Don't Stop Dream
11 O Baile.
Notas iniciais
Sábado, dia do baile. Como é um dia que não tem aula costumamos acordar na hora do almoço, mas hoje Danielle nos acordou mais cedo.
_ Vamos lá meninas. – ela fez uma pausa. – Hoje é o grande baile e ele vai começar ao por do sol, isso não é romântico? – ela juntou as mãos em um gesto delicado.
Não respondemos. Eu apenas dei um bocejo.
_ Que isso garotas! Animem-se! – disse ela. – Vou aprontar vocês! Vem Elizabeth, vamos dar um jeito nesse cabelo.
_Ãn... Dani, eu não vou ao baile. – disse ela sem graça.
_ Você esta sem par? – perguntei.
_ Nã... Não, é que eu tenho um compromisso. – ela estava tão estranha que ninguém quis perguntar mais.
_ Tudo bem. – Falou Danielle. – Amy?
Me levantei e sentei em uma cadeira para que Danielle pudesse mexer no meu cabelo. Ela nem esperou eu falar nada e já estava com bobis e chapinha nas mãos. O que essa maluca vai fazer?
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Louis buscou o nosso almoço e levou até o nosso quarto, nenhuma de nós queria ser vista com bobis e uma coisa preta no rosto que tem um cheiro horrível. Elizabeth já tinha saído.
_ Ta ai o almoço de vocês. – disse Louis colocando a comida em cima da mesa. – E os pares de vocês estão ali fora.
_ AAAAAAAAAAAHH! Ele não pode me ver assim. – gritou Danielle e se escondeu no banheiro.
_ Ai gente, fala sério. – disse Bianca se levantando e indo até a porta. – São Joe, Rup e Peter, se esqueceram? Eles não vão falar nada.
Ela estava pronta para girar a maçaneta quando eu gritei:
_NÃAAO!!! – disse indo até a porta. – Por mais que seja eles eu não quero ser vista assim. – disse apontando para o meu rosto.
Bianca assentiu.
_ Meninos? – disse.
_ Amy? Por que não abre a porta? – Peter falou do outro lado.
_ Estamos em uma situação constrangedora aqui. – falei – Será que podemos nos ver só na hora do baile?
_ O que está acontecendo ai? – perguntou Rup.
_ Coisas de mulher – respondeu Bianca.
_ Tudo bem. Estamos indo então. – um deles disse.
Escutamos passos no corredor e nos voltamos para nossos lugares e atacamos a comida. Louis estava brincando com o gato de Bianca.
_ Você tem par para o baile, Lou? – perguntei.
_ Ah, tenho sim. – ele sorriu.
_ Aquela loirinha do olho azul que você vive babando? – perguntou Danielle debochando.
_ É ela mesmo, está com ciúme? – perguntou Louis todo cheio de si.
_ Awwn, mas que fofinho – disse Danielle indo até ele e o abraçando. – Eu sabia que você só estava com ela para me fazer ciúme.
_ Sai... Sai daqui garota! – Louis estava tentando tirar Danielle de cima dele.
Rimos dessa situação.
A tarde seguiu e Louis foi embora.
Chegou a hora de nos arrumarmos pra valer. Danielle foi a primeira, o cabelo estava preso em um coque e o vestido preto tomara que caia estava realçando o corpo. Bianca estava mais meiga, um vestido cor de pêssego rodado e de manguinhas, os cabelos pretos soltos e cheiros de volume.
Na hora de me arrumar fiquei em duvida sobre o vestido, eu nunca pensei que usaria uma coisa parecida antes. Danielle fez minha maquiagem e me ajudou a colocar o vestido, depois soltou meu cabelo. Coloquei o salto e fui para frente do espelho.
Essa não é Amélia Cowell!
Minha maquiagem estava perfeita e o cabelo liso e cacheado nas pontas parecia que tinha sido pintando, estava mais claro. O vestido era a combinação perfeita para mim, ele era longo e marcava o meu corpo; ele era azul de setim e aberto a atrás; de apenas uma alça.
_ Am... Amy... – Danielle estava de boca aberta. – Você está linda!
_ Muito linda! – completou Bianca.
Eu ri.
_ Obrigada meninas. – voltei para o espelho.
Eu não estou acreditando que essa sou eu. Meu Deus! Fiquei perdida em meus pensamentos e quando me dei conta Danielle e Bianca já estavam se despedindo.
Peter estava demorando. Me sentei na cama e continuei esperando.
Alguém bateu na porta.
Me levantei e fui abrir, era Peter. Ele estava com uma calça social preta, camisa branca e por cima um blazer preto. Ele estava lindo.
_ Amy! – falou ele espantado. – Você... Você está maravilhosa!
_ Estou mesmo? – perguntei.
_ Mas e claro! – ele pegou minha mão. – Está muito linda.
_ Obrigada. – falei com um sorriso.
_ Desculpe o atraso – falou. – Trouxe para você. – ele me entregou um buquê de rosas brancas.
_ É lindo! – falei. – Muito obrigada.
Deixei o buquê em cima da mesa e seguimos para a festa, de mãos dadas.
Todos já estavam lá.
Na entrada havia um imenso arco de flores e luminárias onde poderíamos tirar uma foto. O fotografo da escola tirou uma foto nossa e Peter lhe entregou o celular dele.
_ Para marcar esse momento. – ele sorriu e parou ao meu lado.
Tiramos para a foto e continuamos caminhando para a quadra. A quadra estava decorada tão bem que nem parecia a quadra que fazíamos educação física. Havia luminárias e enfeiteis por todos os lados.
Danielle, Rup, Joe e Bianca já estavam em uma mesa, nos sentamos com eles.
No palco havia duas cadeiras, uma pra o diretor e outra para J.K Rowling. Louis estava com a sua companheira bem em frente ao palco.
Jeniffer passou por nós varias vezes e não escondeu o ciúme, nem se atreveu a falar com Peter, mas comia ele com os olhos.
Avistei Connor sozinho em um canto da quadra, ele não parava de me encarar. O pior de tudo é que Peter percebeu.
_ Ele não para de te olhar. – disse ele pegando na minha mão novamente.
Dei uma outra espiada em Connor, ele continuava olhando.
_ Aconteceu alguma coisa? – perguntou Peter.
_ Ele falou que gosta de mim. – falei.
Peter respirou fundo.
_ E você gosta dele? – perguntou.
_ Meu amor por Connor já foi embora a muito tempo. – disse olhando fixamente para Peter.
Ele sorriu e acariciou minha mão.
_ Você está lindo, Peter. – falei.
_ Obrigada. – ele riu. – Mas não sou nada comparado a você.
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O diretor Sullivan subiu ao palco e cumprimentou a todos.
_ Caros alunos e alunas – disse ele. – A tão esperada convidada já esta aqui, vocês querem vela?!
Louis puxou um “SIM” e logo todos na quadra estavam gritando o nome de J.K Rowling.
_ Senhora Joanne Kathleen Rowling Murray – chamou o diretor. – Seja bem vinda ao Webberley College!
Quando ela entrou a quadra inteira estremeceu. Era realmente J.K Rowling no palco a minha frente! Ela acenou para todos, e esperou que a gritaria parasse, mas não parou. Louis estava hipnotizado, ele não parava de a olhar e nem se quer piscava, a menina o acompanhava estava tentando faze-lo sair do transe mas não conseguia. O Diretor estava ficando impaciente com a gritaria, e na verdade esse era o objetivo de alguns alunos, provoca-lo. Ele batia sem parar no microfone e pedia silêncio. Rowling pegou o microfone e apenas falou:
_ Obrigada pelo carinho – disse. – Mas agora vamos poupar suas preciosas gargantas?!
Todos ficaram em silêncio. Até Louis acordou do transe a abriu um imenso sorriso. Pensei que ele iria pular no palco e agarrar a escritora, mas ele ficou quietinho.
_ Olá – ela nos cumprimentou. – Quero agradecer o convite do Diretor e pela recepção calorosa que recebi agora. – ela deu uma olhada em torno na quadra – Nossa! Como vocês estão lindos.
Todos gritaram mais uma vez, mas logo pararam.
Rowling deu inicio a palestra, falou sobre tudo: Sobre como foi escrever a saga Harry Potter, sobre os novos livros, fãs, família e projetos para o futuro. Continuávamos sentados ouvindo atentamente. Peter não largava minha mão e às vezes me olhava e sorria. Connor estava com os amigos e Jeniffer estava na mesma mesa que ele. Será que eles estão falando de nós?, pensei. Olhei para Louis, ele estava esbanjando felicidade, todas as vezes que Rowling abria espaço para as perguntas ele perguntava, ela já estava o chamando de “menino loirinho adorável”. Eu estava feliz.
J.K Rowling continuava falando quando uma coisa me chamou atenção:
_ Da onde a senhora tira inspiração para suas histórias? Ou melhor, da onde tirou inspiração para escrever Harry Potter? – perguntou uma menina do primário.
_ Boa pergunta. – disse ela. – Bom... Como é difícil explicar isso, mas minha inspiração vem de um mundo de sonhos, um mundo que eu gostaria de viver.
_ Que pena que ele não existe. – falou a menina.
_ Talvez ele exista minha querida. – ela respondeu.
Rowling virou o olhar e agora estava olhando na direção da minha mesa, eu não sei exatamente se ela estava olhando para mim, mas isso me deixou desconfortável.
A palestra acabou e o diretor anunciou que a escritora ficaria conosco até o final do baile. Nos levantamos e já havia gente na pista.
_ Quero falar com ela. – disse a Peter me referindo a Rowling.
_ Não. Agora não, olhe. – ele fez uma aceno com a cabeça na direção dela, ela estava rodeada por alunos. – Você vai ter tempo de falar com ela. Vem comigo?
_ Aonde vamos? – perguntei.
_Você vai ver. – ele sorriu.
Peter pegou minha mão e começou a me puxar pela multidão, tive um pouco de dificuldade por causa do salto e do vestido, mas ele teve paciência e me ajudou.
Chegamos. A piscina. Ela estava linda com o mesmo estilo de decoração que a quadra.
_ Está escutando a música? – perguntou Peter.
Parei para escutá-la, era uma música antiga com a batida lenta, não a conhecia, mas sabia que era romântica.
_ Quer dançar? – perguntou ele.
_ Ãn, ah não... – fiquei sem graça – Eu não sei dançar.
_ Fica tranquila, é só fazer o que eu fizer. – ele falou.
_ Ta bom. – sorri.
Eu devia estar igual um pimentão de tanta vergonha.
Ele pegou minhas mãos e levou até o seu pescoço. Assim que as colocou no seu devido lugar para uma dança, segurou na minha cintura e me puxou mais para perto. Começamos a balançar no ritmo da música, quase nem movíamos os pés, estávamos mais abraçados do que dançando. Comecei a me sentir mais confortável e coloquei meu rosto no peito dele enquanto dançávamos, ficamos assim até a música acabar.
_ Viu. – disse ele quando voltei a encará-lo. – Não foi tão ruim.
_ Tem razão. – sorri.
_ Seu sorriso é lindo. – falou.
_ Você está me deixando sem graça. – sorri novamente.
_ É bom porque eu vejo você sorrir de novo. – disse ele.
Eu não respondi, mas exibia a minha felicidade. Peter colocou a mão em meu rosto e começou a acariciá-lo, ele estava ficando cada vez mais perto. Fechei os olhos e esperei, sentia a sua respiração e os seus lábios chegarem e quando estávamos quase nos beijando a voz de Elizabeth nos interrompeu.
_ Acho que essa não é a hora de vocês se beijarem. – disse ela assim que voltamos a realidade e a vimos.
_Pensei que você ia demorar mais. – disse Peter. — Conseguiu?
_ Demorar mais? Conseguiu o que?. – eu olhava para os dois. – Você não tinha um compromisso? – perguntei a Elizabeth
_ Nossa – disse ela. – Quantas perguntas! Sim, eu consegui e sim, eu tinha um compromisso.
_ Conseguiu o que? – perguntei.
_ Amy, temos que te contar uma coisa. – disse Peter.
Eu sai de perto dele.
_ Podem começar. – cruzei os braços e esperei que um dos dois começassem a explicar. Eles se entreolharam e Peter começou a falar:
_ Bom, eu sei que você vai achar um absurdo, mas deixa a gente terminar de falar, ta bom? – perguntou.
_ Ok. – respondi seca.
_ Amy, o seu pai está certo. – começou ele. – Existe um mundo além desse, um mundo mágico e esse mundo precisa de você.
Eu ri. Um mundo mágico que precisa de mim? Que piada.
_ Amy, é sério – falou Elizabeth. – Você quer uma prova?
_ É claro que quero! – falei parando de rir.
Elizabeth carregava uma bolsa, para falar a verdade era um saco de aparência antiga e o mais estranho, ela tinha uma espada.
_ Foi difícil a convencer de vir. – disse ela tirando um pote de vidro do saco. – Ela é bem durona.
Ela me entregou o pote e tudo o que eu vi foi uma pequena luz verde dentro do recipiente.
_ Olha eu acho que vaga-lumes não existem só nesse seu mundo ai. – falei.
_ Olhe direito, Amy. – falou Peter.
Eu olhei.
A Luz verde foi diminuindo e pude ver uma pequena silhueta humana e asas. Ela era toda verde, mas tinha os movimentos idênticos a de um humano e voava.
_ Uma fada! – Falei assustada.
_Uma fada do jardim da Celestial. – corrigiu Elizabeth.
_ Co... Como fez isso?! – eu não conseguia tirar os olhos daquela criatura.
_ Eu não fiz nada – respondeu ela. – Elas nascem das flores.
_ Amy, você vai ter muitas explicações, mas não vai ser aqui e nem ago... – Peter foi interrompido.
_ GUERREIROOOS. – falou uma voz metálica atrás de mim.
Eu olhei pra a direção da voz, ela estava vindo do céu. Uma criatura escura sobrevoava nossas cabeças e quando se aproximou pude reconhece-lo, o demônio do meu sonho!
_CORRE AMY! – gritou Peter.
Eu corri para o seu lado.
Elizabeth levantou sua espada e tentou golpear o demônio, mas a criatura veio na minha direção.
Acabei tropeçando por conta do vestido e Peter se pôs na minha frente para me proteger. Ela não conseguiu o atingir. Levantei e rasguei o vestido para que eu pudesse correr. Peter segurou minha mão e continuamos fugindo da fera, mas alguma coisa deu errado, ela me atingiu na cabeça e depois minha costela, Peter não segurava mais minha mão. Tudo estava ficando embaçado, vi Elizabeth lutando contra a criatura e Peter vindo na minha direção. Tropecei mais uma vez e cai na piscina. Eu não tinha força para nadar, parecia que eu estava envenenada, afundei cada vez mais e a ultima imagem que vi antes de deixar esse terrível mundo foi Peter nadando para me salvar.

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