Notas iniciais
Música da vez: From the inside - Linkin Park

—Nós não somos namorados. Apenas colegas de turma -eu falei, tentando esconder meu constrangimento

A velha senhora apenas sorriu, como se soubesse que aquilo não era verdade mas não valesse a pena discutir

—Qual é o seu nome mocinha? -perguntou ela, enquanto pegava o termômetro

—Molly. Molly Hooper -respondi, antes que ela colocasse o objeto na minha boca

—Pode deitar, querida. Pode demorar

Eu não contestei, apenas fiz o que ela sugeriu

Virei a cabeça na direção da enfermeira. Ela parecia estar procurando algo em um daqueles computadores que quase ninguém usava

—Você não tem nenhuma alergia ou restrição à algum remédio

Ela veio até mim e pegou o termômetro

—Trinta e oito! Vou te dar esse Sudafed e você vai dormir aqui para, se precisar, tomar a segunda dose daqui a oito horas

Ela olhou para seu relógio

—Oito horas. Tente relaxar, querida. Amanhã você estará se sentindo bem melhor

—Obrigada, Sra...

—...Hudson -ela completou

—Sra Hudson -repeti -Obrigada

—Não agradeça, Molly. É o meu trabalho. Agora, relaxe

Eu poderia dizer que acabei de acordar depois de mais de três horas dormindo, mas não o fiz, apenas apoiei minha cabeça no travesseiro e relaxei

***

Acordei com uma voz suave me chamando e sacudindo levemente o meu ombro

—Querida, está na hora. Como se sente?

Sentei na maca. Me sentia estranhamente recuperada

—Acho que estou melhor.

—Excelente, mas deixe-me verificar sua temperatura

Não era a mesma enfermeira. Sua voz era diferente, de uma pessoa mais jovem

—Sra Hudson falou-me de você -ela veio com o termômetro até mim e colocou na minha boca -Meu nome é Christina Moran

—Moran...? Esse sobrenome não me é estranho -tive que segurar o termômetro com uma das mãos para me assegurar que ele não caísse

—Meu primo está ficando famoso. Sebastian Moran

—Claro. Já vi ele no jornal

—Apesar de ser jovem, está fazendo alguns trabalhos para a família da rainha

Eu sorri, e ela também

Alguns minutos se passaram e ela pegou o termômetro

—Trinta e seis e meio. Excelente -ela sorriu -Bem, teoricamente, você está liberada, mas como está de madrugada, acho melhor você passar o resto da noite aqui. Esses inspetores adoram criar confusão por nada

—Eu acho melhor voltar para o meu dormitório mesmo. Já sei o caminho, mesmo e, qualquer coisa, eu dou uma desculpa

—Você é quem sabe. Qualquer coisa volte aqui

Eu sorri em forma de agradecimento e levantei da maca

Saí da enfermeira e fui em direção ao meu dormitório

—O que está fazendo aqui a essa hora?

Definitivamente, esse garoto tem algum problema comigo

—Indo para o meu dormitório, Holmes. Algum problema? -aquele garoto me dava nos nervos

—A essa hora? Não poderia esperar até amanhã?

—E você poderia parar com o interrogatório e me deixar ir? -ele não respondeu -Obrigada

Depois de dar alguns passos, percebi que ele estava atrás de mim

Parei de andar abruptamente e nós quase nos esbarramos

—Tá, espera. O que você pensa que está fazendo?

—Te acompanhando. Não quero correr o risco de você ser apanhada e me entregar por estar fora da cama

—Não se preocupe, não haveria motivos para eu te entregar -dei um sorriso cínico e voltei a andar

—Desculpe te decepcionar, mas devo admitir que não confio em você. E, além do mais, se nos depararmos com um funcionário, sei como agir

Nós andamos calados por um tempo, até que eu não aguentei e perguntei

—Por que está fazendo isso? Digo, me acompanhando? Se você é tão bom com as palavras como está dizendo, sairia da encrenca que eu te poria caso te entregasse facilmente

—De fato, mas é melhor evitar a encrenca que sair de uma

—Se você diz...

O resto do percurso foi silencioso, o único som que eu ouvia era o dos nossos passos

Quarto 220

—Agora que estamos aqui, só te peço uma coisa: fique longe de James Moriarty

—O que? Por que diabos eu faria isso?

—Eu... tem algo de errado com ele. Eu tenho certeza

—E baseado em quais fatos você pode me afirmar isso?

—Eu vi o histórico dele. E, você soube que a família dele tem uma rede?

—Tá, a família dele tem uma rede, ele me disse isso ontem. Ainda não entendi o problema

—Eles são consultores criminais. Os criminosos pedem conselhos à eles quando não sabem o que fazer -ele disse, como se fosse óbvio

—Como você sabe isso?

—Meu irmão trabalha no governo. Ele sabe tudo sobre todos

—Quando você tiver provas concretas sobre isso, me avisa. Até lá, a nossa interação vai se limitar a assuntos escolares. Estamos entendidos?

Ele me encarou. Seus olhos azuis me analisando

—Eu não confio eu mesma em você -era uma música. Combinava com a situação

—Não diga que eu não avisei, Hooper

Ele se foi. Seu sobretudo preto parecia uma capa de herói de histórias em quadrinhos

Entrei no meu quarto o mais silenciosamente possível para não acordar Mary. Coloquei o meu pijama e deitei na minha cama

Naquele resto de madrugada, eu não consegui dormir

***

O evento mais importante daquela segunda era a entrega do trabalho. O sentimento era de que, quando o trabalho não estivesse mais em nossas mãos, ele não seria mais nossa responsabilidade

Apesar de eu e Mary termos chegado na sala dez minutos antes da aula começar, ela já estava consideravelmente cheia quando entramos nela

Sentei no mesmo lugar da aula anterior. Ele ainda não havia chegado

Quando olhei em volta, vi que Jim não estava lá também

Enquanto os minutos iam passando, eu ficava cada vez mais apreensiva afinal, Sherlock estava com o nosso trabalho

O professor chegou e seu olhar se direcionou à mim

—Senhorita Hooper, seu parceiro me encontrou hoje cedo, ele teve um problema e foi obrigado a ir à enfermaria. Disse que o trabalho estava em sua posse e, já que é um caso a parte, deixarei que o trabalho seja entregue no intervalo do almoço na minha sala

Assenti

—Sim senhor. Obrigada

A aula se iniciou e, obviamente, eu não prestei atenção

Por que Sherlock seria obrigado a ir à enfermaria?

***

Quando a aula acabou e eu e Mary nos dirigimos para a saída, John nos alcançou e segurou nossos ombros

—Vocês souberam? Sherlock e o novato brigaram nessa noite

—Brigaram? -perguntei, incrédula

—Pois é. Eu, pessoalmente, não sei o motivo, já que Sherlock não quis dizer. Apenas sei que foi uma briga pois quando ele chegou no dormitório ele estava todo machucado e murmurou um Moriarty quando eu perguntei o que houve. Certamente, obriguei ele a ir à enfermaria

Revirei os olhos

—Quando puder eu vou lá. Preciso pegar o trabalho e quero ver como Jim está

—Tome cuidado com Sherlock. Você já deve ter percebido que ele pode ser bem rude quando quer

Dei um sorriso sarcástico

—Claro que percebi

***

Na hora do almoço, fui até a enfermeira

O primeiro que vi foi Jim. Ele estava com alguns arranhões e um olho roxo

—Jim! Como você está?

—Um pouco machucado, mas tudo bem -ele deu um meio sorriso

Foi então que eu avistei Sherlock. Seu rosto também estava arranhado e o seu nariz, inchado

—Preciso do trabalho. Sr Mott disse que aceitaria até o almoço

—Eu sei o que ele disse. Fui eu que eu o convenci

Cruzei os braços

—Ele está em cima da minha cabeceira. Peça a John que abra a porta do quarto para você

—Não foi tão difícil, né?

Me virei e fui até a saída

—Depois nos falamos -me dirigi à Jim

Já estava na hora de me livrar daquele trabalho

Notas finais
Sabem... eu não mordo. Podem comentar a vontade