Notas iniciais
Não postei ontem, mas para recompensar já tenho o próximo capitulo em mente, tentarei postar ele hoje. Boa leitura.

Eu estava em um tipo de campina cheia de flores. Estava apenas na companhia das borboletas quando ouvi risadas. Subi um pouco mais a colina e vi da onde vinha o som. Alice estava brincando com uma linda menina loira de olhos cor de Amy.

Alice estava vestida como as mulheres do vilarejo dos guerreiros e a menininha que aparentava ter uns seis anos também. Parecia que elas não me viam, pois a menina passou bem perto de mim e nem se importou com a minha presença. Em um determinado momento elas pararam de brincar e se sentaram em meio às flores.

_ Cansou? – falou Alice rindo.

_ Comecei meus treinamentos agora. – a menina também sorria. – Eu ainda não sou muito boa, nem aguento correr.

_ Quando você menos esperar vai estar batalhando e ai sim vai saber o que é ficar cansada. – falou Alice.

_ Eu acho que não vou conseguir. – falou a menina com uma carinha triste.

_ Mas é claro que vai. – falou Alice segurando as mãos da pequena criança. – Você é especial.

_ Todos me dizem isso. Não vejo nada de especial em mim.

_ Um dia você vai descobrir o quanto você é especial. – Alice sorriu e a abraçou.

xxx

Acordei assustada. Como aquele sonho foi real.

A luz do sol nascendo invadia a janela.

Tock. Tock

_ Entra! – falei.

A porta se abriu e Alice entrou com uma bandeja.

_ Trouxe o seu café.

_ Obrigada. – agradeci.

_ Está melhor? – perguntou ela deixando a bandeja no meu colo e sentando em uma poltrona.

_ Quer saber se eu estou bem ou se eu ainda estou querendo ir embora? – ri.

_ Quero saber como você está. – ela falou tão verdadeiramente que eu acreditei.

_ Estou bem. – falei. – Obrigada por se importar.

Na bandeja tinha torradas frescas e um copo de leite. Não era o café que eu estava acostumada, mas era melhor que nada. Comi em silêncio, até que Alice o interrompeu.

_ Amy?

_ Sim. – respondi.

_ Como você me vê fisicamente? – perguntou.

_ Ah, você é bonita. – falei.

_ Quero que me descreva.

_ Ah, sim... – fiz uma pausa e a observei. – Cabelos cacheados e castanhos escuros, olhos pretos, pele branca... Espera, você está mudando!

Alice sorriu.

Sua aparência foi mudando como magia, sua pele continuava branca, mas seu cabelo estava liso, grande e castanho claro; seus olhos agora eram verdes.

_ Você viu o meu verdadeiro eu. – falou ela.

_ Como... Como fez isso? – perguntei surpresa.

_Você era a única que ainda não tinha me visto como eu realmente sou. – falou ela. – É um feitiço para enganar os lideres do outro mundo, eles me conhecem, tive que me disfarçar para poder chegar até você.

Eu fiquei em silêncio, então ela continuou:

_ Fiquei triste por você não ter reparado em mim.

_ Me desculpe. – falei. – São tantas coisas.

_ Eu entendo. – ela riu. – Na ultima vez que eu vi sua mãe ela me disse a mesma coisa. – ela foi andando em direção a porta.

_ Minha mãe? – levantei em um pulo. – Você conheceu minha mãe?

_ Sua mãe e eu éramos melhores amigas. – ela sorriu e saiu.

Minha mãe e Alice eram amigas? O SONHO! A menina do sonho era incrivelmente parecida com a minha mãe. Eu precisava de explicações.

Sai do quarto e fui da direção das escadas. Achei a sala principal e todos estavam lá.

_ Você conseguiu! Ela desceu! – exclamou Klaus se referindo a Alice.

_ Você mentiu para mim só para eu descer? – perguntei a Alice enfurecida.

_ Não Amy, eu falei a verdade. – ela respondeu.

Eu fiquei esperando o próximo a falar.

Todos estavam me olhando: Klaus, Alice, Peter, Safira, o centauro, o elfo, a mulher de armadura e o Senhor Hayes.

_ O que vocês querem? – perguntei.

_ Apenas conversar Amy. – falou Peter.

Eu estava prestes a falar, mas meu avô entrou na sala.

_ Acho que eu tenho que conversar com ela. – falou ele. – Venha comigo minha filha.

Ninguém protestou, então eu o acompanhei. Saímos da mansão e fomos andando pelas ruas do vilarejo. Percebi que eu ainda nem tinha tomado um banho, estava com a mesma roupa de quando eu cheguei.

_ Eu devo estar fedendo. – comentei.

_ Nada que um banho não resolva. – riu meu avô.

_ O que o senhor tem para falar comigo? – perguntei.

_ Antes quero lhe mostrar uma coisa. – falou.

Continuamos andando. Deixamos as ruas e fomos em direção a um estábulo. Por um momento eu esqueci que estava em um mundo completamente diferente o que fez com que o que eu vi me assustasse.

_ Pegasus! – exclamei.

Meu avô riu.

_ Tem todos os tipos aqui. – explicou ele. – Venha.

Eu o segui. Era um estábulo de Pegasus, Poneis e Unicornios, eu estava maravilhada.

Chegamos até uma porta onde estava escrito:

Thor.

Cavalo Alado De Margareth Halle.

Meu avô me deu passagem sem falar nada. Eu fui entrando.

Deitado no feno havia o pegasus mais lindo que qualquer outro. Ele estava dormindo e suas imensas asas estavam em forma de coberta, ele era branco, mas parecia que brilhava.

Fui me aproximando e parece que ele sentiu minha presença. Ele abriu os olhos, aqueles olhos grandes e verdes claros. Ele se levantou, era realmente lindo. Eu estava hipnotizada, nem me dei conta do tamanho da criatura que estava na minha frente, era enorme. Ele se aproximou de mim e eu senti medo.

Eu recuava cada vez mais para trás. Onde está meu avô para me ajudar? Me choquei contra uma parede, não havia mais como recuar. O cavalo alado se aproximava cada vez mais. Fechei os olhos. Senti sua respiração quente perto de mim. Estou protagonizando uma cena romântica com um cavalo alado, lindo!

Quando eu pensei em gritar ele relinchou.

Abri os olhos e ele estava saltitando em círculos, parecia feliz. Ele se aproximou novamente, mas dessa vez abaixou para mim poder acariciá-lo. Eu sorri e fiz o que ele queria. Que bom que eu não vou ter um romance ou vou ser devorada por você. Falei mentalmente para a criatura.

_ Ele gostou de você. – falou meu avô interrompendo o momento Thoramy.

_ Pensei que ele ia me machucar. – falei.

_ Impossível. – falou meu avô. – Ele sabe exatamente quem é você. Era o cavalo de sua mãe.

Thor relinchou mais uma vez.

_ Pode me ensinar a montar nele? – perguntei entusiasmada.

_ Hoje não dá.

_ Ah sim, você ainda tem que me convencer a ficar. – falei debochando. – Está usando Thor para me convencer?

_ Faz parte do plano. – meu avo riu. – Mas eu sei que ele não vai ajudar muito.

_ Que bom que o senhor sabe. – eu também ri.

_ Amy, eu não vou lhe obrigar a nada, a escolha é sua. Sei que o que fizemos foi errado, não devíamos ter escondido a verdade de você por todos esses anos e sinto muito por ter feito amizades no outro mundo.

_ Então eu acho que o senhor sabe como eu me sinto.

_ É claro que sei. – ele parecia estar falando a verdade. – Eu não espero que aceite que os seus amigos morram, eu só quero que faça o que é certo. Vamos tentar tirar seus amigos e as famílias deles de lá.

Eu fiquei feliz, mas isso não era o suficiente.

_ Mesmo assim pessoas inocentes vão morrer, e a culpa vai ser minha! – meus olhos começaram a se encherem de lágrimas.

Meu avô sorriu e disse:

_ Você é igual a sua mãe. – ele fez uma pausa. – Não podemos trazer todos, vamos trazer seus amigos, mas eles não poderão sobreviver para sempre, esse não é o mundo deles é um tanto impossível que eles consigam sobreviver a este mundo.

_ Papai e vovó estão aqui. – falei assustada.

_ É a escolha deles ficar aqui, Amy, eles sabem as consequencias.

_ Como o senhor pode falar assim?! – eu gritei. – Sua mulher vai morrer se continuar aqui!

_ Amélia, esse é o sacrifício dela. Você acha que eu fico bem com isso? Eu vou morrer quando ela morrer, não suportaria viver sem ela. – ele fez uma pausa, parecia estar com raiva, mas ao mesmo tempo triste – Estamos fazendo isso tudo por sua causa e você quer desistir.

_ Não há nenhum jeito deles continuarem vivos? – perguntei chorosa.

_ Não sei... Se há eu não sei. – ele se virou para mim. – Não estou querendo te colocar contra a parede com isso, a escolha é sua e vamos entender seja ela qual for, mas eu e sua avó decidimos que não vamos sair daqui, esse é o meu mundo e eu não vou abandoná-lo.

_ Por que o senhor ajudou minha mãe então?

_ Por que mesmo ela fugindo o seu destino ela nunca deixou de amar o seu verdadeiro mundo, você conhece a história, ela morreu por conta disso.

_ E se eu desistir, terei o mesmo destino que ela. – completei.

_ Exatamente. – ele colocou a mão no meu ombro. – Minha filha, a escolha é sua, espero que faça a certa. – ele ia saindo, mas parece que se lembrou de alguma coisa. – Ah, e Thor agora é seu.

Ele se virou e saiu do meu campo de visão. Eu me voltei para Thor e sentei no feno. Ele deitou perto de mim e comecei a acariciar a sua crina.

Eu sou Amélia Halle Cowell, tenho 17 anos e sou uma guerreia de um mundo místico. Vou liderar uma batalha contra o mundo mortal e vou matar pessoas inocentes. Meu pai e minha avó vão morrer e para ser mais sincera, tenho quase certeza que eu também.

Não sei quanto tempo fiquei pensando na vida ao lado de Thor, só sei que tomei uma decisão: Não importa se eu vou morrer eu não, vou seguir o meu destino, mesmo eu não gostando dele.

Me levantei e me despedi de Thor, prometi que voltaria.

Segui correndo para a mansão e quando eu entrei a sala principal estava cheia como hoje mais cedo: A família Hayes, a minha família e a família de Alice, Klaus, Safira, o centauro, o elfo e um cara estranho que eu não tinha visto antes. Ele era moreno e muito forte, estava de armadura e o escudo descansava do lado da cadeira.

Todos estavam almoçando e pararam para me ver entrando.

_ Eu vou fazer o que vocês querem, mas com uma condição. Todos me olharam apreensivos. – Se for pra fazer, tem que fazer direito!

xxx

_ VAMOS AMY! – gritava Alice.

Alice e Peter ficaram tão felizes com a noticia de que eu ia começar a treinar que decidiram começar os treinamentos após o almoço.

Conheci Judite, a mulher que estava junto aos guerreiros quando chegamos, ela é guerreira chefe. Nunca imaginaria uma mulher tão bonita como ela em uma armadura, seus cabelos pretos e longos estavam presos e ela exibia lindos olhos azuis cor de mar.

Eu estava com dificuldade de correr, a armadura era muito pesada.

O menino moreno que estava no almoço ria de mim e eu podia escutar cochichos vindos do seu grupo de amigos: “mas que piada, ela é a escolhida mesmo?” “que idiota, não consegue nem correr, imagine ela em uma batalha”.

Eu ignorei as brincadeirinhas e segui em frente. Peter ficava comido o tempo todo. Estávamos em uma corrida de obstáculos.

Quando cheguei a linha de chegada Judite veio até mim.

_ Para o primeiro treino até que você não foi tão ruim.

_ Fala sério. – falei arfando. – Eu fui horrível.

_ Acredite minha cara. – ela colocou a mão no meu ombro. – Eu não consegui passar do primeiro obstáculo no meu primeiro dia. Vamos ver Alice na arena?

Eu sorri e assenti. Gostei de Judite.

Seguimos para uma arena também em forma de palácio grego.

Me sentei nas arquibancadas e Judite foi para o centro do ringue, ela iria comandar a luta.

Peter se sentou ao meu lado.

_ Oi. – cumprimentou ele.

_ Oi. – sorri.

_ Como você está?

_ Cansada.

_ Imagino. – ele riu.

Ficamos em silêncio.

Eu observei Alice duelar. Ela estava travando uma luta de espadas com um homem que devia ter uns dois metros, mas ela estava se saindo muito bem, em questão de segundos o homem já estava no chão e ela se preparava para a próxima luta.

Eu tentei prestar atenção, mas sentia falta de conversar com Peter.

_ Peter. – chamei.

_ Sim.

_ Me desculpe por ontem. – falei. – Eu agi errado.

_ Tudo bem. – ele sorriu. – Eu entendo o seu lado.

_ Obrigada.

_ Não há de que.

_ Ela luta muito bem. – disse me referindo a Alice.

_ É verdade. – respondeu Peter. – Eu já enfrentei ela uma vez e não me sai muito bem.

Eu ri.

_ Alice é muito velha. – continuou ele. – Conhece golpes e feitiços antigos.

_ Quantos anos ela tem? – perguntei curiosa.

_ Ela não fala pra ninguém. – Peter riu. – Acho que tem vergonha de ser tão velha.

_ Ela não se casou?

_ Ela está noiva do mestre da cavalaria, Logan, mas ele está em uma missão na aldeia dos guerreiros do Norte. – contou. – Eles combinaram de se casar depois da guerra.

_ Espero que eles sobrevivam para poder se casar. – falei triste.

_ Ei, pensamento positivo. – falou Peter me animando. – Todos vamos sobreviver.

_ Assim espero. – sorri.

xxx

Voltamos para a mansão na hora do jantar e a mesa estava cheia com as mesmas pessoas do almoço. Me sentei e encarei o menino moreno que zombou da minha cara nos treinamentos, descobri que seu nome era Jason.

Eu estava contando sobre o treinamento para todos quando Jason interrompeu:

_ Ela foi horrível, nem conseguia correr direito.

_ É o primeiro dia dela, Jason. – falou Klaus. – Muita gente não consegue passar de um dia.

_ Espere! – me virei para Jason. – Quem é você para falar assim comigo? Você não passa de um guerreirozinho que fica zombando dos outros com os seus amigos idiotas.

_ Quem sou eu? – ele se levantou, estava com um sorriso malicioso no rosto. – Sou isso!

Ele ficou de quatro e se transformou em um enorme lobo. O lobo que eu vi quando cheguei!

Ele chegou perto de mim, tão perto que fez Peter erguer a espada. Jason rugiu e saiu calmamente da sala de jantar em sua forma de lobo.

_ Me desculpem, meu filho adora se exibir. – falou Klaus.

_ Seu filho? – perguntei assustada.

_ Jason é meu filho adotivo, Amélia, algum problema? – perguntou ele desafiador.

_ Não, nenhum.

Continuei o meu jantar em silêncio e depois subi para o meu quarto.

Eu estava sentada ao lado da janela olhando o vilarejo quando alguém bateu na porta.

Peter entrou educadamente e se sentou ao meu lado.

_ A que devo a honra de Peter Hayes em meu quarto essa hora? – perguntei.

_ Vim ver como estava. Você desafiou um lobisomem mocinha.

Rimos.

_ Ele é um idiota. – falei.

_ Eu sei, ninguém nunca gostou dele. – contou. – Nunca me meti com ele.

_ Então quer dizer que erguer a espada para ele foi um ato de coragem? – zombei.

_ Tinha medo dele te machucar.

_ Ele não ia me machucar, estava no meio de todo mundo. Mesmo assim, obrigada. – agradeci.

Ficamos nos encarando por alguns segundos, até que ele falou:

_ Amy... – ele estava sem jeito. – Eu não me esqueci do que aconteceu no submundo.

Me lembrei que havia falado que amava Peter enquanto ele dormia.

_ Eu sonhei que você estava me deixando e as almas estavam me devorando. Quando eu ouvi o seu “eu te amo” sua mão me salvou. – ele me olhou fixamente. – Você me ama de verdade?

Aquela pergunta fez meu coração acelerar e minhas mãos soarem, me arrepiei dos pés até a cabeça. Eu segurei a mão de Peter e estava prestes a me aproximar. Meu plano era beijá-lo e depois falar que eu realmente o amo. Era meu plano até Louis entrar sem bater na porta.

_ AMMMYYYYY! – gritou ele.

Ele olhou para a minha mão e as mãos de Peter entrelaçadas e sorriu vitorioso.

Eu soltei a mão de Peter.

_ O que foi Louis? – perguntei raivosa.

_ Vim dormir com você. – falou ele.

_ Por quê?

_ Por que sim ué. – falou ele se sentando na cama.

Percebi que minha avó estava na porta.

_ Ele insistiu Amy. – falou ela. – Tem algum problema?

Me me levantei e fui na direção dela.

_ Não vovó, está tudo bem. – eu a abracei.

Foi um abraço de agradecimento por tudo, ou para falar a verdade, uma espécie de adeus.

Ela sorriu e nos despedimos.

Me virei para Peter e ele fuzilava Louis com o olhar.

_ Ãn, Amy... Conversamos depois? – perguntou ele sem jeito.

_ Claro.

Eu dei um beijo em seu rosto e ele deu mais um daqueles sorrisos maravilhosos.

_ Tchau Louis. – falou ele.

_ Tchauzinho Peter. – respondeu ele risonho.

Peter se foi e eu queria matar Louis, mas aquele fofo estava todo esticado na minha cama e esbanjava felicidade. Ele era o irmão ciumento mais lindo do mundo.

_ Seu pestinha! – pulei na cama e comecei a fazer cócegas nele.

Depois de muita bagunça fomos vencidos pelo cansaço. Conversamos até dormir.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Aguardem o próximo cap.