Don't Stop Dreamin'
28 "Dia das Garotas" parte II - Decisão e Confusão
Notas iniciais
Depois de muita insistência com os meninos, Carol conseguiu fazer com que os mesmos voltassem para a cozinha e tomassem o café da manhã. As órfãs, por sua vez, colocaram uma roupa mais adequada e saíram em direção ao shopping.
***
Já era quase meio-dia. As meninas já haviam comprado diversas coisas. Cris tirava algumas 'selfies' perto do chafariz quando avistou Gabriel entrando em uma loja. O rapaz usava uma camisa polo azul marinho e uma calça jeans, além dos sapatos sociais. Trazia, ainda, consigo algumas sacolas e uma caixa de papelão.
— Gabriel! — chamou a morena correndo até o outro lado do corredor. O loiro olhou para trás assim que ouvira a garota.
— Cris! — ele disse dando-a um abraço quando ela o alcançou. — Tudo bem?
— Sim. E você?
— Ótimo! O que faz por aqui? — perguntou curioso. Ele não se parecia com um gay e nem agia como um, mas ainda sim era homossexual. Cris ficara impressionada quando notou, ali pela primeira vez, que a voz de Gabriel era grossa e ele tinha um semblante incrível. Chegava a ser atraente.
— Eu e as meninas estamos fazendo o "Dia das Garotas". — respondeu ela sorrindo. Em seguida, apontou para as amigas. Algumas destas saíam de uma loja e as outras estavam sentadas na borda do chafariz. Ele sorriu. — E você?
— Vim trazer algumas peças feitas sob-encomenda. — a expressão da morena entregava o quão ela estava confusa. — O que foi?
— Você trabalha nessa loja?
— Eu sou dono dessa loja!
Cris não sabia se ficava animada ou boquiaberta. Pulou de alegria, desacreditada. Aquela era a "Louise Boutique" uma das melhores do shopping. Era quase uma grife paulistana.
— Meu Deus! Que máximo! — exclamou a menina. Gabriel riu. Após o loiro deixar as encomendas na loja, seguiu com Cris para perto das amigas. Continuaram conversando e Gabriel até ofereceu um desconto no preço das compras das garotas em sua loja. Enquanto elas se maravilhavam com as peças, o rapaz chamou Carolina para seu escritório. Ele e Henrique já haviam decidido qual das meninas iriam adotar. A diretora ficara deslumbrada com a noticia e avisara que pediria ao juíz a guarda provisória da menina para os dois por um período de adaptação.
Enquanto isso, no Orfanato...
— Eu não aguento mais! Preciso ligar pra ela! — gritou Juca impaciente. Estava no quarto ensaiando com Duda e Mosca. Haviam combinado com as meninas que as deixariam em paz, mas ele não conseguia se segurar para não telefonar para Vivi.
— Qual é, cara? A Vivi tá bem. Deixa ela curtir com as meninas! — disse Mosca passivo.
— Você não tá entendendo! Eu preciso ligar pra ela, ouvir a voz dela! — disse Juca se levantando da cama.
— Deixa ele ligar pra ela logo. — pediu Duda encarando Mosca. O moreno apenas indicou para que Juca pegasse o celular. Assim fez e deixou o quarto.
— Alô? — disse quando a chamada foi atendida.
— Oi amor! — disse Viviane do outro lado da linha. — Aconteceu alguma coisa?
— Não. Quer dizer, sim. Eu precisava ouvir sua voz. — ele disse sorrindo. Mesmo que não visse a menina, sabia que ela fazia o mesmo.
— Que fofo!
— Estou com saudades...
— Tem três horas que nós não nos vemos Juca! Isso não é tempo para sentir a falta de alguém.
— Ah é sim! Principalmente quando se trata da minha princesa! — hesitou. — Você não está sentindo minha falta?
— Claro que estou, bobo!
— Que bom!
— Tenho que desligar. As meninas estão me chamando.
— Tudo bem. Foi bom ouvir sua voz. — disse suavemente. — Até mais tarde.
— Até! Te amo!
— Não mais que eu te amo!
— Beijos!
Disse a garota desligando o telefone. Juca sorriu aliviado. Nem imaginava o quão ele estava apaixonado pela namorada. Sabia, pelo menos, a forma como ela mexia com ele. A forma como ela o fazia feliz.
No shopping...
— Eles terminaram? — perguntou Leticia à Marian. Estavam um pouco afastadas do resto do grupo enquanto tomavam seus milkshakes. Já haviam comprado as entradas e seguiam a caminho do cinema.
— Aham. — murmurou a loira sem tirar o canudo da boca.
— E você ligou pra ela?
— Liguei. Ela tá morrendo de raiva do Mosca. — disse se lembrando da menina ao telefone. Enquanto fazia a chamada da noite anterior, observava Janu pela janela.
— Imagino...
— Pois é. — Marian parou de caminhar e passou a observar Mili discretamente. A morena conversava com Pata e estava distraída. Marian logo teve uma ideia.
— Espera aqui. — disse para Leticia e seguiu na direção de Milena. Levantou o rosto e esbarrou no ombro da morena, que acabou se virando. Nesta hora, Marian inclinou o copo fazendo a tampa cair e a bebida ir direto para o vestido de Mili. Não percebera, mas Bia vira cada passo seu desde que se afastou de Leticia.
— Mili! Me desculpa! — disse Marian fingindo estar arrependida. — Foi um acidente.
— Não Marian! Não tem problema! — disse a morena tentando tirar a mancha com a mão.
— Sério Mili! Me perdoa!
— Olha o que você fez! — gritou Pata ajudando a amiga.
— Eu não tive culpa. — defendeu-se Marian.
— Como você consegue ser tão cobra? — perguntou Bia se aproximando da menina.
— Como é que é? — indagou Marian encarando a menina.
— Tá na cara que você fez isso de propósito! — acusou Bia.
— O quê? Eu esbarrei na Mili sem querer! — mentiu fingindo-se de vítima.
— Até parece! — debochou Bia rindo sarcasticamente.
— Bia, foi sem querer. — disse Mili tentando apartar a briga que logo começaria. Colocou-se na frente de Beatriz e esperou que ela dissesse algo. Odiava quando a loira acusava Marian por coisas que ela não fizera. Ou achava que não fizera.
— Pelo amor, Mili! Até quando você vai achar que a Marian é essa santa? Até quando? — indagou a menina a olhando fundo nos olhos. Não aguentava ver o quão Mili era inocente por não perceber as maldades de Marian.
— E até quando você vai acusar a Marian? Bia! Você tem dezesseis anos tem que parar de agir como criança! — exclamou Mili. Carol se aproximara das duas na tentativa de entender o que aconteceu.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou a diretora.
— A Bia tá me acusando de ter derrubado milkshake de propósito na Mili. Mas eu juro que não foi! — disse Marian.
— Porque é verdade! — exclamou Beatriz. Sua paciência já estava se esgotando.
— Bia, você tem alguma prova disso? — perguntou Carol esperando uma resposta justa.
— Não. — respondeu a loira fria.
— Eu disse que ela tem que parar de implicar com a Marian, Carol! Isso é imaturo. — disse Mili. Ouvir aquilo saindo da boca de uma de suas amigas foi como levar um soco no estômago para Bia.
— Imaturo? Mili, ela sempre aprontou com você! Sempre! Desde que nós éramos pequenas! Como você não vê isso? — gritou a loira. Ela fora a única que conhecera Marian, além de Mili, quando eram crianças.
— A Marian não fez de propósito. Eu a vi esbarrando por engano na Mili. — intrometeu-se Leticia. Bia revirou os olhos.
— Calma aí! A conversa ainda não chegou no galinheiro querida! Aguente os ânimos. — disse sem pensar.
— O quê? — exclamou a morena fingindo indignação. Marian, que estava ao seu lado, riu discretamente.
— Exatamente o que você escutou. Bem, a não ser que, além de vaca oferecida, você também seja surda! — provocou a loira.
— Já chega! — gritou Carol. A este ponto, todas meninas já haviam formado um círculo em volta das cinco. — O que está acontecendo com a Bia que eu conheço? — perguntou encarando a menina.
— Carol...
— Quando nós voltarmos pro Orfanato, teremos uma conversa séria!
— O quê? Eu não sou mais uma criança!
— Mas aje como uma! — disse Marian provocativa.
— Eu não acredito... — disse Bia para si mesma. Sentiu as lágrimas nos olhos. Não poderia começar a chorar ali na frente das amigas. Mas sabia que não aguentaria por muito tempo.
— Bia, fica calma... — disse Vivi se aproximando.
— Fica calma o caralho! Querem saber? Eu cansei de tentar ajudar, de tentar abrir os olhos de vocês. A Marian não é nenhuma santinha pura não! Mas você tem razão Carol, eu não tenho nenhuma prova. E daí! Ninguém se importa. — disse. Virou-se para Marian e a encarou. — Um dia toda máscara cai. Eu espero que a sua caia logo. — em seguida, cuspiu no chão ao lado da menina.
— Bia... — dizia Carol antes de ser interrompida pela mesma:
— Quando vocês descobrirem quem é realmente a Marian, me procurem. Eu terei orgulho em dizer "Eu avisei". — disse se retirando do círculo.
— Onde você vai? O filme já vai começar. — disse Angel a segurando pelo braço. Beatriz colocou a mão no bolso da calça jeans escura e tirou um bilhete de cinema.
— Podem ir sem mim. Perdi a vontade de assistir. — respondeu entragando o papel para a morena e se soltando. Encarou Mili e Marian antes de virar as costas. Saiu andando pelo imenso corredor do shopping se misturando entre as pessoas como se nada tivesse acontecido.
— Eu vou atrás dela. Podem ir na frente. Alcanço vocês! — avisou Vivi entregando suas sacolas à Tati. Ana também se ofereceu para falar com a loira.
— Achem ela e tragam aqui! — pediu Carol. A diretora estava indignada com a atitude de Beatriz.
— Melhor não, Carol. A Bia é a Bia. Deixa ela esquecer que está com raiva. Quando a gente voltar pro Orfanato você conversa com ela. — disse Cris pousando a mão no ombro da mulher. E assim foi feito: Vivi e Ana foram atrás de Bia, Mili e Pata foram até o banheiro para que a morena trocasse de roupa. Marian e Leticia riram vitoriosas. As outras seguiram para o cinema. De vez em quando, Cris fazia um comentário sobre celebridades para aliviar a tensão.
Continua...
Fale com o autor