Notas iniciais
Notícia ruim: esse é o antepenúltimo capítulo. Notícia boa: não tem notícia boa. Desculpa Música: Who Are You, Really - Mikky Ekko

—Eu gosto de você, Sherlock -afirmei, assim que nos afastarmos

Ele deu um sorriso vitorioso

—Foi o que eu pensei

—E você? -o medo da resposta era inevitável, afinal, era Sherlock

—Eu não sei. Só sei que... com você é diferente. É como se, sei lá, sua companhia fosse mais agradável do que a de qualquer garota que já conheci. Acho que é isso

—Isso é suficiente para mim -sorrio

Realmente, vindo de Sherlock Holmes, aquilo era mais que suficiente

***

Ele não ficou muito tempo aqui depois do beijo. Apenas ficamos conversando por algum tempo

Sherlock se despediu de mim com um beijo na bochecha. Disse que nos veríamos depois e me surpreendeu ao dizer:

—Você é especial para mim, Molly Hooper. Nunca duvide disse

Eu apenas sorri e concordei com a cabeça

Enquanto eu observava ele ir embora, só pensava no quanto as coisas mudaram desde que eu entrei no carro para ir àquele internato

—Molly... Preciso falar com você -uma voz familiar me fez dar um salto por causa do susto

—Ah, Mary -suspirei -Pode falar

—Molly, vamos lá, não faça essa cara. Você não sabe de toda a história

—Então qual é "toda a história"? -perguntei, cruzando os braços

—Eu não posso falar -ela murmurou e abaixou a cabeça

—Jura? E o que você está fazendo aqui se não pode me explicar nada? -perguntei, a raiva aumentando

—Eu... só queria te pedir desculpas. Sei que provavelmente você não acreditará mas, por favor, saiba que eu nunca fingi ser sua amiga. Eu sempre te considerei minha melhor e talvez, minha única amiga

Seus olhos estavam marejados, iguais aos meus

—Como eu vou saber se é verdade?

Mary perdeu para as lágrimas. Elas começaram a rolar por suas bochechas

—Vá embora -minha voz não saiu autoritária como eu pretendia, ela saiu igual a de um filhote ferido

—O que? -ela perguntou, como se não acreditasse nas minhas palavras

—Eu disse para você ir embora -repeti e apontei para a rua

Ela soluçou. Um soluço abafado

—Agora! -gritei

Mary se assustou com a elevação do meu tom de voz. Honestamente, eu também

Duas lágrimas rolaram pelo seu rosto antes dela ir embora

Quando ela sumiu da minha vista, abracei minha barriga e inclinei meu tronco para frente. Foi nesse momento em que eu comecei a chorar copiosamente

Não demorou muito para que minha mãe chegasse e tivesse que tomar as providências para que eu me acalmasse

—Você pode me contar o que aconteceu? -ela pediu, sentando ao meu lado no seu sofá

—Eu apenas... briguei com a minha amiga -falei, sem dar mais explicações

—Tem certeza? Parece ter sido algo pior

—Tenho. É que... ela me escondeu uma coisa

Ela apenas concordou com a cabeça. Pela sua expressão, sei que não acreditou em uma palavra que eu disse

—Vou para o meu quarto agora. Melhor eu estudar um pouco -disse ao me levantar e começar a subir as escadas

—Está certo. Daqui a pouco eu levo algo para você comer

—Obrigada -respondi antes de entrar no meu quarto e fechar a porta

Eu não me concentrei o suficiente para conseguir estudar. Minha mente já estava vagando em outros lugares que não se relacionavam a geopolítica da Inglaterra, por isso, fechei o livro e deitei na minha cama

Não sei que horas eu dormi, mas quando acordei, havia um prato com biscoito na minha cabeceira

Enquanto eu comia, pensava em como estava com saudades de como as coisas estavam antes de ir para aquele internato, antes de Jim, antes de do que aconteceu com o meu pai e antes de saber a verdade sobre Mary

Mas, pelo menos, teve o Sherlock. A parte boa foi ele. E foi nesse garoto e em seus beijos, que eu fiquei pensando durante o resto da noite

***

Era sábado. Podia ficar deitada até quando eu não quisesse mais

Fiquei encarando o teto até que a campainha tocou e voz que eu tanto gostava cumprimentou a minha mãe e perguntou se eu podia dar uma volta

Dei um sorriso e pulei da cama para começar a me arrumar

Pude ouvir a voz da minha mãe pedindo para que ele esperasse um pouco e os seus passos vindo na direção do meu quarto

Coloquei uma calça jeans, uma blusa de manga comprida cinza e os meus AllStar

—Molly, querida? Está acordada? -perguntou minha mãe enquanto batia na porta

—Diz para ele que fico pronta em dez minutos

—Ok, eu direi -ela respondeu e eu pude jurar que havia um sorriso em seu rosto

Ao terminar de me arrumar, desci as escadas e encontrei um Sherlock sentado no sofá conversando com a minha mãe

—Aí está ela -minha mãe disse

Sherlock se levantou e sorriu educadamente

—Eu estava pensando se você queria dar uma volta comigo -ele disse -Mas vejo pelas suas roupas que sim

—Acho que vai ser legal -respondi -Vamos?

—Você não vai comer nada? -perguntou minha mãe

—Relaxa, mãe. Eu tô levando dinheiro para comer na rua -falei apontando para minha bolsa

Ela sorriu, como se estivesse pedindo para eu ir logo

—Ok, vamos -falei abrindo a porta e puxando Sherlock

—Tudo bem -comecei -Aonde vamos?

—Apenas dar uma volta -ele respondeu -E também precisamos resolver umas coisas

—Resolver umas coisas? Quais coisas? -perguntei, sabendo que não gostaria resposta

—Você verá -ele respondeu apressando o passo e me forçando a fazer o mesmo

***

Andamos até um conjunto de casas idênticas brancas

—Uma dessas casas é apenas uma fachada. Por trás de tudo, é a passagem do trem. Você conhece alguém assim?

—Aonde você quer chegar com isso? -perguntou antes que uma foto de Mary aparecesse na fachada

—Sherlock, por favor, chega disso -pedi, segurando seu pulso

—Vai ser rápido. Eu só quero que isso acabe logo

Eu também quero

—Ok, vamos logo com isso então

Ao entrarmos em uma das casas, pude ouvir o barulho do trem

—John está aqui. Também o convenci a vir -ele disse -Vocês vão ficar escondidos e vou fazer Mary falar o máximo que consegui

—Por que? -perguntei

—Para vocês saberem a verdade. E eu também estou curioso para saber o que ela esconde

Ao encontrar John, vi que ele estava tão desapontado e chateado quanto eu

—Oi -o cumprimentei

—Não diga que ele te colocou nisso também

—Para você ver -respondi

O celular de Sherlock começou a tocar

—É ela -Sherlock informou antes de atender

Eles conversaram um pouco antes de Sherlock desligar, mandar John sentar em uma cadeira que havia lá e eu me esconder

Ele apagou as luzes e esperou Mary aparecer

Passos leves e constantes foram ouvidos até que pararam

—Você veio -falou Sherlock antes que as luzes, exceto o que ficava em cima de John acendessem

Ela podia ver a silhueta de John, por isso, foi até ele

—Direção errada -Sherlock disse, aparecendo atrás dela

—Boneco. -ela falou. Sua voz falhada -Tão óbvio

Eu e Sherlock sorrimos

—Você é tão boa quanto o resto da sua família? -ele perguntou

—Não faça isso -ela pediu -Por favor. Não foi essa a vida que eu quero

—Eu preciso da verdade -Sherlock elevou o tom de voz -caso contrário, nunca poderei acreditar em você

—Minha família era formada por atiradores de elite e criminosos. Apesar de nunca querer fazer parte disso, não podia ir contra a minha família. Se eu quisesse a atenção dos meus pais, tive que fazer tudo o que fiz

Ela parou. Suspirou

—Então é isso? -perguntou Sherlock, cruzando os braços -Esse clichê entediante?

Mary fez uma expressão confusão

—E, além do mais, nem é um boneco. Fique esperta -acrescentou Sherlock acendendo a luz que ficava sob John e indicou para que eu aparecesse

Mary começou a chorar ao nos ver. E eu, não sabia se a abraçava ou ficava parada

Eu e John nos entre olhamos. Nós sabíamos que tinha algo a mais nessa história

Notas finais
Espero que tenham gostado