Dorgas e Dominós
18 Capítulo 18 - Paraíso
Notas iniciais
A infância de Fernando Vidas-Mortas foi uma bosta flamejante. Quando ele era pequeno, Hayun, a sua mãe, ficava saindo de casa todo dia pra beber vodka com alho no barzinho do Inferno e Feliciano, seu pai, ficava xingando todos os homossexuais que apareciam na TV e pegando a vagabunda chata da sua secretária, Nilse.
Às vezes, ele ia visitar sua prima (quando ela ainda se entendia como um garoto) e isso era divertido, mas na maior parte do tempo a sua família era uma droga.
Espera, calma, que agora vai ter um flashback do passado bem gostoso…
(FLASHBACK DO PASSADO PRA QUANDO O FERNANDO ERA CRIANÇA E ACHAVA QUE ERA HÉTERO)
Tava eu, Fernandinho, jogando bakugan sozinho no recreio. Eu tinha 10 anos de idade e nenhum amigo então, lógico, a minha vida era uma depressão pastosa.
A única coisa que me impedia de cometer suicídio era o meu bakugan, que eu dei o nome de Gasosa. Eu costumava colocar os meus bakugans na boca toda noite antes de dormir, eles me traziam alegria de várias maneiras diferentes, sem eles a minha vida seria uma merda.
Ok, mentira, a minha vida continuaria a ser uma merda, uma super merdita, mas aquelas bolinhas coloridas ajudavam me deixando menos solitário.
Basicamente, eu gosto de bolas.
Mas fodasse, eu tava lá sozinho e me divertindo à beça com a Gasosa quando, de repente, ouvi passos altos vindo na minha direção. Ao me virar para trás, me deparei com o Billy Fimosilva e sua gangue de delinquentes juvenis.
Pra você que não sabe, há uma máfia brasileira na minha escola, e o Billy é o líder dela. Se você mexer com o cara, no segundo seguinte tu perde sua virgindade, é assim que funciona. Todo mundo tem medo do Billy, menos eu. Embora eu sempre acabo me fudendo pra caralho, eu nunca fico de cabeça baixa.
“E aí, leke? Vamos, passa o dinheiro pro papai aqui.” Disse Billy, com as mãos nas coxas.
“Mas hoje eu tô sem dinheiro..." Esvaziei os bolsos e tudo que saiu deles foi uma bonequinha de bebê peladinha, uma daquelas que você encontra nas lojinhas.
“Que porra é essa aqui?”
“Tua mãe KKKKKKKKK” Eu zombei da cara dele e taquei o boneco direto no seu olho, cegando-o.
“AI MEUS OLHOS. PEGUEM O MELIANTE!” Gritou Billy, putasso, e logo em seguida a sua gangue foi me perseguindo.
Corri que nem um papa-léguas com caganeira, mas isso não foi o suficiente para escapar deles. Billy e seus confrades criminosos me cercaram e meteram chute após chute.
"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA PAREM COM ISSO, SEUS AZEITONAS SELVAGENS!”
“Vamos acabar com ele!” Gritou Tôninho Trakinas, o braço esquerdo de Billy. “Isso aí, vamos fazer ele sofrer!”
Fiquei acabadaço mano, o meu corpo virou pózinho de miojo.
Enquanto eu morria de dor, Billy e seus filhos da puta riram da minha cara e então roubaram a minha bonequinha de bebê e se mandaram.
VOCÊ FAZ IDÉIA DO QUANTO EU SUEI PRA COMPRAR AQUELA BONECA? FORAM CINQUENTA CENTAVOS DIRETO DO MEU BOLSO.
Fiquei triste e deprimido.
“Nossa, você está horrível!” Disse uma menina, chegando perto de mim. Instantaneamente, comecei a ter uma reação alérgica... acho que o nome disso é amor.
Me enchi de amor por essa menina que tinha acabado de conhecer, tanto que o meu corpo inteiro se encheu de bolinhas vermelhas.
“Oi…” Falei. “Meu nome é Fernando.”
A garota tinha cabelo castanho e estava coberta de pêlo de gato, ela era uma mini catgirl!
“Meu nome é Tamara. Desculpa se as minhas mãos estão sujas, é que eu tava fazendo bolinhos de lama.”
“Você quer jogar bakugan comigo?” Perguntei.
“Bora”, ela disse, sorrindo. Senti meu pinto-canhão crescer e ficar forte.
Meu pai me ensinou sobre o sexo hétero quando eu tinha oito anos, por isso agora sei mais sobre heterosexualidade do que todos os meus colegas de turma, até mesmo Billy e Toninho.
Tentei pensar em algo nojento pra esconder a ereção que acontecia dentro do meu cérebro, mas a primeira coisa que me veio à cabeça foi o Billy Fimose de bermudinha.
Fudeu.
“A gente vai brincar ou não, Fernando? Tu tá com essa cara de crime de ódio.”
“Ah sim, bora! Vou pegar a Gasos-.”
“Hm?”
“Nada não...”
Caralho muleke, essa foi por pouco. Se ela tivesse percebido eu ia tá fudido.
Mas aí a gente passou o resto do recreio brincando de Bakugan, foi divertido. A única parte que não era muito legal era o fato de eu estar quebrado até os ossos.
O sinal tocou e todo mundo voltou para a sala de aula. Eu andei com eles mas com dificuldade pois o meu corpo estava completamente acabado e arrasado. Todas as partes dele doiam.
Billy fez uma careta pra mim quando passei por ele com a Tamara. O maldito não tem vergonha na cara…
“Então, turma…” Começou a professora Giandra, de português. “Hoje a gente vai fazer um trabalho especial para o dia dos pais. Todo mundo vai pegar uma folha de papel e escrever uma carta para o seu pai.”
Beleza, mano, eu tava cheio de inspiração então aquela carta ia ser a mais foda da turma. Peguei uma folha de papel laranja e escrevi algo lindo:
FELIZ DIA DOS PAPITOS
VOCÊ É UM PAI ESPECIAL PORQUE VOCÊ GRITA O TEMPO TODO COM AS PESSOAS DA TV
TODO DIA EU PENSO NAS COISAS BACANAS QUE VOCÊ ME ENSINOU, TIPO SEXO HÉTERO E A ARTE DE CEIFAR AS ALMAS DE PESSOAS QUE MORRERAM DE FORMA TRAUMÁTICA
A MINHA VIDA TAMBÉM É MUITO TRAUMÁTICA
TE AMO
Desenhei uns corações radicais ao redor do texto e mostrei a minha cartinha para a Tamara, minha futura namorada. Ela leu e ficou rindo da minha carta.
Fiquei triste.
Mostrei a minha cartinha para a professora e ela fez uma expressão muito estranha.
Puxa vida, ninguém gostou da minha carta, mano…
(FIM DO FLASHBACK DO PASSADO)
Susana Vidas-Mortas encostou a cabeça na janela do carro de sua namorada Ngela e começou a dormir. Era o seu aniversário naquele dia, mas ela estava um pouco cansada.
Susana Vidas-Mortas havia acabado de cair no sono.
De repente, a garota abriu os olhos para descobrir que estava num lugar completamente diferente. Na verdade, ela estava deitada em cima de uma nuvem.
Susana se levantou e olhou ao redor. Era um reino cheio de casas e castelos, mas o chão era feito de nuvens.
“Caralhitos flutuantes!” Disse Susana.
Ela então começou a andar pelo local até encontrar algo muito interessante: anjos! Várias pessoas, de várias idades diferentes, todas com asinhas brancas e auréolas em cima das cabeças. Elas estavam rindo, conversando e tocando harpa.
MUITO DAORA.
Susana se aproximou de um grupo de anjinhos adolescentes que estavam dançando e cantando um funk angelical do baralho:
Nóis acredita em Jesus
Porque Jesus é muito pika
Ele ensinou os nego do morro tudo
A fuzilar marica
Aí depois, nós fuma um dois
Até que dá larica
Matamo a fome com comunhão
Com pão e vinho e uma três oitão
A gente crucifica
Susana ficou maravilhada com aquela letra FODA e começou a meter uma dança muito louca, tão louca que os anjos começaram a prestar atenção nela porque a Susana É UMA MULHER BORBULHANTE E ELES FICARAM ENCANTADOS COM OS SEUS PASSOS INSANOS E A SUA BELEZA SÁFICA.
Enfim, eles ficaram tão embasbacados que até esqueceram de funkar, mas aí uma garota alta e sardenta apareceu do nada e ela tava tipo “Ei, o que vocês estão fazendo?” e isso fez a Susana acordar.
“Susie, nós chegamos!” Disse Loreta, balançando o seu ombro.
“Feliz aniversário!”
Susana abriu os olhos (de verdade dessa vez) e percebeu que ainda estava dentro do carro.
“Ah, ok...” Falou ela, lentamente. “Eu tive um sonho em que eu tava no céu.”
“Foda.”
“Vamos pro parque agora?”
“Ah, sim…”
Então o trisal foi para o parque de diversões e foi foda.
Fale com o autor