Notas iniciais
O nome de todos os capítulos é uma música que se relaciona com ele. A música da vez está nas notas finais

O auditório parecia uma sala de cinema, com as cadeiras de trás mais altas. Eu e Mary sentamos na última fileira, perto da porta

—Pelo menos, seremos as primeiras a sair -comentou Mary

—Ainda bem -eu dei um pequeno sorriso

O reitor chegou. O discurso começou. Eu quase dormi

Quando, finalmente, nós fomos liberados; Mary pegou minha mão e começou a andar apressadamente

—Mary... calma -pedi, tentando acompanhá-la

—Se eu tiver calma nós vamos ser pisoteadas -ela se justificou

Pior que ela tinha razão

Depois de muita correria e de mim quase caindo no meio do corredor, chegamos no quarto

—Finalmente! Achei que aquele homem não pararia de falar nunca -falou Mary, se jogando na cama e tirando os tênis

Dei um meio sorriso e sentei na cadeira que ficava entre as nossas camas

—E então... -ela olhou para mim -o que trás uma garota como você para esse internato?

—Minha família achou que seria uma boa -respondi, dando ombros

Ela torceu o nariz. Certo, definitivamente, ela tem problema com a família

—E você? Está aqui a muito tempo? -perguntei

—Entrei ano passado, mas não fiz muitos amigos

—Você parece tão legal. Como pode não ter muitos amigos?

Ela sorriu

—Que bom que eu pareço. Obrigada

Ela fez o discurso que normalmente os veterano fazem para os novatos sobre os professores mais chatos e os mais legais, os alunos e os melhores lugar para matar aula

—Acho que já está na hora do jantar -comentou a loira, quando um barulho parecido com o sinal de escola

—São 18:30 -falei, olhando para o relógio em cima da mesa

—Definitivamente é a hora do rango -ela levantou e se espreguiçou

Quando saímos do nosso quarto, haviam várias garotas no corredor indo para o mesmo destino que a gente

O refeitório ficava no mesmo prédio do auditório e me lembrava muito o Salão Principal dos filmes do Harry Potter: cinco mesas compridas cheias das mais variadas comidas, sendo que a do meio se destinava aos professores

Nós sentamos na mesa do canto

—Por incrível que pareça, a comida daqui é excelente -ela comentou

—Eu não duvido nada

Comecei a colocar a comida no meu prato até que uma garota morena parou perto da gente

—Posso sentar com vocês? -perguntou ela

—Janine! Claro que pode -Mary levantou e a puxou para o seu lado -Molly, essa é a Janine e Janine, essa é a Molly

—Prazer -falei, estendendo a mão

—Igualmente

—Ela era a minha dupla no laboratório. E depois minha conselheira em uma hora difícil -comentou Janine, colocando a mão no ombro na loira

Pela expressão de Mary, eu não devo ter sido discreta na hora em que Janine falou "momento difícil"

Nós conversamos sobre coisas aleatórias durante a refeição: filmes, séries, até que começamos a falar de música

—Sabem, essa escola é tipo A Casa do Sol Nascente -comentou Mary

—Ela tem sido a ruína de várias pobres garotas -completou Janine

—E Deus, eu sei que sou uma delas -terminei

Nós três começamos a rir disso, chamando a atenção de algumas pessoas

Quando o acabamos de comer, nos levantamos é fizemos menção de sair do lugar até que Janine congelou e fez uma careta, Mary foi para o lado dela, como se quisesse a proteger

Eu não precisava perguntar qual era o problema. Ele estava passando pela porta

Um garoto magro, de cabelos negros e enrolados e olhos azuis entrou e sentou ao lado de um loiro

Aparentemente, o causador da "hora difícil" era o fim de um namoro

Quando Janine se recompôs puxou eu a Mary para fora do lugar

—Você está bem? -perguntou Mary, quando estávamos fora do prédio

—Sim, obrigada. Acho que só dei uma travada. Melhor eu ir para o meu dormitório. A gente se falar depois -ela deu um aceno com a mão e se afastou da gente

Eu a acompanhei com o olhar até que ela sumisse da minha vista, foi então que minha atenção foi para a Mary, procurando uma explicação

—Ele é Sherlock Holmes. Eles namoraram por um tempo até ela descobrir que ele a pediu em namoro só porque, na época, ela era representante de turma tinha acesso a sala do reitor

—Mas por que ele iria querer ter acesso a sala do reitor?

—Quando ficamos de detenção, mandam um e-mail para nossos pais no final do semestre. Ele deveria querer exclui-lo ou algo do gênero. E pelo que eu saiba da família dele, ele nunca mais teria paz

Suspirei

—Melhor deixarmos isso para lá. Vamos para o nosso dormitório

Eu não conseguia deixar de me sentir mal por Janine. Como alguém seria tão baixo a ponto de manipular os sentimentos de outra pessoa?

—Olha, relaxa. Janine está bem, só ainda está com raiva -Mary deve ter notado o meu estado

Assenti e continuei andando ao seu lado até chegarmos no nosso dormitório

—Eu sou a primeira a tomar banho! -gritou ela quando entramos no quarto

—Seja feliz. Tô com muita preguiça para tomar banho agora

Ela pegou a sua roupa e a toalha e se dirigiu ao banheiro

Peguei o meu celular e mandei uma mensagem com as novidades para os meus pais

Fiz duas amigas: Mary e Janine. E a comida daqui é boa

Bjs

A resposta veio logo depois

Que bom, filha!!! Seu pai eu já estamos com saudades

Mamãe

Depois de algum tempo de conversa Mary saiu do banho, o que me fez me despedir dos meus pais para eu mesma ir para o banheiro

Levei o meu celular para ouvir música durante o banho e a felizarda da vez foi a mesma que eu e as meninas cantamos: o cover feito por Lauren O'Conell de The House Of Rising Sun

Não demorei muito, pois já estava cansada. Quando saí do banheiro, Mary estava quase dormindo. Com certeza o dia foi cheio para ela também

Desliguei as luzes, deitei na cama e, mesmo estando com sono, eu não consegui dormir

—Molly? -ouvi a voz de Mary vindo da sua cama -Está acordada?

—Estou sim

—Posso te fazer uma pergunta?

—Sim

—O que aconteceu com você?

Claro que ela sabia. O reitor deve ter comentado o que sempre comentam: Tenha paciência com Molly Hooper

—Eu tentei me matar quando tinha 13 anos

Notas finais
Música: https://m.youtube.com/watch?v=GmyecoW67kg Espero que tenham gostado. Desculpem por ser pequeno, inventar de escrever em época de provas da nisso