Notas iniciais
Música da vez: Monster - Dia and Meg

—Quando eu tinha 13 anos, descobriram que minha prima de 10 era abusada por um funcionário da escola dela. No dia seguinte, ela sumiu. Durante duas semanas ficamos sem notícias dela, até que achamos o seu corpo na beira de uma estrada. Ela havia sido drogada, abusada, morta a facadas e deixada na estrada. Eu a considerava uma irmã e, perdê-la foi a pior coisa que me aconteceu. Foi aí que eu tantos remédios no armário. Tão tentadores. Aquela era a chance que eu tinha de encontrar minha prima

Mary permaneceu quieta. Talvez ela não soube o que falar

—Depois acharam o cara. Antes de matá-la ele tirou várias fotos dela e todas elas estavam espalhadas pela sua casa. Como diabos deixam um monstro desses trabalhar com crianças? -a essa altura eu já estava chorando

Mary se levantou da cama dela, veio até a minha e me abraçou

—Desculpe. Eu nunca perguntaria se soubesse que era algo tão íntimo. Desculpe mesmo

—Tu-tudo bem. É bom falar sobre isso com alguém... que não seja a psicóloga

—Bem, sabia que você sempre poderá contar comigo -ela sorriu -mas é melhor irmos dormir. Amanhã já tem aula e os professores daqui são capazes de aplicar os castigos mais cruéis por conta de atrasos. Principalmente os de espanhol

Eu assenti e limpei as minhas lágrimas

—Boa noite, Mary

—Boa noite, Molly

***

—Molly! Acorda! Pelo amor do Santo Cristo! A gente está atrasada

Gritos de uma adolescente desesperada não são a melhor forma de acordar

Vi no relógio que fica na mesa de cabeceira que era 7:45 e a aula começa às 8:00. Foi o suficiente para que eu pulasse da cama e começasse a me arrumar

—Como isso aconteceu? -perguntei

—Não sei! O despertador não tocou

Quando, finalmente, nos ficamos prontas, já tínhamos outro problema: não sabíamos onde era a sala

—Como você não sabe onde é? -perguntou, com raiva

—Cala a boca! Você também não sabe!

—Mas você estuda aqui desde o ano passado!

Ela não retruca

Chegamos 20 minutos atrasadas e sem ter tomado café da manhã. O professor, Sr Mott, segundo o quadro, olhou para nós, como se tivesse nos analisando

—Senhoritas... Espero que tenham uma boa explicação para o atraso

—Sinto muito, Sr. Mott. Perdemos a hora. -Mary falou do jeito mais doce possível

—Por ser o primeiro dia de aula serei condescendente, mas espero que isso não se repita. Sentem-se

A sala era grande. Quatro fileiras com três carteiras duplas em cada. Só haviam dois lugares livres: um perto da Janine e outro perto de Sherlock

Eu e Mary nos entreolhamos. Alguma coisa me dizia que ele não sentaria com Sherlock

—Ah, e eu esqueci de mencionar. As duplas serão as mesmas do ano passado para não perdermos tempo tendo que dividir a turma novamente. Já que o Sr Holmes ficou sozinho, a senhorita pode ficar com ele -o professor não tirou os olhos do quadro

Fiz uma expressão pouco digna em direção à Mary, que deu uma risada e sentou ao lado de Janine

Quando me ajeitei ao lado de Sherlock ele não falou nada, nem demonstrou algum sentimento. Só continuou com a sua atenção no professor

O resto da aula foi tranquila. Não precisei interagir com Sherlock e, às vezes, Janine e Mary olhavam para minha direção. Como se quisessem se certificar que ele não havia me feito chorar. E eu, apenas sorria, para indicar que estava tudo bem

Quando a aula acabou, arrumei as poucas coisas que estavam em cima da mesa e foi até as meninas

—E então? -perguntou Mary, quando ela saiu da sala

—Muito simpático e comunicativo. Descobri que ele é fã de American Horror Story e que sua cor preferida é azul piscina -respondi, sarcasticamente

As duas riram e se levantaram da carteira

—Qual é a próxima aula? -perguntei

—Química orgânica -falou Mary, meio desanimada

—Pensa que poderia ser pior. O professor poderia ser igual àquela louca de biologia do ano passado -comentou Janine

—Pior que é verdade -concordou a loira

—Molly! Esqueci que você não estava aqui ano passado. É que tinha uma professora que não tinha muita moral e todo mundo conversava na aula dela e, chegou em um ponto de toda aula ela falar: vocês estão estragando a minha vida. Aí, no último dia de aula, escreveram no quadro o número da psicóloga no quadro. Ela se demitiu -Janine falou tudo de uma vez só

—Nossa... Quer dizer que vocês enlouqueceram a professora

—Enlouquecer é uma palavra forte, mas mesmo assim, foi mais ou menos isso

***

Não ocorreu nada de mais durante o resto do dia. Apenas algumas aulas chatas e outras legais

Quando, finalmente, tivemos um tempo livre, nós três sentamos em um banco no campus e começamos a conversar

—E então, Molly, já achou algum garoto que mereça a sua atenção? -perguntou Mary, com um sorriso travesso

—Mary! Se passou apenas um dia -respondei, um pouco sem graça

—Isso não significa nada! Já ouviu falar de amor a primeira vista? -ela retrucou, cruzando os braços

—Se você está falando disso é por que está interessada em alguém, né? -Janine interrompeu

—Estou sim. Falo e se vocês quiserem eu confirmo. É aquele loirinho que sentou com o Khan no jantar de ontem, o John Watson

Eu e Janine nos entreolhamos

—Interessante, mas... vocês já conversaram? -perguntou Janine

—Isso ainda está nos meus planos

—Não precisa se preocupar com isso -comentei -pois ele está vindo na nossa direção

Mary arregalou levemente os olhos e se virou na direção que eu olhava

—Oi meninas -ele cumprimentou -posso sentar com vocês?

—Claro! -exclamou Janine, indicando o banco ao lado de Mary

—Se você não se importar de dizer, mas... por que você não está com seu amigo? -perguntei

—Porque Sherlock é um idiota -ele falou

Janine fez uma expressão como se entendesse o que ele quer dizer

—Bem, se vocês não se importam, eu e Molly precisamos fazer umas perguntas para o Sr Mott -ela se levantou e começou a me puxar em direção a sala dos professores, deixando uma Mary furiosa e um John confusos para trás

—Mary vai nos matar -comentei

—Ela vai é nos agradecer -Janine respondeu

É melhor eu começar a dormir de olhos abertos

***

Depois de 30 minutos esperando, Mary apareceu. E parecia muito feliz

—Sinceramente, eu não sei se eu mato ou abraço vocês

—Por que? O que aconteceu? -perguntei

—Ele é demais. Bem diferente do amigo

—Pelo visto, alguém se deu bem -comentou Janine

—Pois é -ela sorriu -Bem até demais

Notas finais
Espero que tenham gostado