Don't Stop Dream
12 A verdade.
Notas iniciais
Eu estava tentando abrir minhas pálpebras, mas elas estavam pesadas. O cheiro de remédios estava forte e minha cabeça doía muito.
Fui abrindo os olhos aos poucos, uma luz forme pediu passagem, estava tudo embaçado. Quando consegui focar minha visão percebi que estava em uma cama e Peter estava debruçado sobre ela dormindo. Ele segurava minha mão.
_Pe... Peter... – eu tentei chamá-lo, mas minha voz saia muito fraca. Mesmo assim ele acordou.
_ Amy?! – ele se levantou e veio mais para perto. Colocou a mão no meu rosto. – Mãe, ela acordou! – ele gritou. – Como você está? – disse ele se virando para mim novamente.
_ Fraca. – falei.
Uma mulher entrou no quarto. Seu cabelo era preto e os olhos eram iguais aos de Peter, aparentava ter uns 45 anos.
_ Como você está meu amor? – disse ela segurando a minha mão.
_ Me sinto fraca e minha cabeça dói. – disse ainda com a voz fraca.
_ Não sente nada na costela? – ela perguntou.
Me lembrei da mordida na costela. Então era verdade, tudo que eu pensei que era apenas minha imaginação aconteceu! O que aquele demônio queria comigo?!
_ Eu não sinto nada na costela. – respondi.
_ Então eu acho que as minhas suspeitas estão certas. – disse ela olhando para Peter.
_ Eu vou morrer? – perguntei.
Ela riu.
_ Não. – falou. – Isso é o estranho.
_ Será que vocês podem me explicar o que está acontecendo? Porque aquela coisa me atacou? – falei.
_ Aquilo era um demônio da noite, Amy. – começou Peter. – Pensamos que eles tinham sidos extintos. – falou.
_ Mas por incrível que pareça. – falou a mulher. – Ele queria você viva.
_ Como assim? – perguntei. – Ele me atacou!
_ Ele poderia ter te matado com apenas uma mordida, mas examinamos a sua mordida e ela não estava envenenada.
_ Os demônios da noite possuem vários tipos de veneno. – falou Peter. – Na verdade, aquele era um demônio jovem e não sabemos o que ele realmente queria, mas ele preferiu machucar eu e Alice.
Olhei para o braço esquerdo de Peter, ele estava enfaixado... Espera ai, quem é Alice?!
_ O que aconteceu com o seu braço? E quem é Alice? – perguntei.
_ Peter foi mordido e envenenado, mas a Senhora Hayes retirou o veneno antes que se espalha-se. – falou uma voz atrás de mim, uma voz familiar. – E eu sou Alice.
Me sentei na cama com muita dificuldade e Peter me ajudou. Olhei para a direção da voz.
_ Elizabeth?! – perguntei. – Como assim Alice?!
_ Tive que inventar uma forma e um nome para que ninguém me reconhecer. – ela falou .
_ Pelo amor de Deus. – fale exaltada. – Me expliquem o que está... Ai! – minha cabeça doeu.
Voltei a me deitar.
_ Deite-se, Amélia – falou a mulher que eu ainda não conhecia. – Sou a mãe de Peter, Karen Hayes, sou médica. Vou cuidar de você e ai você vai poder ter todas as explicações que quiser.
Eu assenti e deixei que ela cuidasse de mim.
xxx
Passei o dia todo nos cuidados da Senhora Hayes, ela era muito legal, ela me contou que aqui é sua casa e tem essa pequena enfermaria para os imprevistos e esse é um deles. Falamos de tudo, menos do mundo estranho que eu acabei de descobrir que existe. Peter não saia de perto de mim, me trazia comida e me fazia carinho. Elizabe... quer dizer, Alice também vinha de vez em quando me ver e trazia com ela aquela estranha fada verde.
Srª Hayes me deixou, disse que já estava tarde e falou para mim dormir. Peter permaneceu comigo.
_ Você não acha que já fez muito por mim? – perguntei. – Vai dormir.
_ Não. – ele riu. – Quero ficar aqui e garantir que você não terá pesadelos.
_ Sua presença vai me ajudar? – perguntei.
_ Minhas orações ajudaram. – falou ele.
Me lembrei do sonho em que a voz de Peter pedia proteção a alguma coisa.
_ Você pedia todos os dias para mim não ter pesadelos? – perguntei.
_ Sim. – falou.
_ Eu já escutei uma vez! – falei.
_ É, talvez um dos meus objetivos fosse que você ouvisse mesmo. – falou ele e deu um fofo sorriso de canto de boca. Ele chegou mais perto e começo a acariciar meu cabelo.
_ Obrigada Peter. – falei.
_ Você não tem que me agradecer – respondeu ele. – Vou estar com você sempre. A cabeça ainda está doendo muito?
_ Não – disse colocando a mão no ferimento. – Melhorou bastante.
_ Ok – falou. – Agora dorme, vou ficar aqui.
Eu ri e fechei os olhos. Peter ficou fazendo carinho em mim até eu pegar no sono.
No meu sonho não havia Peter nem nenhum demônio. Eu estava em um jardim infestado de fadas.
xxx
Acordei e Peter não estava lá. Me sentei na cama com muito mais facilidade e minha cabeça doía muito pouco. Coloquei o pé no chão e me atrevi de andar, fui me escorando nas paredes até sair do quarto, estava em um corredor cheio de portas. Continuei andando, a casa de Peter era realmente linda e grande. Continuei andando até que encontrei uma escada, uma menininha linda estava subindo, a irmã de Peter que eu vi no parque.
_ Você saiu da cama?! – falou ela assustada. – Você ainda está fraca. Fiquei ai que eu vou chamar meu irmão para te ajudar.
_Não, não. – disse antes dela voltar a descer as escadas. – Eu estou bem, só estou com fome. – ri.
_ Meu irmão está na lá em baixo fazendo o seu café. – falou ela. – Consegue ir até lá?
_ Acho que sim.
Ela estendeu a sua pequena mãozinha e sorriu. Fomos na direção da escada, ela me ajudou a descer as escadas e no caminho para a cozinha não largou minha mão.
_ Como é o seu nome? – perguntei.
_ Sou Luna. – disse ela colocando a mão no peito. — E você é a Amélia. – ela apontou para mim.
_ Isso ai. – sorri.
_ Seu nome é bonito.- falou ela.
_ O seu também. – respondi.
Chegamos em uma imensa sala de jantar e a mesa estava ocupada. Senhora Hayes, Alice, um homem de cabelos grisalhos e olhos claros e os gêmeos que vi com Peter no dia do parque, mas o que mais me impressionou, J.K Rowling!
_ Luna – disse a Senhora Hayes se levantando e vindo até nós. – Você tirou a Amélia da cama? – perguntou.
_ Não mamãe. – falou ela. – Encontrei com ela na escada.
_ É senhora Hayes. – falei. – Sai do quarto sozinha e pedi para Luna me trazer aqui. — falei livrando a barra da criança.
_ Como você está? – perguntou ela.
_ Bem melhor. – respondi.
Olhei novamente para Rowling, ela me encarava.
O homem de cabelos grisalhos se levantou e veio me cumprimentar.
_ Sou Roger Hayes – ele apertou minha mão. – Pai de Peter.
_ Amélia Cowell. – o cumprimentei.
Nesse momento Peter entrou na sala.
_ Amy? – falou ele espantado. – Como você saiu do quarto?
Depois de explicar para Peter que estava tudo bem nos sentamo-nos à mesa e fui apresentada para Nick e Alex, os gêmeos e J.K Rowling. Se não fosse pela minha duvida sobre isso tudo eu iria gritar só por estar apertando a mão da escritora.
Tomamos nosso café em silêncio. Senhora Hayes falou que depois do café todas as minhas duvidas vão ser esclarecidas.
Depois do café fomos todos para sala que por sinal era muito grande. Me sentei ao lado de Peter e Luna.
_ Amy. – falou Peter. – Trouxemos a Senhora Rowling aqui para te explicar melhor, achamos que você iria gostar de ouvi-la.
_ Tudo bem – me virei para ela. – Pode começar.
_ Amélia – ela falou. – Eu sei que você deve estar achando isso tudo uma loucura, mas não é. Da onde acha que eu tirei inspiração para escrever Harry Potter?
_ Está me dizendo que Harry Potter existe? – perguntei.
_Não, não. – ela sorriu. – O mundo que Peter te falou ontem foi a minha inspiração para escrever a história. – ela fez uma pausa esperando que eu falasse alguma coisa, mas eu não falei. – Lá existe bruxos, centauros, fadas e uma infinidade de criaturas que você encontra nos livros que lê.
_ E guerreiros – falou Peter. – Como nós.
_ Como nós? – perguntei. – Você e Elizab... – esqueci de novo. – Alice, né?!
_ Não Amy. – falou ele. – Você também.
xxx
Sabe, é difícil descobrir que a sua vida é uma tremenda mentira. Quem eu sou de verdade? Amélia Halle Cowel, uma guerreira de um mundo místico que nem mesmo um nome tem. E o melhor de tudo: minha família vem de uma linhagem de guerreiros imortais. Minha mãe, Margareth Cowell era A ESCOLHIDA, mas depois de sua morte esse peso passou para mim.
Os dois mundos estavam por um fio. O universo não suporta duas realidades, o mundo dos humanos e o mundo mágico esta lutando para sobreviver, um deles terá que ser extinto. Segundo uma profecia apenas uma mulher nascida da união entre um mortal e um imortal poderia acabar com isso, minha mãe era essa mulher.
Assim que minha mãe descobriu sobre a profecia ela fugiu para o mundo os mortais e conheceu meu pai, eles se apaixonaram e ela engravidou. Meus avós vieram atrás dela e ficaram para protege-la. O tempo foi passando e ela engravidou de Louis. Os humanos que sabiam sobre a profecia a acharam e começaram a cercá-la para que ela pudesse salva-los, mas ela não quis trair o seu mundo e recusou. Eles decidiram mata-la. Minha mãe morreu aos poucos, envenenada.
Estou em casa, pedi para Peter me trazer, precisava esclarecer tudo com a minha família. Eles me contaram toda a história, mas era muita informação em para apenas um dia. A mãe e o pai de Peter também vieram.
_ O que você vai fazer, Amy? – perguntou meu pai.
_ Eu não sei. – falei. – Não posso simplesmente deixar as pessoas que eu amo aqui para morrer!
_ Mas você tem que proteger o mundo em que nasceu. – falou Peter. – Eu também tive que fazer uma escolha e escolhi o meu mundo.
Peter nasceu na mesma aldeia de guerreiros que eu e na verdade não morou na China, ele estava treinando como guerreiro no outro mundo. Ele passou 20 anos lá e não envelheceu. Claro, é imortal. Fico me perguntando quantos anos ele deve ter. Cada 10 anos lá corresponde a apenas um ano para os mortais.
_ Eu não sei, já falei. – eu estava irritada. – Preciso de um tempo para pensar.
_ Você não tem tempo para pensar. – falou Peter. – Aquilo que te atacou foi um demônio da noite! Ele fica mais forte depois do por do sol, ele pode te achar e te atacar de novo. Você vai estar segura depois da fronteira! – ele estava exaltado.
Olhei para a minha família.
_ E Louis? – perguntei.
_ Eu posso buscar ele agora. – falou meu pai se levantando.
_ Vá rápido George. – falou o Senhor Hays. – Leve ele para minha casa. Meu pai se foi e meus avós começaram a arrumar suas coisas.
Vamos para um mundo onde tudo é possível, ou não.
Fale com o autor