguida durou menos de um segundo. Num impulso, sem saber como nem porque, Otoya virou repentinamente seu rosto para o lado. Ao se dar conta, percebeu que os lábios de Tokiya tocavam suavemente sua bochecha, onde antes estava sua boca.
Tokiya tentara beijá-lo.
— Por que...? — Sussurrou o Ichinose em seu ouvido.
— Você não beija na boca. — Ele repetiu as palavras ditas por Tokiya na boate, há tanto tempo.
— Já não nos beijamos no hotel?
— Você não lembra disso, então é como se não tivesse acontecido.
— Eu quero saber... — Começou ele, parando para cheirar o perfume de seu shampoo. Um arrepio percorreu o corpo de Otoya. — ...como é o seu beijo. O toque dos seus lábios... me deixe saber, Otoya...
Os sussurros em seu ouvido quase o enlouqueceram.
— Por que está fazendo essas coisas? O que você quer de mim?
— Não me peça pra explicar. E o que eu quero de você... — Ele afastou-se minimamente, encarando os olhos âmbar de Otoya. Seu dedão acariciou seu lábio inferior. — ...eu acho que é óbvio, não é?
Otoya não resistiu àquele jogo de sedução e entregou-se ao desejo ardente de seu corpo. Ele lambeu o dedo de Tokiya que o tocava e o moreno perdeu de vez a razão.
Os lábios tocaram-se timidamente, movendo-se com leveza sobre o outro. Novamente o ruivo pode perceber a inexperiência de Tokiya e como ele parecia não saber como fazer aquilo. Ele colocou as duas mãos em sua face e afastou-o somente o suficiente para conseguir falar.
— Eu falei pra você da outra vez... você tem que abrir mais a boca, senão não consigo usar a língua.
Tokiya tocou a ponta do nariz de Otoya com o seu.
— Então me ensina como fazer isso direito...
Nem em seus melhores sonhos eróticos Otoya podia imaginar um Tokiya tão sexy e sedutor quanto aquele que estava vendo.
"Puta que pariu! Eu não sei o que aconteceu com ele, mas por favor, que continue assim."
Otoya puxou seu queixo para baixo, abrindo mais sua boca e uniu-se novamente a ele. A língua ávida moveu-se com agilidade, provocando um arrepio gostoso no corpo do moreno. Seus braços envolveram o pescoço de Tokiya, as mãos bagunçando seus cabelos, aprofundando aquele contato íntimo que ambos compartilhavam.
Tokiya sentia seu corpo pegando fogo. Aquele beijo era completamente diferente de qualquer outro que já pudesse ter experimentado.
Ardente.
Excitante.
Muito excitante.
Ele experimentou mover sua língua sobre a de Otoya e a resposta que recebeu foi um gemido curto e abafado.
Ah, como ele queria ouvir mais aqueles gemidos. Seu corpo implorava por mais, pelo calor, pelo toque da pele de Otoya. O desejo era irresistível.
O ato lhes roubava o fôlego, e quando eles precisaram se separar em busca de ar, Tokiya empurrou seu queixo para cima, explorando seu pescoço com seus beijos molhados.
Um suspiro escapou pelos lábios de Otoya um segundo antes de ele recuperar um pingo de bom senso.
— Para... — Pediu com a voz fraca.
— Você não quer que eu pare. — Ele cravou os dentes na pele alva. Otoya arfou.
Não, ele não queria parar. Ele queria se perder no corpo de Tokiya mais uma vez, mas sabia que não podia. Aquele não era o seu quarto e tampouco os dois o dividiam como antes. E Ren podia entrar a qualquer momento.
Motivos para parar não faltavam.
— Ren vai entrar... e... aahhnn... — Ele gemeu com vontade quando Tokiya chupou o local que havia acabado de morder.
Tokiya estava completamente embriagado no cheiro do corpo de Otoya. Seu perfume era como afrodisíaco, o deixava cada vez mais excitado.
Sua mão ousada desceu e tocou a ereção de Otoya por cima da calça. Foi como se ele tivesse levado um choque. Sentou-se de um salto e empurrou Tokiya para longe.
— Para! — Disse categórico. Ele tinha plena noção de seu estado, completamente vermelho, seu corpo pulsando e um grande volume entre suas pernas. — Não podemos fazer isso aqui. Ren vai matar você, sabia?
— Então vamos terminar em outro lugar. — Sussurrou o Ichinose.
"Droga, não me tente assim!"
Como ele queria se entregar novamente, sentir o calor do corpo de Tokiya, seu cheiro, sua voz melodiosa gemendo de prazer.
"Quem iria deixar de desejar a vadia da escola?"
A lembrança das palavras debochadas de Tokiya o acordaram para a realidade.
"Não seja iludido. Você sabe que é só isso que ele quer, diversão com a putinha particular."
— Não. — O ruivo o afastou novamente, desviando seu olhar. — Eu sei o que você quer... isso é tortura sabia? Você faz essas coisas porque sabe que eu não vou resistir, não é? Você sabe que eu não consigo.
A mão de Tokiya tocou seu abdômen por cima da camisa e Otoya sentiu um choque gostoso em sua pele. Ele quase se rendeu. Quase. Ele se moveu bruscamente, segurando aquela mão que o torturava com firmeza.
— Eu quero que você vá embora. Eu ainda estou bravo com você.
Na verdade mágoa era uma descrição melhor para seus sentimentos, mas enquanto aquela desculpa pudesse salvá-lo de situações como aquela, ele continuaria usando. Tokiya entendeu que havia sido rejeitado e não insistiu. Levantou-se e observou Otoya deitar e se cobrir completamente.
— Eu não vim aqui com essa intenção. Eu só... — Ele passou a mão nos cabelos. — Foi mais forte que eu... — Ele observou o contorno de Otoya sob as cobertas com um aperto no coração. — Me desculpe, eu não quis te magoar.
Ele apagou o abajur e saiu.
oOo
Hayato desceu para o café da manhã com a sensação de que nem tinha dormido. Seu corpo doía e o fato nada tinha a ver com sua lesão. Ele não conseguira dormir por conta do que acontecera no dia anterior.
Hayato e Tokiya saíram dos quartos ao mesmo tempo. Eles se encararam em silêncio.
"É melhor que você não o veja por uns dias" dissera Otoya, mas ele não podia ignorar a presença de seu irmão ali. Ele abriu a boca para dizer algo, mas desistiu no último instante. O que ele queria dizer iria causar mais uma briga entre eles.
— Você está bem?
Hayato se surpreendeu com a iniciativa de Tokiya e assentiu.
— Precisa de algo?
Dessa vez ele negou.
— Não vai dizer nada?
O corpo de Hayato estava tremendo. Todas as células de seu corpo gritavam em agonia. Mas ele perdeu a guerra com ele mesmo quando Tokiya deu-lhe as costas e fez menção de sair.
— Nii...san...
Tokiya parou, permanecendo de costas.
— Já disse pra não me chamar assim.
— Mas aquele dia na ambulância-
— Aquele dia foi uma exceção que não voltará a acontecer.
O peito de Hayato apertou. Ele abaixou a cabeça.
— Entendido.
Tokiya continuou seu caminho, deixando-o sozinho. Então Hayato olhou para a porta de onde Tokiya saiu e ele franziu o cenho. Ele sabia que agora aquele era o quarto de Otoya, o que será que ele estava fazendo lá?
Desconfiado, parou num canto do refeitório à espera de Otoya. Ele não demorou a aparecer. Hayato observou de punhos cerrados Otoya e Tokiya trocarem um breve olhar e o ruivo desviar o seu, obviamente incomodado. Ele também percebeu que Otoya havia corado.
Sentindo um gosto amargo na boca, ele se aproximou da mesa.
— Bom dia.
— Bom dia... — Devolveu Otoya, estranhando seu tom seco. Olhou-o de soslaio, mas resolveu deixá-lo quieto.
Os dois comeram em silêncio por um tempo.
— Onde está a Nanami?
Otoya deu de ombros.
— Não faço ideia... Mandei mensagem pra ela, mas até agora não respondeu.
"É a oportunidade que eu preciso."
— Otoya... podemos conversar em particular?
— Hum, claro...
Hayato levantou-se e se dirigiu para fora da escola. Otoya o acompanhou. No jardim ladeado de pedras, havia um banco de madeira branco. Eles se sentaram ali.
— O que foi? — Indagou o ruivo.
— Otoya, preciso te questionar uma coisa. Promete ser sincero comigo?
— Claro. Eu não mentiria pra você.
— Certo... — Seu coração acelerou. — Você está tendo um caso com o meu irmão?
Otoya ficou completamente sem reação. Por muito tempo ele encarou o Ichinose com expressões vazias, mas sua mente trabalhava habilmente, tentando encontrar onde falhara em esconder esse fato.
— É c-claro que não! De onde você tirou isso?
— Você prometeu ser sincero. — Lembrou-o.
O Ittoki ficou sem palavras.
— Hã...
— Tudo bem, não precisa responder. Já está bem óbvio. — O outro olhou para o chão.
— Como você descobriu?
— Eu vi ele saindo do seu quarto ontem. E esse chupão no seu pescoço não é o que se chamaria de discreto.
— Chupão!?
Ele correu até a janela e viu que realmente havia uma mancha roxa em seu pescoço.
“Ai, meu Deus...”
A camisa do uniforme o escondia parcialmente e ele puxou a gola mais para cima, para escondê-la completamente.
Quando Otoya sentou-se novamente ao lado de Hayato, sentiu-se na obrigação de dar alguma explicação.
— Não é que estamos tendo um caso, exatamente... sabe, às vezes só... acontece...
Ele estava sem graça, mas não sabia dizer bem o porquê. Talvez por perceber que Hayato parecia extremamente chateado com a descoberta, fato que ele nem sequer tentava esconder. Apesar disso, quando Hayato olhou para ele, havia um sorriso em seu rosto.
— Por favor, você não precisa me dar satisfações.
Otoya sentiu um alívio ao ver o sorriso típico do Ichinose.
— Você não vai contar pra ninguém, não é?
— Claro que não. Isso nem é da minha conta.
O sinal ecoou pelo jardim, anunciando que as aulas começariam em breve.
— Obrigado... Hã... vamos? – Chamou Otoya.
— Pode ir na frente, eu já estou indo.
Assim Otoya seguiu na frente e deixou Hayato para trás. Este seguiu encarando a bela paisagem, mas sem de fato vê-la. O vento soprou forte de repente, jogando seus cabelos em seu rosto e ele levou a mão para afastá-los, aproveitando para enxugar as lágrimas que o manchavam.
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