Notas iniciais
: Prestem atenção neste capitulo, pois ele é muito importante, principalmente o momento nostálgico e revelador de Dorian. Ele explica em parte os motivos de suas ações desagradáveis, mas sem deixar evidentes suas razões. O que levou Dorian a agir dessa forma, ainda continuará sendo um mistério ate alguns capítulos em frente. Exceto para quem já conhece a historia de Dorian Gray que já deve imaginar seu segredo. Mas ainda assim, existe mais uma razão por suas atitudes com Hillena serem tão frias e calculadas. Isso, vocês saberão em breve! Espero que gostem do cap!

POVs Dorian Gray

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Em meu escritório ouvindo nada além do agradável silencio que ecoava por entre cada fresta daquelas estantes lotadas de livros que eu jamais lia, eu me deixei perder em meus pensamentos. Sentei-me em uma das poltronas em frente à mesa, com minha face voltada para a janela. Sentia um prazer estranho em ficar sozinho naquele cômodo, ouvindo apenas o som dos automóveis que passavam raramente pelas ruas lá fora. Mas fizesse o barulho que fosse, no exterior daquele cômodo, eu não me deixava incomodar. Degustei a fumaça de um de meus cigarros, apenas um dos costumes rotineiros que abracei para mim mesmo quando conheci um velho amigo, cujo qual eu não via há muito tempo, e não acreditava que ele estivesse sentindo minha falta, pra ser honesto. Nosso ultimo encontro não teria sido lá um dos mais agradáveis de fato, mas sua companhia era deveras estimulante, o que me causava certa nostalgia.

Por certo que o mesmo instigou em mim boa parte do que eu vim a me tornar naqueles dias. Mas não o culpo pelas coisas que fiz ao longo destes últimos anos. Acredito que cada homem seja responsável por seu próprio destino, e eu cumpri muito bem com minha parte. Mas às vezes perguntava-me como teriam sido as coisas se eu não tivesse conhecido meu velho e estimado amigo H. Talvez certo pintor estivesse certo afinal, quando me pediu para não dar ouvidos às teorias de H. Por certo que se existia algo que me incomodava profundamente era esta maldita voz em minha cabeça, cujos homens chamam de consciência. Por volta ou outra, eu me via sentado no mesmo lugar, com os mesmos pensamentos sobre meu passado, e sobre o que ainda faria futuramente. Gostaria que esta tal consciência sobre meus atos, simplesmente desaparecesse, mas ela insistia em me perturbar, e me cobrar todos os erros que cometi, mesmo que eu tentasse ignorá-la toda vez. E agora, sempre que olhava nos doces olhos de Hillena, aumentava ainda mais essa tortura em minha mente. Todo o seu pudor, e sua honra incontestável, a sua alma pura e imaculada, seu rosto de anjo, e sua pele de menina, faziam com que eu sentisse-me senhor de minhas ações, e ao mesmo tempo escravo delas. Hillena despertava o melhor de mim, e ao mesmo tempo o pior. Eu a desejei desde a primeira vez que a vi, e sabia que ela deveria ser minha de qualquer jeito. Eu não permitiria que nenhum outro homem a possuísse em meu lugar, Hillena era minha, deveria ser. Deixá-la envolver-se por outro homem, seria desperdiçar tudo que ela era, todo o potencial dentro de si. Qualquer outro homem a trataria de tal forma que apenas aprisionaria a força dentro dela, e sufocaria todo o seu intelecto. Diante de meu tratamento, Hillena ainda teria muitas razoes para me odiar, mas um dia ela iria entender que tudo que eu estava fazendo afinal, era para protegê-la, de homens como eu.

Deixei que tais pensamentos se desfizessem de minha mente quando ouvi Bridget bater suavemente a porta.

_Sim? _disse sem me mover.

_Devo pedir que o almoço seja servido senhor Gray? _perguntou ela com sua calmaria e servidão.

_Por favor, Bridget... _me preparei para levantar-me. _Também vá até meu quarto, e avise minha esposa... Ela está lá em cima desde a manhã, já deveria ter descido. _encarei Bridget que era uma das únicas empregadas naquela casa que realmente sabia como me servir.

_Sim senhor... Algo mais que deseje senhor Gray?

_Somente isso...

_Com sua licença... _ela curvou sua coluna como as criadas da realeza e saiu.

Em parte aquele estilo de servidão que partia de Bridget me levava a simpatizar mais com a moça. Era um comportamento devidamente requintado para uma serva, e eu jamais pertenci a nenhuma corte ou algo parecido para ser servido como tal, mas Bridget já havia trabalhado com uma família de altos títulos, e creio que estava acostumada a ser tão bem educada, e isso me agradava de fato, e me fazia nutrir certo respeito por tal. Deixei o cômodo e me dirigi a sala de jantar onde tudo estava pronto e esperei por minha esposa, creio que já tinha sido bastante cruel com a mesma naquela manhã, para deixá-la sozinha mais desta vez.


POVs Hillena


Acabei pegando no sono em cima daquelas colchas confortáveis, e despertei pensando que meus momentos logo mais cedo com meu esposo não teriam passado de um sonho desagradável. Senti uma sensação confortável ao pensar que poderia mesmo ter apenas sonhado com tal acontecimento, mas este sentimento se desfez logo ao ouvir baterem a porta. Levantei-me e atendi, avistando Bridget no corredor.

_Senhora Gray, o almoço já está sendo servido! _ela sorriu, era sempre muito simpática comigo. _O senhor Gray já a espera!

_Ele decidiu me fazer companhia desta vez? _respondi quase sem querer.

_Sim senhora! _apenas seus olhos brilharam.

_Diga que logo desço. _respondi um pouco ríspida.

Bridget baixou o rosto e se retirou. Fechei a porta, me sentindo um pouco arrependida de ter falado com ela daquela forma meio grosseira. Afinal, a pobre estava apenas fazendo seu trabalho e não tinha culpa do que seu patrão fazia. Aproximei-me do espelho de uma estante e fitei minha face tentando encontrar vestígios de meu choro matinal, e acabei encontrando algumas marcas ao redor de meus olhos, os cobri com maquiagem para não dar a meu marido o prazer de ter me feito sofrer por seus atos, e então com o rosto mais apresentável eu abri a porta do cômodo e depois desci as escadas rumo à sala de jantar.


...


O almoço foi devidamente desagradável como eu esperava, sendo que Dorian não abriu sequer uma vez a boca, nem para me insultar com suas palavras rudes. Por minha vez, eu sequer ergui meus olhos na direção de seu rosto para não perder o apetite. Quando já havia acabado de me alimentar, pedi licença e me dirigi à sala. Notei a presença de meu esposo no cômodo, mas não me movi, apenas continuei onde estava diante da janela que estava aberta admirando as pessoas que passavam pela rua.

_Esteve calada à mesa! _ouvi sua voz irônica. _Sente-se bem?

_Fala como se meu bem estar fosse de seu interesse esposo! _respondi como meu estomago digeria suas palavras.

_Já disse que sua satisfação é de suma importância para mim... _o olhei e o vi sorrir. _Esposa!

_Pois espero que se sinta satisfeito ao descobrir que estou muito bem! _o encarei com a face fria, enquanto ele me olhava com aqueles olhos malignos e se aproximava.

_Pois bem! Isso me agrada! _Dorian andou até mim, parando logo ao meu lado diante da janela.

_Diverte-se com isso não é? _o encarei, não podia ficar calada diante da raiva que estava sentindo de Dorian naquele momento.

_Está se referindo a que exatamente? _suas sobrancelhas se ergueram.

_Esse jogo... Com o qual brinca sem limite algum...

_Fala dos meus agrados, como se eles fossem uma coisa ruim! _ele andou até estar diante de mim.

_Da maneira como joga, fica evidente que pretende me ferir...

_Ferir voce? _ele franziu sua testa e tocou meu rosto. _Não! Não veja isso dessa forma... Apenas me dá um imenso prazer vê-la se contradizer diante de um mínimo esforço meu! _ele sorriu com aquele ar odioso.

_Não se sinta orgulhoso por seus triunfos... _afastei meu rosto. _Apenas permito que me toque por que assinamos alguns papeis que dizem que sou sua esposa. Caso contrário, nunca deixaria que pusesse suas mãos em mim. _me virei bufando e dei dois passos.

_Suas palavras são duras, mas... _Dorian disse segurando meu braço e me puxando para perto de si. _Não são verdadeiras... E você sabe... _ele me encarou profundamente.

_Pode me tocar... _aproximei meu rosto do dele. _Pode usar meu corpo o quanto quiser para sua luxuria. Mas jamais conseguirá entrar em minha mente, e contaminá-la com seus argumentos.

Apertei firmes meus lábios, encarando-o nos olhos, dessa vez sem medo algum do que ele poderia fazer comigo. Desde que eu pudesse pronunciar todas as ofensas que eu era capaz, para mostrar todo meu descontentamento para com ele, já me bestava, e deixava-me satisfeita. Dorian apertou seus olhos mantendo seu rosto próximo ao meu, enquanto segurava firme meu braço, e então disse:

_Seu esforço para me odiar, não convence sequer a si mesma! _notei um sorriso no canto de seus lábios.

_Iluda-se como quiser...

Tentei me afastar de Dorian puxando meu braço com força, mas ele segurou-me com ainda mais firmeza e tocou minha nuca com a outra mão apertando-a e puxando-me para junto de seu corpo, tocando meus lábios com os seus. Dorian me beijou com toda sua fúria tentando mostrar que estava no controle de tudo. Não importava o quanto eu me esforçasse para convencê-lo de que eu o detestava, e repudiava seu nome, ele sempre acabava me unindo a ele com seus toques insinuantes, e impetuosos. Era como se todas minhas tentativas de fazê-lo me odiar também, apenas o faziam querer-me ainda mais, com seus desejos sádicos. Nunca desde que nos conhecemos eu agi de maneira que o fizesse pensar que o queria de alguma forma, mas ele nunca se deixou influenciar por minhas ações desinteressadas, ao contrario, ele parecia me querer para si ainda mais, e eu não conseguia entender que tipo de desejo perverso era aquele que mesmo diante de minha total aversão, ainda despertava-lhe o interesse. Eu não estava disposta a cair diante dele outra vez, não enquanto estava com meu orgulho e moral totalmente afundados em um drama particular. Nunca imaginei que fosse capaz de tal ação furiosa, mas eu não tinha muita escolha naquele momento, então para me livrar dos beijos de Dorian, eu o mordi, não levemente para afastá-lo de mim, mas com força e muita raiva o suficiente para machucar seu lábio causando-lhe um corte que sangrou. Ele me soltou rapidamente assim que sentiu a dor dos meus dentes lhe ferir, e ringiu os seus dentes. Primeiro ele me encarou com aqueles olhos diabólicos, enquanto respirava profundamente levando os dedos aos lábios e vendo seu próprio sangue. Mas depois notei que sua expressão era de... Prazer. Como poderia sentir prazer na dor?

Virei-me rapidamente para sair dali, e me dirigi até a área exterior da mansão, onde havia uma área longa rodeada por folhagens que davam um ar menos obscuro aquela casa. Talvez fosse o único lugar realmente agradável daquela casa imensa, que mais parecia um mausoléu cheio de coisas antigas demais, e clássica demais para alguém com minha idade. Lá me deixei perder com a suave brisa que tocava meu rosto, me causando certo arrepio enquanto fechava meus olhos, arrependendo-me rapidamente do que havia feito. Dorian cobraria um preço caro por minha audácia, e eu estava ciente disso, mas estava feito, não tinha como voltar a trás.

Procurei um lugar para me sentar, e tentei livrar minha mente de todo pensamento desagradável. Tentei recordar meus momentos alegres em minha casa, com minha família, e principalmente com minha irmã Gil, a quem eu amava tanto e agora nem sabia quando poderia vê-la outra vez.

Notas finais
H é apenas a inicial do nome do tal amigo de Dorian, ainda não posso revelar quem é tal homem, sem revelar o segredo de Dorian, então... Aguardem que em breve ele voltará a ser citado!
OBS: NÃO ESQUEÇAM, amanha entre as 3hrs e as 5hrs eu posto o proximo capitulo!! bjus nos vemos nos reviews!