Dorian Gray - My Sweet Demon
10 Delírio e Contradição
Notas iniciais
Despertei na manhã seguinte com meu corpo completamente espalhado na grande e confortável cama de casal. Procurei entre os lençóis a presença de alguém, que não encontrei e que nem pareceu ter passado por ali, então me sentei e percebi que meu livro de estudo ainda estava sobre a colcha. Levantei-me e o coloquei no criado mudo, logo ajeitando meu vestido amassado e andei ate o guarda roupa para escolher outro vestido. Fiz exatamente o que fazia todas as manhãs quando ainda morava na casa de meus pais. Cuidei de minha higiene pessoal depois desci as escadas indo rumo à sala de jantar onde encontrei meu marido sentado na cabeceira da mesa, enquanto tomava seu café. Não sei dizer que horas eram, mas era cedo o suficiente para ele estar tomando seu café. Dorian ergueu os olhos quando me viu passar pela porta, e eu o encarei logo andando até a mesa.
_Bom dia Dorian! _disse ao me sentar ao seu lado.
_Vejo que caiu da cama! _disse ele pegando uma xícara de café bem quente.
_Pelo jeito eu não fui à única... _respondi o encarando.
_Pra ser sincero eu sequer dormi! _respondeu com ar sínico enquanto sorria.
_E onde esteve exatamente? _perguntei enquanto uma das empregadas me servia. _Percebi que apenas meu lado da cama estava bagunçado.
_Sentiu minha falta? _ele lançou sobre mim um olhar de canto.
_Esperei por voce para jantarmos, mas tive de comer mais uma vez sozinha nesta sala enorme e vazia... _sequer toquei em minha xícara.
_Estive ocupado... _disse vagamente.
_A noite inteira? _franzi minha testa assim como o resto de minha face.
_Como foi o encontro com Lady Burton? _ele me ignorou e apenas ergueu um das sobrancelhas.
_Bastante agradável. Com algumas exceções. _me servi de uma pequena torrada com mel. _Conheci Lady Michelle...
_Imagino que ela tenha ficado bastante contente em conhecer minha esposa! _ele riu ao aproximar a xícara de seus lábios.
_Ela tem um profundo apresso por voce meu marido! _ironizei. _Nem imagino por que!
_Não se pode dar tudo as mulheres! _ele devolveu sua xícara ao pires. _É impossível agradar a todas! _mais um sorriso sínico.
_Vai-me dizer onde esteve?
_Não! _ele se levantou.
_Dorian... _ele passou pelas minhas costas.
Dorian ignorou meu chamado e se retirou da sala de jantar me deixando sozinha, e sem resposta alguma. Encarei a empregada que estava me olhando com um ar de compreensão então perguntei em voz baixa:
_Sabe onde ele esteve?
_Não senhora... _ela sacudiu a cabeça rapidamente e se apressou a se retirar. _Devo arrumar a roupa de cama senhora, com licença.
A mulher estava se segurando para não sair correndo por aquela porta como um pé de vento, como se eu tivesse lhe perguntado o nome de um assassino procurado, que poderia ouvir nossa conversa e vingar-se dela por dar com as línguas nos dentes. Soube que a mesma devia ter alguma informação, mas que ela não me diria nem sob tortura. Não terminei meu café, e decidi seguir Dorian até a sala. Lá eu o encontrei sentado em uma poltrona lendo o jornal daquela manhã.
Cruzei meus braços e esperei que ele retirasse aquelas folhas diante de seu rosto para me olhar. Dorian não o fez, mas notou que eu estava ali, então se manifestou:
_Algum problema Hillena? _disse ele respirando fundo.
_Nos casamos a menos de um dia, e já estou me perguntando por que motivos meu marido não dormiu em casa... O que tem a dizer?
_Acho que não deveria franzir tanto a testa! _ele me olhou. _Ou vai acabar ficando enrugada antes do tempo, e perderá todo meu interesse!
_Se não quer ver rugas em minha face, deveria se preocupar em não colocá-las nela.
_Voce é quem deveria se preocupar em não me encher com essas perguntas irritantes... _ele se levantou e jogou o jornal sobre a poltrona.
_Onde esteve Dorian? _minha voz ficou fraca e senti um peso cruel em meu peito.
_Não creio que deva satisfações a você Hillena. _ele me encarou de canto enquanto se servia com alguma bebida.
_Então me diga apenas para satisfazer minha curiosidade... _me virei e o encarei.
Dorian apertou os olhos, e andou em minha direção, parou diante de mim, e tocou meus lábios com a ponta de seus dedos, e disse aproximando seu rosto do meu, com sua voz sussurrada e mansa:
_Você não vai querer saber! _ele sorriu por dois segundos e depois se pôs a sério.
Dorian passou por mim, enquanto baixei meus olhos e meu rosto em direção ao chão sentindo meus olhos umedecerem instantaneamente, sem sequer saber por que estava sentindo aquilo. Mas era a sensação mais cruel que senti na vida até o momento. Em meu intimo eu tinha plena certeza de que Dorian esteve com outra mulher, mas me negava a acreditar que ele seria tão canalha a ponto de cometer tal ato em apenas um dia de casamento. Se ele fosse tão cruel assim, eu estava mesmo prestes a uma vida infeliz.
_Agora, por favor, seja uma boa esposa e venha até aqui! _me virei e o vi sentado em um dos sofás.
_O que quer? _o encarei tentando segurar minhas lagrimas.
_Ora, não seja amarga! _disse com cinismo. _Vamos, venha até aqui, estou pedindo com educação!
Profundamente irritada, e despedaçada por dentro eu me movi pela sala e andei ate estar diante dele. Dorian me olhou com um sorriso de satisfação e segurou minha mão, logo me puxando para que eu sentasse em seu colo. Respirei fundo e desviei o olhar para o tapete enquanto ele acariciava meus cabelos levando-os para trás das orelhas e dizia.
_Tem o rosto perfeito de uma beleza imaculada! _sua voz era quase um sussurro. _Não lhe cai bem esta expressão zangada! _Dorian aproximou os lábios da lateral de meu queixo.
Dorian desceu os lábios rumo ao meu pescoço beijando-o lenta e graciosamente me causando certo desconforto. Ergui meus olhos em direção a porta envidraçada, enquanto ele deslizou seus dedos pela minha cintura e apertou-a com firmeza. Ele beijou o canto entre meu pescoço e meu ombro, me deixando arrepiada e isso me fez piscar os olhos.
_Senti falta do seu cheiro! _sussurrou ele ao meu ouvido. _Sua pele macia, e delicada!
Dorian movia seus lábios sobre minha pele enquanto uma de suas mãos descia pela parte de trás da minha cintura indo rumo a minhas nádegas logo as apertando com seus dedos firmes. Já sua mão livre avançou pela minha barriga subindo rumo ao meu decote, logo tocando um de meus seios. Dorian beijou a parte de trás de minha orelha, e mordeu a ponta da mesma usando sua língua para fazer certos movimentos. Senti o ar em meus pulmões falhar comecei a puxar a respiração rapidamente como se estivesse tendo um ataque de asma.
_Dorian... _disse em voz fraca quase inaudível tentando não ceder a suas provocações.
_Continue repetindo meu nome Hillena... _ele sussurrava cada vez mais, e acariciava meus seios.
Dorian deslizou sua mão até meu rosto e virou-me pra si, me encarando com aquele olhar profundo. Eu podia sentir seu hálito quente tocar meus lábios, então ele puxou-me para mais perto e selou meus lábios com um beijo. Eu deveria resistir àquelas investidas, afinal ele não merecia que eu lhe agradasse como uma esposa obediente depois de ter passado a noite fora, sem me dar sequer uma explicação, sem sequer se esforçar para me enganar como um bom marido faria. Mas minhas pernas não reagiam a meu desejo, e eu continuava permitindo que ele envolvesse meus lábios com seus beijos quentes, misturando sua língua a minha em um movimento lento, e delicioso. Eu o odiava de fato, mas não entendia por que daquela sensação forte que me atraia pra ele sempre que ele me tocava. Como eu podia ser tão fraca, e tão vulnerável a Dorian daquela maneira?
Dorian voltou a deslizar seus dedos pelo meu corpo, até me segurar firme pelas pernas e me erguer logo fazendo com que minhas pernas ficassem nas laterais das suas. Ele afastou meus joelhos para que eu me sentasse sobre ele, enquanto me beijava com fúria e erguia as saias de meu vestido. Eu tocava seu rosto segurando firme, tentando me afastar, mas o imã que me prendia a ele era forte. Dorian segurou firme meu traseiro e eu desgrudei meus lábios dos dele, e disse:
_Estamos na sala... _o encarei sem saber o que fazer.
_Não se preocupe com os empregados. _disse em tom baixo entre um sorriso. _Preocupe-se comigo! _ele puxou minha nuca e me beijou novamente.
_Dorian, eu... _afastei meus lábios e ele beijou meu pescoço.
_Repita meu nome... _ele dizia nos intervalos entre seus beijos. _Quero ouvir sua voz... Quero ouvi-la chamar por mim... _Dorian levou uma de suas mãos ate minha coxa por baixo do vestido.
_Não... _sussurrei tentando negar-lhe. _Eu não quero... Dorian... Não...
_Diga... _ele desceu seus dedos ate o centro de meu corpo, logo deslizando seus dedos sobre minha área intima me causando um arrepio que me fez erguer-me em seu colo e abrir os lábios em um gemido súbito.
_Não... _eu gemia tentando resistir. _Dorian não...
_Sim! _ele beijou-me novamente e senti-o sorrir. _Você quer... Posso sentir...
Dorian abriu seus lábios e seus olhos, enquanto eu o via. Ele apertava com graça seus dedos entre minhas pernas me deixando alucinada. Meu corpo começava a se mover sozinho por causa daquele toque. Céus! Que sensação deliciosa, meu corpo não obedecia minhas ordens. Eu queria me afastar, mas ele me obrigava a ficar. Meu corpo teimoso ansiava por mais... Céus! Onde eu estava com a cabeça? Dorian sorria movendo seus dedos e colocando-os dentro de mim, eu sentia-me úmida naquela região, o que facilitava sua invasão inoportuna, e me causava um delírio imediato. Acabei emitindo alguns sons que tive medo de serem ouvidos da cozinha. Eu queria parar, eu precisava, mas não podia...
_Ah! _minha tentativa de pedir que ele parasse se transformou em uma silaba.
_Chame por mim Hillena, vamos! _ele se divertia me acariciando.
Ergui meu rosto abrindo meus lábios esquecendo por fim onde estava, e ignorando os empregados e gemi o sentindo mover seus dedos com ainda mais precisão dentro do meu corpo me deixando fora de controle. Segurei minhas mãos ao redor de seu pescoço e fechei meus olhos sentindo um prazer imenso.
_Vamos Hillena! _sua voz parecia uma luz no fim de um túnel.
_Ah Dorian! _eu já não sabia mais de mim, já não controlava mais meus impulsos.
Eu só consegui imaginar o toque de seu membro invadindo os limites entre minhas pernas em nossa noite de núpcias, e eu o queria. Oh céus! Como eu queria sentir aquele pedaço de Dorian dentro de mim outra vez. Eu ansiava por aquilo, eu queria implorar para que ele o fizesse, e isso me levou a gemer seu nome outra vez, quase que sem querer.
_Dorian... _minha voz estava quase chorada.
Eu abri meus olhos e o encarei o vendo sorrir com os olhos, então ele retirou seus dedos de dentro de mim, me causando um vazio e um desespero terrível, que quase me fez implorar para que ele me violasse de novo. Mas apenas o olhei nos olhos, enquanto ele sorria em um sorriso largo de satisfação misto com deboche. Seu sorriso se transformou em riso, então franzi minha testa e ele me colocou sentada ao seu lado depois se levantou. Sem saber o que fazer, eu me encolhi no canto do sofá, e abaixei as saias de meu vestido olhando ao redor sentindo vergonha.
_Ah Hillena! _ele passou sua mão esquerda sobre os cabelos. _Você é mesmo fascinante! _ele sorriu se virando pra mim. _Tão contraditória!
_Eu não sou um de seus brinquedos Dorian... _disse me levantando.
_Não! Você realmente não é! _ele se aproximou de suas bebidas. _É muito mais interessante do que qualquer uma das minhas outras... Distrações! _ele sorriu.
Sem saber o que dizer, nem como agir, simplesmente deixei que a emoção tomasse conta de mim, e sai correndo rumo as escadas, subi os degraus as pressas enquanto minhas lagrimas começavam a cair por minha face. Eu odiava aquela parte dentro de mim que ainda assim o desejava. A sensação que se apossou de meu interior naquele instante, ao ver que Dorian caçoava de mim, e de minha ingenuidade diante de suas investidas, era algo pesado e cruel. Poderia atirar-me de uma ponte dentro de um rio em um dia de inverno rigoroso sem nenhuma peça de roupa apenas para castigar meu corpo por sua fraqueza humilhante. Mas ao invés disso, eu me tranquei no quarto e me joguei sobre a cama enquanto chorava minha vergonha diante de mim mesma. Apenas rezei para que Dorian não subisse aquelas escadas e me visse ali, me afogando em minha decadência.
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