Dorgas e Dominós
11 Capítulo 11 - Ônibus
Notas iniciais
"AI, AI, PARA COM ISSO, BLAIR!" Gritou Xanuim enquanto levava uma surra da alma feminina de Blair.
"É pra você aprender." Disse ela.
Os socos foram pontuados pelos choros do Fernando. Ele tava triste porque a alma da Moe havia sido destruída pelo buraco cósmico.
"Para de chorar, Ferdinando." Reclamou Blair. "E daí, uma pessoa morreu, isso acontece todos os dias e aliás, ela não era nem bonita!"
"Fodasse, ela morreu!"
"De novo você com essa palhaçada." Ela revirou os olhos. "Sossega, garoto!"
"Pelo amor da Jesusa, mulher!" Disse Xanuim. "Deixa o pequeno Fernandito choramingar em paz, sua filha da mar!"
"Você está limitando a minha liberdade de expressão?"
"Eu não faço a menor idéia do que isso significa mas sim, estou."
"F A S C I S T A."
"E daí que eu sou fofista, assédio não é divertido."
"É sim."
"Não é não!"
"Ah, fodasse, seus marinhos, não quero mais saber." Decidiu Blair. "Só me levem pra onde está o meu corpo e aí eu vou embora."
"A gente não sabe onde está o seu corpo."
"Relaxa, eu vou mostrar." Disse Blair, flutuando pelo caminho.
Fernando e a alma do Xanuim seguiram ela pelas ruas do Inferno até pararem numa estação de ônibus.
"Prestem atenção, que isso é muito importante." Começou ela. "O meu corpo está enterrado aqui neste estado, no cemitério da família Blue."
"Mas é aqui, nessa cidade, ou...?"
"Chernópolis."
CHERNÓPOLIS ERA UMA OUTRA CIDADE.
"Meu Deus do céu, Blair!" Guinchou o Xanuim. "Sua mulher borbulhante, a gente não tem tempo para isso."
"Fodasse, vocês me prometeram e promessa é dívida. Quero retornar ao meu corpinho fabuloso nesse exato momento."
"Hm, ok, mas precisa ser a gente? Eu posso chamar a minha prima..."
"NÃO!"
Mas Fernando já tava ligando pro celular da primucha.
"Susana, pelo amor de Jesus Cristo, venha aqui me ajudar, a gente se fudeu e agora tamos tendo que levar a alma de uma assassina patricinha de volta para o corpo morto dela."
"Porra, Fernando, eu tava jogando Club Penguin... mas, pera, que porra é essa???"
"POR FAVOR, SUSANA!"
"Eu nem sei quem é essa mina..."
"POR FAVOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!" Fiquei três minutos gritando sem parar até a Susana concordar, aí ficamos basicamente uma hora sentados esperando por ela no meio da rua. Foi muito chato ter que ficar olhando para a cara das pessoas que passavam e as nuvens do céu.
Na verdade, eu acho que vi uma nuvem que parecia com a piroca do Xanuim. Ela não era muito grande...
"Fernando, como caralhos que você acaba nessas situações? Eu não consigo entender." Disse a minha prima.
"Os Marimbondos Vieira tavam roubando as coisas da loja do Seu Benedito e então eu e meus namorados invadimos a escola deles para pegar tudo de volta aí descobrimos um cara que tinha o mesmo nome que o Seu Benedito e ele contou para a gente que o Diretor era o pai biológico de todos os alunos mas aí o Diretor descobriu a gente e matou o Xanuim e o Hanrique então eu tive que ir pro Inferno com uma garota chamada Moe para resgatarmos a alma dos nossos amiguinhos a gente entrou no buraco cósmico e encontramos o Xanuim e uma garota chamada Blair só que a alma da Moe foi liquidada pelo buraco depois disso a Blair convenceu o meu pai a ressuscitar o Hanrique e agora nós meio que estamos devendo à ela."
"ÉOQUÊ?!"
"Escuta, eu só preciso que você vá com a Blair para uma outra cidade bem longe daqui e dê uma mão pra ela."
"Puta que pariu."
"Se você nos fizer esse favor eu deixo você brincar com o filhote de jacarú que a gente encontrou no esgoto."
"Awww, filhote de jacarú." E é isso, conseguimos, manos.
Susanita acenou para a gente de dentro do ônibus que partia e finalmente nos encontramos sozinhos, só eu e o Cházin.
"Agora precisamos voltar para a droguita do colégios dos marimbundas, que horas são?"
"Meio-dia."
"MEIO DIA?!"
"Já passou um dia inteiro desde que você fugiu."
"Puta que pariu, eu não percebi... ah, isso deve ter acontecido depois que pulamos no buraco cósmico, ele comeu o nosso tempo."
"Vamos pegar um outro ônibus pra lá!"
"Boa idéia."
Cara, eu tava cansado pra caralho mano porque eu passei um tempão andando e me fodendo, a minha vida tava caindo aos pedaços, então pelo menos eu tinha um momento para sentar a bunda e descansar.
Infelizmente, o ônibus que chegou estava lotado até o rabo e eu tive que ficar em pé que nem uma galinha trémula olhando a bunda das pessoas que entravam na frente da minha face porque o espaço era extremamente apertado. Quase sufoquei e morri de asfixia mas tava tudo bem pelo menos eu ainda era bonito, né????
MENTIRA, eu tava horrível de feio.
"Fernando, fica acordado, muleke!" Falou Xanuim. "Você não pode dormir enquanto a gente não voltar para aquela escola."
"Eu sei, eu sei..." Respondeu Fernando, se sentindo fraco.
"Minino, tu tá falando sozinho por quê?" Perguntou Neide, a doadora de esperma de 70 anos.
"Ãh?"
"Tu é esquizofrênico, menino? É por isso que um dos seus olho vai pra esquerda e o outro pra direita?"
"Não." Disse Xanuim. "Isso se chama estrabismo, minha senhora."
"Estrabismo é o meu pau no abismo."
"Senhora, por favor..."
"FALA MAIS ALTO, MEU RAPAZ!" Exclamou a velha coçando a bunda. "Eu sou meio surdinha aqui, sabe? Seja bonzinho com a vovó."
Aquilo estava ficando esquisito muito rápido.
"Quando eu era mais jovem, eu tinha um monte de sugar babies. Todo mundo queria um pedaço da minha dentadura."
"Ok........."
"Mas é serio, menino, eu era gostosa pra burro e o meu dinheiro era abundante. Eu tomava banho de verdinhas todo dia e me perfumava com as lágrimas das esposas dos homens que eu comia."
"........................................."
Para a grande felicidade de Fernando, o ônibus parou no bairro dos Marimbondos. Poucos minutos depois daquilo, os dois saíram, se livrando da velhinha safada. O garoto e a alma penada andaram pela rua, e pela mata, mas aí do nada Fernando deitou na grama e começou a dormir.
"FERNANDO, NÃOOOOOOOO!" Gritou Xanuim.
O pequeno homosexual fechou os olhos e foi direto para o mundo dos sonhos, no céu.
"Fernando." Chamou uma voz feminina.
"Hm..."
Uma figura grande e quente apareceu entre as nuvens. Era a Moe, mas ela estava diferente, vestida de branco com os cabelos mas longos e sedosos que ele já vira.
"Nosssaaa...." Falou ele, sonolento. "Você virou Deus...?"
"Sim, Fernando, eu agora controlo essa porra toda, beleza? E mais uma coisa: eu tô aqui para te dar um conselho abençoado."
"Legal."
"Legal, nada, cê presta atenção senão eu não te deixo ir pro céu depois que você morrer porque eu sou DEUS."
"Ai..."
"PRESTA ATENÇÃO, MULEKE DA ROÇA, PRA VOCÊS VENCEREM O DIRETOR DOS MARIMBONDOS VOCÊ VAI PRECISA CORTAR A PICA DELE FORA E COLOCAR NO CACHORRO QUENTE."
"Caralho, mano."
"Isso aí, agora tu acorda, seu homem galinhoso."
"Mas eu não quero."
"ACORDA, FERNANDO!"
Fernando acordou com a alma do Xanuim batendo na cara dele.
"Xanuim, sua aberração da natureza, me deixa dormir!"
"Não, eu preciso do meu corpo de volta! Eu quero um corpo pra habitar!"
"Ai, tá bom, tá bom..." Resmungou ele. "Vamos pra porra da escola logo de uma vez..."
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