Dorian Gray - My Sweet Demon
8 O Que Me Pertence
Notas iniciais
Despertei naquela manhã ouvindo os passos de uma das empregadas do senhor Gray, andando pelo nosso quarto. A mesma abria as cortinas daquele cômodo, deixando a claridade do sol adentrar, e aquecer meu rosto. Com os olhos ainda apertados, eu a fitei enquanto ela se virava para mim dizendo:
_Bom dia senhora Gray! _era tão estranho ser chamada assim.
_Bom dia! _respondi cobrindo meus olhos sentindo ainda um pouco de sono.
_O senhor Gray pediu que eu subisse para ajudá-la a se trocar e depois conduzi-la a sala de jantar para que beba seu café da manhã... _a moça de cabelos pretos falava ao procurar algo para me vestir.
Pensei em sentar-me na cama, mas percebi que estava nua debaixo daqueles lençóis e colchas. Fiquei um pouco sem jeito, quando ela se aproximou segurando um chambre de tecido fino, bordado e com algumas franjas que serviam para amarrar a veste ao corpo.
_Pode vestir isso senhora! _ela sorriu gentilmente.
Enquanto ela se virava de costas e andava até o guarda roupas de meu marido, eu aproveitei para vestir o chambre e então me levantei logo amarrando as franjas do mesmo ao redor de minha cintura, depois com os pés descalços eu andei até ela.
_O que pretende vestir esta manhã senhora? _perguntou ela mexendo em meus vestidos já devidamente organizados em um lado do guarda roupa.
_Procure um vestido azul céu, com bordados dourados nas mangas, por favor! _eu sorri mexendo em meus cabelos.
_Hum... _ela procurou dentro do armário então se virou para mim e disse. _Creio que o senhor Gray tenha doado tal vestido senhora...
_Doado? Mas quando? _franzi minha testa.
_Assim que suas vestes chegaram à manhã passada senhora, agora me recordo de tal vestido! _ela sorria sem mostrar os dentes tentando se desculpar.
_Tem certeza? _comecei a mexer no armário.
_Sim senhora... _ela me ajudou. _O senhor Gray na verdade se encarregou de encomendar vestidos novos para a senhora... Eles devem chegar esta tarde.
_Mas... _me afastei do armário. _Tudo bem, me entregue o vestido verde musgo que está segurando...
A moça apanhou tal vestido, e o colocou sobre seu braço e então me pediu que a seguisse, já que meu banho já me esperava no outro cômodo. Nós nos dirigimos pelo longo corredor até estarmos na outra sala. Ela temperava a banheira com sais e sabonete de banho perfumado, enquanto eu retirava meu chambre. Senti um liquido escorrendo por minhas coxas então levei meus dedos ao local e percebi que estava sangrando. Arregalei meus olhos enquanto analisava meus dedos, então a moça se aproximou.
_Minhas regras não estão para chegar, por que estou sangrando? _perguntei um pouco assustada.
_Imagino que a senhora fosse pura antes do casamento com o senhor Gray! _disse como uma irmã mais velha. _Sua mãe não lhe explicou que isso aconteceria? _ela tocou meu ombro me conduzindo a banheira.
_Não.
_O sangue em seus dedos significa que algo muito sensível dentro da senhora foi rompido quando teve seu primeiro contato com um homem. _ela sorriu me ajudando a entrar na banheira. _Não fique assustada, isso é normal.
_Mas é muito... _eu me sentei dentro da água.
_Às vezes é mesmo assim! Não se preocupe se não esta sentindo dores logo irá passar! _ela sorria gentilmente e isso me deixou mais calma.
A moça ajudou-me a esfregar minhas costas depois pediu licença.
_Vou verificar os lençóis da cama, imagino que eles também tenham vestígios! Eu volto assim que terminar seu banho senhora! Com licença! _ela curvou a cabeça e se retirou.
Fiquei dentro daquela banheira um pouco pensativa. Em minha mente as lembranças da noite anterior. Os olhares de Dorian, seu toque, minha perturbação ao estar em seus braços. Eu talvez tivesse me deixado levar pelo efeito da bebida, e me sentia um pouco culpada pelas minhas reações. Não sabia como iria encarar meu marido nos olhos, depois das coisas que fizemos. Desejava não vê-lo tão cedo, pois não sabia como agir diante dele. Minha mãe disse que uma moça não deveria saber o que estava fazendo em sua primeira noite com um homem, e mesmo sem não ter experiência alguma com homens, eu acabei me deixando levar por aquela sensação saborosa, e agora me sentia um pouco suja. Eu não amava meu marido, mas em seus braços durante aquela noite, acabei revelando algo que até então não sabia que existia dentro de mim. Estaria Dorian induzindo minhas ações para que eu fizesse o que ele queria?
Não demorou muito até que a moça regressasse a sala de banho, e me ajudasse a secar-me. Enquanto ela cobria minhas costas com uma toalha, eu olhava por uma janela de vidros coloridos, pelo qual nenhuma imagem podia ser vista de nenhum dos lados. Havia algumas figuras desenhadas, como de sereias e pequenas bolhas muito bonito.
_Bridget! _ouvi a voz de meu marido. _Desça para ajudar Greta com o café da senhora Gray... _ordenou ele. _Hillena pode se virar sozinha daqui pra frente.
_Sim senhor Gray! _ela se virou e se curvou. _Com licença senhora! _ela me olhou e se retirou.
Continuei de costas segurando a toalha sobre meus ombros cobrindo meu corpo nu. Percebi que Dorian fechou a porta daquele cômodo, e me atrevi a virar o rosto para verificar se ele tinha saído, mas para meu pavor ele ainda estava ali, e se aproximou em passos lentos. Dorian tocou minhas mãos, e retirou a toalha de entre meus dedos dizendo:
_Não precisa parar o que estava fazendo por minha causa. _disse com aquele tom de voz superior.
_Eu me sentiria mais a vontade se o senhor saísse... _respondi com voz mansa.
_O que eu disse sobre como deve me chamar daqui pra frente? _ele me virou pra si, e eu me cobri mais com a toalha.
_Me desculpe... _baixei meus olhos. _Dorian...
_Por que está se cobrindo? _ele tocou novamente minhas mãos dessa vez afastando a toalha de meus ombros. _Eu sou seu marido agora, tenho direito de ver minha esposa despida. _ele soltou a toalha aos meus pés e baixou os olhos sobre meu corpo.
Respirei fundo olhando em seus olhos, sem me mover. Senti-me como um animal acuado e desesperado diante de Dorian, como se eu fosse o objeto de sua caçada. Ele por sua vez, manteve o olhar compenetrado e sério, sem esboçar sequer uma reação, como quem analisa um quadro emoldurado em um museu. Então ele tocou meus cabelos ainda úmidos e depois se virou andando rumo à outra janela de vidro presente naquele cômodo que estava aberta e sentou-se apanhando uma pequena flor branca de dentro de um vaso e sentiu seu perfume suave.
_Vista-se Hillena! _disse sem me olhar. _Não faça os empregados dessa casa, ter trabalho dobrado com você, por que não consegue se vestir em tempo para seu café... _suas palavras foram rudes e me tiraram do transe em que eu me encontrava.
Dei alguns passos rumo a um cabide onde se encontravam meu vestido, e o restante de minhas vestes mais íntimas e comecei a vesti-las. Dorian me observava com o canto dos olhos, e eu fingia não estar vendo, fingia para mim mesma que ele não estava ali para evitar que meu rosto ficasse corado. Então já vestida eu me virei para meu marido e disse:
_Preciso de ajuda com o feixe. _disse com voz tímida.
Dorian levantou-se de onde estava, e caminhou em minha direção. Diante de mim ele me encarou com um sorriso sagaz, depois se dirigiu a minhas costas e depositou seus dedos no feixe do vestido ajudando-me a fechá-lo. Depois novamente em minha frente Dorian encarou minha face, e com a pequena flor branca ele tocou meus seios dizendo:
_Viu? Não foi tão difícil! _ele voltou a ficar sério. _Vamos! _ele ergueu parcialmente seu cotovelo para que eu o tocasse.
Dorian e eu descemos as escadas e nos dirigimos à sala de jantar onde a mesa já estava posta para meu café da manhã. Apenas meu lugar estava servido, então Dorian puxou minha cadeira para que eu me sentasse depois se sentou na cabeceira e pediu apenas um jornal para Greta, e acendeu um de seus cigarros mal cheirosos.
_Meu marido não vai me acompanhar? _perguntei enquanto Bridget servia minha xícara.
_O senhor Gray já tomou seu café... _respondeu ela, enquanto Dorian a encarava. _Sempre o faz bem cedo.
_Se seu sono não fosse tão profundo, e pesado quem sabe poderíamos tomar café da manhã juntos. _alfinetou ele, me olhando e depois começou a ler seu jornal.
Fiquei em silencio querendo evitar uma discussão logo em nossa primeira manhã como marido e mulher. Dei um gole em meu café que estava delicioso e quente, depois decidi tocar no assunto dos meus vestidos.
_Bridget disse que o... Que você doou alguns dos meus vestidos... _Dorian não desviou o olhar do jornal. _Por que fez isso?
_Seus vestidos estavam velhos, e desgastados... _continuou lendo.
_Mas havia vestidos novos entre eles, dos quais eu costumava gostar. Não acha que deveria ter me perguntado antes de se desfazer deles?
_Tudo que está nesta casa pertence a mim Hillena. _ele largou seu jornal sobre a mesa e me encarou. _Logo eu não creio que deva pedir permissão para fazer o que quero com os bens contidos aqui. E isso... _ele se levantou. _Inclui você.
_Eu discordo do meu marido... _insisti. _Do contrário dos objetos desta casa, eu não fui comprada... _disse enquanto ele passava pelas minhas costas.
_Não? _ele jogou sobre mim um olhar frio e irônico enquanto depositava sua mão sobre a mesa. _Devo lembrar minha esposa da quantia que gentilmente cedi ao senhor Potter?
Respirei fundo sentindo o peso de suas palavras, e esquecendo completamente das suas falsas gentilezas do dia e da noite anterior. Apertei o guardanapo em meu colo entre meus dedos, bufando de raiva de meu esposo, e me contive para não explodir, enquanto ele se inclinou e disse ao meu ouvido:
_Você é um dos meus bens agora Hillena! Não preciso pedir permissão alguma para ter o que quero de voce... _sua voz sussurrada voltou a me encher de pavor. _Você me pertence.
Dorian se pôs ereto e deu alguns passos rumo à porta de onde apenas disse antes de sair:
_Aproveite seu café da manhã... _depois desapareceu pela porta.
Mantive meus olhos fixos na mesa repleta de coisas saborosas, e me senti um caco. Era horrível saber que a visão de meu marido sobre mim, era a de uma mercadoria com a qual ele poderia usar e abusar a hora que bem entendesse sem que eu pudesse reclamar. Acabei perdendo metade do meu apetite depois de ouvir tais palavras serem proferidas pelo mesmo homem que me tratou tão gentilmente durante nossa primeira noite juntos. Senti meus olhos começarem a arder, e um desejo profundo de chorar se fez presente em meu interior, então respirei fundo sabendo que precisava ser forte. Estava sozinha naquele cômodo e sequer tinha alguém para conversar, e me distrair. Senti falta de Gillian e de minha mãe. Logo pensei em fazer-lhes uma visita à tarde, caso meu marido não se opusesse.
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