Don't Stop Dream
13 Olhos vermelhos misteriosos.
Notas iniciais
Me despedir de um mundo onde eu cresci é uma das coisas que eu nunca imaginaria que iria acontecer comigo. É loucura! Eu vou acordar desse sonho e vai estar tudo bem!, pensava esperançosa. Enquanto eu não acordava ficava olhava para o horizonte da sacada da casa dos Hayes, estava me despedindo. Queria poder levar não só a minha família, mas também os meus amigos. O que vai ser dos humanos? Vão todos morrer? A duvida era tremenda e eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Eu, uma guerreira? Eu tenho medo até de uma barata! No outro mundo eu sou imortal. Vão se passar anos e eu vou continuar com a mesma aparência de uma menina de 17 anos, eu não sei se isso é uma coisa boa ou uma tortura. Será que é bom viver pela eternidade? Viver, que irônico, eu vou morrer e ainda vou levar toda a minha família comigo. Eu não vou entrar nessa! Eu estava me virando pra anunciar a todos minha decisão quando J.K Rowling entrou na sacada.
_ Pensei que já tinha ido embora. – falei.
_ Vou ficar aqui até a hora de vocês partirem. – ela se pôs ao meu lado e olhou a paisagem.
Ficamos em silêncio, até eu falar:
_ Como conheceu o outro mundo? – perguntei.
Ela sorriu.
_ Sou como você, Amélia. – ela olhou para mim. – Sou imortal, mas recusei ser uma guerreira.
_ Por quê? – fiquei curiosa. _ Não queria entrar em uma guerra, tinha medo de morrer. – falou ela. – Me arrependo da minha escolha. Eu ignorei o meu destino e sofri as consequências.
_ O que aconteceu com você? – perguntei.
_ Vim para o mundo mortal e tive filhos. – ela sorriu. – Filhos destemidos.
_ E isso é ruim? – eu estava um pouco confusa.
_ Nunca escondi nada deles. – falou Rowling. – E eles, ao contrário de mim, seguiram o seu destino. – ela estava ficando triste. – Quando eles voltaram da guerra contra os malignos do inferno trouxeram com eles a noticia da morte do meu filho mais novo.
Pude ver uma lágrima escorrendo do seu rosto. Nunca fui boa em consolar pessoas.
_ Sinto muito. – foi a única coisa que consegui falar.
Ela se virou para mim e segurou minhas mãos.
_ Por mais que ele tenha morrido, não fuja do seu destino. O seu destino é viver, faça com que isso se cumpra. – pediu ela.
_ Eu vou viver, assim espero. – falei.
Peter entrou na sacada as presas.
_ Amy! – falou ele. Estava ofegante. – Precisamos ir, agora!
_ E Louis e meu pai? – perguntei.
_ Eles acabaram de chegar – respondeu. – Tem demônios da noite atrás deles.
_ Mas nem é noite! – falei.
_ Estão fracos. – ele pegou minha mão. – Mas se dermos bobeira podem nos matar.
Começamos a descer. Olhei para trás e Rowling estava nos seguindo. Eu ainda estava fraca, mas na hora do desespero isso não importa.
Ouvi gritos, LOUIS!
Ele e meu pai estavam na sala. Meu pai estava jogado no chão mas consciente, provavelmente estava cansado e Louis estava falando com meus avós, estava transtornado. Quando ele me viu correu para me abraçar.
_ Amélia! – ele gritou. – Me diz que é mentira! Aquelas coisas lá fora não são de verdade, são?! Vamos morrer?! – ele estava chorando. Eu o abracei.
_ Infelizmente elas são de verdades Lou. – falei ainda o abraçando. – Eu não queria que fosse, mas são. Eu não vou deixar você se machucar.
Alice entrou na sala. Ela estava com uma espada e junto com ela vinha o Sr. Hayes.
Eu soltei Louis e fui da direção deles.
_ São sete. – falou Alice. – Eles cercaram toda a casa.
_ Me explique mais uma vez, como eles acharam vocês? – o Sr Hayes perguntou ao meu pai.
_ Assim que tirei Louis do colégio eles começaram a nos perseguir. – falou meu pai.
_ Tinha alguém dentro da escola observando vocês. – falou a Senhora Hayes.
_ Mas quem? – perguntou Peter. – Eu me informei sobre todos, ninguém era suspeito.
_ Isso é muito estranho. – falou meu avô. – Eles não querem matar a Amy, então eles querem impedir que ela saia desse mundo, é a única opção.
Vasculhei em minha mente alguém que possa ser a misteriosa pessoa que quer que eu permaneça aqui, mas ninguém me veio a mente.
BUM!
_ Eles então tentando entrar! – gritou Alice sacando a espada.
Louis me abraçou.
_ Vai ficar tudo bem, Amy. – falou Peter. Ele também estava com uma espada.
Meu avô veio até mim com uma espada nas mãos.
_ Eu fiz para a sua mãe quando ela soube da profecia. – ele falou. – Agora é sua.
Eu não agradeci, sei que foi duro da minha parte, mas essa era a única coisa que eu conseguia fazer depois de tudo que descobri, ser seca.
Peguei a espada e a analisei: Sua lamina era bastante afiada e muito grande e seu cabo parecia ser de bronze, nele estava desenhado um Eplitórogo.
Eu olhei para o meu avô e sorri.
BUM!
_ O que a gente faz? – gritava senhora Hayes. Luna estava abraçada a mãe.
_ Ainda não é noite, isso quer dizer que eles estão fracos. – falei.
_ E daí? – gritou Alice. – Eles já nos cercaram.
Não pude deixar de achar o que Alice falou uma grande grosseria, mas deixei de lado.
_ Amy tem razão. – falou Peter. – Se conseguirmos distraí-los e depois escapar, temos uma grande chance de chegar até a entrada do inferno mais próxima.
_ Está maluco Peter? – gritou Alice. – Quer que usemos o inferno como portal?
_ Não vamos conseguir pegar uma avião e ir até a índia ou o Brasil para pegarmos um portal direto.
_ Brasil? – perguntou meu pai. – Não há nada lá, eu procurei em todo lugar!
_ O senhor não procurou melhor em Fernando de Noronha. – respondeu o senhor Hayes.
Meu pai ficou boquiaberto.
_ Ok. – falou Alice. – Quem vai distraí-los?
_ Eu vou! – falou Peter. – Alice, fique com Amélia e Louis. – ele se virou para Rowling. – Permaneça aqui dentro, assim que eles forem atrás de nós vá embora o mais rápido possível. – ordenou.
_ Não! – gritei. – Você vai se machucar. – eu o segurei pelo pulso.
_ Eu já fiz muita coisa pior, Amy. – ele segurou minha mão e me deu um beijo na testa e seguiu em direção a porta principal.
Assim que Peter saiu o Sr Hayes ficou observando discretamente pela janela. Pude ouvir Peter chamando os demônios lá fora.
_ Ei. Estou aqui. – ele fez uma pausa. – Meu Deus, como vocês são feios! Querem umas vidas para deixar vocês mais fortes? Venham pegar a minha!
Silêncio.
Louis agarrava a minha mão ainda com mais força.
_ Corram! – gritou o senhor Hayes. – Para a garagem!
Corremos todos em direção a garagem. Todas as nossas bagagens já estavam nos carros, mas tinha a impressão que elas não viriam conosco quando entrássemos no inferno. A família Hayes entrou na BMW preta, que era a de Peter e a minha família entrou em uma branca que eu nunca tinha visto.
Quando eu estava pronta para entrar na BMW, Alice segurou minha mão.
_ A senhorita vem comigo. – falou ela.
_ Não! – Louis segurou meu pulso. Ele chorava muito.
_ Louis – falei para ele. – Colabora, ta? Eu vou ficar bem, prometo.
Minha avó o agarrou e o puxou para dentro do carro.
Segui Alice, ela subiu em cima de uma moto e me entregou um capacete.
O Senhor Hayes abriu a garagem e saiu.
Sentei-me na moto. Com uma mão eu me agarrava em Alice e com a outra eu segurava espada que eu nem sabia como usar.
Saímos da garagem e um frio surgiu em minha barriga. O medo!
Sons horríveis vinham atrás de nós. Aonde está Peter? Eu me perguntava. Alice corria muito, estava logo atrás dos carros. Estávamos em uma rua totalmente deserta. Algo puxou meu braço direito, onde estava a espada. Eu achava que ia golpear o ar, mas atingi algo sólido.
O som de uma moto potente vinha atrás de nós. Olhei e vi Peter. Ele conseguiu! Demônios vinham atrás deles. O sol estava se ponto.
Um demônio nos alcançou e voava bem do lado de nós, ele esperava para dar o bote. Alice tentava o golpear com a espada, mas não conseguia. Ela aproximou a moto da criatura. Está maluca, pensei. Mas não, ela o acertou e ele ainda deu de cara com uma árvore.
_ Estamos quase chega... – ela ia gritar, mas fomos atiradas para fora da moto.
Eu e Alice caímos no asfalto.
Eu estava toda dolorida, coloquei a mão na cabeça e vi que meu machucado estava sangrando. Alice veio na minha direção e me ajudou a levantar. Me pus de pé com dificuldade e quando olhei pra cima os demônios vinham em nossa direção.
_ Corre! – gritou ela e entrou na mata. Eu ignorei a dor e a segui.
Estava com dificuldade, mas não queria morrer. Alice corria na minha frente. Me atrevi a olhar para cima e os demônios estavam nos alcançando, quando voltei meu olhar para Alice ela não estava mais lá.
Continuei correndo em uma só direção, mas meu medo era ainda maior. Entrei em uma clareira e uma figura humana me fez parar. Eu tentei gritar para que ele pudesse correr, mas estava tão cansada que minha voz não saia. Nesse momento, percebi que o sol se pôs.
_ Sa.. Sai... – eu tentava falar, mas não conseguia.
_ Ora, ora – falou ele, era uma voz masculina e grossa. – Fugindo de Demônios da Noite, Amélia Cowell?
Como ele sabia meu nome?!
Ele se aproximou e pude vê-lo melhor. Ele vestia um terno preto fino, tinha cabelos grisalhos e uma barba da mesma cor. Os olhos eram de um vermelho puro. Eu saquei minha espada e apontei para ele, aqueles olhos não eram normais.
_ Uuh! – falou ele levantando as mãos. – Isso é bastante perigoso senhorita.
_ Quem... Quem é você? – por fim, consegui falar.
_ Isso não vem ao caso minha querida. – ele falou. – A questão é: que você vai para um mundo onde você vai ser morta em questão de segundos? — perguntou ele — Sabe estas criaturas? Elas podem circular por lá também.
Eu não falava nada, só escutava atentamente.
_ Você não pode acreditar nos Hayes. – falou ele. – Você é a escolhida para proteger este mundo. Sua mãe também era, mas eles a convenceram tão bem.
_ Me deixa passar! – ordenei.
_ Você ainda quer ir para lá? Você e sua família vão ter uma vida muito melhor aqui – falou ele. – Aqui ninguém te quer morta.
_ E esses demônios da noite querem o que?! – perguntei.
_ Apenas te impedir de cometer um erro, doçura. – falou.
_ Não me chame de doçura! – falei, brava.
Ele veio a minha direção em uma rapidez incrível, me socou contra uma árvore e me segurou pelo pescoço.
_ Ou você fica por bem, ou fica por mal! – gritou ele.
_ Você não vai me impedir de nada! – nesse momento surgiu uma força dentro de mim que eu nunca pensei que existia, ergui a espada pesada, e rasguei o rosto do homem.
Ele me soltou e com as suas mãos tampava o ferimento.
_ Você vai me pagar! – murmurou ele.
Ele se tornou um vulto preto e em questão se segundos já estava fora do meu campo de visão.
Olhei para os lados, eu não sabia para onde ia, foi quando eu escutei um barulho de moto. Peter!
_Peter! Peter! – eu sabia que isso podia atrair os demônios, mas precisava saber para aonde ir.
Um farol brilhou entre as árvores e eu esperei ele se aproximar. Era realmente Peter.
_ Como você está? – perguntou ele assim que parou.
_ Estou bem. – falei subindo na moto. – Vamos!
Galhos batiam em nós e o pior de tudo é que atrás vinham os maiores problemas. Eu tomei coragem e ergui a espada para tentar acertá-los, a maioria das vezes eu acertava o nada.
Deixamos a mata e entramos nas margens de um rio. Do outro lado vi as BMW paradas. Peter desligou a moto e nós descemos.
_ Para o rio. – falou ele. – Vamos!
Corremos em direção ao rio e os demônios continuavam nos seguindo.
Entramos na água e mergulhamos. Peter segurava as minhas mãos. Tentávamos nadar rápido, mas o peso das espadas não ajudava muito. Fomos cada vez mais para o fundo. Não olhei para trás, mas tinha quase certeza que ainda estávamos sendo perseguidos.
No fundo havia uma rachadura que brilhava em vermelho vivo. Chegamos mais perto e Peter soltou minha mão. Olhei para trás e três demônios estavam se aproximando. Peter abriu a rachadura e fez um sinal para que eu entrasse. Eu entrei. A água foi ficando cada vez mais quente. Olhei para trás e Peter fechou por completo a rachadura no instante em que um dos demônios tinha a alcançado. Assim que Peter segurou minha mão, uma pressão de água quente nos puxou para baixo.
Já estava na hora de eu sentir falta de ar, mas ali parecia que o ar não fazia falta. Estávamos indo cada vez mais para o fundo. Fechei os olhos e esperei. Paramos de descer, a água a cada segundo que passava continuava mais quente. Antes que eu pudesse abrir os olhos Peter colocou a mão no meu rosto, parecia que estava procurando alguma coisa. Achou meus olhos e os tampou. Nadamos para cima.
A água já estava ficando difícil de suportar, estava cada vez mais quente. Chegamos a superfície e Peter falou:
_ Abre os olhos Amy! – falou ele. – Temos que sair daqui antes que a lava volte para a sua forma!
Lava?!
Abri os olhos e segui Peter, minha família estava em um pedaço de roxa logo a frente. A água estava começando a me queimar, estava insuportável, eu já não estava conseguindo mais nadar, fiz um esforço e agarrei a roxa. Peter subiu primeiro e me ajudou a subir, assim que eu tirei meu pé alguma coisa um calor o queimou. Olhei para onde eu tinha vindo, LAVA!
_ Amy, seu pé! – ajoelhou Peter.
_ Não foi uma queimadura grave. – falei.
A senhora Hayes veio me examinar, achou melhor enfaixar meu pé e tirou de uma mochila a prova d’água um quite de primeiros socorros.
Em quanto ela fazia o trabalho eu pude perceber onde eu estava. O chão era quente e havia lava por todos os lados, gritos terríveis vinham dos lados, olhei pra a direção do som e vi pessoas... Pessoas não, almas! Olhei para cima e tudo era vermelho. O vento soprava quente e eu estava suando. Alguns lugares das roxas pegavam até fogo.
Eu estou no inferno!
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