Don't Stop Dream
17 Primeira vez no ringue.
Notas iniciais
Eu estava em casa. Minha mãe me colocava para dormir. Eu ria por algum motivo e mostrava as janelinhas que havia nos lugares dos dentes, minha mãe estava linda como sempre.
_ Vamos dormir porque você tem aula amanhã menininha. – advertiu minha mãe.
_ Você precisa viajar mesmo mamãe? – perguntei.
_ Preciso filha, seu avô e sua avó vão cuidar de vocês.
_ Para onde que você e o papai vão mesmo?
_ Para um lugar que um dia você vai conhecer. – ela sorriu.
_ Sério? Como é lá?! – perguntava curiosa.
_ Você vai ver. – dizia minha mãe rindo.
_ É o parque em Miami que eu vi na revista? – perguntei.
_ Não. – ela riu ainda mais. – Minha filha, existe um mundo muito além de Miami, muito além do que você possa imaginar.
_ Lá é legal? – perguntei com um brilho nos olhos.
_ É sim, muito legal.
_ Espero que o dia de eu ir para lá chegue logo. – sorri.
Minha mãe sorriu de volta.
_ Vai chegar logo logo meu amor. – disse ela, me deu um beijo e saiu.
Eu estava na porta, ela passou do meu lado e não me viu.
A segui.
Ela desceu as escadas e foi até a cozinha, pegou um copo de leite na geladeira e se se sentou à mesa.
Estava tudo quieto, tudo muito estranho.
_ Margareth. – falou uma voz fria vindo atrás de mim.
Olhei pra traz e no final do corredor estava o mesmo homem que me atacou quando eu estava indo pra o mundo inferior.
Por um momento eu me assustei, depois lembrei que ele não poderia me ver.
_ O que você está fazendo aqui? – falou minha mãe nervosa.
_ Vim impedir você de fazer a maior burrada da sua vida. – falou ele com um sorriso malicioso no rosto.
_ Eu não vou me bandear para o seu lado seu demônio! – ela gritou.
_ Shiii – ele fez um sinal para ela abaixar o tom. – Pode acordar Amélia e Louis.
_ Você não é digno de falar o nome dos meus filhos! Vá embora! – nesse momento a espada que meu avô me dera surgiu em sua mão.
Como?!
_ Você é corajosa Margareth. – ele riu. – Que irônico o que eu acabei de falar, você fugiu do seu mundo por medo de morrer.
Ele parou de falar por um segundo e parou como se estivesse pensando.
_ Raul está acordando. – falou. – Vamos acabar logo com isso.
Ele partiu para cima da minha mãe e tudo ficou escuro.
Eu acordei. Mas uma vez eu estava chorando.
Então foi assim que minha mãe morreu. Aquele homem deve possuir veneno por que depois daquela noite ela ainda ficou mais dois meses na cama sofrendo alucinações e morrendo aos poucos.
Olhei para o lado e Louis ainda estava dormindo.
Eu tentei dormir novamente, mas o sono não vinha. Decidi levantar.
Segui reto no corredor, ainda não tinha explorado toda a mansão. No corredor havia quadros muito lindos: pinturas de unicórnio, fadas, deuses e outras criaturas que não é possível encontrar no mundo mortal. No final do corredor havia uma clareira, me aproximei e pude ver que era uma sacada.
Alguém também estava fora da cama. Estava escuro, mas a silhueta era feminina.
_ Olá? – chamei.
_ Ãn, oi. – a voz era de Alice. – Amy?
_ Oi — me aproximei. – O que faz acordada?
_ Estou pensando na vida e você?
_ Estou sem sono mesmo.
Ela sorriu e voltou a olhar para o vilarejo que era a nossa paisagem. Me lembrei de quando estava na sacada com J.K Rowling na casa dos Hayes.
Hoje mais cedo, Alice me disse que era amiga da minha mãe, vou aproveitar a oportunidade e esclarecer as minhas duvidas.
_ Você era mesmo amiga da minha mãe? – perguntei.
_ Sim. – ela sorriu.
_ Me conte mais. Como é a história dessa amizade? – eu estava curiosa.
_ Bom. – começou ela. – Como sabe, sou imortal, igual você. Quando sua mãe nasceu eu já estava viva a alguns séculos. – ela riu. – Dês do começo sabiam que ela era a escolhida, por isso fui a treinadora exclusiva dela. Eu fui uma espécie de baba e quando ela fez seis anos começamos os treinamentos. Eu estava com ela em todos os momentos da vida, disso veio à amizade. – ela fez uma pausa. – Eu vi você nascer, Amy.
_ Você me viu nascer? – perguntei espantada.
_ Sim – ela sorriu. – Mesmo quando sua mãe deixou esse mundo eu continuei ao lado dela, afinal, é o meu destino.
_ O seu destino?
_ A profecia diz que a escolhida seguiria a sua jornada ao lado de uma guerreira e um guerreiro. – explicou.
_ Como sabe que é você?
_ Eu apenas sei. Sabemos quando estamos predestinados a alguma coisa, Amy.
Ela sorriu e eu senti que isso era um sinal para mim.
_ Eu vou dormir agora. – disse ela saindo.
_ Espera. – a interrompi. – Só mais uma coisa.
_ Diga.
_ Peter me disse que você conhece alguns feitiços antigos. – falei. – Será que um deles é de invadir os sonhos das pessoas? – sorri.
_ Ah. – ela sorriu, parece que entendeu o meu recado. – Eu conheço um sim, mas eu acho que não funciona muito bem.
_ Pode apostar, funciona. – disse.
Ela acenou e seguiu para o quarto.
xxx
O tempo passou rápido, pelas as minhas contas estamos aqui faz três meses.
Meu avô passa o dia todo na oficina em quanto eu e Louis treinamos. A noite vamos até um campo aberto para montar nos Pegasus. Louis também ganhou um, ele é um garanhão jovem preto chamado Loki. Thor e Loki os irmãos felizes, lindo né?! Estou pensando em arrumar um martelo para o meu pegasus ficar rodando por ai. Meu pai nos acompanhava, nossa relação melhorou muito, tivemos que assumir que toda a loucura dele tinha um fundamento, isso não foi muito agradável, mas estou feliz, estamos tão próximos que a raiva que eu sentia dele está sumindo aos poucos.
Na oficina meu avô faz armas de guerra, mas seus maiores dons são os Presentes Dos Guerreiros, o Eplitórogo é um deles. Eu ainda não sabia o que ele fazia, mas sabia que nele havia magia.
Todo o Guerreiro ganha uma peça mágica em um determinado momento de sua eternidade, o Eplitórogo era uns dos mais desejados. Alice tinha uma Muligga, um tipo de pulseira que quando pronunciada as palavras corretas te deixa invisível. Todos os presentes são meu avô que faz, por isso ele era tão conhecido.
Meu pai ajudava meu avô na oficina e minha avô cuidava dos jardins junto com as outras mulheres.
Os treinamentos eram feitos o dia inteiro. Eu melhorei muito, mas ainda não tive coragem para entrar no ringue e brigar com alguém. Peter venceu todas desde sua primeira briga. Não conversamos mais, nunca conseguíamos ficar sozinhos, eu era a celebridade do vilarejo. O meu único momento sozinha era na hora de dormir e devido ao dia corrido eu não aguentava ficar acordada. Peter todos os dias ia no meu quarto, ele ficava sentado em uma das poltronas e me olhava, eu sabia porque as vezes eu acordava e o via, mas ele dizia:
_ Volte a dormir, estou protegendo os seus sonhos.
Eu voltava a dormir e quando eu acordava ele não estava mais lá. Sentia falta de ter uma conversa a sós com ele.
Estou no ringue assistindo mais uma briga, Jason e Miller, um garoto mais jovem metido a fortão. Como é de se esperar, Miller está perdendo. Jason é proibido de usar sua forma de lobisomem nas brigas, ele só pode usar contra os inimigos, nunca com os guerreiros companheiros, mas parece que ele queria muito usar sua segunda forma para me matar. Eu o via todo dia e sempre que podia dava uns olhares de deboche em sua direção e ele continuava me provocando. Peter sempre estava de olho para não deixar ele mexer comigo.
Miller caiu desacordado no chão. Jason rugiu vitorioso.
Judite adentrou o ringue e deu parabéns para Jason.
_ Há muitos de vocês que ainda não lutaram. – disse Judite olhando para as arquibancadas. Ela parou seu olhar em mim. – Amy, não acha que chegou sua hora?
Ela está olhando para as arquibancadas, ela não vai me colocar para lutar com alguém forte, é a minha primeira luta.
_ Tudo bem. – disse me levantando. – Eu vou!
Judite sorriu.
Eu treinava lutas todos os dias com Alice e Peter, eles me ensinaram vários golpes, eu não podia me sair mal.
Em quanto eu seguia para o ringue eu olhei para Alice, ela correspondeu com um olhar que dizia “Fique tranquila, você vai se sair bem”.
Subi no ringue e esperei.
_ Alguém está disposto a lutar com ela? – disse ela olhando para o grupo de guerreiros que ainda não tinham pisado na arena.
Olhei para Jason, ele estava cochichando com sua melhor amiga, Kendall.
Ninguém se manifestou.
_ Ah, por favor – falou Judite. – É assim que vocês querem ser guerreiros?! Um dia vão precisar lutar.
_ Não com A Escolhida! – gritou um menino. – Ela vai nos derrubar em questão de segundos.
Ótimo, eles acham que só pelo fato de eu ser a tal escolhida eu tenho que ser invencível, vai ser uma grande decepção se eu perder.
_ Algum guerreiro experiente? – Judite perguntou para o grupo dos guerreiros que já tinham lutado.
O que? Não! Eu não vou...
_ Eu vou! – gritou Kendall.
Ah não! Eu já vi Kendall brigando, ela era rápida e tinha golpes fortes. Eu ia morrer!
Kendall subiu no ringue e me lançou um olhar debochado.
Procurei Peter e Alice, eles estavam lado a lado torcendo por mim, mas eu via nos seus olhos que eles não acreditavam que eu venceria.
As brigas eram feitas com espadas e escudos de madeira para evitar danos muito grandes. Judite nos entregou as armas.
_ Quando quiserem. – anunciou.
Eu fiquei imóvel. Kendall ria.
_ Qual é Amy?! – falou ela debochadamente. – Está com medinho, é?
Eu tomei uma postura mais desafiadora e falei.
_ Acho que é você que está com medo. Por que ainda não me atacou?!
Parece que ela ficou meio ofendida, pois na mesma hora partiu para cima de mim. Ela rugia feito um animal. Kendall tentou me acertar com a espada, mas eu desviei. Ergui meu escudo e me defendi de mais um golpe, o impacto foi grande, mas eu me safei. Ficamos nessa de golpes e desvios por um tempo até que Kendall conseguiu acertar o meu ombro, foi um golpe sem jeito, mas doeu. Ignorei a dor e ergui minha espada para acertá-la, mas quem se machucou foi eu. Kendall me deu uma rasteira e eu cai, e assim que eu ia me levantar ela me acertou na cabeça. Eu cai no chão com uma dor imensa, ela acertara no mesmo lugar onde eu havia machucado no ataque do Demonio da Noite no baile da escola. De alguma forma ela sabia que aquele local ainda não estava 100% bom.
A dor estava cada vez mais forte.
_ Isso foi golpe sujo Kendall! – gritava Judite em quanto entrava no ringue.
Minha visão estava embaçada, mas ver Kendall ali na minha frente distraída achando que tinha vencido me deu forças para levantar, essa luta ainda não acabou.
Me levantei e gritei, peguei Kendall de surpresa, dei um golpe com todas as minhas forças em seu rosto, ela cambaleava e eu continuava batendo. Ela caiu e por impulso eu não parei, eu estava com raiva.
_ PARA AMY! – vozes gritavam atrás de mim. – ESSA LUTA JÁ ACABOU.
Uma mão me pegou por trás e me tirou de cima de Kendall, ela estava desacordada.
Todos estavam falando muito.
Do nada tudo começou a girar e o mundo ficou escuro.
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