Dorian Gray - My Sweet Demon
18 Anjo Imaculado
Notas iniciais
Começando direto com a seqüência do dialogo iniciado no capitulo anterior! Prestem muita atenção em cada detalhe deste capitulo, desde a conversa de Henry com Hill, passando pela conversa de Dorian com H, ate o dialogo com Dorian com Hillena no final. É muito importante para a história. To enrolando um pouquinho antes de contar o segredo do Dorian pra mostrar como ele deseja ser perdoado pelas coisas que fez. Quero mostrar o lado mais frágil dele, e todo seu medo para que entendam o final! Que não vai demorar muito a chegar!
_Dorian me disse que o ultimo encontro de vocês não terminou bem... _resolvi atacar com uma pergunta antes de me ver desarmada. _O que aconteceu exatamente?
_Não quero incomodá-la com assuntos tão desagradáveis... _disse ele ao se levantar e me olhar.
_Nem Dorian, já que não me conta sobre...
_Então talvez devêssemos deixar tais assuntos de lado! _disse levando suas mãos aos bolsos.
_Está certo... _concordei. _Mas minha curiosidade não me permite deixar de perguntar-lhe sobre outro assunto...
_E qual seria?
_Sybel Vane... Tal nome foi citado na reunião de Lady Burton, e confesso que me deixou intrigada... Adoraria que Lord Henry me contasse sobre tal moça.
_Ninguém importante. _disse com ar de desdém. _Moça humilde, de família sem posses, cujo único talento era sua beleza incontestável. Era uma atriz de fato, e creio que fora tal motivo que levou Dorian a se encantar por ela. Tiveram um romance passageiro e até planejaram casamento. _baixou os olhos. _Mas Dorian perdeu seu interesse sobre ela. Uma pena, o que aconteceu depois...
_O que aconteceu? _franzi minha testa.
_A pobre moça não agüentou estar desinteressante aos olhos de Dorian. Foi encontrada morta. Em um rio, usando um vestido de cor azul céu, com mangas brancas, cujo mesmo teria sido dado a ela como presente por Dorian.
_Ela...
_Tirou a própria vida...
Tais palavras soaram profundamente assustadoras em meus ouvidos, principalmente por terem me feito lembrar-me de um de meus vestidos favoritos do qual Dorian fez questão de se desfazer assim que nos casamos. Agora, eu via um motivo para tal ação de meu marido. Talvez meu vestido simples, lhe trouxesse lembranças da tal moça chamada Sibyl Vane. Deixei tais pensamentos se apossarem de minha cabeça, enquanto baixava meu rosto e segurava o tecido de minhas saias.
_Dizem que ela estava esperando um filho de Dorian... _as palavras de Henry me fizeram erguer meu rosto novamente.
_Que coisa terrível... _senti pena de Sibyl.
_Um acontecimento horrível de fato.
_O que é horrível? _ouvi a voz de meu marido vinda do topo da escada.
_A decoração desta casa! _sorriu Lord Henry. _Estava aqui dizendo a sua esposa o quanto este imóvel parece frio, e claustrofóbico!
Não tive coragem de voltar meus olhos a meu marido, e apenas mantive minha cabeça baixa enquanto meus olhos fitavam a face um tanto quanto cínica de Lord Henry. Dorian por sua vez, fez a volta ao redor do sofá passando suas mãos pelo encosto e logo me olhando a face.
_Chegou há muito tempo Hillena? _disse ele em tom sério.
_Na verdade Hillena chegou apenas alguns minutos antes de você! _continuou Lord Henry com um sorriso amistoso. _Mal tivemos tempo para conversar!
_Estava apenas fazendo companhia à Lord Henry... _disse ao me levantar e fitar os olhos de Dorian. _Mas agora que você chegou, eu os deixarei a sós... Com licença Lord Henry... _fiz um gesto de cabeça depois passei por Dorian, e me dirigi às escadas.
Respirei fundo assim que cheguei ao segundo andar, fazendo uma breve parada para digerir as novas informações. Depois tentei não me abater com tais pensamentos, afinal, ambos pertenciam ao passado de meu marido, e acreditava que assim como Dorian pretendia esquecê-los e deixá-los para trás, eu também deveria fazer o mesmo.
POVs DORIAN
Fiquei intrigado com o que vi nos olhos de Hillena, e tinha plena certeza de que Henry estava mentindo por ela, como um dia fez por mim tentando esconder uma ação minha diante de uma antiga paixão. Temi que o pouco tempo em que ficaram na mesma sala, tivesse sido o suficiente para que Henry envenenasse a cabeça de Hillena com suas historias sobre mim. Aproximei-me do meu velho amigo, a quem eu costumava confiar tudo, até mesmo minha vida, e disse ao olhar em sua face, que agora já não fazia questão de sorrir.
_Vamos até meu escritório Henry. Teremos mais privacidade para conversarmos...
Henry concordou logo me seguindo.
Tivemos uma conversa diplomata. Mesmo sabendo que o sentimento de Henry por mim, agora já não era mais o mesmo que costumava nos fazer beber juntos, e contemplarmos a companhia agradável um do outro, eu ainda me sentia um tanto quanto melancólico a encarar a atual realidade entre nós. Alguma coisa em mim perturbava Henry, e talvez despertasse sua inveja. Eu não o culpava, já que em boa parte de nossa amizade, ele me viu fazer todas as coisas que ele apenas sonhara em praticar. Coisas que ele mesmo me dizia que eram boas de fato, para que um homem desfrutasse de sua vida, e não a desperdiçasse. Por certo que Henry aplicou suas teorias muito bem a mim, me convencendo de que elas eram o certo a fazer. Dediquei minha vida a prazeres e pecados que jamais desejei antes de conhecê-lo, e em parte talvez Henry fosse responsável pelo que me tornei.
Confiei cegamente em cada palavra dita por Henry, desde que fomos apresentados em uma reunião em sua residência. Sempre duvidei de que o que ele pregava a mim devesse mesmo ser levado em consideração, mas Henry provocava algo em mim que eu achava fascinante na época. Eu o via com olhos de admiração profunda, e talvez me arrisque a dizer que o ouvia como se o mesmo fosse meu próprio pai. Homem cujo jamais conheci. Henry acabou por se tornar a figura de maior influencia sobre mim e meus atos. Eu fazia exatamente o que ele dizia, sem sequer contestar, e às vezes o fazia apenas com alguns questionamentos que ele sempre rebatia com uma teoria fascinante logo me convencendo de que era aquilo que eu deveria fazer. Vivi minha vida de acordo com aquilo que Henry sempre desejou para si, mas jamais teve coragem de fazer, ou oportunidade para tal.
_Me diga Henry... _sentado em uma poltrona eu disse enquanto fumava. _Como vai Emily?
_Muito bem imagino. _respondeu sendo um pouco ríspido. _Atualmente está casada com um bom homem...
_Fico feliz por ela... _traguei meu cigarro desviando o olhar.
_Imagino que sim... _disse logo apertando os lábios.
_Digo isso de todo coração. Nutria um profundo apresso por ela, principalmente por ser sua filha.
_Não vim até aqui para falar de Emily com você Dorian. _ele se levantou mostrando não querer tocar no assunto. _Sabe bem que foi este o motivo de nossa ultima conversa não ter acabado bem.
_É verdade. O seu temor em me ver ao lado de Emily acabou por nos afastar. _apaguei meu cigarro em um cinzeiro.
_O conhecia bem demais para ter permitido que minha filha se iludisse romanticamente por você Dorian... _suas palavras eram profundamente amargas.
_Eu nunca teria feito nenhum mal a ela... Pode não acreditar, mas eu costumava gostar verdadeiramente de Emily. _me levantei.
_Como gostava de Sibyl Vane? _respirei fundo.
_O que senti por Sibyl nada mais foi do que uma ilusão...
_Então talvez tente me convencer que o que sentia por Emily fosse como o que sente por sua esposa.
_Eu amo Hillena. _respondi com firmeza. _Como talvez tivesse sido capaz de amar Emily, mas...
_Então mudemos de assunto... _disse rispidamente me encarando.
_Está bem. Também não me agrada falar sobre isso...
Trocamos um olhar mutuo de descontentamento, e depois seguimos com uma conversa que não durou mais do que deveria. Então sem mais demora, nos dirigimos à sala principal, e acompanhei pessoalmente Henry até a saída. Quando regressei ao interior da sala, senti como se algo estivesse perturbando minhas estruturas, superficialmente fortes. Senti-me como aquele garoto magro e tímido que costumava ser quando cheguei a Londres, mas não na ingenuidade e na curiosidade em descobrir coisas novas, mas na fragilidade. Imediatamente me dirigi às escadas e subi rumo a meu quarto, onde encontrei Hillena ajeitando seus cabelos molhados. Recém saída do banho, e envolvida em um chambre escuro, que provavelmente lhe cobria o corpo nu. Ela me fitou a face assim que passei pela porta fechando-a em seguida. Não disse nada, apenas voltou a olhar-se no espelho e ajeitar seus cabelos. Então enquanto eu apenas a observava encostado a porta, com os braços cruzados ela disse:
_Lord Henry já foi?
_Sim.
_E como foi a conversa?
_Bem.
_Qual o motivo de sua visita?
_Nada importante.
_Se sente bem? _ela me olhou.
_Sim. _descruzei meus braços e andei em sua direção fitando-a os olhos. _Sobre o que realmente conversaram?
_Nada. _ela desviou o olhar.
_Nada? _ergui minhas sobrancelhas sabendo que ela desejava me esconder algo.
_Apenas falamos da casa, e do casamento. Nada mais...
_Está mentindo... _disse sorrindo ao parar atrás dela.
_Não, não estou! _ela sorriu erguendo os olhos e me olhando através do reflexo do espelho.
_É boa demais para conseguir defender uma mentira... _disse olhando em seus olhos e a abraçando.
_Dorian, não estou mentindo. _ela ficou séria. _Como Lord Henry disse, eu cheguei apenas alguns minutos antes de voce descer... Mal tivemos tempo de trocar algumas poucas palavras...
_Eu a amo Hillena... _disse e beijei seu pescoço. _Henry pode saber todas as coisas sobre mim, mas esta informação ele não possui. Eu a amo. Nunca se esqueça nem mesmo duvide disso.
_O que tanto teme que eu descubra? _Hillena virou-se para mim.
_Eu fiz coisas terríveis. A verdade é que minha vida tem sido uma corrupção monstruosa... E haverá um preço.
_Não gosto quando diz essas coisas... Assusta-me vê-lo falar assim de si mesmo... _ela tocou os botões de minha camisa.
_Queria que soubesse... _baixei meus olhos sentindo um peso terrível em meus ombros.
_E por que não me conta? _ela tocou meu rosto com toda sua generosidade.
_Jamais me perdoaria... _e fitei a face.
_Como pode saber? _seus belos olhos brilhavam como se me mostrassem um pouco de esperança. _Eu te amo Dorian... Por que não consegue confiar em mim? Diga-me o que lhe atormenta... Deixe-me te ajudar...
_Não posso... _me afastei dela e andei rumo à cama.
_Dorian! _sua voz ficou melancólica.
Como eu poderia? Que direito eu tinha de dizer a ela?
Talvez seu coração bondoso fosse capaz de perdoar minhas transgressões, mas como se nem ao menos eu mesmo conseguia me perdoar? Eu apenas queria começar de novo. Ser bom, limpo. Mas como? Talvez o amor de Hillena me curasse de meus pecados. Talvez ela pudesse me tornar o que um dia eu fui, e deixei me envenenar com as coisas podres que foram oferecidas a mim. Se existia algo bom o suficiente para me libertar de meu martírio, e tocar minha alma tornando-a boa novamente, era o sentimento de Hillena por mim, e o meu por ela. Senti suas pequenas mãos enlaçarem meu peito, enquanto seu rosto tocava minhas costas. Segurei seus dedos enquanto mantinha minha cabeça baixa e fechava meus olhos.
_Eu amo você Dorian! _sua doce voz era musica aos meus ouvidos. _Eu não escolhi isso, mas eu o amo! Jamais o deixaria... Por sequer um momento... Confie em mim.
_Eu confio! _me virei abraçando-a e olhando em seus olhos que estavam tristes. _É a única em quem realmente confio. E não quero vê-la infeliz por minha causa! _sorri tocando seu rosto. _Jamais me perdoaria se o fizesse.
_Eu te perdôo seja lá o que for que tenha feito... _disse com toda sinceridade em seu coração. _Me parte o coração vê-lo assim...
_Escute! _segurei firme seu rosto e disse olhando em seus olhos para que ela tivesse certeza de minha total honestidade. _Nunca permitirei que nada, nem ninguém a machuque. Seria capaz de qualquer coisa para protegê-la... Um dia eu lhe direi tudo que precisa saber. Um dia saberá quem eu sou... Mas primeiro preciso que tenha plena certeza e segurança, de que nunca amei nada nem ninguém nessa vida mais do que a amo. Voce é tudo pra mim Hillena. É a minha vida agora. E jamais lhe faria mal algum... Acredita em mim?
_Sim! Eu acredito em cada palavra. Confio em você... E eu faria qualquer coisa por você... Qualquer coisa... _seus olhos estavam úmidos, e eu não podia fazê-la derramar sequer uma lagrima por mim.
_Não vai precisar! _sorri e a trouxe para perto depositando sobre sua testa um beijo carinhoso.
Abracei-a com força, como quem procura abrigo em um dia frio de inverno, e ao mesmo tempo como quem acolhe uma criatura indefesa e pura. Era assim que eu a amava. Era como Hillena era pra mim. Minha força e minha vulnerabilidade. Eu precisava protegê-la de mim mesmo, e faria isso lhe mostrando todo meu amor por ela. Ninguém fora daquele quarto seria capaz de entender meus sentimentos por Hillena, e apenas iriam usá-la para me ferir se tivessem a oportunidade. Não poderia deixar que ninguém se aproximasse dela. Ninguém...
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