Dorgas e Dominós
20 Capítulo 20 - Escola
Notas iniciais
Algumas pessoas gostam muito de gritar… mas enfim, a noite começou com a minha mãe gritando comigo porque eu dei o resto do omelete de espaguete pro furbie longo do meu irmão, o Tobias. Como o estômago dele também é longo esse filho da puta peludo come de tudo, outro dia ele tentou comer o caderno que eu tava usando para escrever os capítulos de Dorgas e Dominós, então a gente teve que eutanasiar ele.
Agora o Tobias está morto... bem, mais ou menos. Tecnicamente ele está em coma, mas eu gosto de dizer pros outros membros da família que ele está morto pra eles pararem de ficar mandando presentes pro Tobias.
Mas aí a noite terminou com eu e meu irmão falando sobre o Milton Nascimento porque, assim, o cara é um gênio musical!
Por algum motivo, eu tenho ouvido muito folk punk. Tentei ouvir um álbum do Pat Coelho e o meu irmão disse que a voz do cara é muito estranha, então agora estamos novamente ouvindo os mesmos álbuns que a gente já ouviu milhões de vezes.
Então tamos lá ouvindo aquelas porras de novo e o meu mano começa a falar do Milton Nascimento e sobre como ele é foda. Para você que não sabe, Milton Flamingos Nascimento foi o vocalista da banda Pássaros Musculosos, e se você não sabe quem são os Pássaros Musculosos saia agora daqui, mano!
Tem um álbum dessa banda que é o meu favorito, ele se chama Por Que Namorar Uma Pessoa Egoísta Quando Você Pode Namorar O Pai Dela. Eu ouvi esse álbum tipo umas cinquenta vezes, pra você entender o quanto ele é bom.
Eu estou me esforçando muito para produzir mais capítulos de Dorgas com a minha gangue do coração, eu só espero que os nossos três leitores gostem.
Na manhã de segunda-feira, Tomás Amarga finalmente acordou de sua longa e tranquila noite de sono. A janela do seu quarto estava aberta e para fora dela dava para ver um céu cinzento e cheio de nuvens que flutuavam no ar com a tristeza de um gnomo de jardim voltando para casa depois de sua primeira circuncição.
“Bom dia.” Ele murmurou para sua irmã Christina, que estava ocupada mexendo no celular, talvez escrevendo algo para uma de suas amigas.
“Bom dia…” Ela disse, vagarosamente. Seu olhar continuava fixo no aparelho.
Tomás se olhou no espelho e, rapaz, ele tava feio hoje. Seu rosto tinha ficado extremamente oleoso e as espinhas não paravam de surgir.
O garoto colocou o uniforme da escola de má vontade e foi tomar café.
O colégio Marias do Incenso, que era onde ele estudava, era um colégio feminino conservador, então o uniforme incluia uma saia com estampa xadrez que nem aquelas que aparecem nos filmes de adolescente. Tomás era um garoto, gênero masculino, só que ele também se parecia muito com uma garota por isso todo mundo tratava ele como uma desde o dia que nasceu. Era uma história muito triste.
Tomás sentou na mesa da sala de estar e enfiou meia dúzia de rolinhos de queijo dentro da boca com a velocidade de um furacão rebolante, porque era dia de aula e o muleke precisava fazer a mula mais rápida e chegar lá bem rapiDEX.
“Coma devagar, princesa!” Disse a mãe.
“Eu sou um garoto, mãe.” Corrigiu Tomás, e a mãe olhou pra ele como se ele tivesse dito a maior grosseria.
“De novo com isso? Eu já te falei que o gênero masculino não existe. Você tá caindo no papo dos liberais comunistas.”
Tomás revirou os olhos e voltou para o quarto apenas para procurar os seus fones de ouvido que só funcionavam de um lado. Ele nunca ia para a escola sem eles.
Os irmãos, Tomás e Christina, não andavam juntos. Christina ia para a escola sozinha e Tomás passava na casa da sua melhor amiga, Tamara Kadabra, pra eles irem juntos.
O garoto saiu até a rua com sua mochila, colocou um dos fones no ouvido e começou a ouvir o seu álbum do Dog Brasil Usuário, o cantor e criminoso de quem tanto gostava.
Tomás descobriu o DBU no tumblr porque um dos blogueirinhos era viciado nele. Um muleke chamado Xanuim que só postava sobre ele o tempo todo. Aí o Tominho ficou curioso e decidiu procurar as músicas do cara para ouvir e acabou que ele terminou fazendo download do seu novo álbum para ouvir no mp3.
Esse novo álbum se chamava Saco de Urubu e continha as músicas: A vaquinha que Deus rejeitou, Roubando de pano d'água, Sentando no periquito, A baioneta de São João, Assassinato na rua da ereção (feat. Nicki Minaj), Calçada do dinossauro, A caverna dos sete pelos, Comendo o pitbull e Horny Guy.
Basicamente, aquele era um álbum muito fodão e Tomás tava gostando demais dele.
O caminho para a casa de Tamara era curto, o que era bom. O garoto chegou lá em apenas alguns minutos.
Era uma casa grande e cor-de-rosa cercada por uma cerca branca. Tominho bateu na porta, mas ninguém respondeu, então ele apenas assumiu que a mãe de Tamara devia estar dando aula e foi direto para a janela dela.
Felizmente para ele, a janela estava aberta.
"Tamara, nos encontramos novamente!" Ele declarou, pulando para dentro do seu quarto. "Bom dia!"
A morena acordou com o barulho e se virou em direção ao amigo.
"Bom dia? Que horas são...?
"Você esqueceu que hoje é dia de escola, né?"
"Hoje é dia de escola? Eu não posso ir amanhã?"
Tamara havia passado a noite lendo livros de bruxaria como sempre.
"Não, você não pode ficar faltando. Vamos!" Disse ele. "Levanta, Tamares!"
"Pare de ficar me chamando de Tamares." Reclamou ela.
Tamara se levantou, colocou a roupa e eles foram para escola enquanto conversavam pelo caminho.
“Imagina se tivesse um Menino Malucrinho Teen.” Começou Tomás. "Um Teen Crazy Boy 2000x."
“A gente devia escrever um Menino Malucrinho Teen.”
“Ia ser que nem a Turma da Mônica Jobem, so que aí o Big Mouth entra em depressão e o Junim vira homofóbico.”
Isso fez ela rir.
“E O JUNIM SE TORNA HOMOFÓBICO!”
“É, e ele fica julgando a relação do Malucrinho e o Big Mouth.”
“Mas eles são só amigos…”
“Não!” Disse Tomás. “Eles vão ser tipo um casal, e o Herman vai ser tipo…”
“O Herman tem muita cara de quem seria homofóbico.” Comentou Tamara.
“O Herman vai crescer e ficar igual aquele cara do It que escreve o nome na barriga dos garotos, só que aí o Malucrinho se reúne com o Big Mouth e o Junim e eles matam o Herman.”
Os dois começaram a rir que nem duas bruxas lésbicas fazendo poção de histeria.
“A gente precisa escrever um crossover de Menino Malucrinho com It.”
“É, só que seria melhor se a gente não publicasse…”
“Seria muito bom.”
“E o que vai acontecer com os outros amigos do Malucrinho? Tipo, tinha aquele garoto que era japonês...”
“Ele vai ser o cara que apresenta a turma ao universo pornô do Minecraft.”
“Só que aí...” Continuou Tomás. “O Malucrinho vai chegar pra ele e vai ficar assim ‘E aí Sugiro, eu sugiro que você MORRA’ aí no dia seguinte o Sugiro vai morrer de formas misteriosas.”
(Na verdade, o Sugiro foi assassinado pela polícia secreta do Rio de Janeiro em 1927, mas a Rede Globo acobertou o caso.)
“POR QUE TÁ TODO MUNDO MORRENDO NESSA HISTÓRIA?!” Perguntou Tamara histericamente.
“Porque sim, mas aí o Lúcio vai pro espaço e morre.”
“Mas ele é adolescente, ele não pode ir pro espaço.”
“Fodasse, o Lúcio quebra padrões.”
“E o Herman é homofóbico.”
“O Junim também é, só que a diferença é que o Junim não se revela, porque ele sabe que se ele se revelar o Malucrinho vai matar ele.”
“E o que acontece com a Julieta?”
“Ela se casa com a Carolina.”
“Aí elas adotam o Junim.”
“SIM!” Disse Tomás, rindo. “O Junim vai ser o filhinho delas.”
“Sendo que ele tem a mesma idade que elas.”
“Mas elas adotam o Junim.”
“E o que acontece com o Malucrinho?”
“O Maluquinho manda aids pro Bocão pelo correio.”
“Como que isso acontece?”
“Eu não sei, mas essa história é linda.”
“Essa história é linda demais, todo mundo morre.”
“Mas e a Shirley Valéria, o que vai acontecer com ela?”
“A Julieta vai matar ela porque a Shirley é homofóbica também.”
“É verdade, a Julieta precisa matar a Shirley com as próprias mãos.”
“Tive uma idéia: A Julieta mata a Shirley só que a Carolina assume a morte, dizendo que foi ela que matou a Shirley pra salvar a Julieta de ir pra prisão, aí a Julieta fica puta porque perdeu a namorada e decide se tornar uma serial killer. Ela então mata a professora da turma e os pais do Junim.”
“Todo mundo se torna serial killer nessa história.”
“É, tá todo mundo fodido, mas aí o Menino Malucrinho manda os pais dele pro hospício porque eles não aprovam a relação dele com o Bocão.”
“Meu Deus, essa é a história mais fodida de todas.”
“A melhor parte é o Lúcio que só vai pro espaço e morre.”
“Triste.”
“Tipo, nem tem uma explicação do por que que ele morreu, ele só morreu mesmo, ele simplesmente foi pro espaço e morreu.”
“Talvez a nave dele tenha batido na lua.”
“A nave dele bate no satélite que o Menino Malucrinho comprou.”
“O Menino Malucrinho comprou um satélite?”
“É, pra matar o Lúcio! O Menino Malucrinho hackeia a NASA e ele checa o lugar exato para onde o foguete do Lúcio vai só para colocar um satélite lá no meio pra matar ele.”
“E os pais dele vão pro hospício por serem homofóbicos.”
“Sim, porque a homofobia e uma doença mental.”
“A melhor parte é que o Junim é homofóbico também e por causa disso ele nunca cresce. Ele tem dezoito anos mas o seu corpo continua sendo o corpo de uma criança.”
“E todo mundo morre.”
“E aquela garota gordinha que tinha na turma?”
“A Jô comete um ato de canibalismo e devora o Bocão vivo.”
“Todo mundo vai morrer nessa porra.”
“E no final só vai restar o Junim vivo, aí ele vai tirar os pais do Malucrinho do hospício e ir morar com eles já que os pais de verdade dele morreram.”
“Como que a Julieta vai morrer?”
“A esposa dela, a Carolina, vai estar na prisão com a Janaína, aí elas matam todo mundo e depois elas mesmas porque a Janaína injetou dois litros de sangue de barata na Carolina… aí a Julieta fica viúva e morre.”
“Aí o Junim vai ficar orfão.”
De repente, eles perceberam que estavam passando pertíssimo da velhinha do jornaleiro e imediatamente calaram a boca.
“Oi, dona Frida!”
“Bom dia, meninos!”
Eles ficaram em silêncio por mais um minuto até que…
“Aonde a gente parou?” Perguntou Tamara.
“O Malucrinho tá com depressão depois de tudo o que aconteceu, mas não vai fazer muita diferença porque todos os personagens dessa história morrem mesmo.”
“O Malucrinho precisa BATER nessa depressão!”
“Aí ele vai ser preso e morrer na cadeira elétrica.”
”Tem algum personagem do Menino Malucrinho que a gente esqueceu?”
“Tem aquela garota de cabelo verde, acho que o nome dela é Pagu…”
“O que vai acontecer com ela?”
“Ela vai engolir tinta e morrer.”
“Ela vai se casar com o Junim e o Junim vai matar ela.”
“Mas isso é pedofilia… O Junim tem dezoito anos só que ele ainda se parece com uma criança.”
“Verdade…”
“Ela não pode se casar com Junim!”
“Então o que vai acontecer com ela? Ela precisa morrer maravilhosamente.”
“Ela vai comer tinta e morrer de intoxicação alimentar.”
“Ela vai pro apartamento subterrâneo do Junim e se afoga na piscina dele, aí o Junim acorda e vê uma garota morta e fica tipo ‘Por que tem uma garota morta na minha piscina?' Aí uma música de sitcom começa a tocar no fundo."
“Ela devia ter ficado com a Simone.” Refletiu Tamarai.
“Mas é isso a história, todo mundo vai morrê, pronto!”
“Exceto o Junim.”
(MAS NÃO SE PREOCUPA, O JUNIM NÃO MORREU. ELE NUNCA MORRE, FIM DE HISTÓRIA.)
“E, finalmente, a fábula acaba sobre quando o Junim mais velho de barba, fumando cigarro e andando nos becos das ruas à meia noite pensando em todos os momentos que ele se divertiu com seus amigos antes de todo mundo virar serial killer e morrer.”
Justamente quando Tomás disse isso, os dois perceberam que haviam chegado na escola.
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