Notas iniciais
Está ai o novo capítulo. Recebi uma ajuda muito especial neste cap. Quero agradecer a Thayssa Meyrelles por estar me ajudando a bolar está história. Obrigada s2 Boa leitura.

Depois da Srª Hayes enfaixar meu pé seguimos para uma escada muito irregular. Em volta almas queimavam no fogo. Peter segurou minha mão e subimos juntos. Eu estava mancando.

O Senhor Hayes e meu pai ajudavam meu avô a subir, pois ele já havia feito muito esforço. Louis estava agarrado em minha avó, ele escondia o rosto enquanto subia para não olhar para as almas. Senhora Hayes e seus filhos estavam a nossa frente e Alice atrás.

Eu não conseguia tirar os olhos daquele fogo ao nosso redor. Almas tentavam tocar em nós, mas não conseguiam, era horrível.

_ Mi... Minha mãe pode estar aqui? – perguntei para Peter.

_ É muito provável que não. – respondeu. – Ninguém sabe para onde vai a alma de uma escolhida.

Eu não falei mais nada, apenas apertei a sua mão mais forte.

A subida foi longa, chegamos ao topo arfando.

O inferno parecia que não tinha fim, era sofrimento por todos os lados.

_ Como vamos fazer para sair daqui?! – perguntei.

_ Temos que achar o barqueiro e ir até as Ninfas do Inferno que protegem o portal. – falou Peter.

_ Isso é loucura! – gritou Alice atrás de nós. – As ninfas vão querer algo em troca, temos guerreiros e mortais aqui, a refeição preferida delas!

Ficamos em silêncio. Algo em troca?! As Ninfas gostavam de humanos e de guerreiros?!

_ Eu trouxe ouro – falou Peter. – E temos dracmas, as moedas dos Deuses, eu vou oferecer a elas.

_ O que acontece se elas não aceitarem? – perguntei.

_ Ficamos no inferno.

xxx

Caminhamos por tanto tempo que eu nem sei se ainda acredito que podemos sair desse lugar. Meu avô começou a passar mal e Peter me deixou na companhia da “doce” Alice pra poder ajuda-lo. Louis estava sonolento e tropeçava nos próprios pés. Estávamos soando como nunca havíamos soado antes, estávamos ficando cansados e eu já via a hora de um de nós cair desidratado no chão.

_ Assustada Amy? – perguntou Alice me tirando dos meus pensamentos.

_ Mas que pergunta idiota! – falei. – Estamos no inferno e você acha que eu estou achando isso a coisa mais normal do mundo? É claro que eu estou assustada! – falei um pouco exaltada.

Ela riu.

_ Os mortais referem-se a essa lugar de uma forma tão estranha. – falou. – Fale submundo, fica muito melhor.

_ Submundo. – repeti. – Hades!

_ Qual é a surpresa? – perguntou ela.

_ Não costumo vir para a toca de Hades sempre. – sorri debochadamente. – Podemos circular por aqui livremente sem que ele interfira?

_ Não sei. – falou ela. – Quando eu estava voltando de uma guerra na África, eu e alguns guerreiros optamos por passar pelo mundo inferior para voltar para casa. – contou. – Fizemos um trajeto parecido com esse e quando chegamos ao portal, um dos guerreiros se sacrificou e tivemos livre passagem para o nosso mundo. Isso tudo, sem a interferência de Hades.

_ E isso tem quanto tempo? – perguntei curiosa.

_ Uns 500 e poucos anos. – falou ela como se isso fosse apenas cinco dias.

_ O barqueiro! – alguém lá na frente exclamou.

De longe avistei um barco grande, tinha o formato de uma canoa, mas era muito maior. A madeira na qual era construída era muito escura e parecia ser bastante velha. Na ponta havia uma criatura um pouco estranha, era um humano em decomposição, algumas partes do corpo estavam em puro osso, ele estava coberto por uma capa preta que se parecia mais com trapos. O barco estava flutuando.

Nos aproximamos e Peter pegou os chamados dracmas. Meu Deus, Rick Riordan também sabe sobre este mundo!, pensei lembrando do escritor dos livros de Percy Jackson, as histórias estavam batendo e eu não pude deixar de comparar.

O barqueiro sem falar nada pegou as moedas e esperou que todos nos estivéssemos a bordo.

_ Para a toca das Ninfas. – falou o senhor Hayes assim que todos nós estávamos no barco.

O barco começou a se mover e eu não pude evitar uma espiada, me inclinei para a beirada e observei o submundo. As almas clamavam por socorro lá em baixo.

_ Não é bom ficar olhando-as. – falou Peter, me interrompendo. Ele estava sentado de frente para mim e eu voltei minha atenção a ele.

_ Aqueles demônios podem nos atacar aqui? – perguntei.

_ É claro que podem Amy. – Peter riu. – Estamos no mundo inferior, é daqui que eles vem. – falou ele. – Mas acho que não há nenhum aqui – continuou. – Achamos que eles haviam sido extintos. Todos que por aqui passavam falavam que não eram atacado por nada, nem mesmo Hades interferia nas suas passagens.

_ Isso é estranho. – comentei.

_ Eu se...

O grito de minha avó o interrompeu.

_ LOOOOOUIIS NÃO DORMEEE! – Ela batia no rosto de Louis. Ele estava com os olhos fechados e mole demais.

_ Que mal tem ele dormir? – perguntei para Peter enquanto nos aproximamos deles.

_ Os espíritos malignos podem invadir os sonhos dele e fazê-lo pirar. – explicou.

_ Assim como estava acontecendo comigo? – perguntei.

_ Sim.

_ Então a gente pede pra ele não ter pesadelos, simples. – falei.

Peter ficou em silêncio, pegou Louis no colo e em questão de segundos Louis já estava dormindo.

Eu estava prestes a fechar os olhos e pedir proteção para os sonhos de Louis, eu não sabia exatamente para quem pedir, mas não custava nada tentar. Peter me interrompeu.

_ Não Amy. – falou ele. – Deixe só seu.

_ Não faça isso Peter. – pediu a Senhora Hayes.

_ Eu aprendi a controlar mãe. – falou Peter.

Ãn? Do que eles estão falando?

Peter começou a pronunciar:

_Oh poderosos Deuses, não deixem que Louis tenha pesadelos, o proteja de todo o mal. Eu me ofereço para sofrer no lugar deste pobre menino. – ele fez uma pausa. – E que, mais uma vez eu sobreviva a esse sofrimento.

Então é isto, Peter todas as noites sofria com pesadelos, pesadelos que deviam ser meus. Ele me protegeu esse tempo todo.

Peter foi ficando cada vez mais sonolento. O senhor Hayes e meu pai tiraram Louis do seu colo e o colocaram no colo de minha avó. Eles estavam prestes a colocar Peter junto a mãe para que ele pudesse deitar quando eu falei:

_ Deixe ele comigo.

Eles não protestaram. Alice saiu do meu lado e sentou na minha frente. Peter deitou com a cabeça no meu colo. Eu segurei a sua mão. Aos poucos ele adormeceu.

De inicio não aconteceu nada, mas depois Peter começou a tremer, ele segurava a minha mão com mais força. Eu estou aqui Peter, pensava na intenção dele poder escutar enquanto tivesse dormindo. Ele começou a gemer, seu cabelo em questão de instantes já estava todo molhado de suor. O calor já estava insuportável, imagine para ele. Fique tranquilo, sou eu, Amy, eu estou aqui com você. Ele começou a gritar.

_ AMY!

Eu estou aqui Peter, estou bem, estou aqui! Continuava falando.

_ Não me deixe, Amy!

Eu não vou te deixar. Vou estar sempre com você!

_ Amy! Não vá embora!

Eu não vou Peter, eu estou aqui.

_ Amy!

Eu te amo Peter.

Ele não gritou mais, parou de tremer e agora dormia feito um anjo. Comecei a fazer carinho nos seus cabelos molhados e fiquei o observando enquanto dormia. Louis não reagiu a nada, parece que Peter conseguiu.

xxx

Achei que seria melhor observar Peter dormir do que ficar olhando a paisagem sombria do submundo a minha volta. Fiquei olhando aquele lindo homem dormir a viagem inteira.

_ Chegamos Amy. – a voz de Alice me trouxe a realidade.

Estávamos na frente de algum tipo de caverna, mas não era uma caverna comum, suas paredes eram feitas de fogo.

_ Peter. – disse segurando no rosto de Peter. – Acorda, chegamos!

Aos poucos ele foi abrindo os olhos.

_ Amy? – falou ele com a voz fraca.

_ Sim, sou eu. – falei. – Você conseguiu.

Ele se sentou e me encarou.

_ Você... – falou ele sem jeito, mas ao mesmo tempo estava com um brilho nos olhos. – Você falou comi...

Alice o interrompeu.

_ Vamos gente! – ela já estava fora do barco.

Olhei para Peter e falei:

_ Vamos.

Ele sorriu e me ajudou a descer.

Louis estava dormindo no colo do meu pai. Peter se ofereceu para carregá-lo. O barqueiro foi embora e nos deixou naquele lugar, sozinhos.

_ Esse é o portal? – perguntei. – Não vejo nenhuma ninfa.

_ Elas estão nos observando – falou o meu avô.

Olhei para o fogo que brilhava a nossa frente e vi uma silhueta humana que aos poucos foi ficando mais visível. Era uma mulher nua que queimava nas chamas, ela não tinha boca nem nariz apenas um par de olhos completamente pretos. Atrás dela vinha mais duas.

_ Huum, interessante. – falou uma delas. A voz era doce e calma

_ Queremos passagem para outro mundo. – falou o senhor Hayes.

_ Tem bastante gente aqui. – falou a primeira. – Isso vai lhes custar caro.

_ Temos ouro, dracmas... – falou o Senhor Hayes.

As Ninfas ignoraram o que acabaram de ouvir e uma delas começou a andar entre nós.

Quando ela chegou perto de mim, o calor se intensificou e ela sussurrou.

_ A escolhida.

Ela voltou para junto das outras e falou.

_ Temos 2 mortais, 3 imortais, 4 guerreiros jovens, 2 guerreiros experientes e a escolhida. — ela me olhou com aqueles imensos olhos pretos. — Não podemos levar ela, mas os outros.

_ Seria muito bom ter um guerreiro tão bonito para saborearmos. – falou a segundo ninfa olhando para Peter.

_ Ninguém aqui vai se sacrificar. – falou o senhor Hayes.

_ Temos uma fartura de seres aqui. – falou uma das ninfas. – Dracmas não são nada comparados a isso.

_ Da licença. – falou Alice pedindo passagem. – E se dermos a vocês uma fada?

_ Fada? Aonde tem fada?! – elas ficaram loucas.

_Aqui. – disse Alice colocando a mão no bolso e tirando a estranha fada verde que ela havia me apresentado na noite do baile.

Todos ficaram em silêncio, ninguém protestou sobre a vida daquela pobre fada.

_ Fadas são a fonte de tudo o que é bom entre os dois mundos! – Exclamou uma das Ninfas. – Aceitamos!

Alice estendeu a mão onde estava a fada e entregou para uma das criaturas, a fada não pousou, mas parou ao seu lado.

_ Não faça isso Alice! – pedi.

_ Ela quer isso Amy. – falou.

_ Como você sabe?

_ Ela me falou.

Falou? Como ela pode ter te falado alguma coisa?! Me perguntei em silêncio.

O fogo na caverna ficou menos denso, um sinal que a passagem estava aberta. Todos nós seguimos para o portal. A caverna era totalmente estreita. Caminhamos um pouco e o barulho de água invadiu meus ouvidos, uma luz ao longe brilhava. Olhei pra trás e as três Ninfas estavam distantes, era possível ver um pontinho verde que sumiu... Sumiu!

_ Você conseguiu! – falou Alice.

Olhei pra Alice e a fada estava em suas mãos. Voltei meu olhar para as minhas, elas perceberam.

_ CORRAAAAAAM!

Todos nós corremos. O fogo voltou a surgir das paredes da caverna e as ninfas nos perseguiam. Estávamos no meio das chamas. Corri o mais rápido que pude, a luz estava mais próxima. O fogo estava quase nos atingindo, morreríamos ali em questão de segundos.

Eu não estava conseguindo mais, estava respirando com muita dificuldade, eu estava diminuindo a minha corrida quando Alice segurou minha mão. Corremos. A luz ficou maior e uma brisa de água tomou conta do local.

CONSEGUIMOS!

Eu e Alice caímos no chão ofegantes.

_ Obriga-da. – falei com dificuldade.

_ Amigos são para essas coisas. – ela respirava fundo e sorria.

Eu retribui o sorriso. Talvez aquela menina amigável que eu conheci no colégio como Elizabeth ainda estivesse ali.

_ Que lindo! – a voz de Louis vinha logo a frente.

Olhei na direção de onde viemos e nada, apenas a parede de uma caverna. Nos levantamos com muita dificuldade.

O barulho de uma cachoeira era musica para os meus ouvidos. Nos aproximamos de Louis e olhamos a paisagem. Era realmente fantástica.

Notas finais
Comentem o que estão achando ;) Beijos.