Notas iniciais
Desculpem por não ter postado ontem. Espero que gostem do novo capítulo. Boa leitura.

Depois de passar pelo inferno estávamos sujos e cansados. Nos banhamos na cachoeira e nos atrevemos a nos divertir em meio a esse caos que se tornou as nossas vidas. Estávamos no paraíso.

Meu avô esbanjava felicidade, corria e pulava. Peter me explicou que aqui sua doença simplesmente desaparecia, esse era o mundo dele e o seu encanto o fazia bem, e era realmente verdade. Eu me sentia bem, mais forte e mais disposta.

Louis brincava de um modo sem jeito com Nick e Alex, ele me olhava de canto de olho e eu sentia que ele queria me dizer alguma coisa, a única coisa que eu sabia era que ele estava com medo.

Toda a alegria durou pouco. Alice, que estava apenas observando nossa diversão, nos alertou que tínhamos que chegar à aldeia dos guerreiros do sul antes de anoitecer.

_ É muito longe daqui? – perguntei.

_ Umas duas horas de caminhada. – respondeu ela.

Legal, duas horas andando sem parar.

A paisagem a nossa volta era calma e aconchegante, o cheiro de flores e o clima fresco eram agradáveis e me faziam querer sentar ali, naquela grama e observar a paisagem o dia inteiro.

Eu andava ao lado da Senhora Hayes quando Louis segurou minha mão, ele parecia uma criança de 5 anos com tanto medo que nem conseguia falar, ele estava quieto e por um bom tempo caminhou de mãos dadas comigo. Assim que a senhora Hayes se afastou um eu perguntei:

_ O que está se passando nessa sua cabeçinha, Louis?

Ele me olhou e por alguns segundos ficou quieto.

_ Eu quero ir embora, Amy. – respondeu.

_ A gente não pode ir. – falei. – Precisamos ficar aqui em segurança.

_ E você acha que estamos seguros aqui? – ele falava como se eu fosse uma idiota. – Amy, se tudo que os livros dizem for verdade existem criaturas aqui que podem nos matar em questão de segundos.

Eu estava prestes a responder, mas a voz de Peter me interrompeu.

_ É por isso que os guerreiros treinam. – disse ele se aproximando. – Você vai ser um ótimo guerreiros, Louis. Vai ter muito tempo para treinar.

_ E a minha irmã? – perguntou Louis com um tom de voz alterado. – Ela vai ter que enfrentar uma guerra e nem sabe como usar uma espada.

_ Eu vou protegê-la. – falou Peter. – Prometo.

_ Espero que cumpra a sua promessa.

Louis saiu indignado e foi para perto do meu avô.

Eu fiquei em silêncio em quando eu te Peter andávamos lado a lado. A fada de Alice voava feliz por cima das nossas cabeças, eu a observava.

_ Está com medo? – perguntou Peter chamando minha atenção.

_ Medo de que? Da fada? – perguntei.

_ Não. – ele riu. – Do que Louis falou.

_ Eu não sei. Acho que ainda não caiu a ficha de tudo que está acontecendo.

_ Eu não menti – falou ele calmamente. – Vou protegê-la.

Eu pensei em protestar, falar que não era preciso, mas apenas falei:

_ Obrigada.

xxx

_ CHEGAMOS! – gritou Alice lá da frente.

Creio que caminhamos muito mais que duas horas. Eu estava me apoiando em Peter e me segurava para não cair desmaiada de tanto cansaço, eu não durmo a um tempinho.

De longe avistamos um amontoado de pequenas casas com aparência medieval, não pude deixar de comparar com o meu sonho. Eu resmungava de cansaço o tempo todo e Peter ria de mim. Belo cavalheiro você é, nem para se oferecer para me carregar!, pensava. Nos aproximamos e eu vi pequenas palavras em uma pedra.

Povoado dos Guerreiros do Sul.

O vilarejo era bem comum, mas ao contrario das construções medievais ele possuía vida. Havia flores e árvores cheias de frutos por todo o canto, mulheres de vestidos longos de bem jeitosos cuidavam dos jardins. As casas eram de madeira.

Todos pararam os seus afazeres e nos observaram passar. Cochichos rolavam por toda a parte... Mas o que é aquilo ali? Um duende! Eu não pude deixar de olhar, era um duende! Tomei uma postura rígida e passei a observar as pessoas. Ao lado das mulheres fadas de todas as cores também os observavam. Homens com armaduras se puseram de guarda, entre eles, havia um menino que aparentava ter penas nove anos. Louis olhou para mim e eu fiz um aceno com a cabeça indicando que estava tudo bem.

Caminhamos até uma praça, nela havia uma casa maior, uma mansão melhor dizendo. Sua pintura era branca e ela parecia um pequeno palácio grego. Nas escadas nos esperavam várias criaturas: Um centauro, um cachorro muito grande que na certa era um lobo, um elfo, um homem barbudo com roupas de mago, uma mulher forte de armadura acompanhada de cinco guerreiros e um homem muito bem vestido, ao lado dele se encontrava um elfo, uma fêmea, ela era extremamente branca, seus olhos eram de um azul céu, o cabelo grande e laranja estava solto e bastante liso, o que fazia com que suas pontudas orelhas ficassem a mostra. O homem tinha uma aparência normal, cabelos loiros penteados para trás e uma pequena barba, parecia ter uns trinta anos.

_ Mãe! – gritou Alice e correu para uma miúda mulher de cabelos loiros.

Elas se abraçaram e ficaram lado a lado.

Observei a multidão que se formou atrás de nós, parece que o povoado inteiro veio nos dar boas vindas. O homem que estava na escada chegou mais para frente e sorriu.

_ Sejam bem vindos ao Povoado dos Guerreiros do Sul. – ele não usava nenhum microfone, mas sua voz era alta como se estivesse com um. – Quero parabenizar Alice Harisson pelo brilhante desempenho em trazer Amélia Cowell para o nosso mundo. – ele sorriu para Alice e para mim e depois voltou sua atenção para o publico. – Meu povo, a escolhida esta do nosso lado!

Uma gritaria infestou o local, assobios e vivas vinham de toda a parte. Eu olhei para Peter, ele segurou minha mão com um sinal de que estava tudo bem.

Duas pequenas meninas vinham até mim, uma era negra e a outra branca de cabelos pretos, elas seguraram minhas mãos, uma em cada lado, e me puxaram. Caminhei com as crianças e fui deixando meus companheiros para trás. Cheguei até a escadaria onde a elfo de cabelos ruivos me esperava, subi as escadas e parei ao lado do homem que fizera o anuncio da minha chegada. Alice também veio para o meu lado, ela segurou a minha mão e então alevantamos. Eu e Alice de mãos dadas como se acabássemos de vencer uma guerra juntas, o povo gritou mais.

O homem pediu silencio e a multidão concedeu.

_ Seja bem vinda. – disse ele se virando para mim. – Obrigado por ter vindo.

_ De nada. – sorri.

_ Sou Klaus, comando está aldeia.

_ Prazer. – falei.

Me voltei para a multidão que espiava o nosso dialogo.

Peter e minha família estavam no mesmo lugar onde eu os deixei.

_ Eles querem que você fale alguma coisa. – sussurrou Alice.

_ Mas eu não sei o que falar. – sussurrei de volta.

_Inventa. – ordenou ela.

Olhei para o tal Klaus e ele também esperava as minhas palavras. Olhei para a multidão mais uma vez e tentei pensar no que falar.

_ Bom... ãn? – minha voz estava alta e fazia um eco dentro de mim. – Como que eu estou falando tão alto assim? – perguntei assustada.

_ É um feitiço, Amy! – falou Alice com uma cara de desaprovação.

_Ah, sim, desculpa – voltei a falar. – Não estou muito acostumada com feitiços. – eu ri, esperava que todos rissem comigo, mas nada aconteceu. – É, ãn... Eu não sei como é um discurso de um grande guerreiro, eu nunca fiz isso, a pouco tempo atrás eu nem sabia que era uma. – virei meu olhar para Peter, ele fez um sinal de positivo. – Descobrir que você é a escolhida para decidir o destino do universo não é uma coisa fácil. – continuei. – Minha mãe também pensava assim. Sinto muito por ela ter fugido, mas quero que saibam que ela nunca trairia o seu povo, a morte dela é uma prova disso. Eu estou aqui hoje, e isso mostra que eu não vou fugir do meu destino. Temos uma guerra pela frente e eu vou dar o melhor de mim. Conto com cada um de vocês. – fiz uma pausa. – Vamos vencer! – gritei.

O povo voltou a gritar. Agora gritavam “Amélia, Amélia”, alguns deles até falavam “estamos salvos”.

Foi ai que minha ficha caiu, eu vou ajudar a matar todos os mortais! Danielle, Rup, Joe, Bianca, Connor em questão de tempos vão estar mortos!

Eu fiquei paralisada, não conseguia me mover, lágrimas brotaram dos meus olhos e parece que todos perceberam, Peter estava na minha frente e perguntava o que estava acontecendo.

Eles me tiraram da frente da multidão e entramos na mansão.

_ Eu quero ir embora! – falei.

_ Como assim quer ir embora menina? – perguntou Klaus.

Assim como ele, todos começaram a me perguntar por que eu queria ir embora logo agora. Eles falavam sem parar

_ Parem! – gritei.

_ Então diz por que quer ir embora. – falou Peter.

_ Você escutou o que eu acabei de falar na frente daquela gente? – minha voz saiu falhada por causa do choro. – Eu vou morrer! Eu não vou conseguir! Vou lutar contra um mundo onde vivem pessoas que eu amo! Como vocês podem me pedir pra ficar calma e continuar com isso?! Isso é loucura!

Todos começaram a falar novamente. Peter percebeu que não íamos conseguir resolver nada naquela situação então gritou:

_ Calem a boca!

Todos ficaram quietos, Klaus quis protestar, mas achou melhor não.

_ Quero falar com Amy em particular. – pediu ele.

_ Eu levo vocês para o quarto que arrumamos para Amélia. – falou a Elfo.

_ Obrigada – falei. – Mas eu não vou ficar.

_ Vamos Amy.

Peter me pegou pelo braço e seguimos em direção ao quarto junto com a criatura de cabelos laranja.

_ Por que você não me solta? – perguntei a Peter.

_ Para você não fugir.

Eu bufei e continuei andando.

Por dentro a mansão também era grande e eu cheguei à conclusão que era realmente um palácio grego, os moveis eram sofisticados, mas não tiravam o ar de Olimpo. Subimos as escadas e viramos em um imenso corredor. A elfo parou em uma porta e falou:

_ Esse é o seu quarto Amélia – falou. – Sou Safira, qualquer coisa pode me falar.

_ Me chame de Amy. – falei.

Ela sorriu e saiu.

_ Entra. – ordenou Peter.

_ Você pensa que é quem pra me mandar?! – gritei.

_ Entra Amy! – ele gritou de volta.

_ Eu to entrando, mas não é por sua causa. – disse entrando no quarto.

_ Então é por causa de quem? – ele riu.

_ Eu sei que tinha muito tempo que eu não falava isso. – falei calmamente. – mas, vai se ferrar Peter! – gritei.

_ Amy. – falou ele. – Vamos direto ao ponto. Você não pode ir embora agora! Você aceitou vir para cá, precisa proteger a sua família, foi neles que eu pensei quando vim para cá.

_ Ah! Falou Peter Hayes O Herói. – falei. – Sempre ajudando os outros, um verdadeiro cavalheiro. – debochei – Olha Peter, eu também penso nos outros, OK? Eu tenho amigos lá, amigos que por sinal também são seus, ou será que você fingiu uma amizade com eles igual fez comigo?

_ O que você está querendo dizer com isso? – perguntou.

_ Que você fingiu igual a Alice que era meu amigo. – eu derramava toda a minha fúria sobre ele. — Meu Deus, como eu fui idiota. Eu quase te beijei!

_ Você está fora do seu normal. – ele estava com uma voz de decepção. – Você nem sabe o que esta falando.

_ É. – eu me acalmei. – Não sei e também não quero conversar agora.

_ Amanhã conversamos. – disse ele indo em direção a porta.

_ Se eu ainda estiver aqui. – falei.

Ele apenas me encarou e fechou a porta.

O quarto era do mesmo estilo que os outros cômodos, uma cama imensa estava a minha espera. Deitei e chorei até eu não querer mais. Passei o resto do dia no quarto.

A noite, Safira trouxe o meu jantar, eu agradeci e comi, mas depois voltei a deitar e fiquei pensando na minha triste vida e em tudo que eu falei para Peter, são sabia exatamente se estava arrependida, mas eu sabia que o que eu mais queria era ele ao meu lado naquele momento, percebi o quanto ele faz falta na minha vida. Chorei novamente.

Notas finais
E ai? Comentem o que acharam ;)