Notas iniciais
Música da vez: Die Young - Kesha

Não foi difícil achar John. Ele estava saindo do refeitório, indo para o campus

—John! -o chamei

Ele olhou na minha direção e deu um pequeno sorriso

—Molly! Em que posso te ajudar?

—Sherlock disse que o trabalho estava no dormitório de vocês. Se importa de me levar até lá para eu pega-lo?

—Sem problemas. Eu estava precisando ir para lá mesmo

—Janine disse que o aniversário da Mary é sexta -ele comentou enquanto andávamos -Eu estava pensando em reunir umas pessoas mais próximas a ela no campus e colocar umas músicas. Dizem que o reitor deixa se não fizermos muito barulho

—John, isso é ótimo! Ela vai adorar -comentei animada

O prédio do dormitório masculino era idêntico ao feminino. Quando chegamos lá, ele abriu a porta e deu passagem para eu entrar

—Ele disse onde estava? -perguntou

—Disse que estava na cabeceira dele

—É ali -ele indicou

—Obrigada

Fui até onde ele indicou. Era o papel que estava em cima. Perfeitamente impresso, com capa e o texto estava justificado

—Você pode ter mil motivos para reclamar de Sherlock Holmes, mas ele sabe como fazer um bom trabalho -John comentou

—Dá para perceber. Bem, eu tenho que ir, depois nos falamos para combinar os detalhes

—Claro. Depois vou falar com Janine e Greg também e, se você quiser, pode chamar o seu amigo

Dei um sorriso meio constrangido e concordei

—Bem, eu tenho que ir. Quero entregar esse trabalho logo

—Ok. Até mais

—Até

Enquanto eu ia na direção da sala dos professores, pensava que aquela festa seria bem interessante

Aquela era a primeira vez que eu ia na sala dos professores

Bati na porta e a abri

—Com licença -coloquei apenas a cabeça dentro da sala -Senhor Mott?

Quase todos os professores estavam lá. O que eu procurava foi o primeiro que vi

—Senhorita Hooper! Trouxe o trabalho?

—Sim senhor -eu entrei na sala e entreguei para ele

Ele deu uma avaliada na capa e murmurou um "excelente"

—Bem, se vocês me derem licença, eu vou almoçar

Dei um sorriso educado e sai da sala. Um problema a menos

Quando cheguei no refeitório, procurei por Jim. Queria avisar a ele sobre a festa

Ele estava onde normalmente sentávamos

—Jim! Como você está?

—Bem -ele respondeu

Ele não parecia bem. Nem parecia a mesma pessoa que eu encontrei minutos atrás. Além dos machucados, ele tinha olheiras profundas, sua mandíbula estava trincado e, seus punhos estavam cerrados

—Tem certeza? Você parece tenso

Ele apenas falou um "tenho" e desviou o olhar para outro ponto que não fosse eu

—Enfim... -eu não queria insistir no assunto -sexta vai ter uma festinha para a Mary. Você quer ir?

Ele olhou para mim e concordou com a cabeça

Nós ficamos quietos durante o almoço. Ele não parecia em um bom humor eu não queria forçar a barra

***

No resto da semana, eu, John e Janine ficamos organizando a festa e fizemos o máximo de esforço para que Mary não desconfiasse de nada

Quando chegou o dia, John parecia bem feliz com o resultado. Havíamos colocados alguns balões nas árvores e luzes de festa no local

A roupa que colocamos não era exatamente de gala, mas também não era muito desarrumada

Enquanto eu e John dávamos os toques finais, Janine ficou responsável por Mary

—Será que ela vai gostar? -perguntou John

—Relaxa, ela vai amar

—Como você sabe? E se ela não gostar da música? Ou se for alérgica a alguma das comidas?

Não consegui responder. O meu celular apitou

—Elas estão vindo! -anunciei

As luzes que colocamos foram apagadas. Ninguém ousou fazer um movimento

Passos. Passos que ficavam cada vez mais altos. Passos de duas garotas

Foi quando os passos cessaram, a luz acendeu e todos gritaram "surpresa"

Mary abriu um sorriso de orelha a orelha enquanto seus olhos passeavam pelo cenário

—Molly, céus! Foi você que fez? -ela veio até mim e me abraçou

—Eu só ajudei. A ideia e a maioria do trabalho são do John

Nosso abraço se desfez e ela olhou para o loiro

—É verdade?

Ele apenas concordou com a cabeça

Ela sorriu e o abraçou

—Gente, não querendo ser chata, mas... a festa vai ou não vai começar? -perguntou Janine

—Claro. Quero aproveitar meu aniversário! -gritou Mary -Agora, por favor, alguém pode colocar a música?

A primeira música eu não conhecia, mas era uma boa batida para dançar. Vi que Jim estava meio isolado de todos e fui falar com ele

—Você veio! Quem bom! Desculpe não ter falado com você mais cedo é que...

—Não precisa dar explicações -ele sorriu -está tudo bem

—Vamos dançar?

—Claro -ele estendeu o braço para mim e eu, entrelacei o meu com o dele

Nós começamos a dançar e, outra música começou: Die Young. Não havia música que combinasse mais com a situação

Não me lembro quem disse que havia conseguido cerveja e nem o porquê de eu ter aceitado. Deve ser porque todos também o fizeram

Não sei de quem foi a ideia de sair da festa: minha ou do Jim, mas isso não importa. O que importa é o que aconteceu depois. Nós fomos para o quarto dele. Nós dois fizemos amor por estarmos bêbados demais

Quando acordei eu estava com uma dor de cabeça e uma azia infernais. Já passava das onze da manhã e Jim ainda estava dormindo. Não precisei fazer muito silêncio. Ele parecia ter um sono pesado

Vesti a minha roupa e pedi aos céus para não encontrar nenhum conhecido

***

A primeira coisa que eu fiz quando cheguei no meu dormitório foi tomar um banho gelado. Era difícil digerir o que aconteceu naquela noite. Eu perdi minha virgindade. E, por Deus, não usei camisinha

Desliguei a água, coloquei uma roupa confortável e fui ver se ainda dava tempo de tomar café

Não havia quase ninguém no lugar. E, por sorte, ainda tinha alguns comida, mas por algum motivo a fome passou e deu lugar às náuseas

O meu instinto foi colocar a mão na boca e correr para o banheiro mais próximo

Felizmente, deu tempo. Uma parte de mim queria acreditar que o álcool foi o responsável por isso, já a outra

***

Eu me senti mal durante a semana inteira. Tontura, náuseas e cólicas faziam parte da minha rotina

Mary e Janine diziam que eu precisava ir à enfermaria, mas eu insistia que estava bem

Foi quando Mary disse para eu fazer o teste de gravidez. Eu, obviamente, recusei mas ela insistiu

Eu me dei por vencida e fiz. Esperei o tempo necessário e vi o resultado

Positivo

Eu estava grávida. Grávida de James Moriarty

Contei para Mary. Ela disse que eu tinha que contar para Jim. Que ele teria que assumir. Eu estava com medo, à beira de um ataque de pânico, mas Mary me ajudou

Ela estava certa. Eu tinha que contar para ele

Depois de tanto procurar, eu o achei. Ele estava saindo da biblioteca, prestes a descer o primeiro degrau das escadas

—Jim! Eu preciso falar com você!

Ele o olhou para minha direção

—Molly! Aconteceu alguma coisa? Você não parece muito bem

—É que... lembra da festa da Mary. E que a gente ficou?

Ele concordou

—Bem... É que, eu estou grávida. Acabei de fazer o teste

A sua brusca mudança de expressão me fez ficar pior

—Aborte -falou, simplesmente

Abortar, como ele pode sugerir algo do gênero?

—O que? Não! Eu não vou para uma clínica

Sem dizer mais nada ele me puxou pela gola da blusa e, aparentemente se esforço me colocou perto da escada. Se ele me soltasse eu cairia

—Você está certa, existem métodos mais fáceis

E me soltou

Notas finais
Tá, talvez algum de vocês queira me matar. Por favor, não façam isso